Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão?

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tiririca
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Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão?

Mensagempor tiririca » 04 abr 2011, 16:51

Assunto: Porque razão não estão a ocorrer episódios de pilhagens e vandalismo no Japão?

Enquanto o Japão conta os mortos (quase 17 mil, segundo as últimas estimativas oficiais) e eleva de quatro para cinco o nível de alerta nuclear, já a dois níveis do que se atingiu em Chernobyl, um jornalista da CNN, Jack Cafferty, não esconde a surpresa e faz uma pergunta:

«Tendo em conta a escassez de comida e a incrível destruição, incluindo em Tóquio, por que razão não estão a ocorrer episódios de pilhagens e vandalismo no Japão?»

Cafferty estabelece um paralelo com o que sucedeu no seu próprio país depois da passagem devastadora do furacão Katrina e cita um colega, Ed West, do Telegraph.

West escreveu uma crónica na qual se confessava «estupefacto» pela reacção ordeira do povo japonês ao terramoto e ao tsunami, e do sentimento de solidariedade que encontrou um pouco por todo o lado.

«As cadeias de supermercado baixaram drasticamente os preços dos produtos assim que ficou clara a dimensão da catástrofe», conta Ed West. «Vendedores de bebidas começaram a distribui-las gratuitamente, com a justificação de que todos trabalhavam para assegurar a sobrevivência de todos».

Cafferty adianta uma explicação: «os japoneses possuem um código moral tão elevado que se mantém intacto mesmo nas horas mais sombrias, mesmo quando só existe destruição em redor

Esta atitude não é por caridade. É SOLIDARIEDADE!
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor matahary » 05 abr 2011, 08:24

um código moral tão elevado

Sério? Deve ser por ser homem. Se calhar, se fosse mulher, não acharia o código moral dos japoneses assim tão elevado!
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor tiririca » 05 abr 2011, 12:05

Não tenho um conhecimento avalizado da realidade da sociedade japonesa. O que sei, resume-se a pequenas histórias soltas, curiosamente, todas positivas. Não sei a que te referes em concreto. Os japoneses não compõem seguramente uma sociedade perfeita, mas há que convir que esta atitude colectiva que têm vindo a demonstrar, é ÚNICA! E digna do meu maior respeito e consideração.
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor JoaoP » 05 abr 2011, 13:09

Oh matahary, até quando eu pensava que vinha aí algo concordante da tua parte...voltas a surpreender (com razão, é certo) mas não te escapa uma :D

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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor matahary » 05 abr 2011, 13:28

tiririca Escreveu:Não tenho um conhecimento avalizado da realidade da sociedade japonesa. O que sei, resume-se a pequenas histórias soltas, curiosamente, todas positivas. Não sei a que te referes em concreto. Os japoneses não compõem seguramente uma sociedade perfeita, mas há que convir que esta atitude colectiva que têm vindo a demonstrar, é ÚNICA! E digna do meu maior respeito e consideração.

Então, é simples, antes de falar, dá-te ao trabalho de ler um pouco sobre a "moralidade" dos japoneses, que, cá por mim, preferia que eles pilhassem e roubassem e triplicassem o preço dos bens de 1ª necessidade.

É certo, nenhuma sociedade é perfeita, mas, no caso do Katrina, os únicos que falharam foi o Estado, porque, de resto, houve (e continua a haver) muita solidariedade, numa comunidade muito pobre. Esta é a eterna mania de dizer que "a galinha da vizinha é melhor do que a minha".

O teu problema é que dás muito valor aos bens materiais.

Mesmo que não conheças a realidade japonesa, sabes perfeitamente que a moral deles choca, obrigatoriamente, com o facto de não terem fechado a Central, ou remodelado, quando lhes foi dito para o fazerem. Moral igual a de todos nós.


JoaoP,
Em assuntos com o Tiririca dificilmente teremos opiniões "concordantes". Somos como água e azeite. :D
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor JoaoP » 05 abr 2011, 21:03

Hmmm isso bem fervido ainda vai lá.

