VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

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lecavo
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VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 21 ago 2007 20:36

Viva!

Da campanha do Rossilhão ao Alentejo (Olivença).

As explicações que a história nos dá!

"...Esta conquista realizada a partir de 8 de Agosto de 1801, por José Borges do Canto, antigo soldado do Regimento de Dragões do Rio Grande do Sul, com o cerco e tomada da povoação de São Miguel e posteriormente do resto das missões, foi um sucesso que nunca foi reconhecido em tratado, mas que o governo espanhol reclamou sempre, ligando no futuro a entrega das missões à entrega de Olivença."

Veja o artigo na integra aqui

--/--

" Olivença Terra Portuguesa Ilegalmente Ocupada por Espanha

A Vergonha Nacional

Olivença e seu termo estão ocupados ilegalmente por Espanha desde 1807, data em que Espanha violou os termos do Tratado de Badajoz, com o apoio activo à primeira Invasão Francesa.

Portugal ocupou a Guiana Francesa em retaliação .
Portugal voltou a ocupar Olivença quando os franceses e espanhóis foram vencidos em 1810, mas os ingleses que nos ajudavam entregaram Olivença a Espanha.

Mais tarde, pelo Tradado de Cadiz, de 1811 , a Espanha comprometeu-se a entregar-nos Olivença. Nunca o fez.

Com a derrota de Napoleão, Portugal ficou de entregar a Guiana Francesa a França e as vilas espanholas e seus termos, que tínhamos conquistado, a Espanha.
E Espanha ficou obrigada a entregar-nos Olivença e seu termo, pelo Tratado de Paris de 1815 , depois ratificado por Espanha......Ao mesmo tempo que Portugal se acorbada, se cala, silencia, Espanha exige do Reino Unido a devolução de Gibraltar , que está em poder do Reino Unido desde o início do século XVIII.

Zapatero ainda recentemente foi a Londres exigir a entrega de Gibraltar.

São políticos como estes , como os espanhóis , que nós não temos, firmes na defesa do interesse nacional, esquecendo que os gibraltinos não querem ser espanhóis e têm melhor nível de vida que em Espanha.

Um Estado sem dignidade para exigir, pacificamente, a devolução do seu solo pátrio é coxo, não tem prestígio no concerto das nações..."

José Maria Martins
«À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.»
M. de Montaigne

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AlfaLima

Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor AlfaLima » 22 ago 2007 18:54

Portugal sempre se comportou na cena internacional como um pobretanas a querer entrar nas festas do “jet7”. Sempre fomos um país sem poder. Uma “potência” que o não era. Toda a gente nos comia o caldo na cabeça. A nossa realeza contraía ano após ano empréstimos junto da banca europeia, para poder satisfazer o seu luxo. Enquanto isso, o país e o seu povo viviam abaixo do limiar da pobreza.

À custa da tão falada aliança luso-britânica, aquela que tanto orgulho demonstramos ao dizer – a mais velha aliança do mundo – que só nos tem trazido dissabores, à custa dessa tal aliança, os ingleses chuparam-nos os ossos até ao tutano.

Só invocaram a aliança, quando isso poderia trazer-lhes alguma vantagem, porque caso contrário, nunca demonstraram o menor pudor em nos fazerem ultimatos, etc. (não tivesse sido a eclosão da I Guerra Mundial, Angola e Moçambique teriam deixado de ser nossas nessa altura).

Este facto de Olivença é disso um exemplo. Aquilo que nos tinha sido tomado durante a chamada Guerra das Laranjas, foi mais tarde recuperado, quando corremos com os franceses daqui para fora. Quando já estava novamente na nossa posse, os “nossos amigos” ingleses mandaram entrega-la! E nós, tais cordeirinhos lá fomos entregar o que era nosso aos espanhóis!!!!

Ou seja um tipo rouba-me a carteira. Uns dias mais tarde, arranjo um amigo que me ajuda a recuperar a dita. Quando já a tenho novamente em meu poder, o tal “amigo” diz-me – entrega-lhe outra vez a carteira, que depois mais tarde ele devolve-ta! Se eu o fizer, não estou a ser lerdinho? Pois foi isso mesmo que o estado português da altura foi – lerdinho! Porque é que entregou!?

Quem nos traiu foram os ingleses, que nas nossas costas fizeram acordos comerciais com os espanhóis, tremendamente vantajosos para si, à custa da nossa Olivença.

Como lhe tinha-mos tomado uma considerável porção de terreno no sul do Brasil e nunca lho devolvemos, eles pagaram-nos com a mesma moeda.

Agora, tanto vale correr como saltar, gritar ou espernear, a situação vai ficar assim. 200 anos depois, já pouco ou nada há a fazer.

Mas mais uma vez demonstramos o nosso espírito, olhamos para o acessório e deixamos o essencial. por aqui, no meio do Atlântico, existem 7 pérolas. Pérolas essas que não estamos a vigiar. Todos os dias somos roubados. O mar dos Açores era um dos mais ricos do mundo, neste momento está praticamente morto. Alguém faz alguma coisa? Não, nada. Temos aqui um vaso de guerra para patrulhar milhões de milhas quadradas. Os russos e os chineses têm fábricas flutuantes a navegar em águas internacionais. Embarcações mais pequenas entram nas nossas águas, rapam tudo o que cá há e vão descarregar a essas fábricas flutuantes. Tudo isto a um ritmo diário.

Mas isso parece não ser importante, no governo da república ninguém parece estar preocupado com isso. A população em geral então, nem sabe do que estou a falar.

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 23 ago 2007 16:06

Viva!

D. João VI

Filho de D. Maria I e de D. Pedro III, casou em 1785 com D. Carlota Joaquina, Infanta de Espanha, filha de Carlos IV e de Maria Luísa de Parma.

A partir de 1792, assegurou a direcção dos negócios públicos, devido à doença mental da mãe, primeiro em nome da rainha, a partir de 1799, em nome próprio com o título de Príncipe Regente, sendo aclamado rei em 1816. O seu reinado decorre numa época de profundas mutações à escala mundial e à escala nacional: Revolução Francesa e a consequente guerra europeia, Bloqueio Continental, campanha do Rossilhão, guerra com a Espanha e a perda de Olivença, invasões francesas, fuga da corte para o Brasil onde permaneceu durante 14 anos, revolução liberal e a independência do Brasil. Foi a derrocada de um mundo e o nascimento de outro, mudança que D. João VI não quis ou não soube compreender.

Fugindo para o Brasil perante a invasão de Junot, o monarca terá querido manter a colónia brasileira em poder de Portugal. Isto significou, no entanto, a dependência em relação à Inglaterra, com a imposição da abertura dos Portos brasileiros ao comércio internacional e com o tratado anglo-luso de 1810, desastroso para a economia metropolitana. Além disso, a presença da corte no Brasil impulsionou a independência deste país, o que se veio a verificar em 1822.

Em 1821 o rei é forçado a regressar a Portugal, devido ao triunfo da revolução de 1820 e, em 1822, jura a constituição, que vigoraria apenas durante alguns meses. Seguem-se a Vila-Francada em 1823 e a Abrilada em 1824, movimentos absolutistas encabeçados por D. Miguel.

Vencido e expatriado D. Miguel, D. João VI consagra os últimos anos do seu reinado a tentar resolver o problema brasileiro e, por altura da sua morte, em 1826, sonhava ainda com a reunião dos dois países na pessoa de um só soberano, sem se aperceber que o Brasil teria de seguir o seu destino americano e Portugal o seu destino europeu.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 15:06

Viva!

