PEDRO MEXIA

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matahary
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PEDRO MEXIA

Mensagempor matahary » 28 jan 2008, 00:25

Mexia e mexe comigo.
Gosto deste homem. Gosto de o ler.


A estupidez

É difícil viver habitualmente depois de se descobrir que se é estúpido. Há quem leve menos tempo. Há quem descubra isso num instante. Há quem demore três décadas e meia. O último refúgio («ao menos não sou estúpido»), usado e abusado nos piores momentos ou nos mais ridículos. E agora, agora já não vale. Uma inteligência teórica sem voo. Uma inteligência prática cega. A estupidez, como o paciente forçado de um médico positivista, crânio medido e anotado, os estigmas da sua condição nas feições facínoras. Um burguês sem outros talentos especiais tem (quando tem) esse consolo, essa quase salvação: «ao menos não sou estúpido». Uma refrão refractário, como se todos os resultados não fossem prova em contrário. Uma conclusão conclusiva, como se a quantidade não fizesse qualidade. Um homem inteligente que, envolto no manto da sua inteligência, atravessa um rio em que não tem pé, percebe isso a meio, a mais de meio, não pode regressar atrás, não consegue chegar à outra margem, esteve sempre protegido pela sua inteligência, pela suposição dela, que agora fraqueja e logo se evapora. Um homem à morte que de repente se percebe estúpido. Que é estúpido por se ter abeirado assim da morte, confiado em fantasmas. Que por ter avançado assim, crente em assombrações, é estúpido, e definitivamente estúpido. Um homem que de repente não tem pé, mas não é aos seus pés que falta o apoio, é à sua cabeça, ao interior do sua cabeça, uma cabeça que não tem pé, que não tem conteúdo, que não fundamento, assim imóvel num rio que tentou atravessar a vau porque tinha a certeza, e que afinal atravessou porque é estúpido. Na verdade, só os familiares mais próximos deste homem podiam ter por ele alguma piedade, porque ele está onde está por sua vontade, por sua incompetência, porque não soube quem era quando atravessou o rio, porque se soubesse quem era não tinha atravessado. A verdade é que se soubesse quem era não tinha sido estúpido. E foi estúpido, colossal e irrecuperavelmente. Agora tem várias opções, todas elas estúpidas. Aos estúpidos não é concedida nenhuma opção inteligente.

http://estadocivil.blogspot.com/2007/12/estupidez.html


Vamos morrer

Vamos morrer, mas somos sensatos,
e à noite, debaixo da cama,
deixamos, simétricos e exactos,
o medo e os sapatos.

[in Senhor Fantasma, Oceanos, 2007]


http://estadocivil.blogspot.com/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Mexia
http://www.webboom.pt/autordestaque.asp ... 58&area=01
http://blogopedia.tubaraoesquilo.pt/Ped ... edro_Mexia
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Re: PEDRO MEXIA

Mensagempor masahemba » 28 jan 2008, 17:20

Gostei! No entanto, teria mais impacto se as palavras fossem tuas. Também são estúpidas as pessoas que se consideram donas da verdade, e que não sabem respeitar o que os outros consideram ser verdade, ou pelo menos, têm esperança que o seja, e logo os apelidam de estúpidos.
É por neste país existirem muitos «Mexias», intelectualóides de pena pouco inspirada, e por terem seguidores deslumbrados, que por muito pouco se deslumbram, que muita medíocridade tem nome e fama.
Deixa-te de citações. Escreve tu. Faz bem à mente!

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Re: PEDRO MEXIA

Mensagempor matahary » 19 mar 2008, 00:09

Pedro Mexia é o novo subdirector da Cinemateca

http://ultimahora.publico.clix.pt/notic ... id=1322816


Mexia assustou-se mas está tranquilo

http://www.correiomanha.pt/noticia.asp? ... l=13&p=200
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Re: PEDRO MEXIA

Mensagempor Diana » 20 mar 2008, 08:15

masahemba Escreveu:Gostei! No entanto, teria mais impacto se as palavras fossem tuas. Também são estúpidas as pessoas que se consideram donas da verdade, e que não sabem respeitar o que os outros consideram ser verdade, ou pelo menos, têm esperança que o seja, e logo os apelidam de estúpidos.
É por neste país existirem muitos «Mexias», intelectualóides de pena pouco inspirada, e por terem seguidores deslumbrados, que por muito pouco se deslumbram, que muita medíocridade tem nome e fama.
Deixa-te de citações. Escreve tu. Faz bem à mente!



