FELÍCIA CABRITA

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matahary
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FELÍCIA CABRITA

Mensagempor matahary » 24 mar 2008, 13:33

Massacres em África
edição Esfera dos Livros

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Sinopse:

Em 1991, Felícia Cabrita foi pela primeira vez a África. Aterrou em Angola e estava longe de imaginar que grande parte da sua carreira como jornalista iria ser dedicada a desbravar o manto de silêncio que escondia os massacres cometidos nas antigas colónias portuguesas durante o Estado Novo. O seu relato inicia-se na década de 50, com uma página negra da nossa história: os massacres de Batepá, em São Tomé, onde a realidade ultrapassou em muito a ficção. A jornalista segue o rumo da história para relatar os massacres da UPA, em 1961, sobre os colonos portugueses; passa pela luta na Guiné; descobre os sobreviventes do massacre de Wiriyamu, que rouba a vida a centenas de moçambicanos. Com a saída dos portugueses, a guerra civil continua a fazer as suas vítimas, Sita Valles é uma delas. Eduardo, de catorze anos, outra, morrendo em 2001, no mato, às mãos dos guerrilheiros da UNITA que se sente cada vez mais encurralada. Porque não há guerras santas, a jornalista traz-nos o lado mais sombrio dos homens. «Tentei perceber as minhas personagens individualmente e, uma vez lançadas no mundo, neste caso a guerra, interpretar o seu desempenho no comportamento colectivo. A história tem ciclos, repete-se sem novidades e o homem, seja qual for o continente, é sempre igual nos vários palcos onde o inferno assenta.» http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=%2086


Livro revela o lado mais obscuro da guerra travada no Ultramar

"Tropa portuguesa afasta-se dos brandos costumes e torna-se norma fuzilar os nativos prisioneiros

"Desde os massacres da UPA [União dos Povos de Angola] de Holden Roberto, em que os alvos foram os colonos portugueses, aos que se seguiram pelas mãos da tropa lusa, até aos horrores cometidos após a independência, desta vez com o carimbo dos líderes africanos, nunca encontrei inocentes. Não há guerras santas", afirma Felícia Cabrita, jornalista a quem se deve a revelação, entre outros, do escândalo da Casa Pia, e que compilou em livro 10 anos de reportagens nas ex-colónias portuguesas (São Tomé, Guiné, Moçambique e Angola). Nele ("Massacres em África", edição .Esfera dos Livros), procurou reconstituir os crimes de guerra cometidos pelas partes beligerantes - tanto da tropa portuguesa como da guerrilha africana -, mediante a consulta de arquivos e entrevistas a participantes directos.

Dessas andanças e inquirições resultou um pequeno bestiário da guerra colonial, ainda que o livro abra com um massacre anterior a 1961 - ano em que começaram as hostilidades -, perpetrado em São Tomé e Príncipe a coberto de uma das mais incríveis mentiras para justificar a sangrenta repressão dos nativos. Ali, o governador daquela ilha, o coronel Carlos Sousa Gorgulho, que almejava governar a jóia do Império, Angola, tentou o impossível para alcançar a transferência desejada - construir um porto de mar para escoar a produção do cacau, agradando à metrópole e aos roceiros de uma só vez. Para tanto, precisava de mão-de-obra escrava que deveria escoar a água do mar para construir o tal porto. A loucura leva-o a inventar uma invasão comunista do arquipélago com a conivência dos indígenas, o que justificaria a subjugação dos nativos. Muitos morreram de cansaço, a trabalhar, outros foram executados, alguns foram emparedados nas obras públicas, no que ficou conhecido por massacres de Batepá. Foi em 1953.

Quase no fim do livro, Cabrita revisita a que terá sido a maior orgia de sangue e loucura em África executada pelas tropas portuguesas e que constituiu, confessa a autora, o trabalho mais complicado da sua carreira. Com frieza e selvajaria assustadoras, apenas explicáveis pela tensão acumulada, a 6.ª Companhia de Comandos mata e viola mulheres e crianças na localidade moçambicana de Wiriyamu, onde só restavam elas e velhos desarmados. Cabrita fala com os sobreviventes moçambicanos, mas também com os verdugos portugueses, aqueles que faziam experiências tão macabras e insanas como abrir o ventre das grávidas e mostrar-lhe o sexo dos fetos, ou atirar bebés ao ar e deixá-los cair sobre as baionetas, ou violar repetidamente uma rapariga antes de deitar fogo a toda a aldeia.

Felícia Cabrita consegue convencer Eugénia Conceição a regressar à terra onde lhe mataram a mãe à sua frente, Angola, e sorrir a um dos cúmplices desse assassinato, um guerrilheiro da UPA que a transportou às costas, dias a fio, pela selva, com o fito de entregar a menina e a irmã Paula sãs e salvas a Holden Roberto, então em Leopoldeville (Kinshasa), para mostrá-las ao Mundo e alegar a sua benevolência. A única história com final feliz de um livro revelador." Elmano Madail http://jn.sapo.pt/2008/03/24/sociedade_ ... o_gue.html
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masahemba
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Re: FELÍCIA CABRITA

Mensagempor masahemba » 25 mar 2008, 14:51

É assunto sério este que a Felícia Cabrita aborda, tal como o foi a série que passou na RTP-1, e que se ficou pelo 9º episódio, faltando passarem ainda quatro episódios- A Guerra. Mas, para nós, portugueses, é uma questão, no mínimo, extremamente sensível. É que não estamos a falar de actos praticados no tempo das Cruzadas; destes de que falamos, os mais antigos têm 47 anos, e os mais recentes, que a nós diga respeito, terão 34 anos. Como tal, ainda muitos portugueses são vivos, que foram intervenientes nesses episódios de guerrilha, homens que serão hoje patriarcas de boas famílias. Sem o sabermos, poderemos estar a apontar o dedo a um familiar nosso. A guerra põe os homens loucos!


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