CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES (jose Vilhena)

BladeRun_

CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES (jose Vilhena)

Mensagempor BladeRun_ » 11 dez 2008, 20:56

CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES
Amigo Felismino
Que esta o encontre de boa saúde, bem como à patroa, é o que mais desejo, que eu por cá vou andando razoável, apesar dos escândalos que por aqui vão, do calor, das guerras que há dentro dos partidos e da roubalheira dos deputados (mas que agora não é tão grande porque estão todos de férias). Graças a Deus, vou resistindo a tudo.
Diz vocemecê, na sua estimada carta, que já está farto de Trás-os-Montes pois aí é tudo uma bandalhice e que País se está a rir com essa história das casas de alterne em Bragança. E agora, com os incêndios, é o fim.... Diz que está na disposição de vir também para Lisboa e pergunta-me se será fácil... Sobre isso, acho que fácil cá chegar, é; basta tomar o comboio em Vila Real ou a camioneta directa que sai da Régua. Mas quanto a arranjar trabalho, só se tiver uma cunha valente, que isto, está a abarrotar de penduras.
Aqui na repartição, onde arranjei um tacho, somos quarenta e três funcionários e nem sequer há cadeiras e jornais desportivos que cheguem para todos; tem de ser à vez. Como vê, aqui em Lisboa já há gente a mais. E até as putas são tantas por estas ruas que qualquer dia não há machos para lhes dar vazão... mesmo que elas baixem os preços, que é o que têm de fazer, agora com a concorrência das putas brasileiras e dos putos da Casa Pia. Uma desgraça!.. .
Pergunta-me vocemecê se ainda há mulheres boas no Parque Mayer e no Cais do Sodré, como havia há trinta anos quando o amigo cá esteve por via da tropa. Para lhe ser franco, são
lugarzinhos onde não me perco e consta-me que já não merece a pena lá ir.
Hoje, quem quiser ver bom gado rachado, vai é cheirar os ministérios e secretarias de Estado, que o bom material foi todo lá parar. Pela minha saúde como não estou a mangar!... Se calhar, algumas das vitelas vieram mesmo do Parque Mayer, e do Cais do Sodré; não me admirava...
Mal a gente entra, topa-se logo com cada lontra, por aquelas escadas e corredores, que até sentimos arrepios pela espinha acima! E agora, todas queimadinhas da praia e com uma minissaias do camandro, é um espectáculo de que o meu amigo não faz a mais pequena ideia! Nem parece que estamos numa casa séria, com tanta mulher e todas de encher o olho!... Custa um colhão de massa ao País mas creia que vale a pena.
Sobre o que elas lá estão a fazer, não sei dizer ao certo; mas que não têm ar de animais de trabalho, isso não têm... Punha a minha ca beça no cepo em como não fazem nenhum.
Mas como esta já vai comprida demais, o resto fica para a próxima, pois, se Deus quiser, ainda havemos de voltar ao assunto que merece bem a pena.
Sou este amigo certo e sempre ao dispor,

Inácio Moreira

BladeRun_

Re: CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES (jose Vilhena)

