António Lobo Antunes

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António Lobo Antunes

Mensagempor matahary » 29 set 2007, 22:41

O Meu Nome É Legião
O seu novo livro.

"Conhece bairros periféricos de Lisboa como o que retrata?
O livro refere-se a um bairro em concreto, embora eu nunca lá tenha estado. Sempre me impressionou o facto de aqueles miúdos não terem raízes de espécie alguma. Não são portugueses, não são africanos, não são nada. Brincam com balas em vez de brincarem com bolas. E no entanto há neles uma sede de ternura, um desejo de amor absolutamente inextinguível. A morte e a vida não têm, para eles, qualquer significado ou, pelo menos, têm um significado muito diferente do que para nós. Na minha ideia, O Meu Nome É Legião era por isso um livro de amor. De amor por uma geração, por uma classe social sozinha e abandonada, por um grupo de pessoas desesperadamente à procura de uma razão de existir.

Revê-se naqueles garotos?
Quando começo a escrever um livro, não tenho qualquer plano. Aqueles garotos, aqueles polícias e, no fundo, todas aquelas vozes vão-se encadeando de tal modo que sou o primeiro a ficar espantado. Não posso, no entanto, dizer que me revejo neles porque, naquele momento, éramos só uma e a mesma coisa. Uma espécie de relação simbiótica.

Eles estão excluídos deste mundo?
Estão de tal maneira abandonados que matar pessoas é a única maneira que têm de pedir colo. Não sei, porém, o que se passa na realidade, uma palavra idiota porque a realidade é uma coisa que não existe. Todas aquelas pessoas têm, para mim, uma densidade muito profunda.

(...)

Diz que não conhece aquele bairro...
Não conheço aquela realidade do ponto de vista jornalístico.

Mas sempre gostou de subúrbios.
Aquilo não é sequer um subúrbio. Para mim, o subúrbio é Benfica ou o Cacém. Aquilo é muito pior do que isso. Aquilo é o inferno. Aquelas pessoas vivem num inferno onde eu nunca entrei.

Foi ganhando carinho por aquelas personagens?
Não sei se os leitores entenderão que o livro está a transbordar de amor. Custou-me muito que aquelas personagens morressem. Repare que até o professor não é muito diferente dos garotos - todos estão terrivelmente desamparados. Sempre me comoveu ver o desamparo em que as pessoas vivem. Acho que esta dimensão nunca foi suficientemente notada nos meus livros. Vivemos num certo desamparo, numa certa desprotecção.

(...)

Até se ri...
Sabe, este foi um ano muito duro para mim. Para além de ter recebido constantes lições de dignidade e de coragem por parte de pessoas anónimas, aprendi a ter ainda mais respeito e admiração pelos portugueses. Compreendi porque é que fomos nós a ir naqueles barquinhos de 14 metros sem quilha, porque é que atravessámos o Atlântico, porque é que fizemos o que fizemos. E fiquei muito orgulhoso quando percebi que o povo ainda é o mesmo. Fez-me lembrar aqueles versos de Sophia: «Esta gente cujo rosto/ Às vezes luminoso/ E outras vezes tosco/ Ora me lembra escravos/ Ora me lembra reis». Foi muito bom ter tido essa experiência.

Muito bom?
Aprendi a admirar as pessoas do meu País. E a respeitá-las ainda mais. E a amá-las ainda mais. E a gostar cada vez mais delas. A partir daí, tudo o resto se tornou relativo. Houve coisas que deixaram de ser importantes. E normalmente é quando elas deixam de ser importantes que vêm ter connosco... O que me interessa, neste momento, é poder ter tempo para escrever, viver o suficiente para conseguir acabar o meu trabalho sem decepcionar os que acreditam em mim. Surpreende-me todo este reconhecimento internacional porque, no fundo, só escrevo livros, o que não me dá um mérito por aí além... É apenas trabalho.

E muito trabalho...
Ser pedreiro, médico ou outra coisa qualquer também dá muito trabalho. E ser doente, ser doente dá muito trabalho."

