Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

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Ivo
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Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

Mensagempor Ivo » 08 nov 2013, 12:12

Comandante da polícia terá impedido fecho de bar aberto fora de horas

Agentes tentaram fechar um bar às 2h, mas não conseguiram porque o chefe da polícia estava lá

Passava das duas da manhã quando dois agentes da PSP de Ponte de Lima perceberam que o bar "Klaustrofobia" ainda estava aberto e a abarrotar de clientes, apesar de o dono não ter autorização da câmara para funcionar fora de horas. Os polícias, segundo um auto de notícia a que o i teve acesso, notificaram verbalmente o proprietário para que encerrasse o espaço num prazo de 20 minutos - tempo "suficiente" para que os clientes saíssem. O que os dois agentes não esperavam é que o seu superior hierárquico, o comandante da esquadra de Ponte de Lima, estivesse no interior do estabelecimento e impedisse o fecho.

O caso remonta a 2012 e foi relatado, por escrito, ao comandante distrital da PSP de Viana do Castelo por um dos polícias envolvidos. No documento, que o i consultou, o agente relata que o proprietário do bar foi informado, às 2h15, de que teria de encerrar. "Sendo também informado de que teria 20 minutos, tendo o proprietário concordado de imediato". Às 2h35, os dois polícias decidiram voltar ao estabelecimento para confirmar se estava fechado. Mas quando o carro-patrulha se aproximou do local recebeu uma comunicação via rádio: a esquadra avisava que tinha havido uma mudança de planos e que os dois polícias deveriam dirigir-se para uma estrada e iniciar uma operação STOP, sendo que só poderiam abandonar essa operação "com ordens superiores".

No entanto, os dois polícias optaram por confirmar primeiro se o "Klaustrofobia" tinha, ou não, encerrado. "Continuava com música e em pleno funcionamento", lê-se na exposição enviada ao comandante de Viana do Castelo. Os dois polícias pediram então ao dono do bar que viesse à rua. Mas, segundo o documento, em vez do proprietário apareceu o comandante da esquadra de Ponte de Lima. "Que se encontrava no interior do estabelecimento, provavelmente como cliente", relata o polícia. O subcomissário ter-se-á dirigido a um dos agentes, dizendo-lhe: "Ó [nome do agente], não ouviste a ordem dada por rádio? Põe-te a mexer daqui para fora, pá". O bar continuou em funcionamento e os agentes foram obrigados a abandonar o local.

Na mesma noite, e já depois das 5h da manhã, os dois polícias regressaram à esquadra para fazer o expediente e deixar a ocorrência no "Klaustrofobia" por escrito.

Mas, segundo a exposição, não conseguiram encontrar alguns documentos - como o ofício da câmara que proibia o bar de se manter aberto depois das duas da manhã. "O agente que se encontrava no atendimento respondeu que esses documentos já ali não estavam e que, muito provavelmente, teriam sido retirados pelo senhor comandante da esquadra que momentos antes ali tinha estado", descreve o agente envolvido no episódio. Mesmo assim, os polícias elaboraram o auto de notícia. Até, segundo dizem, terem sido expulsos da esquadra. O agente que estava no atendimento terá recebido entretanto um telefonema do comandante ordenando que os dois colegas saíssem, porque não podiam "estar ali a elaborar expediente" e dizendo "que abandonassem de imediato as instalações, visto que o expediente só poderia ser elaborado após as 7h, horário de término do turno".

Contactada pelo i, a direcção-nacional da PSP diz que quer o comandante da esquadra quer os polícias envolvidos continuam em funções e explica que o episódio no "Klaustrofobia" deu origem a duas queixas ao comandante distrital: uma dos agentes, que não conseguiram fechar o bar, e outra do comandante da esquadra contra os agentes. "Por falta de prova indiciária, o processo de averiguações foi arquivado em Novembro", diz a direcção-nacional. A PSP sublinha, por outro lado, que não desapareceram documentos da esquadra de Ponte de Lima. "Do processo [de averiguações] constam os documentos que atestam o horário de funcionamento do bar e um documento da câmara", refere a polícia, acrescentando que "foram promovidos os procedimentos necessários e adequados para identificar e fundamentar as averiguações necessárias".


http://www.ionline.pt/artigos/portugal/ ... fora-horas

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tiririca
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Re: Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

Mensagempor tiririca » 08 nov 2013, 18:16

A fazer fé na notícia, este caso é, a todos os níveis, lamentável!... Acho que faltou aqui um teste do balão!... Como é óbvio, o teste deveria ser feito a todos os intervenientes, sem exceção.