Mensagempor BladeRun_ » 11 dez 2008, 21:00

CONSELHOS ÀS SENHORAS NUDISTAS

Se você é mesmo uma lasca, se tem boas mamas, belo cu e um andar sexo-bamboleante, é evidente que fará sucesso numa praia de nudistas. Mas veja bem se é esse o seu caso ou se está apenas sugestionada pelos piropos que ouve quando passa, na rua, bem vestida e melhor calçada.
Confessamos que estes conselhos às distintas leitoras deviam ter aparecido na nossa revista ao chegarem os primeiros calores do verão. Mas aqui estão para as que ainda vão gozar as férias na praia.
Assim sendo, leitora nudista, toca a fazer o gosto ao dedo, rapidinho, que as chuvas não tardam. Tome, no entanto, as precauções que a nudez impõe, antes de a oferecer, de bandeja, aos olhares críticos dos mirones!
Dispa-se, primeiro, em casa e faça um severo exame diante do espelho, de cima a baixo. Lá porque os seus colegas de escritório gostam de lhe apalpar o cu, não se julgue a Vénus de Milo.
Muito menos confie no que lhe dizem as amigas. Se elas a animam a desnudar-se, na praia, é sinal de que você está a perder qualidade e a .encher-se de banhas e imperfeições sortidas. As mulheres, quem não as conhecer que as compre.
Começando o exame por cima, se a leitora se orgulha de um busto farto e generoso, desses que fazem os homens voltar-se, quando se cruzam consigo na rua, não se engane. Lembre-se de que tudo isso se altera quando tira o soutien, pois uma nudista não tem busto, peito ou «colo» – tem mamas.
Mamas, cujo valor erótico é indiscutível, de acordo, mas desde que respondam positivamente a vários quesitos como volume, forma, consistência, firmeza e em que até o desenho dos mamilos e da respectiva auréola têm suma importância. Veja, pois no que se mete, ao exibi-las.
Uns seios inexpressivos, frouxos, excessivos ou caídos são fatais numa avaliação de conjunto e nenhuma mulher gostaria que comentassem nas suas costas: «aquela, se não fosse a porcaria das mamas, até que se comia». É chato, convenhamos.
E o que se diz das mamas diz-se do resto do corpo, pois as roupas escondem e compõem muita coisa, disfarçando o que está mal e valorizando encantos que mal existem. Se a mulher tem a sorte de se saber vestir, pode aparentar uma forma que, na verdade, já perdeu e suscitar olhares cobiçosos que, estando despida, jamais atrairia.
Numa nudista, um cu é simplesmente um cu, com as implacáveis pregas ou regueifas. As coxas, que a saia pode tapar, engenhosamente, tornam-se os presuntos que na verdade são. E quanto à barriguinha, que, sabiamente espremida e compensada, pode até despertar desejos lúbricos, não passará de uma obscena pança.
Isto de despir têm muito que se lhe diga e boa parte das mulheres – mesmo as que se esforçam por ser objectos sexuais – denotam uma ignorância e uma falta de realismo e habilidade confrangedoras.
Se tivessem o mínimo senso crítico mais de metade das minissaias que por aí andam baixariam dois ou três palmos – o suficiente para esconder os matacões dos joelhos que são uma ofensa ao olhar de qualquer cristão.
Razão têm os padres que não param de aconselhar «modéstia e recato no vestir». Se as gajas lhes dessem ouvidos, evitavam-se tais espectáculos deprimentes e a taxa de sem-vergonhice baixaria expressivamente... pois só quem tivesse coisas decentes para mostrar se permitiria a gostosa indecência de o fazer. A Igreja é sábia.
E, a par destas recomendações, que deixamos à elevada consideração das senhoras que nos lêm, podíamos dirigir outras tantas aos cavalheiros; mas, sinceramente, não nos apetece.
Desculpe lá, leitor nudista, mas isso de dar conselhos sobre a estética dos mangalhos e acessórios ou dos bandulhos de cerveja não vai com o nosso feitio. Cada um tem as suas limitações, não é?

BladeRun_

Re: CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES (jose Vilhena)

