O Barrete e a Surdez Crónica

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matahary
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O Barrete e a Surdez Crónica

Mensagempor matahary » 06 mai 2008, 22:46

Creio que este post da MPR vem fora de tempo. A época da Tourada já abriu e o Dia Nacional da Educação de Surdos, a 23 de Abril, já passou. Resta-nos, então, o Dia Mundial do Surdo que é comemorado no último domingo do mês de Setembro - ainda vem longe.

Nunca li um livro desta senhora e no dia em que o fizer estarei, provavelmente, morta. Cerebralmente morta. No entanto, é hábito meu ler os post da MPR no Jornal Sol . Demências temporárias... Ninguém é perfeito!

Deixo-vos aqui um com muito prazer, em especial atenção às incautas, às surdas crónicas, às parvas, às idiotas, que nos suscitariam a maior das comiserações, caso não fossem tão estúpidas e repetentes na matéria.

O título do post é sugestivo - Enfiar Barretes - antes fosse enfiar outra coisa tão-somente, como por exemplo, um aparelho auditivo. Para tal sugiro a casa Sonotone, especialista na matéria há mais de setenta anos.

Vamos ao que importa.

Enfiar barretes

Há homens que encaram as relações amorosas como combates de boxe. Vladimir Nabokov, que consumia alternadamente e em doses descontroladas álcool e mulheres, era professor de boxe nas horas vagas. Diz a lenda que era pouco simpático, nada cortês e que tratava as mulheres abaixo de cão. Alguma poesia encontrada em Lolita – para quem aprecia o género – é literalmente destruída em Mulheres, um romance entediante e repetitivo no qual o autor narra as suas aventuras que encaixam no tédio do vazio como missangas de diferentes cores e feitios, mas no fundo todas iguais, porque era igual o que o escritor sentia por elas: uma forte atracção misturada com ausência de sentimento.

Por graça, costumo dizer que estes homens, que consomem mulheres profissionalmente sem nunca se apaixonarem por elas, têm um donut no lugar do coração. A metáfora é simples: atingidos pelas setas de Cupido, escapam quase sempre ilesos porque, em vez de um coração normal, possuem um órgão com um buraco ao meio por onde estas se perdem no vazio. O que conta é a adrenalina da conquista, a vertigem da captura, o desejo saciado, mais cedo ou mais tarde. Os predadores emocionais cumprem à risca as seis fases ditadas pela Mãe Natureza: atracção, aproximação, salto, captura, morte e consumo. A enumeração por ordem sequencial dá que pensar. A morte aparece antes do consumo, porque o que interessa ao predador é que a presa esteja pronta a consumir.

Os conquistadores patológicos vivem viciados no sucesso das suas conquistas, vão a todas e quantas mais conquistarem melhor. Medem o seu êxito por estatísticas e nunca pela qualidade das relações que estabelecem. Os mais perigosos são os terroristas emocionais, aqueles que, para capturar a presa, mascaram o desejo com boas intenções, falinhas mansas e demonstrações de atenção e de afecto. Os mais honestos vão directos ao assunto, expressam o seu desejo mas explicam de que massa são feitos com frases do género ‘não te posso prometer nada’, ‘não me quero prender a ninguém’, ‘não ando à procura de uma relação séria’.

Há uma grande diferença entre o predador honesto e o lobo com pele de cordeiro. No entanto, as mulheres também têm nestes processos a sua quota--parte de responsabilidade. Muitas vezes ouvem apenas aquilo que querem e ignoram os avisos à navegação. É como na fábula do Capuchinho Vermelho: porque vai a menina pela floresta se foi previamente avisada que poderia ser atacada pelo lobo, em vez de seguir pela estrada que passa mesmo ali ao lado?

Desconfio tanto dos predadores profissionais como das vítimas devotas. São as mulheres que gostam de sofrer que alimentam a misoginia nos homens, porque o respeito é como a virgindade, só se perde uma vez. Uma mulher pode deixar-se enganar uma vez pelo mesmo homem alegando ingenuidade, mas ao cair à segunda ou à terceira, já não está a ser ingénua, está a brincar ao Capuchinho Vermelho e a pôr-se a jeito. É caso para dizer que só enfia o barrete quem quer. Neste caso, o capuz.
http://sol.sapo.pt/blogs/margaridarebel ... retes.aspx

Pensando melhor, o post da MRP vem em tempo certo... O assunto é intemporal.
"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

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