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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor tiririca » 05 abr 2011, 21:14

matahary Escreveu:JoaoP,
Em assuntos com o Tiririca dificilmente teremos opiniões "concordantes". Somos como água e azeite. :D


Atendendo à substância activa de que cada um é feito... E não só, eu sou o azeite! :D
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor matahary » 05 abr 2011, 21:25

Lembram-se, em 1981, daquele azeite espanhol?
O Tiririca é desse.
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor tiririca » 05 abr 2011, 21:26

Encontrei este texto em castelhano. Traduzi-o às três pancadas, mas asseguro que o sentido é este

--

Cultura Japonesa
Gonzalo García Estévez



1. Uma característica muito especial da língua japonesa é a existência de níveis ou tipos de discurso de acordo com a situação - linguagem comum, ou língua humilde e linguagem honrosa, dependendo do grau de respeito pela pessoa em questão. Mas neste último caso, é necessário possuir um domínio absoluto da linguagem para aplicar essa distinção.

As diferenças nos modos de comunicação entre homens e mulheres diferem apenas no respeito. As mulheres têm um respeito absoluto pelo homem. Mas as gerações mais novas já não se dão ao trabalho de preservar esta tradição. A este respeito são muito mais radicais e inconformistas (pelo menos em relação à Europa).

2. É uma ofensa muito séria em algumas circunstâncias, dizer não, como um convite para jantar ou almoço, para participar numa reunião de café, ou mesmo ir a um karaoke. Nesse sentido, eles são mais quadrados do que os alemães, às vezes pode dar a impressão de se estar a lidar com robôs .... Mas para os ocidentais, pelo simples facto de serem ocidentais (não conhecerem a cultura e tradições nipónicas), será perdoado o "descuido" no comportamento.

3. Os homens são muito machistas (mas as mulheres também têm comportamentos que o “incentivam”). Numa reunião, quem assume a liderança parece ser sempre o homem. Para um japonês, a empresa onde trabalha é como a sua casa, é o seu ambiente. Têm-lhe um respeito absoluto e lutam por ela independentemente de sua posição, salário ou status. O grau de articulação e relação entre empresa - empregado é muito estreita, nunca ouvi ninguém dizer que eles estão insatisfeitos com a sua empresa. A taxa de rotatividade é extremamente baixa. É muito normal ver uma pessoa passar toda a sua vida útil na mesma empresa. Quando ocorre uma rotação interna ou uma mudança de funcionário do departamento é uma tragédia e um evento.

Quanto à "voz", em reuniões, sempre, sempre, começa e termina falando o chefe. A figura do chefe é sagrada aqui, a hierarquia é importante e ninguém pode saltar por cima.

A cabeça do chefe deve estar sempre acima da do subalterno. Mesmo quando o chefe está sentado, o subordinado ou qualquer um dos outros integrantes da equipa, têm de dar informações ou falar com ele agachados (é sinal de educação e respeito), pois seria uma ofensa grave que o empregado estivesse numa posição mais elevada.

4. Regras de cavalheirismo: As mulheres têm uma postura de cortesia perante o homem, que é o oposto do que acontece na Europa. A mulher deixa o homem entrar primeiro no elevador, no metro, etc. Numa situação em que você deseja dar cortesia às senhoras, elas geralmente são inflexíveis e mantêm-se fixas nas suas posições à esperar que você passe.

5. Não são xenófobos, por vezes, têm um sentimento de superioridade para alguns países, mas não menos do que um americano, Francês, Inglês, etc. A ideia reinante é que o Ocidente está muito atrasado, por exemplo, no sector de tecnologia ou no sector das comunicações. Pensam que o Ocidente está atrás deles.

Tratam especialmente bem os trabalhadores ocidentais que lá vão parar. Têm-lhe muito respeito e consideração, convidando-os para almoços e jantares todas as semanas, e é habitual presenteá-los com abundância. No trato humano e pessoal superam largamente o Ocidente, pois eles preocupam-se seriamente que não te falte nada.

