Coisas de grunhos, do futebol

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Fulano_de_tal
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Coisas de grunhos, do futebol

Mensagempor Fulano_de_tal » 15 abr 2012, 12:36

Coisas de grunhos, digo primatas

Meus amigos, duas perguntas: o que é um campo de batalha? E o que é um campo de futebol?
Agora a resposta: entre outras coisas menos óbvias e eventualmente mais subtis, um campo de batalha é um sítio onde se podem matar pessoas sem incorrer no risco de ser preso pela polícia. E um campo de futebol, sem nenhuma outra subtileza adicional, é um local onde se pode injuriar e ofender publicamente sem experimentar o perigo de ser processado. Podería até dizer-se que um campo de futebol é apenas um campo de batalha suavizado. Mas, lá está, para compensar de não esfacelar ou chacinar o inimigo, sobrecarrega-se no vitupério e no basqueiro menoscabante. Em vez do troar dos canhões, do silvar da metralha, redobra-se no troar do impropério, no vociferar da bojarda. Resumindo, e dum modo geral, à falta de tomates para matar (e morrer) pela pátria, congregam-se em estádios a urrar pelo clube. Não há nada de espantoso nisto. E muito menos de sério. Até porque, tanto quanto um sucedâneo, é um regresso nostálgico: à quadripedia. À guturalidade da infãncia e da caverna pré-histórica. Acresce, só para concluir, que no campo de batalha poderá o combatente, na melhor das hipóteses, alcançar o heroísmo e cobrir-se de glória, enquanto no estádio de futebol o mais elevado que o basbaque ululante atinge é a chimpanzézice formidável e o auto-soterramento pimpão numa ordinarice pegada.
Pois bem, agora imaginemos um tipo qualquer em plena batalha a desatar num clamor de queixa às autoridades, num chamamento histérico à polícia. Que lhe tentaram acertar com um balázio ou uma granada de morteiro. Que planearam assassiná-lo com um bombardeamento aéreo. Estão a ver? Não é lá muito plausível, pois não? E, no entanto, é exactamente a mesma coisa que um tipo qualquer no campo da bola a lamuriar-se que lhe aspergiram das bancadas com um qualquer mimo típido dos símios residentes: "filho da p...", "cabrão do cara,,,", etc, etc. O árbitro, especialmente, no fim de cada jogo, se fosse a dar parte de todas as injúrias e calúnias com que os adeptos da equipa derrotada o brindaram, passava o resto da semana a preencher papéis. Também não acontece por regra e há compreensível tradição nisso.
Todavia, recentemente, surgiu uma moda onde o anedótico vai de braço dado com a bufaria. De repente, tornou-se, mais que aceitável, obrigatório que o tal tipo em pleno jogo rompa a lamuriar-se que lhe chamaram preto, ou, como num caso recente, que chegaram ao ponto de lhe atirar uma banana (insinuando com isso, presume-se, uma sua qualquer ancestralidade duvidosa). Repito, é equivalente ao sujeito em plena batalha a queixar-se à polícia que o querem matar porque é preto. E é tanto mais ridículo quanto resulta do melindre estapafúrdio dum preto por lhe chamarem preto, ou, mais grave ainda, dum tipo que se enxofra muito porque um bando de chimpanzés o classifica como seu parente afastado.
Até porque se fossem minimamente inteligentes, os alegados agressores (verbais e simbólicos), em vez da banana tinham lançado amendoins... Era mais acintoso e dava menos nas vistas
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