Mensagempor BladeRun_ » 11 dez 2008, 21:07

NOITE DE NATAL

Como a família da Lurdinhas passou a consoada do ano passado
Para estreitar os laços familiares, não há nada que chegue à festa do Natal, lá isso é verdade, mas espero que neste ano as coisas corram melhor do que o ano passado e não seja preciso o meu pai ir mudar de roupa a meio do jantar por ter apanhado em cheio com o galheteiro do azeite nos cornos, atirado pela minha mãe que o topou a apalpar o cu à D. Filomena, uma prima da minha madrinha que veio de Angola e vive numa pensão em Almirante Reis e anda a estudar para manicure. A minha mãe ficou bera e com razão, não é por ser minha mãe, esteve quase a dar-lhe o fanico e só gritava: «Tirem-me essa puta da frente! Tirem-me essa puta da frente!» Mas quando as pessoas são educadas, as coisas acabam por compor-se e bastou tirarem a D. Filomena de ao pé do meu pai para ficar tudo em sossego. No fim até estiveram as duas a falar de crochés e da telenovela, que nessa altura dava na televisão, e a D. Filomena ofereceu-se para tratar os pés da minha mãe, assim que acabasse um curso de calista que andava a tirar ali para os lados da Fonte Luminosa. Essa bronca portanto foi o menos; o pior veio a seguir quando a minha avó teve a infeliz ideia de perguntar à prima Otília que presente de Natal é que lhe tinham dado os patrões do escritório onde ela trabalha e a parva descaiu-se a dizer que, do senhor Benjamim, recebeu um jogo de calcinhas e soutien em nylon, e do senhor Canelas, um vibrador-masturbador japonês, muito bonito, todo transistorizado. Ora, ao ouvir isto, o Fernando, que é o marido da Otília e tinha metido na boca uma grande garfada, engasgou-se, engoliu uma data de espinhas de bacalhau, cuspiu o resto no prato do meu avô e desatou ao bofetão à mulher: «Sua cabra! Sua ordinária!» e a dizer que ia enfiar o vibrador pelo cu do Canelas acima e partir os cornos ao porcalhão do Benjamim. E a palerma da Otília, em vez de se calar, como era a obrigação dela, cresceu para o marido que até parecia uma leoa: «Tire as patas de cima de mim, seu cabrão! Você é que tem cornos e dos grandes, ouviu?» E ele, todo a tremer: «Eu?! E ainda o dizes, grandessíssima puta?» E a Otília: «Pois digo para vergonha tua, que nem és marido nem nada! Se não fossem os meus patrões não sei o que seria de mim?». E desatou a chorar baba e ranho e então o Fernando agarrou na faca de cortar o bolo-rei e toda a família se pôs a gritar «Ai que ele mata-a! Ai que ele mata-a!», mas o meu pai tirou-lhe a faca e o tio Arnaldo obrigou-o a sentar-se na cadeira, deu-lhe palmadinhas nas costas e disse-lhe: «Não ligues ao que ela diz, pá, que as mulheres são todas umas putas», e ele ao ouvir estas boas palavras, ficou mais sossegado e até alargou um furo ao cinto para continuar a comer. O pior é que a tia Palmira não gostou da conversa do marido e começou a refilar que não queria confusões, que se as outras eram putas ela era uma mulher séria, que quem não se sente não é filho de boa gente, etc., etc., mas o tio Arnaldo que é um bocado bruto atirou-lhe logo esta a matar: «Escusas de armar em séria, que todos sabem que andaste enrolada com o Gonçalves da farmácia quando ele te tratou do eczema»; e ela, logo: «E tu com a Gracinda da peixaria, que até escamas de pargo trazias para casa nas cuecas!» E o tio Arnaldo, muito fodido: «As escamas de pargo não são aqui chamadas para nada, porra!» E, ao dizer isto, deu tal murro num prato de filhoses que saltou calda para todo o lado e até eu fiquei com o cabelo enchapoçado dela. E o meu pai que ia acudir pela tia Palmira, esteve vai não vai para apanhar outra vez com o galheteiro, pois a minha mãe tinha-o sempre debaixo de olho; enfim, só visto! O que valeu para que a festa de Natal não ficasse estragada foi a minha madrinha impor-se, visto ser ela a dona da casa, e avisar que não consentia faltas de respeito, que aquilo ali não era nenhuma taberna e que achava uma sacanice estarem a encher o bandulho à custa dela, com a comida cara como estava, e a portarem-se que nem javardos em vez de se mostrarem agradecidos. «Ou comem de bico calado ou vai tudo para o olho da rua!» disse ela e ninguém refilou; durante algum tempo só se ouviu mastigar, até que o senhor Aguinaldo, o sacana do velhote que está amigado com a minha madrinha e que até aí só abria a boca para meter para dentro, resmungou lá do canto que no olho da rua já nós devíamos estar há muito e que se a família dele fosse ordinária como a nossa já a tinha rifado. Um gajo bera, palavra de honra; não são coisas que se digam assim na frente das pessoas e ainda gostava de ver que merda de família é a dele; cheira-me que é para ali uma ciganada cheia de putas, chulos, sovaqueiras e arrebentas. Mas a minha mãe, que tem muito jeito para compor as coisas quando não está com a bolha, disse que o melhor era a minha madrinha abrir a televisão, que tem programas muito bonitos no Natal, porque as conversas não fazem falta para nada e a gente não estava ali para conversar mas para comer e que assim as crianças sempre estavam mais distraídas. Foderam-me!.
Foi assim que tive de gramar duas horas de chachadas como essa porcaria das canções do Natal, das entrevistas do Natal, das tradições do Natal, dos votos de Natal e até dos anúncios do Natal, sem ter feito mal a ninguém. Não é que eu goste de chavascal e sarrafada, mas, mal por mal, ainda preferia ver os parentes todos à porrada e a descobrir o cu uns aos outros do que ver a merda da televisão.

BladeRun_

Re: CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES (jose Vilhena)