Excertos da entrevista dada à Visão.
Ler aqui.

É um anjo, não é?
Casava-me com ele, amanhã já.
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Pedro Bala » 30 set 2007, 06:51

Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

arnaldo anastácio_

Re: António Lobo Antunes

Mensagempor arnaldo anastácio_ » 30 set 2007, 07:02

Sultão Escreveu:A vida é uma puta...

http://dn.sapo.pt/2007/09/30/artes/entr ... es_es.html



Mau! Afinal em que é que ficamos? É a vida ou é a morte que é uma puta? Ou sou eu que depois de 23 horas de serviço já estou a “bater mal”? :?

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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Pedro Bala » 30 set 2007, 07:15

São ambas: a puta da vida e a puta da morte.
(Bom descanso)
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

arnaldo anastácio_

Re: António Lobo Antunes

Mensagempor arnaldo anastácio_ » 30 set 2007, 07:31

Sultão Escreveu:São ambas: a puta da vida e a puta da morte.
(Bom descanso)


Concordo a 100%. :LOL
(Bom serviço)

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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Pedro Bala » 18 fev 2008, 10:13

CRIOULO NÃO TEM PATRÃO

Ao chegar português disse
trabalha na serração
e eu ri na cara do branco
peguei na minha viola
crioulo não tem patrão.

Ao chegar patrício disse
trabalha na construção
eu ri na cara do negro
saí numa coladera
crioulo não tem patrão.

Eles tem casa eu tenho rua
eles tem sobrado e eu chão
eles são ricos eu sou pobre
eles são escravos eu sou livre
crioulo não tem patrão.

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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor masahemba » 18 fev 2008, 20:10

a puta da vida pode ser tão má como a vida da puta...quando a puta da vida é uma vida de puta. Quando a morte resgata a puta à vida de puta, e se fosse mesmo uma vida de puta, a morte é uma benção. Quando a morte acaba com a puta da vida, a morte é uma benção. A morte só passa a ser a puta da morte, quando leva a vida que não era puta.

«ser escritor não é nada demais...apenas trabalho»

Um escritor a sério tem muita responsabilidade, porque se a mensagem que transmite tiver substância, e for transmitida com arte, então a mensagem vai ser interiorizada. A questão está em saber que tipo de substância será essa. Mas para o bem ou para o mal, pode influenciar muitas mentes. Eu agradeço aos grandes escritores que já me deram horas de perfeito fascínio e prazer. Há escritores que têm o dom de eternizarem a época em que viveram. Que legado melhor para os vindouros?
António Lobo Antunes é um escritor introspectivo, amargurado com a vida, ferido pela guerra colonial, mas que tem a verdadeira consciência do peso que um bom escritor pode ter numa sociedade. Ser escritor não é nada demais...não me convenceu.

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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor matahary » 18 fev 2008, 21:02

Morre-se conforme se vive.

A mensagem também tem a ver com o receptor; não apenas com o emissor. Por isso, tu gostas de uns escritores e eu gosto de outros, sem contudo um ser mais ou melhor do que o outro. Tem também a ver com o identificarmos com a mensagem, ou com aquilo que pensamos que é a mensagem.

Achas mesmo que é amargurado com a vida?
Não o vejo assim...
Nem com a morte!
Embora tivesse razões para isso.

Um site não-oficial: http://www.ala.nletras.com/entrevista.htm
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor masahemba » 19 fev 2008, 14:01