6. Seria impensável um japonês copiar ou plagiar. É contra os princípios básicos, que são as normas, ética e moral de um japonês. Um cidadão nipónico nunca, jamais, pode ignorar esses princípios básicos. As taxas de roubo, homicídio, por exemplo, estão entre os mais baixos do mundo. Eles também têm uma das menores taxas de pirataria de software, filmes, música ou outros artigos (a venda ambulante é proibida).

Sociedade:
Quando um ocidental aprende suficientemente japonês para conversar com eles e tem que trabalhar 13-14 horas ou mais por dia, apenas para que a empresa esteja bem, você percebe o quanto eles são diferentes. O Japão tem uma cultura única de admiração para com as empresas. Nos cartões de visita, primeiro vem o nome da empresa e só depois o nome do funcionário.

A empresa é o mais importante, temos de dar tudo para a empresa, siga as regras à letra. Em suma, os japoneses fazem o que têm a fazer e não questionam nada. Ninguém reclama, e mexer na estrutura da empresa poderia trazer grandes problemas, logo, ninguém faz nada para arranjar encrencas. O japonês faz tudo seguindo as regras escritas. Fazer horas extras é a forma que o trabalhador tem de agradecer à empresa e indirectamente ao seu país por não viver em crise económica. Mas em função disso, os benefícios são impressionantes. Acredite que as empresas ocidentais são bem menos generosas para com os seus empregados.

A conclusão é que em tudo, o Japão segue o “caudal do rio”, a burocracia é muito rígida e todos seguem as regras escritas. E tudo funciona perfeitamente. É admirável, mas há sempre coisas que se podem melhorar, mas com medo de ser rejeitado pela empresa ou pela sociedade, ninguém faz nada para alterar o que poderia ser melhorado. Como em todos os países do mundo, também há problemas: excesso de trabalho, os homens apalpam o rabo das mulheres nos comboios superlotados, suicídios, para dar alguns exemplos. Mas ninguém diz nada, nem faz nada, agem como se nada tivesse acontecido, como se fosse normal. Ou seja, basta seguir o caminho indicado e não há problemas.

Negócio:
Um dos fenómenos mais importantes, se não o mais importante numa reunião é a troca de cartões de visita. Para eles é ABSOLUTAMENTE transcendental. Quando alguém lhe oferece um cartão (Meishi), você tem que tratá-lo como se lhe tivessem dado uma pedra preciosa muito delicada. Deve tratá-lo com todo o respeito que possa imaginar, fazendo mil vénias, curvando-se e agradecendo. Ao ler o cartão, deve ler em primeiro lugar o nome da empresa e só depois o nome da pessoa e, guardando-o de seguida em local adequado. É um sinal de enorme falta de respeito guardar o cartão directamente no bolso. Todo a gente tem um suporte de cartões, e é aí que você deve guardar o novo cartão que lhe foi dado. Eles entendem que se alguém não trata com respeito o cartão, também não vai tratar com respeito a pessoa e isso, não é uma boa referência para um negócio.

Para um ocidental é divertido fazer vénias, é como uma peça de teatro.

Outro ponto importante é o figurino, você tem que ir de fato e gravata, estritamente em tons escuros. Consideram ofensivo que se apresente numa reunião sem estar vestido adequadamente

--

O texto é muito básico, a sociedade japonesa há-de ser muito mais do que isto. Do que aqui se lê, podemos afirmar que existe uma diferença cultural entre a cultura ocidental e a cultura japonesa. As criticas que lhes possamos apontar, também eles, à luz da sua cultura, nos poderão apontar a nós, obviamente outras e em igual número.

Nós, mais concretamente os portugueses, estamos no campo oposto. Temos uma cultura de laxismo, em contraponto à deles, que é de profundo rigor. Nós estamos na banca rota. Eles são a terceira maior potência mundial e a vanguarda tecnológica.

Aos nossos olhos?! São exóticos!
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor matahary » 05 abr 2011, 21:37

Eles, japoneses, não precisam de apontar nada. Tu já disseste tudo o que temos de mau (julgo eu - ou ainda há mais?)