Em parte terá (muita) razão, Caro(a) Masahemba, devemos ter algum cuidado com os opinion maker's que servem e SE servem do "sistema", e procuram "fazer-nos a cabeçinha". :LOL :LOL

Mas por outro lado, também é verdade que há pessoas, que merecem a credibilidade, de reflectirmos sobre o que elas escrevem ou dizem.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, não é ?



PS - Desculpe, de me ter "metido" na conversa ! :))
Pelo rei às vezes, pela Pátria sempre
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Re: PEDRO MEXIA

Mensagempor masahemba » 23 mar 2008, 00:02

seria, D. Diana. Mas a minha resposta teve mais a ver com o contexto em que foi exibido o texto em questão, do que propriamente com o conteudo. De qualquer forma, não é agradável lermos que alguém considera ser estúpida uma concepção que para nós a queremos ter como verdadeira. Cada qual sairá em defesa da sua dama!

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Re: PEDRO MEXIA

Mensagempor masahemba » 23 mar 2008, 00:05

E pode perfeitamente tirar o (a), porque masahemba é masculino sem réstea de dúvida!

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Re: PEDRO MEXIA

Mensagempor matahary » 27 mai 2008, 15:39

You can't always get

Mick Jagger explicou que «you can’t always get what you want», acrescentando que «if you try sometime» talvez «you get what you need».

Umas vezes acho esta ideia lúcida e outras vezes moralista. É verdade que reconhece uma «sabedoria da vida» acima de nossa ignorância. Mas aquele «what you need» definido por terceiros é terrivelmente paternalista.

Hoje, num filme de 1953, ouvi esta frase simples dita por Robert Ryan: «A man needs what he likes». E na sua escorreiteza sem pretensões, achei o aforismo mais consequente.

Nenhum de nós sabe aquilo que merece (conceito estúpido, «merecer»). Todos nós sabemos (mais ou menos) aquilo que queremos. E aquilo de que precisamos é aquilo de que gostamos. Há convenções e sacrifícios e tal, mas isso são regras que aceitamos. No mais, «a man needs» apenas «what he likes».

http://estadocivil.blogspot.com/2008/05/what-cant-always-get.html


O apego

O budismo ensina que a felicidade consiste no desapego dos sentidos e das emoções. Tenho uma vaga simpatia pelo budismo, como toda a gente, mas detesto esse conceito. A felicidade (whatever that means) passa obrigatoriamente pelo apego aos sentidos e às emoções. Já lá estive e garanto.

http://estadocivil.blogspot.com/2008/05/o-apego.html
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Re: PEDRO MEXIA

Mensagempor matahary » 20 jun 2008, 00:09

Românticos

O «romantismo» tem uma estranha conotação «feminina». Talvez noutros tempos isso fizesse sentido, por causa do gigantesco universo das leitoras de romances. Hoje, numa grande cidade, as mulheres são gélidas. Acima de determinada «classe social», nenhuma mulher se aventura em arroubos sentimentais. Em compensação, conheço dúzias de homens perdidamente românticos, miseráveis, fungantes, tremendistas, encostados à parede com Yeats e bebidas espirituosas.

Fiquei reconfortado quando encontrei a mesma experiência (com sotaque irlandês) em Monster (2004), espectáculo ao vivo do impagável Dylan Moran (Black Books):

«Não quero fazer grandes generalizações sobre as mulheres. Não estou aqui para isso. Acho de mau gosto. Só digo isto: elas não têm sentimentos.

Porque na verdade os homens é que são românticos. Os homens é que dizem coisas como:

"Conheci uma pessoa. Ela é fantástica. Se eu não fico com ela, estou fodido. Não aguento mais. A sério. Ela transformou completamente a minha vida. Tenho um emprego, uma casa; e tudo isso já não vale nada. Não aguento mais. Tenho que estar com ela. Porque senão acabo entrevado, alcoólico e com umas calças piolhosas. E nunca mais saio à rua".

Ora isto é o que as mulheres dizem sobre sapatos».


No cantinho do costume.
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