POLÍTICA, DIPLOMACIA E O IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XVIII

Lisboa, 1.º de janeiro de 1707. Era aclamado Rei da Monarquia portuguesa o príncipe D. João, quinto monarca com esse título na tradição da realeza lusitana. Todavia, esse evento ocorreu num momento extremamente tempestuoso da vida política europeia. Se no plano interno a situação encontrava-se estável, obra fundamentalmente da política de seu pai, D. Pedro II, o cenário político do continente era desafiador para um país que a mais de meio século vinha lutando para manter sua autonomia política. O século havia iniciado sob o espectro da guerra pela sucessão do trono de Espanha, confrontando abertamente os interesses das potências no continente e implicando os seus impérios coloniais. O Reino de Portugal, então, era claramente periférico, tendo que se esforçar para manter, criar e gerir um espaço de neutralidade formal ante os diversos partidos, algo que foi sempre praticamente impossível, visto que o alinhamento à Inglaterra, na maior parte das vezes, foi o que se sucedeu. O epistolário de diplomatas e homens de estado como José da Cunha Brochado, D. Luís da Cunha, Alexandre de Gusmão ou do Conde da Tarouca fornecem, no seu conjunto, um nítido painel da difícil situação de Portugal ante esses problemas. José da Cunha Brochado, por exemplo, escrevendo ao confessor de D. Pedro II, a 6 de março de 1701, mostrava-se extremamente preocupado, e dizia: “queira Deus que as coisas se acomodem para que não tenhamos que tomar partido, escandalizando a Inglaterra ou irritando a Espanha… Observa-se que a própria configuração e natureza do Império Colonial Português havia mudado substancialmente. Cem anos antes, Frei Vicente do Salvador e Ambrósio Fernandes Brandão, por exemplo, reclamavam do descaso com que a América portuguesa era tratada, enquanto que, apesar da flagrante decadência da carreira da Índia, Frei Serafim de Freitas, em 1625, respondendo ao livro Mare Liberum de Hugo Grotius, ainda insistia em justificar e defender a primazia e justeza do Império Asiático Português de forma aparentemente anacrónica. Mas agora era diferente.

Não era possível mais negar. Como sintetizou Kenneth Maxwell: “em fins do século XVII, o foco do interesse imperial de Portugal deslocou-se para o Ocidente, abandonando a talassocracia dos postos comerciais do oceano Índico, estabelecida em inícios do século XVI,”5 fazendo com que o complexo Atlântico assumisse a centralidade das rendas de Portugal. Dois escritos de estilos e perspectivas diversas objectivaram dar conta da situação da América portuguesa. O primeiro deles, Frutas do Brasil. Numa nova e ascética Monarquia, consagrada à Santíssima Senhora do Rosário, de Frei António do Rosário (1647-1704), obra mergulhada no universo barroco, foi publicada em 1702, e nela encontramos sintetizada essa consciência relativamente nova acerca da posição do Brasil no quadro do Império Colonial Português… Essa nova realidade se evidenciou a partir do afluxo das riquezas provenientes da mineração nos sertões do Brasil, descobertas entre a última década do século XVII e no princípio da segunda década do século XVIII, que, denunciadas pelo Frei António do Rosário e por Antonil, trouxeram à Coroa a necessidade de reformular sua orientação política de forma ampla, buscando fortalecer os laços com a Colónia e redefini-la do ponto de vista político e territorial. O reinado de D. João V foi marcado pelo empenho em realizar estas árduas tarefas. Para tanto, ao contrário daquilo que, a partir do século XIX, a tradição historiográfica liberal aqui e em Portugal fez questão de enfatizar, o Estado Português conferiu tremenda racionalidade e não mediu esforços e recursos para alcançar seus objectivos….(veja o texto no integra)aqui
Ricardo de Oliveira
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 15:21

Viva!

A Política Externa de D. Maria

Com a elevação ao trono de D. Maria I, filha de D. José I e de D. Mariana Vitória, assiste-se a uma tentativa de retorno à política joanina. D. Maria I e aqueles que inspiraram ou apoiaram as suas políticas, partiram da realidade portuguesa e do respeito pela reacção popular, para operar as reformas que os tempos impunham. No plano da política externa, regressou-se a uma acentuada preocupação de neutralidade, baseada no equilíbrio de forças entre as potências. Pretendia-se como no tempo de D. João V, manter a aliança com a Inglaterra sem ter com isso de hostilizar a França ou a Espanha.
Novamente a corte de Lisboa aproximou-se da de Madrid. A rainha viúva D. Mariana Vitória, irmã de Carlos III de Espanha, levou a cabo esta mesma política, como ficou demonstrado nos Tratados de Santo Ildefonso e do Pardo. O entendimento luso-espanhol tornou possível uma acção militar conjunta das armadas, contra a cidade de Argel em 1784, dado os piratas infestarem toda a costa da Península. E reflectiu-se em 1785, numa dupla união matrimonial. O infante português D. João com a infanta espanhola D. Carlota Joaquina e o infante de Espanha D. Gabriel com a infanta de Portugal D. Mariana Vitória. A aproximação a Madrid facilitou-nos o respeito da neutralidade portuguesa na Guerra da Independência dos Estados Unidos, apesar das exigências francesas quanto à cessação das facilidades prestadas por Portugal aos navios ingleses. Sendo também vantajoso o apoio de Madrid, na resolução satisfatória do incidente resultante da incursão armada francesa, em Cabinda (1783).
A relativa independência de Portugal face à Inglaterra, baseada na nova política, tornou possível ao Governo português a adesão ao plano da “neutralidade armada”, elaborado em 1780 por iniciativa da Rússia, ao qual aderiram também a Prússia, a Áustria, a Holanda, o reino das Duas Sicílias, a Suécia e a Dinamarca. Plano que visava a defesa dos navios neutros. A Inglaterra como potência visada, reagiu declarando guerra à Holanda. Contudo, as circunstâncias acabaram por obrigar a Inglaterra à paz de Versalhes.
Seguidamente Portugal autorizou a adesão da França ao Tratado do Pardo, tornando-se mais nítido ainda o equilíbrio da posição portuguesa entre o poder britânico e o bloco franco-espanhol. Para melhor assegurar a independência portuguesa no plano internacional, o Governo português aproximou-se do Império russo, potência de relevo no início do século XVIII, com Pedro, O Grande, e da Prússia, com quem passou a ter relações diplomáticas permanentes.
A política externa traçada desde o início do reinado de D. Maria I, viria a ser afectada no entanto, por diversas circunstâncias. Entre elas, os falecimentos de D. Pedro III e do arcebispo de Tessalónica, a doença da rainha e sobretudo, a Revolução Francesa. Este movimento destruiu toda a obra realizada no sentido de um relativo afastamento da Inglaterra. (Veja o artigo na integra aqui)
Jornal de defesa
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 15:26

Viva!

As dificuldades na obtenção da paz com a França

Com o fim da Guerra do Rossilhão, começou um longo calvário para a política externa portuguesa. Os ingleses queriam que os ajudássemos na guerra naval e lhes mantivéssemos todos os privilégios de comércio e navegação. Os franceses aliados aos espanhóis, pretendiam que puséssemos termo às vantagens concedidas à Inglaterra, a fim de nos reconhecerem o direito a viver em paz. Para agravar a situação, as vitórias francesas em Itália, contra os austríacos e contra as tropas pontifícias, inclinavam vários Estados para a esfera de Paris e internamente em Portugal, davam novo alento aos partidários da Revolução.

Em Outubro de 1796, a Espanha declara guerra à Inglaterra, representando tal hostilidade novos perigos para Portugal. Importava negociar com o Directório de Paris. E essa foi a missão extraordinária confiada a António de Araújo de Azevedo, que conseguiu finalmente, assinar um tratado de paz com a França pelo qual nos foram impostas rectificações de fronteiras no Norte do Brasil, uma pesada indemnização e grandes restrições ao comércio com a Inglaterra. Era o preço a pagar para evitarmos uma invasão franco-espanhola.

Contudo, o tratado assinado por António de Araújo era incompatível com as obrigações de Portugal em relação à Inglaterra, que só tardiamente, reconhecendo a situação desesperada da corte de Lisboa e a temporária impotência britânica, acedeu a que fosse ratificado. E porque esta ratificação do tratado, aliás com restrições, não foi feita de forma célere, a França não a aceitou, sendo o diplomata português António de Araújo encarcerado na célebre prisão parisiense do Templo. Portugal continuou a tentar negociar a paz com a França, especialmente através da corte de Madrid. Mas a posição desta era dúbia, ou pelo menos, a do ministro Manuel Godoy, já preparado para invadir Portugal e apenas receoso que o auxílio militar francês acabasse por significar uma ocupação do território espanhol.

Simultaneamente, receando nós desagradar a Inglaterra e suscitar as suas retaliações no Ultramar, parte da esquadra portuguesa continuava a colaborar com a armada britânica, designadamente no bloqueio de Malta. E depois da batalha naval de Aboukir (1799), em que a esquadra francesa ficou desmantelada, foi aos navios de guerra portugueses que coube a missão de bloquear o porto de Alexandria, a fim de evitar o desembarque do exército francês que Bonaparte levara ao Egipto. Naturalmente, também este apoio naval português ao esforço de guerra britânico, que os franceses conheciam, dificultava as negociações de paz.