Se não foi um caso de "balão", então a situação foi ainda mais caricata e passa do "lamentável" ao "intolerável"!
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JoaoP
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Re: Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

Mensagempor JoaoP » 08 nov 2013, 21:16

Em que medida era necessário o teste?

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Seiya
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Re: Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

Mensagempor Seiya » 08 nov 2013, 21:17

Que tristeza...

Com colegas assim quem precisa de inimigos? Pôs-se ao lado de quem obstruiu a lei e ficou contra os colegas, enfim.

Contatar o Oficial dia ao Comando não era mal pensado.
Pena esta hipótese não ter passado pela cabeça dos colegas.

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tiririca
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Re: Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

Mensagempor tiririca » 08 nov 2013, 21:54

JoaoP Escreveu:Em que medida era necessário o teste?


Esta "comédia", mais uma vez fazendo fé na notícia, é tão estúpida que só me parece possível se alguém estivesse bêbado! A atitude de um dos atores parece-me pouco congruente com uma mente lúcida (ausência de vapores etílicos). Uma vez mais fazendo fé na notícia, não me parece plausível que alguém, sendo o responsável máximo pela segurança e cumprimento das regras naquela urbe, pactuasse de forma tão grosseira com um ilícito contraordenacional, se não estivesse alterado. Não achas que um testezinho do balão aclarava esta situação toda?
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Re: Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

Mensagempor Alfaiate » 08 nov 2013, 23:11

Editorial
Jornal 'O Crime'
Edição 7 de Novembro de 2013

Polícias contra polícias

Há duas semanas, o ‘Crime’ noticiou, em primeira mão, que dez agentes da PSP do concelho de Sintra vão a julgamento por alegadas torturas e maus tratos a civis. Na edição que hoje, quinta-feira, sai para as bancas, retomamos a questão da intervenção das forças de segurança, mas desta feita entre polícias. Cinco agentes e um chefe dizem-se vítimas de sevícias no decorrer de um curso de formação, que os deixaram inclusive com graves mazelas físicas. Os autores dessas agressões? Os próprios colegas, formadores que, segundo as vítimas, terão querido imprimir ‘vivacidade’ aos cenários que recriavam, e empenharam-se em espancar os queixosos. O caso já está no DIAP de Lisboa, e a Polícia averigua internamente. Tudo isto para dizer que o escrutínio às acções das forças de segurança está em alta, especialmente quando a mesma envolve civis. Mas e quando tudo se passa dentro de portas? Que fique lançado o debate, porque se no nosso país se pede respeito pela condição policial, defendo também que se estabeleçam limites a abusos, que muitas vezes nem sequer são do conhecimento público.

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Re: Comandante da polícia terá impedido fecho de bar

Mensagempor Ghost Rider » 09 nov 2013, 14:24

Seiya Escreveu:Contatar o Oficial dia ao Comando não era mal pensado.



Para quê?
Já presenciei uma situação em que uma civil contactou directamente o comando "Y" e alertou para o oficial dia à divisão "X" se encontrar embriagado.
O Oficial dia ao comando "Y" ligou para o graduado de serviço à esquadra sede da divisão "X" e disse-lhe para resolver a situação.
O sr. que supostamente tinha vapores a mais continua em funções e continua a desempenhar funções de oficial dia.

"N" vezes que esse senhor anda pela divisão embriagado e ninguém o manda ao balão...
Triste mesmo é não ser o único, nessa divisão "X".


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