Mensagempor BladeRun_ » 11 dez 2008, 21:12

SAUDADE DAS CASAS DE PUTAS
Há dias a televisão mostrou mais uma eleição de misses e as meninas lá surgiram exibindo as suas carnes todas parecidas umas com as outras e sem nada de especial para o conhecedor exigente.
Embora sem qualquer interesse, quer estético, quer erótico, este programa teve, pelo menos uma coisa a seu favor: lembrou-nos as velhas casas de putas de antigamente.
Quem é que – sendo desse tempo e vendo agora desfilar umas gajinhas insípidas, a quem não apetecia dar sequer uma foda rápida – se não recorda do ambiente típico, castiço, dessas antigas casas, monumentos ao sexo e que vendiam produto de boa qualidade, diversificado, para todos os gostos?
Ali não se impingia gato por lebre. Era impossível. O cliente cheirava, apalpava, tirava a prova. E se era enganado não voltava tão depressa enquanto o mercado lhe oferecesse artigo de melhor qualidade. E Lisboa tinha muito por onde escolher, desde o famoso 100 da Rua do Mundo (com preços diferentes no 1 ° e 2° andares) até à Madame Blanche na Rua da Glória (cona, cu e broche), passando pelo 142 da Rua Diário de Notícias, o 5 da Rua da Barroca, o 8 da Travessa da Água da Flor, a Madame Calado, ao Rossio, casa fina e cara (onde iam os ministros e directores gerais), até às casas no Intendente, na Mouraria (para operários) na Rua Luciano Cordeiro (para mangas de alpaca)... e por aí a fora.
Recordamos a respeitabilidade, a ordem burguesa ali pontificando. Eram lugares sacralizados, com tradições e cerimonial mantidos a preceito: as boas vindas, denunciando a categoria do cliente, o bater das palmas com que a «patroa» ordenava «Meninas à sala», a expectativa gerada nos clientes, finalmente o desfile. Lá vinham elas, em fila indiana, exibindo as suas coxas e as suas mamas, fazendo as poses que mais lhe favoreciam os encantos, recebendo elogios da «patroa» que ia sublinhando a firmeza da mama, o aveludado da pele, a perfeição da coxa, o roliço da anca.
E os apresentadores destes modernos desfiles de mulheres, na TV, que são os concursos de beleza, que é que elogiam? Nada. Afinal eles não podem sublinhar nenhum atractivo, nenhuma diferença, porque elas, misses, são todas iguais: como que de plástico. Nem sequer realçam as qualidades profissionais das meninas. O cliente (espectador) não fica a conhecer as suas habilidades sexuais, os gostos, o temperamento, as taras na cama. Quando muito dizem que a menina gosta de cinema, de andar a cavalo, de ver televisão e que o seu sonho é ser modelo. Ora bolas.
Outro senão nestes desfiles de misses é que nunca se fala em preços – coisa que nas velhas casa de putas era primordial. Jogava-se limpo. O cliente não podia queixar-se de ter sido enganado.
E, enquanto que estas misses dos desfiles são todas iguais, estereotipadas, copiadas a papel químico, nas velhas casas de tias havia para todos os gostos: gordas e magras, altas e baixas, novas e velhas, até zarolhas, coxas e desdentadas. Enfim, o cliente, por mais exigente (e depravado) que fosse, tinha por onde escolher. Não havia tara que o cliente tivesse, por mais insólito e extravagante, que não tivesse ali o seu contraponto.
Estes reparos não visam desencorajar os concursos de beleza da TV. De modo algum. O que é preciso é introduzir-lhe outra dinâmica, como agora se diz. Que o ambiente seja recriado com mais realismo e com alguém que desempenhe convincentemente o papel de «patroa». Que tenha imaginação e saiba pôr o produto em evidência.
Não, leitor, isto não é sentimentalismo gagá nem libidinosa morbidez. Os velhos bordeis são património e fazê-los reviver para os jovens, que já os encontraram fechados por um controverso decreto-lei é um acto de cultura.
Daí que tanto nos empenhemos, atrevendo-nos a sugerir um nome: por que não convidar a imaginosa e dinâmica Tereza Guilherme para futuras apresentações das misses na TV ? Ela, melhor do que ninguém, desempenharia a preceito a rábula das antigas «patroas», com o Herman José a fazer o papel daquela bichona que havia sempre nas casas de putas a levar ao quarto os paninhos e o jarro de água quente para o bidé. A Tereza conhece o artigo como poucas, daria boa conta do encargo. Pois, a sugerir cenas eróticas, taras invulgares, posiçõs que nem o Kamasutra ou o Marquês de Sade, não conhecemos melhor. Os espectadores agradeceriam e a televisão empochava mais umas massas, que é o que querem os patronos do Canais TV.

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Re: CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES (jose Vilhena)

Mensagempor Fulano_de_tal » 12 dez 2008, 19:03

O LABREGO DO AVÔ
A nossa agricultura nunca chegou, sequer, para nos matar a fome. Se queríamos comer, tínhamos de comprar ao vizinho e andar eternamente endividados – tornámo-nos independentes há oitocentos anos e tal para cumprir essa triste sina.
O que não quer dizer que o pobre do lavrador não esfolasse no duro para sacar à terra o pouco que ela podia dar. Mal vestido, mal comido e, sobretudo, mal amado, andou nisso durante séculos, sempre na cauda desta estúpida caranguejola que é a sociedade portuguesa. Em suma: um mísero labrego, esfomeado, roto e mal cheiroso, mas cuja memória é indispensável conservar, pois hoje a moda não é tapar as misérias passadas, mas assumi-las, culturalmente.