O texto, ou quem o escreve, é parcial.
Não é nada disto. Continua à procura.
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor tiririca » 05 abr 2011, 21:47

matahary Escreveu:Lembram-se, em 1981, daquele azeite espanhol?
O Tiririca é desse.


Hmmmm 1981?! Não, nada disso, nessa altura as azeitonas ainda estavam verdes!


matahary Escreveu:O texto, ou quem o escreve, é parcial.
Não é nada disto. Continua à procura.


Vai tu!
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor matahary » 06 abr 2011, 07:56

"Vai tu"?!?
A que propósito vem isto?!?
Eu não preciso de procurar nada. Aqui, quem ignora parte da moralidade japonesa és tu. E ficava-te bem, antes de falares sobre o assunto, conheceres o seu todo.
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor tiririca » 06 abr 2011, 20:34

Matahary Escreveu:cá por mim, preferia que eles pilhassem e roubassem e triplicassem o preço dos bens de 1ª necessidade.

Estás a falar a sério?! Ou isto foi apenas um lapsus calami?

Dizes tu que no caso do Katrina, apenas o Estado Falhou. Pois a mim, parece-me que os nipónicos não esperam pelo Estado, agem como um todo, em sintonia com o Estado, claro. São indubitavelmente únicos no mundo. Mais ninguém se comporta assim.

Matahary Escreveu:O teu problema é que dás muito valor aos bens materiais.

O teu problema é produzires estas frases lapidares, sentenciais, sem qualquer tipo de sustentabilidade intelectual.

Matahary Escreveu:"Vai tu"?!?
A que propósito vem isto?!?
Eu não preciso de procurar nada. Aqui, quem ignora parte da moralidade japonesa és tu. E ficava-te bem, antes de falares sobre o assunto, conheceres o seu todo.

A expressão "Vai tu!" está incompleta. Era suposto que fosse "Vai tu por mim!". Mas não sei o que raio aconteceu ao "por mim!". Depois, como tenho o mau hábito de não rever o que escrevo, só agora me dei conta da "secura" da frase. Muito provavelmente tu dirias «Temos pena», eu digo «paciência, vale mais tarde que nunca»

Mas voltando ao tema, pessoalmente não tenho grande interesse em escalpelizar a moralidade colectiva dos nipónicos. Admiro-os por terem este tipo de comportamento. Em mais nenhum país do mundo as pessoas se comportam assim. São efectivamente únicos.

Ficava satisfeito se os responsáveis deste país, dos locais aos nacionais, demonstrassem na prática, possuir um décimo da honestidade de um japonês médio! Seguramente não teríamos chegado à situação actual que, para além de dramática, é vergonhosa! Somos sistematicamente uns falhados! Falhamos no antigo regime. Falhamos na monarquia constitucional. Falhamos na primeira república. Falhamos na segunda república e falhamos agora na terceira república! É óbvio que o problema não está só nas lideranças. Está também neste povo encarneirado que não as controla, que prefere ir para a praia em vez de ir votar, ques ó se interessa por futebol e novelas, que se poder piratear a TV Cabo não olha sequer para trás... Que pena estarmos tão longe dos japoneses!
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor Luminis » 06 abr 2011, 22:27

