Polícia mau, polícia mau

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Ivo
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Polícia mau, polícia mau

Mensagempor Ivo » 23 jul 2018, 02:07

Polícia mau, polícia mau

Mais de 40 anos de regime democrático não lograram democratizar as polícias portuguesas. Continuam opacas, mentirosas, brutais - e racistas.

O primeiro trabalho a sério de jornalismo - dos que deixam marcas e definem um caminho - que me lembro de ter feito foi quando estagiária do Expresso, creio que em 1986-87. Um guarda-fiscal - corpo policial depois integrado na GNR - tinha matado a tiro um adolescente em Lisboa e assisti ao julgamento. O caso impressionou-me muito, e mais ainda concluir que não existiam dados, oficiais ou não oficiais, sobre situações semelhantes, quanto mais de violência policial não letal.

Ninguém? Minto. Havia uma pessoa preocupada com isso, o então Provedor de Justiça, Ângelo de Almeida Ribeiro, que tentou durante os cinco anos no cargo introduzir alguma transparência e noção de serviço democrático nas polícias portuguesas. Foi graças a ele que os agentes passaram a andar com uma placa com o nome, por exemplo (antes era impossível saber quem era o agente com quem falávamos, e boa sorte para quem lhe pedisse a identificação). A conversa que tive com Almeida Ribeiro sobre desmandos policiais, na qual recordou casos de tortura policial com que se defrontara como advogado e me falou do "infame princípio da garantia administrativa", o qual nos tribunais não democráticos certificava que a palavra dos policias fazia fé em juízo, e que do seu ponto de vista ainda vigorava, na prática, na justiça portuguesa, determinou-me a investigar a fundo o assunto. Passei a recortar e guardar todas as notícias de casos de violência e morte em que eram suspeitos polícias, formando um arquivo pessoal.

Em 1991, usei essa informação em "Licença para matar", trabalho publicado na Grande Reportagem sobre homicídios perpetrados por polícias, a forma como os colegas, as chefias e as corporações os encobriam e protegiam, assumindo sempre à partida que os agentes tinham agido legalmente e com razão, e como a justiça os desculpabilizava. Desde então continuei a escrever periodicamente sobre. Muita coisa mudou - foi criada, em 1996, na sequência do horrível caso da decapitação no posto da GNR de Sacavém, a Inspeção-Geral da Administração Interna, para investigar casos de ilegalidade e de violência nas forças de segurança (desmerecendo bastante a sua missão); foram autorizados os sindicatos de polícia. Mas todos estes anos depois uma cultura de opacidade, encobrimento e mentira, a par de um hábito de violência e desrespeito pelos direitos dos cidadãos, particularmente atroz nos casos das minorias étnicas e dos mais desvalidos, continua a imperar nas polícias.

Senão, vejamos. Em 1994, a esquadra da PSP de Matosinhos, após um dos agentes ter assassinado, à frente de vários outros, um detido com uma gatilhada (método de tortura que consiste em fingir que se vai dar um tiro na cabeça de alguém e que foi também o responsável pela morte em Sacavém, indiciando ser parte da cultura policial), "cozinhou" um auto sobre o assunto dizendo que o homem se tinha suicidado com uma pistola retirada a um polícia. Em 2015, o comissário Filipe Silva, rodeado de agentes armados até aos dentes, deu, ante populares atónitos e câmaras de TV, uma carga de pancada num adepto benfiquista e a seguir cozinhou um auto falseando totalmente o que todos vimos em direto. No mesmo ano, tinha sido notícia, com fonte na PSP, um "assalto" à esquadra de Alfragide por jovens da Cova da Moura - toda a esquadra está agora em tribunal acusada de racismo, tortura, sequestro e, adivinhem?, falsificação de documentos, ou seja, de cozinhar o auto do ocorrido.

