JONATHAN LITTELL

Avatar do Utilizador
matahary
Mensagens: 2623
Registado: 13 fev 2004, 13:20
Localização: Além do Tejo

JONATHAN LITTELL

Mensagempor matahary » 21 jan 2008, 09:38

As Benevolentes
por Jonathan Littell

"A obra apresenta as memórias de Maximilien Aue, um ex-oficial nazi, alemão de origens francesas(...)" Byblos

"Esgotado em algumas das maiores livrarias do país em 15 dias apenas, a obra "As Benevolentes" ameaça tornar-se num dos maiores fenómenos de vendas dos últimos tempos, tão mais surpreendente quando se trata de um livro de quase 900 páginas, que não faz concessões ao imaginário do fantástico medieval nem o seu autor beneficia do auxílio da televisão para efeitos de popularidade. Antes pelo contrário - a ficção cede, não raro, à pesquisa documental para narrar as memórias de um antigo oficial nazi das SS, agora reformado da indústria têxtil em França, e o seu périplo pelos cenários onde decorreu o mais sangrento conflito da História, a Segunda Guerra Mundial, e o Holocausto em particular. A sucessão de pormenores - desde os nomes de acidentes geográficos às patentes da hierarquia nazi -, e até as múltiplas passagens de contextualização denunciam a profundidade da investigação empreendida pelo autor, Jonathan Littell, anónimo até vencer o prestigiado prémio Goncourt em 2006. Rezam as crónicas que ele, de ascendência polaca e judaica, natural de Nova Iorque mas com cidadania francesa e residência em Barcelona, terá dedicado anos às pesquisas e meses à redacção deste livro que pariu um dos mais memoráveis personagens literários dos últimos tempos, Maximilien Aue.

Tendo estado no âmago da demencial máquina de matar gente que redundou no Holocausto, as memórias de Aue não constituem nem um exercício de contrição pelo horrendo genocídio nem um manifesto apologético da supremacia nazi e justificativo da matança. Quando muito, será um exercício relativista de um cínico patológico, que remete todos os julgamentos morais para as condições em que são formulados, e, mais do que isso, que insinua a cumplicidade da Humanidade inteira no crime do Holocausto, com os cidadãos vergados à omnipotência do Estado (tese cara a Hannah Arendt) "Se nasceram num país ou numa época em que não só ninguém aparece para matar as vossas mulheres, os vossos filhos, mas em que ninguém aparece também para vos dizer que matem as mulheres e os filhos dos outros, dêem graças a Deus e vão em paz. Mas mantenham sempre presente no espírito esta ideia: talvez tenham tido mais sorte do que eu, mas nem por isso são melhores do que eu".

O romance parece afirmar precisamente essa impossibilidade do Bem por aqueles dias. Desde Aue, homossexual passivo após uma relação incestuosa com a irmã gémea, que ingressou nas SS "com o cu ainda cheio de esperma", até às próprias vítimas, não há um único personagem, das dezenas que povoam as páginas - incluindo líderes do III Reich, como o próprio Hitler, mas ainda Eichmann, Speer, Hess e Himmler, o arquitecto da Solução Final - , que não seja absolutamente desprezível e moralmente repugnante. Aue troca impressões com todos, do mais bruto ao mais refinado nazi, em diálogos inteligentíssimos e informativos, mas sempre vívidos, e que são uma das mais-valias do livro, além dos seus momentos de introspecção analítica. Essas pausas metafísicas de Aue contrapõem as cenas poderosíssimas, expressionistas na sua capacidade de evocação do horror, da barbárie em que ele participa a contragosto e lhe provocam vómitos e insónias. Não por remorsos, mas por… ferirem a sua sensibilidade estética. Porque Aue é, afinal, um diletante do Holocausto, reivindicando que a maldade intrínseca ao Homem não pode ser erradicada pela Cultura. E esta será, provavelmente, a única moral deste romance incontornável e surpreendente." Jornal de Notícias
"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

Uma por dia, tira a azia.

Matisyahu - One Day ^.^ Aurea - Busy for Me

Voltar para “Literatura”

Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: CommonCrawl e 0 visitante