Com os nossos defeitos, acho que todos nós adoramos ser Portugueses...
Um garrafão de vinho às costas, umas boas febras e bom acórdão ou concertina a tocar uma músicas, nada melhor para arregalar a alma. O grande problema é as discotecas, os shots, a droga, a vida moderna... e o problema do outro português é o sado-masoquismo e a ideia de querer ser igual aos outros (alemães, dinamarqueses, noruegueses, ingleses), nos bens materiais.
Muitos dos portugueses não gostam de trabalhar é certo, por isso são outra coisa qualquer, talvez ainda no subconsciente, espanhóis, ou franceses, porque os do Algarve são mais para inglês ver...
O verdadeiro Português com o qual me identifico, trabalha. E muito. Pensa nos valores, na família, na solidariedade, na amizade, nos valores morais, vai à missa ao domingo e reza à noite antes de se deitar, coisa que não faço, mas também não sou o melhor exemplo!...
O verdadeiro português quando chove dá graças porque essa água rega as colheitas, se faz sol agradece na mesma porque pode trabalhar na lavoura. O outro português, quando chove mete-se nos centros comerciais a gastar o cartão de crédito e quando faz sol vai para a praia... depois admira-se que não tenha dinheiro!
Não, não é só agricultura, nem agricultores! É ter que deixar a família, os amigos e ir trabalhar para a terra dos outros, agora falo dos polícias!... Adoraria escrever, mas...
A vida dos outros e muitos portugueses é: discoteca, mais uma divida, um bom carro, uma grande casa, e, no fim, vivem sozinhos. Vivem na solidão existencial e agora estão com o cu a tremer por causa do fmi e companhia.
Sou natural de uma pequena aldeia, onde a solidariedade ainda se mantém, sem prejuízo de alguma inveja, mas quem é perfeito. Contudo, quando alguém sofre, quando alguém precisa, o Povo ajuda. Se ajuda...
Ainda ontem, por causa de uma pessoa que precisa urgentemente de medula óssea, estive e acompanhei pessoas que aguardaram cerca de 4 horas numa fila, para lhes ser retirado três amostras de sangue. O serviço de recolha era para ser feito das 10 às 17 horas mas às 13 horas disseram que já não atendiam mais ninguém porque se tinham esgotado os frascos... uma fila de espera, debaixo de Sol e à fome...
Não. Pode haver arruaceiro, corruptos, assassinos, ladrões, mas o verdadeiro Português é esse mesmo. O melhor dos exemplos atrás descritos, seja ele qual for...
Que culpa tem um filho se os pais são uns vadios. Nós somos os filhos o poder politico os pais!...


Orgulho-me de ter nascido numa família de agricultores que desde criança me obrigaram a trabalhar. No inverno tinha de mijar nas mãos para as aquecer e no Verão o dia só terminava por volta das 23 horas...
" ... ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam." - Salmos 23:1-6
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor matahary » 06 abr 2011, 23:18

Luminis,
Espero que essa prática usada para aquecer as mãos não subsista. :D


Não foi lapso nenhum, não, Tiririca.
Agora já faz mais sentido a frase; estava já a pensar que te metias na bebida...

Ó criatura, não digas mais nada! Que pena estarmos tão longe dos japoneses?!?
Isso é uma ofensa para quem se depara com problemas tão grandes, e crescentes, como os problemas que os japoneses se deparam, incluindo colegas teus!

Não sabes o que tens, por isso desdenhas...

Eles não aumentaram o preço da gasolina, depois do marmoto?
E os velhos que lhes morrem e que a família não informa as autoridades, para que possam continuar a receber o dinheirito? E isto é de tal forma recorrente, que os investigadores começam a suspeitar da veracidade no que toca a ser o país com mais velhos e com idades mais avançadas.
Que rica moral... Ai, estes japoneses não são humanos. De que galáxia terão vindo?
Mas, lá está, isto ainda é o de só menos importância...
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor tiririca » 08 abr 2011, 17:01

matahary Escreveu:Não foi lapso nenhum, não, Tiririca.

Nesse caso, não compreendo e muito menos aceito as tuas afirmações. Isso só é próprio de um povo selvagem e sem princípios. Admira-me que defendas tal coisa!
matahary Escreveu:Ó criatura, não digas mais nada! Que pena estarmos tão longe dos japoneses?!?
Isso é uma ofensa para quem se depara com problemas tão grandes, e crescentes, como os problemas que os japoneses se deparam, incluindo colegas teus!

Refiro-me à mentalidade colectiva. Eles são cultos, sérios, honestos, cívicos, abnegados, trabalhadores e organizados. Parece-me que estamos bem longe deles... Ou não?!

matahary Escreveu:Não sabes o que tens, por isso desdenhas...

