DIA DE ANOS

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Pedro Bala
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DIA DE ANOS

Mensagempor Pedro Bala » 17 jun 2007, 15:36

DIA DE ANOS

Com que então, caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos?! … Que tolo!
Ainda se os desfizesse…
Mas, fazê-los, não parece
De quem tem muito miolo…

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado.
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo! Coitado!

Não faça tal. Porque os anos,
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho.
Faça outra coisa; que em suma,
Não fazer coisa nenhuma
Também lhe não aconselho.

Mas anos?... Não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois, se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!...

João de Deus
Campo de Flores (1896)
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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lecavo
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Re: DIA DE ANOS

Mensagempor lecavo » 17 ago 2007, 18:08

Viva!

Aos 70 anos, na cama com uma catorzinha

Corro o risco de me dizerem que a minha história é uma invenção, e que eu li Gabriel Garcia Márquez, para contá-la. Mas posso garantir que, ao ter um exemplar na minha mão, o que aqui vou relatar já se havia passado comigo há muito mais tempo, com a diferença de que o desfecho da minha vida não tem nada a ver com o enredo do livro Memória das Minhas Putas Tristes.

Mas, mesmo assim, vou citar as primeiras palavras do livro, na parte em que ele diz: “No ano dos meus 90 anos, quis oferecer-me a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”. Comigo, foi diferente, pois foi aos 70 anos, e não pedi uma virgem. Eu já era viúvo há bastante tempo, e devo dizer, em abono da verdade, de que quanto ao sexo já o tinha guardado na gaveta há um bom par de anos. Tinha sido muito bom o tempo em que eu era bastante activo, e recordo-me, com muita nostalgia, quando eu e a minha saudosa nos rebolávamos muitas vezes quando éramos mais novos, e algumas depois, até ela se finar.

A partir daí, foi só uma ou outra vez quando muito, mas sinceramente falando, não era como dantes. Bastava uma dessas ocasionais se encostar a mim, e nem chegava a me aquecer para eu logo me vir. Já me tinham falado de ejaculação precoce nos miúdos, mas num velho diziam que era coisa rara. Por isso, me deixei ficar, tendo apenas como diversão tomar uns copos, fumar uns cigarritos e conversar com os velhos amigos, o que para mim já era o suficiente. Até que um dia embiquei que tinha de festejar da melhor maneira possível o meu 70º aniversário, sobretudo depois de saber que a esperança de vida, entre nós, não passava dos 38 anos, ou será 36? Por isso, não hesitei quando disse a um dos meus filhos, aquele com quem tenho mais intimidade para este tipo de conversas, do que eu pretendia para o meu aniversário. Ele esbugalhou os olhos e, depois, começou a rir-se às gargalhadas, sem se conter. Aí, lembrei-me dos tempos já idos, em que eu fui uma autoridade para com os meus filhos, e mandei-o calar, mostrando que não era nenhuma piada.

Este meu filho conseguiu, finalmente, controlar-se e perguntou-me: “O pai está, mesmo, a falar a sério?”. Eu repeti-lhe que sim, que era um direito meu, porque eu não sabia se chegaria aos 71 anos, perguntando-lhe: “E afinal, qual é o problema?”. Ainda com um sorriso matreiro, ele respondeu-me, perguntando como eu pensava levantá-lo. Como eu não entendi logo o verdadeiro sentido da pergunta, retorqui de imediato: “Mas estás a falar de quê? Levantar o quê?...”. Foi logo ao terminar a pergunta, que se fez luz na minha cabeça, mas não me dei por vencido, atirando-lhe com esta:
“Afinal, Viagra serve para quê?”. Arrumei de vez com ele.

E a data do meu aniversário estava a chegar, eu cada vez mais ansioso, e o meu filho que não me dava certezas de nada. Só se limitava a dizer: “Pai, fica tranquilo, já estou a tratar do assunto!”. Já todos os meus amigos dos copos sabiam do que haveria de acontecer comigo, e até já se faziam apostas se conseguiria, ou não, aguentar uma noite de sexo, com uma catorzinha. Eu sou uma pessoa de leituras, e estou a par do que se passa no País e no resto do mundo, e por isso exaltei-me quando um dos meus compadres me chamou de pedófilo. Essa não aguentei. Quase que nos agarrámos. Mas, depois, tudo se acalmou, quando se chegou a consenso que eu aceitava as desculpas – porque afinal, eu é que era o ofendido – se o ofensor me pagasse um copo. E assim ficou tudo resolvido. Mas nunca mais, pelo menos, à minha frente, me chamaram assim.