Apesar do sucesso inglês em Aboukir, o século XIX iniciou-se em termos promissores para as forças francesas, que derrotaram os austríacos em Marengo e obrigaram a corte de Viena a aceitar a paz. Portugal, o único aliado que restava à Inglaterra no Continente europeu, nem matéria de negociação tinha para obter a paz com a França. É certo que as boas relações com a corte de Madrid e as desta com o Directório e, depois com o Consulado, nos facultavam a mediação da Espanha. Contudo, esta desde a paz de Basileia deixava-se arrastar pura e simplesmente, pelo governo de Paris. A sua capacidade de negociação também era débil, e não poderíamos contar que estivesse disposta a qualquer sacrifício dos seus interesses, em benefício de Portugal.

A amizade da corte de Madrid com a de Lisboa, servia para valorizar a posição daquela junto dos governantes franceses, levando-os a admitir que por influência espanhola, Portugal se afastasse da Inglaterra. Não o conseguindo, a Espanha tinha de aceitar, ainda que porventura o fizesse com manifestos receios, o papel de agressora em relação a Portugal, aliado de Inglaterra, com a qual a Espanha se encontrava em guerra. Quando Bonaparte assumiu as funções de primeiro cônsul encontrou já formada a segunda coligação contra a França que compreendia a Inglaterra, Áustria, Rússia, Turquia e Nápoles.

A França pressionando a Espanha, procurou a todo o custo atrair Portugal para o seu campo e como não o conseguiu, exigiu no final de 1800, a invasão de Portugal pelas forças espanholas. Em Janeiro de 1801 a França e a Espanha, ligadas por um tratado de aliança então assinado, enviaram um ultimato a Portugal com condições de paz inaceitáveis, intimando o governo português a abandonar a aliança britânica e a fechar os portos portugueses à navegação britânica, abrindo-os aos navios franceses e espanhóis. A França exigia ainda uma elevada indemnização em dinheiro e a Espanha a revisão das fronteiras e a entrega de algumas províncias como garantia da devolução pela Inglaterra das ilhas Trindade, Mahon e Malta.

Como Portugal não se submeteu a tais condições, a guerra é declarada pela Espanha e as suas tropas invadem a partir de Badajoz o Alto Alentejo, donde ocupam diversas praças, uma das quais Olivença. A guerra que durou apenas duas semanas, ficou conhecida pela “guerra das laranjas”. O ministro Luís Pinto de Sousa, perante o avanço das forças franco-espanholas foi pessoalmente a Badajoz, para negociar com os seus homólogos. Destas negociações resultaram o tratado de paz e amizade com a Espanha, assinado em Badajoz em Junho de 1801 e, por mediação espanhola, o tratado de paz com a França, da mesma data. Por estes tratados Portugal comprometia-se a fechar os portos aos navios britânicos e abri-los aos franceses e seus aliados, devendo a Espanha restituir as praças tomadas, salvo Olivença. Portugal teria de pagar à França uma indemnização de 15 milhões de libras tornesas, aceitar as fronteiras da Guiana até à foz do rio Arawani e autorizar a importação de lanifícios franceses no regime da nação mais favorecida.

Em Paris entendeu-se que algumas das cláusulas do tratado de Badajoz, deveriam ser revistas e agravadas e assim um novo tratado foi negociado em Madrid e assinado em Setembro de 1801. Por este tratado, os limites da Guiana foram fixados no rio Carapanatuba e a indemnização a pagar à França, foi fixada em 20 milhões de libras tornesas. Contudo, é abandonada a ideia de ocupação de províncias portuguesas por parte de Napoleão. Nesse ponto Manuel Godoy mostrou-se favorável a Portugal, tendo-se oposto a que tropas francesas atravessassem Espanha para irem ocupar o Porto. Embora tardiamente, o ministro espanhol começava a aperceber-se dos perigos da aproximação à França.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 15:30

Viva!

...De forma a garantir o completo isolamento de Inglaterra, era preciso encerrar também os portos da Dinamarca, Suécia e Portugal. Nesse sentido, foi exigido a Portugal declarar imediatamente guerra à Inglaterra, fechar os portos ao comércio inglês e juntar as esquadras portuguesas às das potências continentais. D. João viu-se obrigado a declarar guerra à Grã-Bretanha (!!!!). Apesar desta posição portuguesa, Napoleão ordenou que se mantivesse a marcha com destino a Portugal. Não seria possível evitar a invasão, apesar de todos os esforços diplomáticos dos portugueses...

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 15:37

Viva!

A ocupação estrangeira

Na ocupação de Portugal participaram não só tropas francesas como também espanholas. Os políticos espanhóis receavam os efeitos da travessia de Espanha por tropas francesas com destino a Portugal. Estes receios tiveram fundamento porquanto as tropas francesas trataram as populações espanholas como inimigas e também como inimigas, por elas foram recebidas. A aliança franco-espanhola, transformou-se em ocupação militar e acabou inclusive por resultar na colocação no trono de Madrid, do irmão do imperador, José Bonaparte. Sucedeu-se um generalizado movimento insurreccional espanhol contra os franceses. Os espanhóis tomaram nessa altura consciência, que tal como os portugueses, se encontravam em regime de ocupação militar estrangeira. Os movimentos insurreccionais que eclodiram por toda a Espanha, facilitaram as reacções portuguesas contra as forças de ocupação e as operações militares das tropas inglesas em vários pontos da costa peninsular. As guerrilhas portuguesas e espanholas, constituíram um grande desgaste para a “máquina” militar napoleónica. Assistiu-se finalmente a um consenso anti-francês e a uma intervenção militar inglesa no Continente, que culminou na expulsão dos franceses do território.

Depois de expulsos os franceses, e devido às circunstâncias em que se encontrava o país, foi o comando das tropas portuguesas entregue ao inglês Beresford. Sob este comando, o exército português foi rigorosamente organizado e disciplinado. Não obstante, a situação mantinha-se difícil, estando um corpo do exército francês em Salamanca e outro na Estremadura espanhola, prontos para invadir de novo Portugal. A sul continuava a reorganização, treino e equipamento das tropas portuguesas. Também em 1810, foi aprovado na Câmara dos Comuns e na dos Lordes, o apoio militar inglês a Portugal. As tropas francesas continuavam a devastar o país, apesar de nunca terem conseguído passar as linhas de Torres Vedras, acabando por abandonar Portugal no início de 1811. A guerra continuou durante três longos anos, mas já fora das fronteiras portuguesas.

Napoleão foi finalmente deposto e conseguiu-se a Paz Geral, sendo naturalmente necessário dar-lhe expressão jurídica, através de um Tratado. Apesar de as potências coligadas poderem ter imposto duras condições, limitaram-se a reduzir a França às fronteiras de 1792, garantindo a Napoleão e aos membros da sua família títulos, rendas e capitais elevados. Tratava-se de um tratado de paz extremamente generoso para os vencidos. Com alguma ingenuidade, as tropas aliadas terminaram rapidamente a ocupação de França, deixando para trás, armadas e equipadas as tropas do império de Napoleão.

Nestas condições, bastou que Napoleão regressasse da ilha de Elba e novamente a guerra incendiou a Europa. Foram cem dias que significaram milhares de mortes. Novamente Paris e outras cidades francesas foram ocupadas por ingleses e prussianos e desta vez, em condições menos benévolas para os vencidos. O novo tratado de paz, assinado a 20 de Novembro de 1815, já não foi tão favorável a França, garantindo o pagamento de elevadas indemnizações aos vencedores, bem como a ocupação militar estrangeira das fortalezas francesas do norte e do leste, durante cinco anos.

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 15:45

Viva!

Portugal no Congresso de Viena

A Inglaterra, no apogeu do seu poder colonial e marítimo, ambicionava inutilizar as duas nações que lhe podiam fazer sombra, designadamente, a França e a Rússia. A França pelo seu comércio e pela sua marinha e a Rússia, pelos seus desejos de expansão para Oriente.Relativamente à Áustria, tinha também o mesmo interesse que a Grã-Bretanha, de limitar o poder da França e da Rússia, mas divergia da Inglaterra quanto à Prússia, uma vez que queria conservar o seu domínio sobre os estados alemães. Ao iniciarem as conferências de Viena, existiam nitidamente definidos, dois grandes partidos: de um lado a Grã-Bretanha e a Áustria, do outro a Rússia e a Prússia. Nestas circunstâncias, os Estados de menor peso internacional, estavam assim à mercê das quatro grandes potências, preocupadas fundamentalmente com a salvaguarda dos seus desejos.