Eles não aumentaram o preço da gasolina, depois do marmoto?
E os velhos que lhes morrem e que a família não informa as autoridades, para que possam continuar a receber o dinheirito? E isto é de tal forma recorrente, que os investigadores começam a suspeitar da veracidade no que toca a ser o país com mais velhos e com idades mais avançadas.
Que rica moral... Ai, estes japoneses não são humanos. De que galáxia terão vindo?
Mas, lá está, isto ainda é o de só menos importância...

Como já disse, eles não compõem uma sociedade perfeita (simplesmente porque não existem sociedades perfeitas), terão seguramente muitas coisas que se lhes apontem. Mas também têm muitíssimos aspectos positivos, de tal forma que, são únicos no mundo. Nenhum dos seus vizinhos se comporta assim e, também têm os olhos em bico! Logo, isto não é uma questão de "raça"! A fama de trabalhadores é comum a todos os asiáticos, mas as parecenças terminam aí. Se dúvidas houvesse, basta saber que são a única democracia sólida em toda a Ásia (não excluo a Coreia do Sul e Taiwan, que também são democracias. Mas a sua situação belicista face ao Norte e à China, tornam-nas periclitantes).
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor matahary » 09 abr 2011, 21:08

Mas por acaso o Japão está à venda?
Não estou interessada.

Até poderia gostar muito das ideias (comportamento/atitude) deles, mas bastou-me uma ou duas que foram o suficiente para não conseguir sequer imaginá-los um lá nos píncaros da moralidade. Dá para comprrender?

Já te disse, mas posso voltar a dizer: para mim as pessoas valem mais do que os bens materiais. Logo, por exemplo, preferia que andassem a pilhar, que a violar adolescentes. Compreendo mais facilmente que roubem numa situação destas, que violem. Prefiro que roubem, que se suicidem. Prefiro que roubem, que aumentem a criminalidade violenta. Estamos entendidos? Espero que sim.
Prefiro mil vezes a minha sociedade do que a dos japoneses!

Inteira-te do todo da sociedade actual japonesa e larga-me a braguilha, faxavor.
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Re: Porque razão não ocorrem pilhagens e vandalismo no Japão

Mensagempor tiririca » 09 abr 2011, 22:01

Apontas defeitos que são comuns a todas as sociedades. Suicídios? Onde os não há? Olha, o nosso Alentejo é pródigo neles, infelizmente. Violações? Por cá, os pais, os tios, os avós, os vizinhos também violam crianças! E depois, até temos a casa pia!

Mas tu levas tudo ao extremo?! Eu não os coloco nem coloquei nos píncaros, digo que eles são diferentes e que têm aspectos que me impressionam e que eu admiro. Se gostaria de viver no Japão? Não sei, provavelmente não, mas só experimentando.

Quanto aos bens materiais, eu dou-lhe a importância que acho que têm. Se queremos ter um estado social, temos que ser organizados e produtivos para o manter. Para isso, temos que nos aproximar da frieza da organização nipónica, alemã ou nórdica! Custa a engolir? Pois custa, mas aqui aplica-se a história imortalizada por La Fontaine... Ou será que não?

Outra coisa, os gajos lá, aproveitam-se do facto dos comboios irem à pinha para apalparem o cu às gajas! Gajas que, por força da natureza, nem cu têm! Por cá, até essa pérola da nossa coltura de perdeu! As nossas gajas têm uns cus que é um espectáculo, mas os nossos gajos actuais enfiam uns fios nas orelhas e ocupam as mãos a mexer nuns gadgets nipónicos :D Tá tudo virado do avesso :shock:

Já agora e a talho de foice, uma vez que falas-te em braguilha...

A secretária percebe que a braguilha do chefe está aberta e, para não parecer mal-educada, avisa-o de forma subtil:

- Dr. Jorge, o senhor deixou a porta da sua garagem aberta!

Ele fechou-a rapidamente e, apreciando a criatividade da rapariga, perguntou cheio de malícia:

- Ana, por acaso a menina viu o meu Ferrari vermelho?

- Não, Doutor! Vi apenas um Smart acastanhado, com os dois pneus trazeiros carecas e totalmente em baixo!
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