Estas coisas não se repetem numa instituição durante décadas se esta tornar claro que são inadmissíveis. Mas, pelo contrário, são o seu catecismo: tudo pela PSP, nada contra a PSP. O último caso público é o que envolve Nicol Quinayas, a jovem agredida na madrugada de São João no Porto que acusa a PSP de nem a ter identificado ou perguntado se queria apresentar queixa. Quando dois dias depois o DN perguntou ao Comando do Porto se havia auto da ocorrência, este recusou responder. Sabemos hoje porquê: não havia auto nenhum. Esta semana, a Direção Nacional recusou esclarecer o DN sobre se existia ou não um processo disciplinar a dois agentes envolvidos. Porquê? Porque pode. Porque a irrita ter de prestar contas. Porque sucessivos governos, por mais que se proclamem dos valores constitucionais e da "tolerância zero", chegam ali e calam-se; porque os polícias que em privado criticam esta cultura em público respeitam, por medo, a omertà.

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/fe ... 24047.html
ivo

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Herods
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Re: Polícia mau, polícia mau

Mensagempor Herods » 13 jan 2019, 03:34

Lê-se na Wikipédia:

Prémios :
Câncio foi premiada, em Outubro de 2005, com o Prémio Arco-íris,[18][ligação inativa] da Associação ILGA Portugal, pelo seu contributo, enquanto blogger e jornalista, na luta contra a discriminação e a homofobia.
Em 2008 foi novamente premiada pelo empenho na luta contra a homofobia. Tornou-se a primeira personalidade a receber dois Prémios Arco-Íris.[19]
Também em 2008 recebeu o prémio Ex Aequo da Rede Ex Aequo – Associação de Jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Simpatizantes – foi galardoada pela reportagem 'Não Vejo Nada de Fracturante em Mim' e por diversas crónicas. Ao receber esta distinção a jornalista disse que 'enquanto for necessário atribuir prémios a quem defende a igualdade é sinal de que ainda há muito a fazer.' [20][21]
Em 2009 voltou a receber, como membro da equipa do "Sim" no programa Prós e Contras da RTP1,[22] o Prémio Arco-Íris.


E ainda:

Em Abril de 2009, Fernanda Câncio foi intitulada "namorada do primeiro-ministro" em notícias em três órgãos de comunicação social (Correio da Manhã, Expresso e SIC) a propósito das opiniões que exprimiu sobre a cobertura mediática do caso Freeport no programa da TVI24 A Torto e a Direito. Apresentou queixa à Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas e ao Conselho Deontológico do Sindicatos dos Jornalistas em relação aos jornalistas autores das peças em questão.

Em Outubro de 2015, Câncio colocou uma acção judicial contra os jornais SOL, i e Correio da Manhã; as revistas Sábado e Flash! e a CMTV para que fossem impedidos de publicar factos da investigação da Operação Marquês que a envolvesse e que considerava privados, derivados do seu “relacionamento pessoal com José Sócrates”. A jornalista alegava que, tendo em conta a cobertura jornalística que as publicações fizeram do caso e o facto de ter caído o segredo de justiça interno do processo, poderiam vir a violar os seus direitos de divulgação.[28]


É o que é...

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Herods
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Re: Polícia mau, polícia mau

Mensagempor Herods » 13 jan 2019, 03:44

E continua :

Ex-namorada sugeriu casa de 2,2 milhões As escutas transcritas no processo Marquês mostram que, em 2013, José Sócrates manifestou vontade em comprar uma casa em Lisboa. Fernanda Câncio enviou um sms sobre as características de apartamento que a encantou.

Fernanda Câncio : - "O apartamento duplex daquele prédio tem 314 m2 e 4 lugares de garagem, 4 quartos e 4 casas de banho. Custa 2 milhões e 200 mil. Queres visitar?"

O antigo primeiro-ministro não respondeu com o mesmo entusiasmo. "Isso é o primeiro passo para aparecer no Correio da Manhã. Aquilo é um buraco", disse Sócrates.

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/famosos/detalhe ... e-socrates


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