Se para escrever um livro não é necessária a inspiração, então escrever não é uma arte. Decide-se escrever um livro...e pronto, o livro sai.
Só o facto de se sentir força interior que impele alguém a escrever um livro, isso já é inspiração. Todos os livros são escritos por pessoas, mas nem todas as pessoas escrevem livros. Para que esta afirmação seja verdadeira, e é-o, terá de haver uma razão de fundo.
António Lobo Antunes está a ser muito ingrato para com as suas musas.
Um livro ficcional, obrigatoriamente, necessita de uma mente imaginativa que o conceba. Consoante a inspiração for maior ou menor, assim a imaginação, constrói ou não, enredos e personagens que de tal forma foram concebidas, que saltam do papel e se materializam aos olhos do leitor. Assim nascem as grandes obras.
Dá prazer ao artista fazer fluir a sua arte.
O António Lobo Antunes não tem prazer no que escreve, segundo li na entrevista. É amargurante a sua escrita. É uma escrita elaborada com arte, porque Lobo Antunes é um artista das letras, mas deprime. Se lhe não dá prazer o que escreve, não gosta do que produz. Como pode então sentir que necessita de 200 anos para escrever os livros que tem dentro de si? É uma contradição. Lobo Antunes está ofendido por nunca ter sido Nobel. Essa a razão deste discurso amargo e pouco razoável.

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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor matahary » 20 fev 2008, 11:08

Lobo Antunes recebe galardão sul-americano

http://jn.sapo.pt/2008/02/20/cultura/lo ... ameri.html
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor matahary » 23 fev 2008, 09:58

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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor matahary » 02 mar 2008, 10:42

Lobo Antunes poderá vir a ceder acervo literário e mudar de cidade

http://dn.sapo.pt/2008/03/02/artes/lobo ... rvo_l.html
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Diana » 25 mar 2008, 17:44

Migalhas.


Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega


Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega. Quantos são hoje? Nunca sei às que ando, confundo tudo, perco-me sempre, os dias, as horas, às vezes cumprimento pessoas que não conheço, há uma semana ou isso entrei num antiquário, sentei-me a uma mesa D. João V e quando a senhora da loja veio, de uns armários franceses ou lá o que era, pedi-lhe que me servisse um uísque.

Uma senhora com mais pulseiras que tu e anéis caros, de maquilhagem a lutar com a idade e a perder. Ficou a olhar para mim de cara ao lado. Depois perguntou-me se eu estava bêbado e depois começou a medir a distância entre ela e a porta a fim de chamar por socorro.

Numa das paredes paisagens emolduradas a talha, o retrato de uma viscondessa decotada, estampas de cavalos com legendas em francês. A viscondessa usava um anel no indicador rechonchudo e tinha cara de jantar bicos de rouxinol todos os dias, servindo-se dos talheres como se cada dedo fosse um mindinho, desses que a gente enrola para beber o café. A minha irmã, pelo menos, enrola. Eu sou mais para o género de o esticar, tipo antena. Educações.

Tu não enrolas nem esticas, deixas a mão inerte na minha. Não te apetece apertar-me, não tens vontade de ser terna? Gostava que ma apertasses três vezes, depois eu apertava três vezes, depois tu apertavas quatro vezes, depois eu apertava-te quatro vezes e ficávamos que tempos assim, num morse de namorados. Fantasias. Desejos. Se calhar sou uma pessoa carente. Se calhar nem sequer sou carente, sou só parvo. Segundo a minha irmã sou só parvo. A propósito de tudo e de nada

- És tão parvo

e eu, mudo, a dar-lhe razão no fundo de mim, lembrando-me que na escola era um castigo com a Geografia, capitais e rios e países tudo misturado. Continuo a misturar. Não me peças, por exemplo, para mostrar a Noruega num mapa. E conheci em rapaz uma norueguesa na praia, a pôr creme nas costas de uma amiga. Passados os primeiros embaraços pôs-me a mim também. Espero que tivesse os mindinhos enrolados. Ofereci--me para lhe pôr a ela. Por gestos fez que não com a cabeça e o brinco esquerdo caiu. Acho que começou a ceder quando o procurámos ambos na areia, uma argola com coisinhas penduradas. O que me atrai nos brincos não é as mulheres terem-nos, é o momento em que os prendem na orelha, de queixo esticado e olhos vazios. A mesma expressão, aliás, ao procurarem as chaves na carteira. Parece que se ausentam. Depois voltam a estar ali ao rodarem a fechadura. Esfrego sempre os sapatos no capacho antes de entrar

(educações)

e avanço devagarinho pelo tapete quase persa fora à medida que lhes percebo uma expressão de

- Como é que me vejo livre deste?

a aumentar, a aumentar. Também é nisso que pensas, responde?