A posição portuguesa no Congresso de Viena assumiu contornos particularmente interessantes. Portugal esteve representado no Congresso por Pedro de Sousa Holstein, António Saldanha da Gama e Joaquim Lobo da Silveira, com base nas instruções da corte do Rio de Janeiro, que desconhecia ainda o teor do artigo 10º do Tratado de Paris de 30 de Maio. Este artigo 10º previa a retrocessão da Guiana Francesa. Quando dele tiveram conhecimento, a corte portuguesa negou-se a ratificar o Tratado. Ao ter conhecimento do Tratado de Paris, pelo qual, no seu artigo 10º Portugal se via obrigado a restituir a Guiana à França, resolveu que o Príncipe Regente o não ratificasse. Mais tarde, acabaram por transigir, aceitando a cedência da Guiana. No entanto, consegui-se em Viena uma redefinição da fronteira com a França na América.

Relativamente a Olivença, foi reconhecido a Portugal, o direito à respectiva devolução. Os plenipotenciários de Portugal, esforçaram-se por conseguir o apoio das potências na questão de Olivença, conseguindo que no artigo 105º do Acto final se declarasse: “As Potências reconhecendo a justiça das reclamações feitas por Sua Alteza Real o Príncipe Regente dos Reinos de Portugal e Brasil sobre a praça de Olivença e outros territórios cedidos a Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801, e considerando a restituição destes objectos como uma das providenciais próprias para assegurar entre os dois reinos da Península a boa harmonia, completa e permanente, cuja conservação em todas as partes da Europa tem sido o fim constante das suas negociações, comprometem-se formalmente a empregar, por meios reconciliatórios os seus esforços mais eficazes, para que se efectue a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal: e as Potências reconhecem, cada uma tanto quanto delas depende, que este ajuste deve realizar-se o mais cedo possível.”

Apesar de tudo, não pode falar-se em grandes êxitos diplomáticos de Portugal em Viena. Portugal terminou o Congresso mais pobre de bens e território. Acaba por ser natural, devido à situação política, económica e militar de Portugal, sendo difícil obter melhores resultados perante potências com maior poder de negociação: “Nas negociações internacionais, como, aliás, em quaisquer outras, pesam bastante mais os serviços esperados do que os serviços prestados”. Sinal disso era por exemplo o facto de ser com a Inglaterra que as outras potências procuraram entender-se quando pretendiam qualquer coisa de Portugal. Não podemos no entanto esquecer-nos da débil política exterior portuguesa durante todo o período napoleónico, da situação das pequenas nações no Congresso de Viena, para podermos perceber o alcance do “pouco” que se conseguiu, admirando o esforço dos diplomatas de Portugal que permitiram uma posição de destaque naquelas importantes assembleias, onde naturalmente assumiam preponderância a voz e vontade das grandes potências.


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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 15:56

Viva!

As negociações estratégicas com Inglaterra

Portugal tinha assinado dois tratados com a Grã-Bretanha, a 19 de Fevereiro de 1810. Um deles era sobre o comércio e navegação, e foi altamente negativo para a economia de Portugal. O outro era de aliança e de amizade. Os representantes portugueses em Viena, promoveram com veemência a sua anulação, apesar da dificuldade que isso representava considerando os interesses ingleses em jogo, sendo naturalmente recusado por Castlereagh, representante britânico, numa das conferências realizadas com os plenipotenciários de Portugal. Os representantes portugueses, argumentavam que o tratado de comércio e de navegação de 1810, só tinha sido posto em vigor por Portugal, uma vez que a Inglaterra tinha sempre evitado o seu cumprimento, quando se tratava dos seus interesses. Também se tratava de grande importância conseguir a anulação das cláusulas de aliança e amizade da mesma data, que impunham a Portugal a cedência ao governo britânico por cinquenta anos, das colónias de Bissau e Cacheu, desde que por influência inglesa se conseguísse a restituição de Olivença e Juromenha. A actividade dos representantes portugueses, permitiu o artigo III do tratado assinado em Viena a 22 de Janeiro de 1815, que declarava nulo o de aliança e de amizade, ficando em vigor o de comércio e navegação em vigor até 1835.

O Tratado de aliança e amizade assinado no Rio de Janeiro em 1810, estabelecia no seu artigo 10º que «Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal, estando plenamente convencido da injustiça e má política do comércio de escravos...adoptando os mais eficazes meios para conseguir em toda a extensão dos seus domínios uma gradual abolição do comércio de escravos...o Príncipe regente de Portugal obriga a que aos seus vassalos não será permitido continuar o comércio de escravos em outra alguma parte da costa de África, que não pertença actualmente aos domínios de sua Alteza Real.». A questão da proibição do tráfico da escravatura era de grande importância para Inglaterra. Depois de longas negociações, os representantes portugueses em Viena, conseguíram que no tratado de 22 de Janeiro de 1815, se estabelecesse, ficar apenas obrigado Portugal a proibir o tráfico de escravos ao norte do equador.

Jornal de defesa

PS: Bissau nunca passou para as mãos dos ingleses! Amor com amor se paga. - deram-nos ordem (que foi prontamente cumprida pelos portugueses!!!) para entregar Olivença aos espanhóis!
«À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.»
M. de Montaigne

-- Um abraço - Lecavo

AlfaLima

Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor AlfaLima » 24 ago 2007 16:24

Caro colega Lecavo.

Agrada-me saber que ao prestimoso colega lhe agrade estas lides do conhecimento. Também sou um consumidor regular de textos sobre história. Agrada-me particularmente esta vertente do conhecimento.

Certamente já terá visto o texto em apreço, mas muitos dos nossos colegas certamente que não. Aqui vai então o texto na integra.

Tratado de Badajoz

http://www.arqnet.pt/exercito/tratado_badajoz.html

Chamo especial atenção para o artigo III.

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lecavo
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 24 ago 2007 20:25

Viva!

Companheiro, as "coisas" não são assim tão lineares. Há mais que razões para Portugal invocar a anulação do Tratado de Badajoz. Ao invadir Portugal, a Espanha quebrou uma das clausulas do tratado. A anulação do tratado é evidente.

Também me parece que a Espanha sempre tentou manter-se em paz com o seu vizinho peninsular. Não fosse a revolução francesa e a vontade de Napoleão em querer sobrepor-se à Inglaterra e toda esta situação nunca se teria criado. Basta observar os laços familiares entre as duas casas reais. Eram todos tios, primos, avós, etc, uns dos outros. Por essas alturas não existiam quaisquer conflitos entre os dois estados, que viviam lado a lado em perfeita harmonia.

Os tratados assinados entre a Espanha e a França demonstram que os espanhóis tentaram a todo o custo manter a sua neutralidade e amizade em relação a Portugal. Portugal viu-se colocado numa situação extremamente difícil. Optou pelo partido inglês. Acertou, porque foi este que saiu vencedor no final do conflito. Mas Portugal nada ganhou, apenas perdeu. Não me parece que se possam culpar os seus diplomatas. Portugal era, tal como hoje, um país periférico, sem poder económico e militar, que procurava manter a todo o custo o seu império. Embora tenha saído de todo o processo com "uma asa partida", não se pode contudo dizer que se saiu mal de todo.

Em relação ao caso Olivença, em 1297, pelo Tratado de Alcanizes, celebrado entre D. Dinis e D. Fernando IV de Castela, Olivença integra-se definitivamente no território português.

Tratado de Alcanizes

O Tratado de Badajoz estipulava que a violação de qualquer dos seus artigos conduziria à sua anulação.
No entanto em 1807 é assinado pela Espanha e pela França o Tratado de Fontainbleau que previa a ocupação de Portugal. As forças Espanholas e Francesas iniciam a ocupação de Portugal. Assinando o Tratado de Fontainbleau e invadindo Portugal, a Espanha provoca a anulação do Tratado de Paz de Badajoz, perdendo os direitos que poderia ter adquirido sobre Olivença.
Em 1808 e 1809 Portugal repudia pública e internacionalmente o Tratado de Badajoz, anulado pela invasão de 1807.

Em 19 Fevereiro de 1810, Portugal e a Grã-bretanha assinam um Tratado de aliança e amizade Luso-Britânico, pelo qual a Grã-Bretanha se comprometia a auxiliar Portugal a recuperar Olivença, recebendo em troca a exploração, por 50 anos, dos estabelecimentos portugueses de Bissau e Cacheu. Em 15 de Abril de 1811 o Exército português ocupa militarmente Olivença. Beresford, marechal britânico que ocupava o posto de general em chefe do exército português, mandou reentregar Olivença às autoridades espanholas, provavelmente para a Grã-Bretanha não perder as vantagens que retiraria do tratado luso-britânico de 1810. Há quem diga que a Grã-Bretanha tinha um acordo secreto com Espanha. Pode não passar de especulações, mas a verdade é que não há justificações razoáveis para a ordem de Beresford. Por outro lado, Bissau e Cachau nunca foram entregues aos ingleses (não tenho certeza absoluta desta afirmação, mas a verdade é que nunca encontrei nada que diga que estes territórios estiveram sobre exploração dos ingleses. Aliás em 1840 Portugal procedeu a uma reformulação administrativa destes territórios, o que indica que estavam sob a sua jurisdição e não sobre a alçada dos ingleses).

