João Luís de Joaquim Neto

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masahemba
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João Luís de Joaquim Neto

Mensagempor masahemba » 08 jan 2008, 18:58

é um português nascido no séc. XX. Conheci-o numa esquina da vida. Tem-me contado passagens da sua vida. Por vezes considera-se ingrato para com Deus, outra vezes sente que os há com mais sorte. E diz repetidamente que neste mundo materialista em que vivemos, apenas têm direito ao respeito os que possuem material. Por vezes é agradável conviver-se com ele. Outras vezes não. Já o vi humoristicamente muitissimo bem disposto, e já o vi deprimido, deprimente. Diz que tem alma de artista, mas vive com essa alma quase emparedada por substância obtusa, de que se impregnou há uns anitos. Não sabe se será alma de artista ou de artistasito, pois nunca teve oportunidade de pôr à prova, num local verdadeiramente sério, a sua arte. Diz que nas entranhas lhe mexem e remexem bichinhos de três artes diferentes. Por curiosidade, perguntei-lhe que artes eram essas. Respondeu-me que quando se ouviam as três pancadas de Moliére, tinha a visão de uma Ludwig e a pena lhe sorria, eram chegadas as suas artes! Percebi... mas não lhe dei a entender que percebera. Gostaria que ele tivesse sido mais franco comigo. Foi tropa, tal como eu, no Calhau. Bom, já tinhamos algo em comum. A partir dessa casualidade criámos uma verdadeira amizade. Já sei quais são as suas artes e qual é a substância obtusa que evita que ele, verdadeiramente, se abra ao mundo. Hei-de falar mais dele.

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Re: João Luís de Joaquim Neto

Mensagempor masahemba » 09 jan 2008, 13:05

O João Luís é muito tímido. E essa sua característica tem-lhe dificultado a vida nalgumas áreas. É também um permanente desconfiado das suas capacidades. Por exemplo, toca bateria há 33 anos, e ainda não tem a certeza se é baterista ou apenas tem conversado com eles, durante todos estes anos. Insegurança? Em relação ás suas capacidades como artista, sem dúvida. Eu já o vi tocar em duas ou três ocasiões. Em 2000, inserido num grupo, ganhou um festival, daqueles festivais locais, mas que tinha no júri gente formada em conservatório. Portanto a deliberação teve por base o verdadeiro conhecimento do que às coisas da música diz respeito. Bom... tenho de ir ao almoço. Continuarei.

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Re: João Luís de Joaquim Neto

Mensagempor masahemba » 10 jan 2008, 15:58

...essa experiência nesse tal festival, pois um dos momentos mais altos da sua humilde carreira como baterista. Teve outra, a que eu também assisti, em Outubro de 2005. Gostei do que ouvi, mas como tenho um ouvido completamente duro, sei lá eu bem se ele executou bem ou mal o seu instrumento, a bateria. Ouvir panelas a bater e pratos a vibrar, ouvi. Agora o resto... outro mais avalizado do que eu que o diga.
Contou-me o João Luís que desde que se lembra, que teve necessidade de estar permanentemente em contacto com uma folha de papel. Sempre teve a tendência para escrever livros, e na sua juventude tentou-o. Diz que isto de se escrever aprende-se, tem as suas técnicas, mas como arte que é, se o talento, que é natural, não existir, bem que se pode chegar à universidade que de obras...coisitas fracas. E como sempre, ele não sabe se tem talento ou não para a escrita. Que é um prazer para ele escrever, disso não tem dúvidas. Considera-se um bom leitor, embora a literatura portuguesa actual lhe seja difícil de absorver. Tem lido alguns autores portugueses contemporâneos, de que gostou imenso. Mas lê muito autores estrangeiros. Perguntei-lhe o que pensava sobre o nosso Nóbel, o José Saramago. Disse-me que tem uma forma muito peculiar de escrever. É preciso ter-se muita tarimba para se aprender a gostar de ler o Saramago. Leu todo o «Memorial do Convento». Iniciou a ler «Jangada de Pedra» e «O Ano da Morte de Ricardo Reis» e parou, tanto num como noutro. Mas, em relação a ele próprio, durante muito tempo nada em condições lhe saiu, a não ser uns pensamentos, umas reflexões, que estão espalhados por sua casa, pelas imensas agendas que vai acumulando, conforme os anos vão passando. Até que aos quarenta uma força enorme o impeliu e receosamente, com pouca convicção, começou a despejar a veia para o papel, mas como se tivesse medo de aleijar a lapiseira. Diz-me que a sua inclinação são os romances... histórias de longa metragem, como diz, porque considera que chamar romance ao que escreve, se pode tornar ofensivo para quem escreve romances. Confessou-me que ao criar os primeiros diálogos estava apavorado. Mas os diálogos fluiam-lhe com relativa facilidade. Agora é um divertimento escrevê-los. Desde que começou, já escreveu quatro histórias de longa metragem, ao todo 1236 páginas. Trabalha há um ano e dois meses na sua quinta história de longa metragem. Por vezes diz-me que se sente ridículo. Considera que a criança que tem dentro de si, quando menos o espera, supera a sua faceta de adulto e... quando o meu amigo João Luís está bem disposto é uma boa companhia. No bom sentido, por vezes considero-o um postal. Gostaria de ler o que ele escreveu, mas é muito reservado. Briosas Saudações. Masahemba