- Como é que me vejo livre deste?

e a tua mão cada vez mais pequena sobre a minha, o teu lábio inferior a cobrir o superior ou seja

- Para que me fui meter num sarilho?

as tuas pernas longe, o teu corpo longe, a tua bochecha longe a gritar em silêncio

- Deus queira que não me faça uma festa

os olhinhos a espiarem-me de banda, alerta, assustados, com receio de mim, eu que não faço mal a uma mosca, nasci pacífico, hei-de morrer pacífico e no intervalo entre o nascimento e a morte sou um paz de alma. Nem entendo a reacção da senhora do antiquário, se calhar neta da viscondessa do anel. Ou bisneta. Ou filha, que a maquilhagem, coitada, pouco conseguia. Deve haver dúzias de centenários por aí, refugiados atrás dos cremes, vacilando nos joelhos magros. Dentaduras postiças a dar com um pau, aparelhos para ouvir, lentes de contacto que se esforçam, se esforçam

- Não te vejo bem, rapaz

pobres misérias cuidadosamente ocultas. Ainda sou novo apesar da hérnia, devo ter mais uns tempitos à minha frente e o que farei com eles? Sento-me aqui, mendigo a tua mão ou aborreço-me sozinho? Não leio jornais, não me distraio com nada, aqueço um prato desses já feitos, lavo a loiça, volto ao sofá, derrotado. Ignoro quem me derrotou. Se calhar eu mesmo, se calhar a minha irmã, distantantíssima agora Tão parvo chegada dos limbos da infância com as suas sardas e a pupila torta que o doutor não curou. Na minha opinião a pupila torta não me achava tão parvo assim, compreendia-me. Há uma parte nos outros, defeituosa, frágil, que me compreende, se enternece comigo. Quantos são hoje? Não digas nada. Tanto faz. Um dia qualquer, não me ralo com isso: a minha vida feita de dias quaisquer a amontoarem-se uns sobre os outros, indistintos, moles, idênticos. A fotografia da minha mãe na estante, a censurar-me. De quê? Que mal fiz eu? Chamo-me João. Era para ser Arnaldo como o meu padrinho mas o meu pai insistiu no João.

De vez em quando sorria-me

- João

e ficava a repetir

- João

numa cisma contente. Dás-me licença que te beije? Não? Não te vás embora ainda, deixa-te estar. Apesar de tudo passámos um bocado agradável, não foi? A mim agradou-me. Gosto do teu cheiro. Se te apetecer voltar toca a campainha três vezes e carrego naquele botão que abre a porta da rua. E se me avisares com antecedência compro um bolo. Quando não estiveres cá e me sentir sozinho como as migalhas que sobrarem.

Vou contar-te um segredo: há alturas em que as migalhas ajudam.


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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Pedro Bala » 25 mar 2008, 18:22

... «é tão difíl encontrar pessoas assim... bonitas» (Pedro Barooso)

E lendo e ouvindo à frente deste monitor só uma frase me ocorre:
Onde é que tu estavas quando eu me casei?
(E Deus, que tudo sabe e nos reservou missões distintas transforma o seu silêncio numa frase que diz: -Fui Eu que não quis. Quem és tu para me questionar?
Calo-me:
Deus é que sabe!
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor matahary » 10 mai 2008, 03:00

Se eu não te amar mais


Se eu não te amar mais me
Caia o mar nos ombros
Me caia
Este silêncio pelos ossos dentro
Me cegue os olhos esta sombra
Me cerre
Esta noite num escuro mais profundo
Do que a chuva de ti de mãos tão leves
A figueira do meu sangue se emudeça
De pássaros à espera dos teus passos
De outra voz por sobre a minha
Morta
E as ruas do teu corpo eu desaprenda
Como desaprendi os dedos que em tocam
E se eu não te amar mais me caia a casa
De costa no teu peito como o vento

[Porra!, não corras, não...!]
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Diana » 26 jul 2008, 11:57

António Lobo Antunes recebeu Prémio Camões nos Jerónimos


sexta-feira, 25 de Julho de 2008

António Lobo Antunes recebeu esta tarde o Prémio Camões, numa cerimónia que decorreu nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, na presença dos chefes de Estado de Portugal e Brasil. Para o presidente do júri, Fernando Martinho, o escritor é "um dos que melhor cumpre os objectivos" do galardão.