Em 1810 Portugal negoceia com o Conselho da Regência de Espanha um tratado, pelo qual Olivença nos era restituída.

Em 30 de Maio de 1814 é assinado o Tratado de Paris, que no artigo 3º dos adicionais, declara nulos e de nenhum valor os Tratados de Badajoz e de Madrid de 1801.

Em 9 de Junho de 1815, pela Acta Final do Congresso de Viena, através do seu artigo 105º, são reconhecidos os direitos portugueses ao Território de Olivença. A 27 de Outubro desse mesmo ano, esperando para breve a restituição de Olivença, o Príncipe Regente D. João VI nomeia como Plenipotenciário D. José Luiz de Sousa para proceder à aceitação do território.

Em 7 de Maio de 1817, a Espanha assina o Tratado de Viena, «reconhecendo a justiça das reclamações formuladas por Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, sobre a vila de Olivença e os outros territórios cedidos à Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801» e comprometendo-se a efectuar «os seus mais eficazes esforços a fim de que se efectue a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal» o que deveria «ter lugar o mais brevemente possível.»

Em 1818, para resolver um litígio territorial suscitado entre Portugal e Espanha na América do Sul, é redigida uma proposta de tratado pelo qual a Espanha aceitava a devolução de Olivença.

O litígio existente entre os dois estados, devido à ocupação ilícita de grande porção de território na América do Sul, levou a que os espanhóis nunca tenham promovido a entrega do território de Olivença. Portugal não devolveu essa enorme porção de território e Espanha também não nos devolveu Olivença. Depois da independência do Brasil, Portugal deixou de ter jurisdição sobre esses territórios sul americanos, criando-se assim uma dificuldade adicional para a resolução do problema.

O período que se seguiu, com todas as lutas políticas fratricidas entre liberais e absolutistas, que se estendeu por duas décadas afastou todas as atenções do problema de Olivença. Em 1864 os dois estados assinaram um convénio para a definição das fronteiras, contudo ficou uma parcela por definir, por não se ter chegado mais uma vez a acordo. Só em 1903 D. Carlos volta a colocar na agenda política o caso Olivença, mais uma vez sem qualquer resultado.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor AlfaLima » 25 ago 2007 01:14

Amigo Lecavo, temos aqui, neste texto escrito por Napoleão Bonaparte, uma exposição do governo francês lida perante o corpo legislativo em Outubro de 1801, sobre o tratado assinado com Portugal no mês de Setembro anterior.

O texto dá-nos também uma belíssima visão de como Napoleão via a Europa do seu tempo, particularmente as relações existentes entre os diversos estados, nomeadamente a relação existente entre Portugal e a Inglaterra. Napoleão tinha noção exacta do quanto eram nefastas para os interesses de Portugal, estas relações de "subserviência" perante a Inglaterra.


Cidadãos legisladores.

- O Tratado que tenho a honra de vos propor é mais um acto que devemos às sábias medidas tomadas pelo Governo, e à valorosa dedicação dos exércitos da República.............(por ser muito extenso, deixo aqui o linke, onde pode ser encontrado e lido)

http://www.arqnet.pt/portal/discursos/outubro03.html

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 25 ago 2007 10:52

Viva!

Companheiro, comungo da tua visão da nossa história. A Inglaterra nunca foi muito honesta nas suas relações politicas, mas sobretudo comerciais com Portugal. Sempre agiu totalmente a favor dos seus interesses, passando por cima de acordos ou pura e simplesmente esquecendo partes dos acordos, numa violação clara desses mesmos acordos.

Chegaram a Portugal aquando do casamento de Dona Filipa de Lencastre com o nosso rei D. João I.

Começou aí, uma relação tremendamente vantajosa para os ingleses e igualmente desastrosa para os portugueses. Que culminou com a estória do "mapa cor de rosa" e o "ultimato".
Ultimatum Inglês

Em 1891, a Inglaterra, então uma das maiores super-potências industriais e financeiras do Mundo, disputava com os EUA, a França e a Holanda o maior espaço imperial e reivindicou a posse dos territórios coloniais africanos situados entre Angola e Moçambique. Esta atitude dos ingleses consubstanciou-se na elaboração de um mapa - o famigerado «Mapa Cor-de-Rosa» - no qual destacou a cor-de-rosa as zonas que pretendia retirar ao domínio português.

Face a esta situação, o governo português, denotou impotência e falta de firmeza, o que levou a uma grande contestação nacional.

Este acontecimento gerou um clima de ódio contra os ingleses e, simultaneamente, foi uma das causas de contestação à monarquia.

De todo este processo, resultou uma musica, que mais tarde em 1957, depois de ter sofrido algumas alterações, acabou por ser adoptada como Hino Nacional.
A marcha A Portuguesa, hoje executada como Hino Nacional (Resolução do Concelho de Ministros de 16/7/1957, publicada no Diário do Governo, 1ª série, n.º 199, de 4/9/1957), surgiu em 1890, como protesto contra a capitulação política de D Carlos I ao Ultimato Inglês (Mapa Cor de Rosa - Pretensão Portuguesa de anexar os territórios africanos entre Angola e Moçambique), pelo então recém formado Partido Republicano. Por altura da falhada Revolução de 1891, ela fora adoptada como cântico revolucionário anti-monárquico. Foi então proibida pelo Rei e, ao longo do tempo, sofreu alterações, até ser oficializada como o actual Hino Nacional. Por exemplo, o «Contra os canhões ...» era cantado « Contra os Bretões...», em que Bretões se referia aos Ingleses.

RESPOSTA AO ULTIMATUM INGLÊS

Manifesto aprovado pela Associação Comercial aquando do ultimato inglês

“…) tendo em vista:
(…) Que o procedimento violento que usou para com Portugal é incoerente e indigno duma nação civilizada; porque quando a ciência, a diplomacia mais avançada e o sentir geral dos povos cultos procuram substituir à força o direito, à guerra brutal a arbitragem, a Inglaterra que, já do congresso de Paris de 1856, aderira ao protocolo, nº 23, ao voto das potências que nele intervieram de, em qualquer pendência entre os estados, se recorrer a uma potência amiga, antes de usar da força pratica o contrário, preferindo vencer-nos pelo terror e pela imposição da força bruta, a convencer-nos em discussão pacífica e honrosa da legitimidade das suas pretensões o mundo civilizado; (…)

Aderir à liga patriótica, tomando parte no movimento geral do país para os fins que forem convenientemente regulados, abrindo subscrição entre os comerciantes, industriais e proprietários do concelho, cujo produto fará parte da grande subscrição nacional.

A subscrição referida destinou-se à compra de armamento e rendeu 864$710 reis.

Não posso deixar no entanto de dizer que foram cruciais na manutenção da nossa independência, quando em momentos chave da nossa história de conflitos nos auxiliaram militarmente. Os arqueiros ingleses foram cruciais na derrota dos castelhanos na batalha de Aljubarrota - "Para evitar o nervosismo dos soldados e manter a moral elevada, D. Nuno Álvares Pereira ordenou a construção de um conjunto de trincheiras e covas de lobo em frente à linha de infantaria. Esta táctica defensiva, muito típica dos exércitos ingleses, foi talvez uma sugestão dos aliados britânicos presentes no terreno." - "A iniciativa de começar a batalha partiu de Castela, com uma típica carga da cavalaria francesa: a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Mas tal como sucedeu na batalha de Crécy, os archeiros colocados nos flancos e o sistema de trincheiras fizeram a maior parte do trabalho. Muito antes de sequer entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrava desorganizada e confusa, dado o medo dos cavalos em progredir em terreno irregular e à eficácia da chuva de flechas que sobre eles caía. As baixas da cavalaria foram pesadas e o efeito do ataque nulo.".

Aproveitando esta oportunidade, quero expressar a minha opinião acerca das qualidades combativas dos espanhóis. Para guerrear, não valiam uma merd....... Tirando umas quantas batalhas consideradas de menor importância, nunca em momentos chave, quando podiam efectivamente derrotar-nos e pôr termo à nossa independência, mesmo com elevadíssima superioridade numérica foram capazes de nos derrotar. Como estrategos militares, sempre foram de "inferior qualidade".