A festa de aniversário foi muito bonita, com os meus netos todos, os meus filhos, filhas, genros e noras, mas eu não estava para aí além. Olhava para o relógio, e nunca mais chegava a hora de acabar com aquela festa parva, para começar com a outra. Finalmente, todos se foram embora, não sem antes o meu filho, o que tinha ficado de me dar o meu presente especial, me dizer que haveria de voltar daí a pouco. Era já noite, quando ele apareceu acompanhado por uma garota. À primeira vista, nem parecia uma catorzinha, porque tinha umas ancas bem redondas, mas o meu filho insistiu, à parte, que melhor não poderia ter arranjado. Ainda fui buscar os óculos, para olhá-la bem e a única coisa de que tive a certeza era que era baixinha. Olhando bem para a altura dela, podia-se dar uns 14, 16 aninhos. Mas, prontos, se aquela era a encomenda, e se o mal estava feito, não haveria como se remediar àquela hora, porque tinha de ser mesmo naquela noite.

Antes de se ir embora, este meu filho ainda me perguntou se eu já estava a sentir os efeitos da Viagra, e foi quando eu me lembrei que nem sequer tinha tomado. “Ora bolas!”, foi a única coisa que me lembrei de dizer. Fui ao armário dos medicamentos e lá tomei rapidamente, sabendo que teria ainda de esperar, pelo menos, uma hora para fazer efeito. Ao voltar à sala, a moça lá estava, toda empolgada a ver a telenovela. E eu deixei-me também ficar, a olhar para ela e para cada minuto, também para a parte de cima das minhas calças, a ver se aquilo dava sinal. Afinal, tinham razão ao me terem dito que a coisa não se levanta sozinha. A moça mostrou não ter ficado muito entusiasmada, quando eu lhe disse: “Já passou uma hora e três minutos”. Perguntou-me, contrariada, se não poderia acabar a telenovela, mas eu lhe disse que não, porque eu não tinha a certeza se o comprimido haveria de deixar fazer efeito passada a hora, nem eu tinha paciência para ler o rótulo. O aniversário era meu, eu é que mandava, e até o meu filho já se tinha arranjado com ela, ou com quem a havia mandado.

Fomos para a cama e começamo-nos a aquecer. Foi quando comecei a senti-lo, ao ela me tocar no instrumento. Aleluia! Estava vivo, e que vigor! Não perdi mais tempo e saltei-lhe para a espinha, antes que o maldito efeito se fosse embora. Eu nem queria acreditar! Pareciam os bons velhos tempos. O que eu tinha para contar aos meus amigos! Eles haveriam de ficar roídos de inveja. A moça comportou-se direitinho, até gemeu ao ter o orgasmo. Porque é que não tinha pensado nisto antes?...

Continuei a dar e dar, até ela ter outro orgasmo. Mas, e eu, que não me vinha! Será que eu estava seco, depois destes anos todos? Continuei, mesmo, assim. Alguma coisa haveria de sair, mas que estava a custar, lá isso estava, e eu a transpirar de impaciência. A moça já estava cansada, coitada. Pediu para fazer uma pausa, mas eu tinha medo de sair, porque não sabia se aquilo abaixava, e eu não tinha mais comprimidos para mais uma segunda rodada. Disse-lhe para se aguentar mais um pouco, e eu a continuar a tentar, mas a não dar nada. Chegou uma hora em que eu mesmo estava cansado, e o raio do pau que não abaixava, até que telefonei para o meu filho, porque alguma coisa estava errada. Não tinha sido isso que eu tinha lido nas revistas.

