A VIDA

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Pedro Bala
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A VIDA

Mensagempor Pedro Bala » 18 ago 2007, 01:59

Para o cota (como eu) Arnaldo Anastácio, avivando-lhe a memória do Livro de Leitura da 3ª Classe, cuja mensagem (agora com a nossa idade ainda é pior) está sempre actual: :))

A VIDA

A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa.
A vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai…
A vida dura um momento:
Mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai.

João de Deus
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

arnaldo anastácio_

Re: A VIDA

Mensagempor arnaldo anastácio_ » 18 ago 2007, 13:25

Obrigado amigo Sultão.

Retribuo com este que certamente lhe vai trazer também boas lembranças.

Um abraço.

Arnaldo Anastácio


A história da formiga e da cigarra

Como a cigarra o seu gosto
É levar a temporada
De Junho, Julho e Agosto
Numa cantiga pegada,
De Inverno também se come,
E então rapa frio e fome!

Um Inverno a infeliz
Chega-se à formiga e diz:
- Venho pedir-te o favor
De me emprestar mantimento,
Matar-me a necessidade;
Que em chegando a novidade,
Até faço juramento,
Pago-lhe seja o que for.
Mas pergunta-lhe a formiga:
"Pois que fez durante o estio?"
- Eu cantar ao desafio.
"Ah! Cantar? Pois, minha amiga,
Quem leva o estio a cantar,
Leva o Inverno a dançar!"

Poema de João de Deus

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Re: A VIDA

Mensagempor lecavo » 27 ago 2007, 22:26

Viva!

Ó Altas fragas da Serra *

Ó altas fragas da serra
Donde o penedo caiu
Ninguém diga o que não sabe
Nem afirme o que não viu

Ó altas fragas da serra
Donde a penedo tombou
Ninguém diga o que não sabe
Nem afirme o que inventou

Ó negras sombras tão negras
Que estais em volta a rondar
Coitado de quem no mundo
Passa
A noite e o dia a penar

Ó sombras negras da noite
Ó vento em volta a ventar
Coitado de quem no mundo
Não
Se cansa de procurar

Coitado de quem não vê
Que a noite
Há-de um dia terminar
Tremei o donos da terra
Abri janelas em par

*Zeca Afonso, Letra e música glosam uma quadra aprendida na infância.
«À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.»
M. de Montaigne

-- Um abraço - Lecavo

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Re: A VIDA

Mensagempor lecavo » 27 ago 2007, 22:28

Viva!

Por aquele caminho

Por aquele caminho
De alegria escrava
Cai um caminheiro
Com sol nas espáduas

Ganha o seu sustento
De plantar o milho
Aquece-o a chama
Dum poder antigo

Leva o solitário
Sob os pés marcado
Um rasto de sangue
De sangue lavado

Levanta-se o vento
Levanta-se a màgoa
Soltam-se as esporas
Duma antiga chaga

Mas tudo no rosto
De negro nascido
Indica que o negro
É um espectro vivo

Quem lhe dá guarida
Mostra-lhe a pintura
Duma cor que valha
Para a sepultura

Não de mão beijada
Para que não viva
Nele toda a raiva
Dessa dor antiga

Falta ao caminheiro
Dentro d'algibeira
Um grão de semente
D'outra sementeira

O sol vem primeiro
Grande como um sino
Pensa o caminheiro
Que já foi menino

Zeca Afonso
«À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.»
M. de Montaigne

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Re: A VIDA

Mensagempor lecavo » 27 ago 2007, 22:32

Viva!

Cantiga do Monte

Fragância morena
Portal de marfim
Ondina açucena
Chamando por mim

Cantiga do monte
Clareira do ar
Dançando na nuvem
Mudando em mar

Na flor da montanha
Na espuma a cair
Nos frutos de Agosto
Na boca a sorrir

Na crista da vaga
Tormento alonguei
No vento e na fraga
Só luto encontrei

Abriram-se as velas
Mal rompe a manhã
Na luz e nas trevas
Foi-se a louçã

Ai húmida prata
Meu sonho sem ver
Ai noite de Lua
Meu lume de arder

Ó finas areias
Ó clara manhã
Ó rubras papoilas
Da cor da romã

Ó rosto da terra
E abismos do mar
Ouvide o seu canto
De longe a arfar

Abriram-se as velas
Mal rompe a manhã
Na luz e nas trevas
Lá vai a louçã

Da morte zombando
Na aurora lunar
Num jardim suspenso
Do seu folgar

Zeca Afonso
«À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.»
M. de Montaigne

-- Um abraço - Lecavo


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