Voltando aos ingleses, durante as invasões francesas, a sua importância foi de tal ordem, que quem comandava o exército português era um inglês.

MAS A QUE PREÇO!?
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 26 ago 2007 22:07

Viva!

Já agora e na continuação do tema, vou fazer uma pergunta à "audiência":

- O que "motivou" o baptismo da campanha militar espanhola desenrolada entre 20 e 30 de Maio de 1801, que resultou na invasão de parte do nosso território a Sul e que ficou conhecida como a "GUERRA DAS LARANJAS", digam-me o porquê deste nome?

PS: Companheiro "Alfalima", a pergunta não é para ti! Sei que tens a resposta na ponta da língua.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor AlfaLima » 29 ago 2007 19:03

Dona Carlota Joaquina – Uma Borbon na casa de Bragança.

...As desavenças no seio da família real espanhola facilitaram a escalada das tropas francesas na ocupação da Península Ibérica. Fernando VII, filho do rei, ao liderar um levante contra o pai, abre os portões do palácio real a Napoleão, que obriga o velho monarca a abdicar em favor de seu irmão José Bonaparte. Sem rei, os vice-reinados da América são incendiados por “novas ideias”, que há alguns anos vêm confinando criollos nos calabouços coloniais. A crise política espanhola anuncia a enfermidade do poderoso império espanhol, ao mesmo tempo em que revela a agonia do Antigo Regime na Espanha. Carlota Joaquina, como filha primogénita de Carlos IV e única herdeira da dinastia em liberdade, assume, do exílio americano, a defesa da Casa de Borbon. Em meio a profunda crise política e diplomática, Carlota Joaquina, com o apoio de parte da nobreza espanhola e portuguesa -- que se encontrava em Portugal desgostosa com a vinda da corte para o Brasil e com a política económica do príncipe regente --, e animada pelo suporte do almirante da esquadra britânica sediada no Rio de Janeiro, Sidney Smith, decide, em Agosto de 1808, enviar um manifesto à Espanha e às diversas províncias americanas. Nele censura severamente Napoleão; em disfarçada crítica ao irmão, reconhece o pai como legítimo soberano, e coloca-se como defensora dos direitos de sua família.

Hago saber a los leales vassallos de mi Augusto Padre Señor Rey Catholico Don Carlos quarto, Rey de las Españas è Indias (...) Como el Emperador de los Franceses despues de haber exaurido a España de hombres (...) Intentó primeramente por medio de la mas falsa Politica apoderarse de Nuestra Persona y de la de Nuestros mui caros Esposo è Hijos baxo el especioso y seductivo principio de protecion contra la nacion Britanica, de quien hemos recibido las mayores pruebas de amistad (...) Suscitada poco despues una sublevacion ó tumulto popular en la Corte de Madrid contra mi Augusto Padre, y Señor el Rey Carlos quarto para obrigarle à abdicar ó renunciar el Trono à favor de mi Hermano el principe de Asturias, quiso luego intervenir en estas agitaciones Domesticas (...) Mi Manifesto por el qual Declaro por nula la abdicacion ó renuncia que mi Señor Padre el rey Don Carlos quarto, y demas Individuos de Mi Real Familia de España tienen hecha a favor del Emperador, ó Jefe de los Franceses (...) me considero mas que una Depositaria y Defensora de estos Derechos que quiero conservar ilezos e immunes de la perversidad de los franceses para restituirlos al legal Representante de la misma Augusta Familia que exista ó pueda existir independiente, en la Epoca de la Paz general (...) igualmente que como Depositaria no es ni será ja mas Mi Real Intencion alterar las Leyes fundamentales de España ni violar Privilegios, Honrar y exenciones del Clero, Nobleza, y Pueblos de la misma Monarquia.

Ao declarar-se depositária dos direitos da coroa espanhola, a princesa do Brasil encontra dentro do próprio palácio seus mais ferrenhos adversários. A vinda da família real portuguesa para a América, na realidade, punha em execução o projecto de construção de um amplo império, arquitectado por dom Rodrigo de Souza Coutinho, conde de Linhares, então primeira pessoa do gabinete de dom João. Este, com o apoio de Lord Strangford, embaixador inglês em Lisboa, e de Lord Canning, ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, decidira, na convenção secreta de Londres, tornar o Brasil “um empório para suas mercadorias [inglesas], destinadas ao consumo de toda a América do Sul” Lord Strangford acompanha dom João na viagem ao Brasil e, como não confia em Carlota Joaquina, acreditando que ela atrapalharia os planos luso-britânicos de expansão da fronteira sul, passa a boicotar qualquer atitude que a favoreça politicamente. O segundo, e não menor adversário da princesa, é o todo poderoso conde de Linhares, um dos maiores desgostos de dona Carlota. Dom Rodrigo fazia parte do grupo que desde os tempos de Portugal tentava a todo custo afastar o regente da influência da mulher. Constantemente lembrava a dom João a mal explicada “Conspiração de Alfeite”, em que a princesa, aproveitando o longo período de afastamento do regente -- em virtude de prolongada depressão -- teria tentado assumir o governo, apoiada pela França e por parte da nobreza lusitana que considerava que ela soubera fazer-se estimada não só da aristocracia como da plebe. O conde de Linhares lutaria incessantemente, até a morte, para frustrar qualquer influência ou projecção de Carlota Joaquina, especialmente em relação às províncias platinas.
O terceiro grande opositor é o embaixador espanhol na corte do Rio de Janeiro, o marquês de Casa Irujo, que sai da Espanha com a ordem expressa do presidente da junta central -- que governava o país em nome de Fernando VII -- de impedir qualquer contacto de Carlota Joaquina com as colónias americanas. A atitude do governo espanhol é explicável por dois motivos: em primeiro lugar, o fantasma da união ibérica era visto pelos espanhóis como uma possibilidade de revanche dos lusitanos pela situação subalterna a que tinham sido submetidos por ocasião da união das coroas no século XVIII. Em segundo lugar, o movimento liberal que ganhava força depois da invasão napoleônica -- embora defendesse de forma discreta a volta de Fernando VII -- não se entusiasmava pelo carlotismo. Ao contrário, procurava sistematicamente barrar não só a legalidade da indicação de Carlota Joaquina à regência, através do não reconhecimento da revogação da lei Sálica, como seu direito de primazia na ordem sucessória.
Outro aspecto que não se pode desconsiderar é o fato de Carlota Joaquina ser mulher, e uma mulher espanhola, na corte de Bragança. Vale lembrar que o reinado de dona Maria I trouxera de volta ao poder parte dos sectores mais conservadores e reaccionários da nobreza e do clero portugueses, os quais tinham como característica o exclusivismo social, como forma de manter e conservar os cargos superiores da monarquia. Sendo assim, procuravam afastar qualquer elemento estranho que pusesse em perigo a estabilidade do grupo. Por outro lado, enquanto em outras partes do mundo ocidental o século XVIII representou um marco no rompimento com os muros da clausura social para as mulheres, em Portugal a Igreja impunha normas proibindo todo tipo de divertimento: não era permitida a representação de comédias, bailes e festas. Na cidade de Lisboa, em meados do século XVIII, foram levantadas nas igrejas grades de madeira como forma de impedir o contacto entre homens e mulheres ...


Vejam o texto na integra neste link:

http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/225.pdf

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 ago 2007 21:17

Viva!

LEGIÃO PORTUGUESA AO SERVIÇO DE NAPOLEÃO
Campanha da Rússia


"...O marquês recebia esta nomeação em 21 de Março de 1812 e partia com um inspector a desempenhar o encargo de preparar a Legião para entrar, na campanha da Rússia. Todos os quatro regimentos que estavam completos marcharam a incorporar-se, o primeiro, de infantaria, comandado pelo coronel Pego, na primeira divisão do primeiro corpo de exército comandado por Ney, o segundo, comandado, primeiro por Baltazar Ferreira, e depois por Cândido José Xavier, na terceira divisão do mesmo corpo; e o terceiro, comandado por Manuel de Castro Pereira de Mesquita, na primeira divisão do segundo corpo comandado por Oudinot. O regimento de cavalaria, completo em homens, tinha muita falta de cavalos, e o coronel partiu com cento e cinquenta oficiais e soldados que estavam montados, indo o chefe de esquadrão João de Melo para o Hanover com duzentos e cinquenta homens afim de receber cavalos e ir depois juntar-se ao regimento.