Ele lá veio todo preocupado, sem saber o que fazer. Sugeriu à moça, qualquer coisa que eu não ouvi, depois foi para a sala, dizer que ficaria à espera. Então ela, manualmente, lá fez o serviço, e eu gritei de emoção, de tal maneira que o meu filho veio à porta, perguntando se estava tudo bem.
Este foi o meu presente de aniversário, por ocasião dos meus 70 anos. Nunca mais os esquecei e também, confesso, não repeti mais. A minha tensão havia subido por demais e eu ainda tenho esperança de festejar, à minha maneira, os 80 anos. Já disse ao meu filho que, da próxima vez, quero duas na minha cama.
C.P. in contos picantes
«À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.»
M. de Montaigne

-- Um abraço - Lecavo

arnaldo anastácio_

Re: DIA DE ANOS

Mensagempor arnaldo anastácio_ » 17 ago 2007, 19:00

Ou muito me engano, ou a canalização estava cheia de calcário. :shock:

Teve sorte o septuagenário da história, pois a coisa podia fazer retorno e rebentar-lhe com o sifão. :))

O truque, revelou-me o meu pai, é nunca deixar de lhe dar uso. Já o meu tio, com 83 anos de idade, confirma a manha e acrescenta-lhe ser importante também variar o mais possível. ;)

Um abraço. 8)

Arnaldo Anastácio

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Pedro Bala
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Re: DIA DE ANOS

Mensagempor Pedro Bala » 17 ago 2007, 20:22

Ó lecavo, o tópico EXCERTOS ERÓTICOS, criado pelo nosso amigo arnaldo anastácio, não fica mesmo ali ao lado?
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Re: DIA DE ANOS

Mensagempor lecavo » 21 ago 2007, 20:55

Viva!

Carta Aberta a Miguel Torga

Caro Senhor Torga:

Eu não sou um entendido nem um especialista na sua obra. Aliás, não sou entendido, nem especialista, na "obra" de ninguém, senão a minha - por inevitabilidade circunstancial, e não por outros motivos que não esses. Ainda assim, li um livro seu, um bastante conhecido até, mas que eu desencantei algures, por ter ar insuspeito. Era pequeno, decidi dedicar-lhe uma tarde.
"Os bichos" era um livro muito simpático, um livro que escondia, talvez, um certo desdém pela espécie humana. O seu instinto foi, na altura, maravilhoso, mas confesso que fiquei algo estarrecido com o facto de não incluir certos bichos marcantes da fauna nacional em pelo menos um dos contos: então você vai negligenciar a bicha política de uma forma tão atroz, e depois admira-se que eles não lhe comemorem o centenário???

A verdade é que com estas bichas socialistas, já dizia o outro coelhinho, "quem se mete, leva" - há-de haver algumas, certamente, a quem a ideia de "levar" agrade, outros prefirirão "meter"; mas é como tudo, há gostos e gostos. Eu, pessoalmente, com essas, não quero nem uma coisa nem outra, e já que cá ando há algum tempo neste novo zoológico do séc. XXI, se o senhor ainda fosse vivo, dava-lhe um conselho: hoje em dia, estas modernices de comemorar este e aquele centenário, fazer esta e aquela comemoração, isso passa tudo pela comunicação. O Governo, habituado a estas coisas, como a contratação de figurantes menores de idade por trinta euros para as suas apresentações, estava era à espera que o senhor pensasse nisso. Eu, se soubesse que era importante para si que a Ministra ou o Ministro lá estivessem, - sim, porque aposto que está a dar voltas na campa por causa disso - de boa vontade o teria ajudado, e então sugeria o seguinte:

1) Ou você incluía a presença de alguma delas no seu livro, sei lá, uma mula, um cão, um primeiro-ministro, um camelo, ou uma quadrúpede da cultura, qualquer coisa, para assim garantir que algum deles se dignasse a estar presente nas comemorações do seu centenáriozinho, - chama-se "publicidade por associação a", e se não houver ali nada para eles, nada feito - ou