No seu discurso, o Presidente da República português, Cavaco Silva, que esteve acompanhado pelo homólogo brasileiro, Lula da Silva, o primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro da Cultura, José António Pinto Amaral, sublinhou "a originalidade e a invenção" da escrita de Lobo Antunes, cuja obra desde há quase 30 anos "tem-se avolumado e diversificado".

Cavaco Silva aludiu também à internacionalização da obra do escritor, não deixando de salientar que uma das conclusões da Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, realizada em Lisboa, foi "a projecção do Português e a sua afirmação no mundo, em termos que permitam aos nossos povos colher os benefícios inerentes", sendo "também uma tarefa e uma responsabilidade".

O Prémio Camões, no valor de 100 mil euros, foi instituído por Portugal e Brasil em 1987 e distingue anualmente um escritor de Língua Portuguesa que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural em português.

O júri da 19ª edição do Prémio Camões foi constituído por Fernando J.B. Martinho e Maria de Fátima Marinho (Portugal), Letícia Malard e Domício Proença Filho (Brasil), João Melo (Angola) e Francisco Noa (Moçambique).

Segundo a acta do júri, a escolha de António Lobo Antunes é justificada pela sua "mestria em lidar com a língua portuguesa, aliada à mestria em descortinar os recessos mais inconfessáveis do ser humano, transformando-o num exemplo de autor lúcido e crítico da actualidade literária".

Diário Digital / Lusa
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Fulano_de_tal » 08 dez 2008, 19:46

Eu, tenham lá paciência, mas aos livros devoto ritual diverso. Há aqueles que leio e aqueles que não. Os que leio aprecio-os pelo que trazem escrito no papel; os outros, pela macieza e capacidade absorvente deste.
Por exemplo, uma Agustina Bessa-Luís ou António Lobo Antunes, por incrível que vos pareça, variam muito. Há edições mais macias que outras. Há edições absolutamente agressivas para a pele, que arranham e desbotam, mal entram em contacto com a superfície a cuidar. O mesmo se pode dizer em relação a uma Lídia Jorge. Já um Saramago não padece dessas flutuações: oferece-se-nos em papel standard, sem oscilações, bastante dúctil e aderente. A sua capacidade escato-pregnante é notável. Não tanto, é certo, como uma Agustina, nem, longe disso, como um Lobo-Antunes; mas, ainda assim, bastante aceitável.
Entretanto, acabo de saber que foi editada mais uma obra de Agustina Bessa-Luís, com prefácio de Clara Ferreira Alves. Fico ansioso. Mas também preocupado. Se o romance estiver ao nível do prefácio, arriscamo-nos a deparar com um típico papel de jornal, duma flacidez exacerbada, com tendência para manchar aquilo que, estando já sujo, conviria antes que limpasse. Duvido que alguém no seu perfeito juízo, se atreva a desemporcalhar-se com tal compêndio de bacoquices.
Quanto à maioria do que para aí se edita e vende, do que se anuncia em promoção nas montras e catálogos, perdoem-me o cepticismo, mas, acreditem-me: Não serve nem para ler, nem, tão pouco, para limpar o cu. É lixo tóxico puro!... Repassado pelos olhos da frente ou pelo de trás, pode resultar em cauterizações insanáveis! E, como se tudo isso não bastasse, junta o inútil ao desagradável: Nem as pestanas resistem, nem os pintelhos do cu batem palmas!...
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Diana » 11 dez 2008, 11:51

ó Fulano de Tal, onde é que eu já li isto, que publicou ?.... 8)

http://dragoscopio.blogspot.com/2008/12/zurrapa.html


pois ... 8)
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Fulano_de_tal » 12 dez 2008, 18:04

A menina -suponho- pensa expor-me aqui manhosamente, á ignomínia publica e tomatada geral carimbando-me com a seguinte hortaliça em estado de decomposição:
ó Fulano de Tal, onde é que eu já li isto, que publicou ?....