Os dois esquadrões foram reunir-se à nova guarda Imperial, comandada por Mortier, que os deixou em Krasnoe alguns dias, encarregados de proteger comboios que passavam. D. José Benedito de Castro tinha ficado em Epinal esperando cavalos para os outros dois esquadrões, que apenas estiveram montados partiram para a Rússia, chegando a Moscovo poucos dias depois do exército.

O marquês de Alorna acompanhou a cavalaria até Mogúncia e ali recebeu a nomeação de governador de Mohiloff. Pamplona, que em 22 de Março fora nomeado para o governo da praça de Maiença, partiu em Maio para a Rússia no segundo corpo da divisão Legrand, e foi depois nomeado governador de Polotsk, onde teve ocasião de se distinguir. Gomes Freire recebeu também em Maio ordem de partir para o grande exército. Governou o distrito de Dsjisma na Lituânia, de Julho a Outubro de 1812, sendo no fim deste mês chamado a Moscovo. Encontrou o exército em Smolensk retrogradando com ele até Koenigsberg. Carcome Lobo ficara em Franca.

O marechal Ney, que logo no começo da campanha reclamava para o nosso segundo regimento a honra de possuir companhias de elite, deu sempre grande consideração aos dois regimentos portugueses que tinha no corpo do seu comando, e empregou-os em todas as ocasiões, que havia glória a ganhar com risco de vidas. Na tomada de Smolensk encontraram-se os nossos pela primeira vez com os russos. O primeiro batalhão do segundo regimento, comandado pelo major Bernardino António Moniz, foi a primeira força do exército francês que passou o Dnieper, atravessando-o a nado para proteger a operação do lançamento da ponte de barcos em que devia passar todo o exército. Muito molestado pelo fogo das tropas e dos camponeses russos que defendiam o arrabalde da praça, atacou este à baioneta, e tendo recebido ordem de deitar-lhe fogo, executou-a arrojadamente, lutando com a resistência dos russos que defendiam passo a passo as ruas fazendo fogo das janelas. Tomado o arrabalde, foi Moniz com os seus homens ocupar posição junto do rio, no lugar onde se lançou a primeira ponte, indo depois reunir-se-lhe o comandante do regimento com o outro batalhão.

O exército francês atravessou o Dnieper de noite, e de manhã começou o ataque da praça, que foi tomada em quarenta e oito horas, brilhante acção em que os nossos regimentos se distinguiram. O primeiro regimento formava a testa da coluna da primeira divisão do terceiro corpo e perdeu na tomada de Smolensk vários oficiais e muitos soldados; o segundo, que na véspera perdera muita gente na tomada do arrabalde, também não foi poupado no dia seguinte.

O terceiro corpo formara a vanguarda de todo o exército desde Krasnoe e continuou a marcha na frente até Borodino; dois dias depois de ter saído de Smolensk, no planalto de Valontina, encontrou numerosas forças russas com quem teve de sustentar combate por espaço de oito horas, apesar dos russos terem a vantagem do número e da posição, até que chegando uma divisão do corpo de Davout, os russos foram obrigados a retirar. Sofreram nesta ocasião franceses e portugueses grandes perdas. Em consequência disto ordenou Napoleão que todos os regimentos de quatro batalhões ficassem provisoriamente reduzidos a dois e desde então o segundo regimento passou para a primeira divisão a unir-se ao primeiro; ficando ambos comandados pelo coronel Pego. Assim entraram os dois regimentos reunidos na batalha de Borodino, indo à frente do corpo de Ney atacar à baioneta um reduto dos russos que fazia o centro das suas linhas. Perderam aqui os nossos mais de quinhentos soldados entre mortos e feridos. Ficaram mortos no campo o valente chefe de batalhão do segundo, Moniz, e o chefe de batalhão do primeiro, António Pego, filho do coronel; o chefe de batalhão Caldeira, mortalmente ferido, acabou no hospital dois dias depois. Cândido José Xavier foi novamente ferido em Borodino.

Neste campo de batalha nas margens do Moscovo ficaram prostrados setenta mil homens e entre eles vinte e sete generais franceses. Conta Teotónio Banha que, na volta de Moscovo, o encontrou coberto duma legião medonha de corvos que podiam contar-se por centenas de milhares. Ney recebeu o título de príncipe da Moscova, mas Napoleão já perdera a grande parte, do seu brilhante exército. Os nossos regimentos ficaram tão reduzidos que não puderam mais ser empregados; a retirada devia acabar a sua destruição.

Na revista passada por Napoleão às tropas foi o coronel Pego nomeado general de brigada, Baltazar Ferreira Sarmento foi também então promovido.

Foi distribuída a muitos portugueses a Legião de Honra e alguns, que já a possuíam, receberam o grau de oficial. Ney, que estimava muito os nossos influíra para que eles recebessem grande número de recompensas. A estima de Ney pelos portugueses, que vira baterem-se ao lado dos ingleses, ou, isolados, em valentes corpos de milícias defendendo o solo pátrio, e que agora via ao seu lado baterem-se pela glória da França, manifestou-se mais duma vez. Na marcha de Smolensk para Borodino, Napoleão, passando junto do corpo do duque de Elchingen, reparou em que os portugueses marchavam na frente da coluna, lugar que não era costume ser ocupado por estrangeiros e fez a esse respeito uma observação ao marechal que lhe respondeu. Sim, Senhor, são os portugueses os nossos guias e os que os seguírem não se desviarão nunca do caminho da honra.

Em 23 de Maio dirige Ney a seguinte carta, datada de Thorn, ao príncipe de Neuchâtel:

«Senhor, o segundo. regimento português é comandado pelo chefe de batalhão Sarmento. Este oficial é cheio de firmeza e de instrução, a ordem e a disciplina que ele mantém no seu regimento são dignos de maiores elogios; mas não é coronel e é necessário que o chefe dum corpo ocupe o posto de que está encarregado de desempenhar as funções.

Rogo pois a V. Alteza Sereníssima, ou de fazer nomear coronel o chefe de batalhão Sarmento, o que seria um acto de justiça, ou de enviar um outro oficial com esta graduação para comandar o regimento.

Marechal – Duque de Elchingen.»

O terceiro regimento acompanhou todos os movimentos do corpo de Oudinot, mas o marechal não tinha confiança nele porque sabia das inteligências que o comandante tinha com os russos para quem queria passar-se não o conseguindo logo pela vigilância dos franceses; realizou porém, mais tarde a deserção, pedindo aos russos auxílio para voltar a Portugal.
O valor dos portugueses nesta campanha evidenciou-se de modo que Napoleão dirigindo-se-lhes na sua proclamação de 7 de Setembro diz, referindo-se a Borodino: «Que a posteridade mais remota cite com orgulho a vossa conduta neste dia.»

Mas é necessário ler alguns historiadores que se ocuparam do período napoleónico para se imaginar o que foram essas portentosas batalhas, o que foi essa medonha retirada da Rússia, esse atravessar dum país de solo e clima de tão dura hostilidade, quando os habitantes desertavam levando ou destruindo tudo quanto podia ser útil aos invasores. Igual processo de defesa tinha usado Portugal contra Massena, mas o doce clima meridional, a indestrutível seiva dos nossos campos, tornavam, nas povoações desertas das nossas províncias, suave esse sistema que na Rússia era horroroso, obrigando os desgraçados soldados a sofrimentos terríveis e a insuportáveis fadigas..."
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 ago 2007 21:36

Viva!

Considerações acerca da Batalha do Buçaco

"A batalha de Buçaco teve uma importância capital para o resultado da campanha pela acção moral que exerceu nos dois exércitos contrários.

O exército anglo-luso perdeu o medo às águias napoleónicas, que ameaçavam dilacerar a Península

os ingleses reconheceram que os soldados portugueses eram dignos émulos no valor e brio militar, com os quais podiam e deviam contar. O moral do exército dos aliados foi exaltado.

Os franceses reconheceram que não eram invencíveis ao medirem-se com as tropas inimigas, que até então tinham em pouca conta:

As desinteligências que lavravam entre os generais franceses mais se acentuaram; e a incapacidade de Massena, já apontada por Ney antes da batalha do Buçaco, tornou-se frisante.

Massena sentiu-se golpeado no seu amor próprio: a Vitória abandonava o seu filho querido.

E, quando este julgava fazer calar os descontentes e insofridos por um estrondoso triunfo, viu que, ao contrário, a sua derrota mais ia insuflar a indisciplina dos generais seus subordinados.