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Re: João Luís de Joaquim Neto

Mensagempor masahemba » 13 jan 2008, 22:20

este fim-de-semana fui a casa do João Luís. Pela primeira vez tive a oportunidade de conhecer a sua esposa. Senhora muito simpática e bastante dialogante. Disse-me que é natural de Alfeizerão. Eu sabia que já tinha ouvido este nome em algum sítio. É a terra do Pão-de-Ló, disse-me ela com orgulho. Mas claro, o Pão-de-Ló. Mas onde ficaria essa localidade, especificamente? fica na encruzilhada entre Alcobaça, Nazaré e Caldas da Rainha. Nunca fui para aqueles lados. Pois não sabe o que perde. No próximo verão faça uma visita a S. Martinho do Porto, mergulhe na sua maravilhosa baía, desfrute da visão fantástica de uma verdadeira duna, como se estivesse em pleno deserto. A duna, não fica propriamente em S. Martinho, mas numa praia ao lado- Salir do Porto. A duna tem à vontade uns 30 metros de altura, sempre a pique. Areia finissima. Hei-de visitar então S. Martinho do Porto e essa baía de que me falou a esposa do João Luís. Mas fuí a casa dele com um propósito: tomar conhecimento do que escrevera. Pelo menos saber os títulos da história de longa metragem de que me falou. E bebendo um delicioso Dimple 15 anos, pela primeira vez tive oportunidade de ver «a obra» do meu amigo. Somente vi os títulos e falámos um pouco sobre cada um deles. Terei oportunidade de os ler. Estão imprimidos em forma de blocos, feitos numa casa especializada em fotocópias. mostrou-mos por ordem cronológica. Perguntei-lhe se não se interessava por os publicar. Riu-se! Não tinha veleidades dessa ordem. Disse que muito se fala em Portugal de cultura, e ainda bem que se fala. No que diz respeito à literatura, tem duas facetas: o lado de lá de um livro e o lado de cá. O lado de lá é, evidentemente, o leitor. No lado de cá está quem o escreveu. Muito se tem incentivado à leitura em Portugal. Mas os responsáveis, por vezes esquecem-se que para haver leitura, tem de existir, antecipadamente, escrita. E em relação aos autores, pensa o meu amigo João Luís, que será, por vezes, estranha, a forma como certos autores, em Portugal, ganham nome na praça. Supõe que uma condicionante obrigatória seja viver-se em Lisboa. A capital, tal como há cem anos, continua a ser o centro de tudo em Portugal. O resto é mato. É que surgem, diz o meu amigo João Luís, certos livros que não têm mensagem, e a fraca que transmitem é escrita com pouca elaboração, quase rudemente. Muitas asneirolas pelo meio, muito sexo implícito, e ás vezes explícito, a que o autor recorre para tornar o livro interessante e vendável. Tem sabor á literatura de beco de prostitutas que existia antigamente nos livros de um tal Vilhena. Decerto que estes autores são amigos de pessoas influentes, amigas de editores...e assim se fazem alguns nomes. Alguns, porque existe bastante qualidade em autores contemporâneos. Mas ele, o meu amigo, que vive no mato, tem lá entrada num mundo de pensadores e iluminados?!


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