Assim, nem mais, ora toma. O pior é que ainda por cima tem razão.
Achei maiores e melhores outras palavras que não as minhas, mas isto não será crime tipificado, de resto, não lhe reconhecia, esta função de catar pentelhiçes, - devida vénia- de qualquer modo se eu copiei e colei no forum uma vez e a menina fa-lo repetidas vezes no sentido inverso; copiando e colando do forum para o Google.
O que lhe importa, o que aqui é escrito? se são escritos destilados, regurgitados, debulhados, ou espremidos? em que é que isso a fere ou contende? e que mal pode vir daí ao mundo?
Que eu saiba policia ainda não e sinonimo de meninos de coro. Mal fora.
Eu, que pensei que andava neste forum policial so para namorar, enganei-me -parcialmente- também anda a cata de pentelhiçes
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Diana » 12 dez 2008, 18:58

Fulano_de_tal Escreveu:A menina -suponho- pensa expor-me aqui manhosamente, á ignomínia publica e tomatada geral carimbando-me com a seguinte hortaliça em estado de decomposição:
ó Fulano de Tal, onde é que eu já li isto, que publicou ?....

Assim, nem mais, ora toma. O pior é que ainda por cima tem razão.
Achei maiores e melhores outras palavras que não as minhas, mas isto não será crime tipificado, de resto, não lhe reconhecia, esta função de catar pentelhiçes, - devida vénia- de qualquer modo se eu copiei e colei no forum uma vez e a menina fa-lo repetidas vezes no sentido inverso; copiando e colando do forum para o Google.
O que lhe importa, o que aqui é escrito? se são escritos destilados, regurgitados, debulhados, ou espremidos? em que é que isso a fere ou contende? e que mal pode vir daí ao mundo?
Que eu saiba policia ainda não e sinonimo de meninos de coro. Mal fora.
Eu, que pensei que andava neste forum policial so para namorar, enganei-me -parcialmente- também anda a cata de pentelhiçes




não se "cate" tanto ....
não é caso para isso !


apenas o chamei à atenção, porque a minha honestidade intelectual manda-me que quando faço copy de um texto de outrém, devo indicar a autoria.

Capice , amóré ...???

para a próxima leva a doer.
aviso já ...
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Fulano_de_tal » 12 dez 2008, 19:13

para a próxima leva a doer.
fico a espera :LOL
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Diana » 12 dez 2008, 19:16

Fulano_de_tal Escreveu:
para a próxima leva a doer.
fico a espera :LOL



Imagem


:LOL :LOL :LOL
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Ugo » 12 dez 2008, 19:20

apenas o chamei à atenção, porque a minha honestidade intelectual manda-me que quando faço copy de um texto de outrém, devo indicar a autoria.


Pois... muito bem. E o mesmo está consignado nas regras deste fórum:
e - Em caso de transcrição de textos/notícias que não sejam da autoria do próprio, é imperioso mencionar a respectiva fonte.
:)
Ugo

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Diana
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Diana » 12 dez 2008, 19:38

Caro Ugo, foi certamente uma distracção do simpático Fulano de Tal.

E foi também um excelente pretexto para eu brincar um pouco com ele.


... tá-se bem ! ....Imagem

E siga a "dança". :)) :))

Imagem
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(pro rege saepe; pro patria semper)

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Fulano_de_tal
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Re: António Lobo Antunes

Mensagempor Fulano_de_tal » 12 dez 2008, 20:51

Caro administrador UGO agradeço a chamada de atençao.

Cara Diana quanto á "brincadeira" gostei muinto :LOL , mas tambem lhe digo, a laia guiza, que, se não me abala o pífaro, também não me estraga a gaita
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