2) fazia como o outro do CCB, e lhes prometia uma bananinha da madeira num dos orifícios, à escolha - já cantava o José Cid, "como o macaco gosta de banana, eu gosto de ti", - e eles, aí, não só vinham, como se vinham, e ainda lhe pagavam três milhõezinhos de euros para a manutenção do seu "centenário" (eles arranjam códigos para tudo, hoje em dia - volta e meia, num beco obscuro de São Bento, lá se vai ouvindo "psst, psst, quantos centenários é que levas para me deixares inaugurar-te isso", e eu, pessoa de bem, que não frequento desses sítios, até percebo que fica mal irem ao seu, em frente às televisões, e nem sequer ganharem ou pagarem nada. Uma coisa são bananas, e aí não eram eles que iam ao de ninguém, mas, numa relação inversamente proporcional, a banana é que lhes ia a eles; outra, o que acontece no seu caso!).

3) A terceira via, era fazer como o cutileiro, e mandá-los todos para o... parque da paz, que é o mesmo que dizer para o caralho, com monumento comemorativo condicente e pago pelas ministeriais bichas, com direito a repuxozinho e tudo.

Ora, o senhor Torga não fez nenhuma destas três coisas. O senhor é um homem de cultura neste país, mas sem um bom assessor, nos dias que correm, não vai a lado nenhum: já pensou que agora o governo não quer festejar o seu centenário por causa disso, por se sentir negligenciado ao mais alto nível por essa omissão considerada grave??? Responder-me-ia, se pudesse, o senhor, que estava arrependido; que pensou, sem dúvida alguma, em incluir a Ministra, porque, visionário como era, saberia que este dia iria um dia chegar; mas que, depois de ter ponderado, concluiu que o livro se chamava "Os bichos", e não se justificava, só por causa de um governo socialista, acrescentar um capítulo exclusivamente dedicado a "Quadrupedes Mentais, vulgarmente conhecidos como Bestas Quadradas", e muito menos outro, dedicado às tradicionais "bichas políticas" - se o primeiro era uma enciclopédia, o segundo, embora vendesse mais que o DVD da Carolina Salgado na cama com um dálmata, era pobre em qualidade; daí que a omissão fosse propositada, ponderada, e que jamais houvesse imaginado que, passado tanto tempo, se viessem os ignorados manifestar-se com tamanho desagrado e rancor contra tal atitude.

E que se fosse hoje vivo, no dia do seu centenário, ia imediatamente contratar um staff adequado a um homem de cultura, como o são os do bloco de esquerda, em certas autarquias - 13 assessores, pelo menos um manager de carreira, que lhe informasse, com periodicidade mensal, que tianammen já não está na moda, que agora, é o psico-pseudo-surrealismo que vigora, o que se traduz, na prática, em dois malabaristas vestidos de galinha gigante, formados a charro no chapitô, na praça do comércio às 14h24 da tarde, a perseguir os transeuntes em monociclos, e, claro, uma manicure/pedicure tailandesa, que serve para muito mais coisas do que arranjar as unhas, e a todas as coisas que ela faz, desde tirar calos dos pés com os dentes a cuspir bolas de golfe pelos entrefolhos, se chama "cultura", ou, em algumas situações, (como se verifica neste caso concreto do BE) "ecologia".

Eu, que o percebo, e que não faço parte do Governo, eu, que até gostei desse seu livrinho e de alguns poemas que tive ocasião de ler, dou-lhe toda a razão, embora fazendo aqui um interlúdio não consiga perceber, olhando de perto, se a Ministra da Cultura - caso realmente tivesse decidido por inseri-la na sua narrativa - fosse um cavalo ou um camelo, ou ainda um estranho híbrido derivado de uma noite de tesão incontrolável num estábulo misto, que acabou de correr muito mal para um dos desprevenidos bichos - que concerteza dormia, incauto e pacífico, até o momento fatal, e talvez se chamasse Mario Vieira de Carvalho... O resto, talvez tivesse decorrido em silêncio, para dois anos e alguns meses depois,
a gestação de tal energúmeno estar, finalmente, completa, e chegarmos onde estamos hoje, que é o estado de vergonha em que foi mergulhado este país, e a montanha parir um rato, chamado cultura, personificado nessa cara desagradavelmente cavalar.

São assim os bichos, caro Senhor Torga. Deixe lá isso. Feliz Centenário.

Alexandre Lagoa
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