Há, portanto, coisas que devem fazer-se a tempo ou, depois, dão uma trabalheira do caraças. E são indispensáveis para que não se percam as nossas raízes culturais.
Uma iniciativa que se impõe é a de espalhar museus de agricultura pelo País, antes que acabe de vez. A agricultura, claro, não País.
Isto, para que os netos dos nossos agricultores saibam como fazia o avô, quando, por exemplo, plantava batatas.
Ou quando semeava feijão, regava o milho, estrumava a terra ou colhia as cebolas – actividades que ainda se vão fazendo, aqui e ali, mas não tardam a ter o seu termo.
Que sentido fará, aliás, produzir cereais, vinho, batatas, manteiga ou presunto, numa Europa atolada em produtos desses e de melhor qualidade?
Não será bem mais interessante gozar a vida e comprar um bom carro, com os subsídios que estão a ser dados aos agricultores que se abstenham de... cultivar?
De modo que o cultivador português apronta o carrito e uma prancha de surf (ou uma tenda de campismo, conforme os gostos), alimenta-se de carne, legumes, frutas ou lacticínios da Comunidade e, vá lá, «faz» um pouco de informática e vai aos concursos da RTP. É mau?
Ou entra na política, que é, também, uma actividade nobre, criativa e rendosa... mas que seria chato mandar vir lá de fora, já feita, por óbvias razões de prestígio nacional.
Importar Durões, Portas, Manuelas, Bagãos Félix e Santanas Lopes seria lamentável prova de menoridade – não é o mesmo que importar alhos, laranjas e feijão.
Urge, portanto, encher o nosso Portugal dos tais museus de agricultura, quando não, os netinhos ficarão a zero sobre o que foi a puta da vida do labrego do avô – falta que muito iria empobrecer-lhes, o património cultural – valor tido, hoje, por indispensável.
Seriam capazes (sabe-se lá) de imaginá-lo a dirigir um Oldsmobile da época, de óculos escuros, cachimbo na boca e T-shirt de uma University... em vez de andar a puxar o arado, a meias com o burro.
Mas é importante que esses museus não sejam chatos, como o do Traje ou o do Teatro, onde só se vai por castigo. Têm de ser vivos!
Devem preocupar-se em mostrar quadros da vida real do tempo agrícola, mas com interesse – capazes de fixar a atenção do visitante mais insensível.
Estamos a lembrar-nos, por exemplo, das cenas trágicas de cabeças partidas à sacholada por questões de roubos da água de rega... quando havia regas e gajos dispostos a passar as noites em claro, na expectativa de apanhar o ladrão.
Ou, então, as cenas quentes das fodinhas dadas entre o milho (essas, sim, ecológicas), tão vulgares nesses heróicos tempos... em que havia milho.
Ou entre o trigo, o centeio ou a aveia, cereais tão bons quanto o milho para o avô esvaziar os tomates.
E ainda as cagadas no meio da horta... quando havia horta, com a calista folha de couve a servir de papel higiénico para limpar o cu.
«Bons tempos», dirão os incuráveis saudosistas. «Tempos fodidos», dirão os netos, condoídos da sorte do avô labrego... Se a sensibilidade lhes der para tanto.
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Re: CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES (jose Vilhena)

Mensagempor Fulano_de_tal » 12 dez 2008, 19:06

Assim se lançam atoardas
No mais inteligente e menos convencional dos blogs, (o meu pipi), sustenta-se a hipótese de Adão ter sido gay, argumentando que «basta ver, na pintura do tecto da Capela Sistina , os abdominais mais do que definidos e o quebrar do pulso, características dos paneleiros.»
Haja respeito, porra! E objectividade! Se alguém ali exibe tiques de homossexual não é Adão, mas o próprio Criador. (Veja-se como se agarra a dois anjos com caras de larilas, enquanto um outro, por baixo, lhe apalpa as coxas).
Mas, pensando bem, talvez nem Deus nem Adão (recém criado à sua imagem e semelhança) tenham sido panilas. O autor do quadro foi Miguel Ângelo, esse, sim, homossexual assumido, protegido e amante do Papa Júlio II. Daí a tendência do célebre artista da Renascença, em pintar panascas.
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