Não estava de todo perdido o exército, podia haver ainda probabilidades de uma vitória; mas era preciso proceder com ponderação.

No Buçaco vira ele quanto Wellington. se soubera aproveitar das propriedades defensivas do terreno.

Atacar novamente em terreno análogo seria uma temeridade, porque uma nova derrota poderia trazer consigo uma capitulação, mancha vergonhosa que viria empalidecer e murchar os verdejantes louros do herói de Rivoli, de Zurique, de Génova, de Caldiero e de Essling.

Era necessário ser-se prudente; ponderado.

A derrota do Buçaco cortou as asas a Massena e impediu que voasse até aos cerros de Alhandra, do Sobral de Monte Agraço, de Torres.

Se não fora a derrota do Buçaco, Massena teria sido mais ousado em frente das Linhas de Torres, e quem sabe, se não teria saído vitorioso.

A vitória do Buçaco teve, portanto; consequências imediatas e materiais; e mais ainda, consequências morais e futuras.

Apreciando agora a batalha em si, vamos fazer algumas considerações relativamente aos dois partidos.

Os reconhecimentos mandados executar por Massena foram muito incompletos. Os oficiais que os realizaram não souberam desempenhar-se da sua missão.

Daí resultou o erro de Massena. Julgando o flanco esquerdo do exército anglo-luso em Sula, e ignorando que se prolongava até ao ninho de Águia, adoptara os dispositivos para envolver a posição de Sula, o que não sucedeu.

O ponto escolhido para o ataque, do 2." Corpo - a portela de Santo António do Cântaro - era judicioso e de uma grande importância, pois a posse daquela parte da serra separaria as forças anglo-lusas. Uma parte do exército seria lançado sobre o Mondego e retira ria nas mais precárias circunstâncias; a outra parte seria cortada da estrada do Botão a Coimbra, sendo obrigada a efectuar uma retirada excêntrica, e permitindo aos franceses chegarem primeiro àquela cidade que o exército anglo-luso.
Destas considerações resulta que o ataque a Santo António do Cântaro deveria ter sido o principal, porque era o decisivo, e para isso Massena deveria ter empregado o 6." corpo e não 0 2.°, visto que aquele tinha três divisões e este duas.

O ataque a Sula seria secundário. Mas estes dois ataques deveriam ter sido simultâneos para deixar o inimigo na indecisão. Não sucedeu, porém, assim.

Ney atacou 1h 30 m depois de Reynier, e quando este já tinha sido derrotado.

Esta falta de coordenação de esforços resultou da falta de ligação entre os dois corpos de exército.

E certo que Massena ordenara que esses ataques fossem simultâneos; mas não bastava ordenar, seria necessário tomar as disposições necessárias para garantir a execução dessa ordem.

Reynier cometeu também a falta de só empregar uma divisão na 1.ª linha, deixando uma outra como reserva; e quando esta foi chamada a intervir, apenas uma brigada avançou.

No 6.° corpo a divisão, que servia de reserva geral não chegou a enviar força alguma a apoiar as outras duas. As reservas parciais das duas divisões avançadas também. não foram judiciosamente empregadas.

Houve, pois, da parte dos franceses: má preparação, boa concepção e má execução.

Examinando agora o que se passou do lado do exército anglo-luso, vemos que Wellington, ainda que vencedor, não pôde efectuar a perseguição, última, mas imprescindível fase de uma batalha, para se tirar todo o proveito da vitória. Isto era consequência da posição ocupada; pois a posição do Buçaco não permitia tomar a ofensiva.

Por isso na própria Inglaterra se disse «que a batalha do Buçaco fora uma batalha política e não uma batalha militar».

Mas se Wellington não pôde efectuar a perseguição, ainda pior foi o deixar-se surpreender tacticamente, visto que foi forçado a abandonar a posição duma maneira precipitada, tendo de efectuar a retirada sem ordem, e vendo-se obrigado a abandonar grande parte das suas munições, fardamentos, víveres e feridos... (continua no post seguinte)
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 ago 2007 21:37

(continuação...) "...E incompreensível que um exército vitorioso não tivesse a energia suficiente para se ir opor nos desfiladeiros do Boialvo a um inimigo derrotado!

Enquanto que o exército de Massena retirava para Mortágua pelo mau caminho de Boialvo, o exército anglo-luso podia, por um caminho mais curto, ir ocupar o Boialvo e deter, se não aniquilar, o exército francês que ousava fazer uma marcha de flanco em presença dum inimigo vitorioso.

Wellington não julgava que Massena efectuasse a retirada pelo Boialvo e confiava que Trant com os seus milicianos tivesse ocupado aqueles desfiladeiros, como ele determinara. Trant, porém, só pôde chegar ao Sardão no dia 28 à tarde e apenas com 1.600 a 1.700 homens.

Wellington, porém, devia com a sua cavalaria, que estava sobre o estrada da Mealhada, procurar informar-se do que se passava para aqueles lados.
Na guerra devem ser previstas e prevenidas todas as hipóteses.

A retirada do exército anglo-luso fez-se sem consequências graves, porque o exército francês perdeu por várias vezes o contacto, em virtude da lentidão da marcha. As tropas francesas careciam de calçado, de fardamento, de víveres e tinham poucas munições.

Quando teve lugar a batalha do Buçaco, havia três ou quatro dias que o exército francês não comia pão. «N'avons pas de pain depuis quatre jours» dizia Junot em uma carta enviada no dia 28 de Setembro a sua mulher.

Há quem tenha também atribuído o triunfo do exército anglo-luso no Buçaco à superioridade da táctica inglesa sobre a táctica francesa, o que já se tinha evidenciado na batalha do Vimeiro.

De facto, o exército inglês tinha passado por uma grande transformação, desde que o duque de York fora nomeado comandante em chefe. O regulamento táctico mandado publicar em 1798, e que era o resultado dum profundo estudo do regulamento francês de 1791 e dos regulamentos alemães, era muito superior àquele.

Além disso tinham sido criados campos de instrução para se ministrar o ensino prático, tendo já muitos regimentos recebido essa instrução.

Enquanto a infantaria francesa formava ainda em três fileiras, a infantaria inglesa adoptou a formação em duas fileiras, o que permitia maior rapidez nos movimentos e aumento da reserva, quando se não queria aumentar as frentes de combate, ou cobrir a frente principal com fortes postos avançados.

Foi até este último dispositivo o adoptado por Wellington, que mandara ocupar os grupos de árvores e casas ou depressões de terrenos, ao alcance da artilharia, com postos avançados que sustentaram um fogo enérgico contra as colunas francesas, obrigando-as prematuramente a desenvolver-se e tornando mais difícil e perigoso o avanço pelas ásperas encostas da serra.

A artilharia, ocupando os, salientes, cooperou de uma maneira activa e judiciosa com .a infantaria, o que não sucedeu aos franceses, cuja artilharia não pôde sustentar as colunas de ataque.

A artilharia anglo-lusa representou um papel importante na batalha do Buçaco.

A infantaria, coberta como dissemos, por postos avançados, formava à retaguarda da crista do terreno, sustentada nalguns pontos por artilharia, que ocupava os intervalos, ou os flancos.

Em geral, os postos. avançados eram constituídos pelas 2 companhias extremas dos batalhões (1.ª e 10.ª) que eram formadas de atiradores de elite - granadeiros e caçadores. Como cada batalhão tinha 10 companhias., segue-se que 1/5 do seu efectivo era empregado nos postos avançados da posição.

Foi com este dispositivo táctico que o exército anglo-luso teve uma manifesta superioridade sobre o exército francês. As colunas francesas, precedidas por atiradores, chegavam exaustas à crista, tendo consumido os atiradores as suas munições no combate contra os postos avançados, e, quando se julgavam senhores do terreno, eis que surgia a linha principal dos defensores, executando uma descarga a 20 ou 35 metros e carregando imediatamente à baioneta. As colunas francesas não podiam resistir a esse choque, desapoiadas como estavam da sua artilharia, que não podia tomar posição na zona de terreno batida pelos fogos dos postos avançados e da artilharia avançada que ocupava os salientes.

Enquanto as forças atacantes chegavam cansadas e desunidas, as tropas anglo-lusas que ocupavam a linha principal, estavam frescas, sob a completa acção dos chefes, e não desmoralizadas pelo fogo, nem pela vista do campo de batalha, pois se conservavam até ao último momento a coberto das vistas e do fogo inimigo.

As cargas à baioneta eram violentas, especialmente as realizadas pelas tropas portuguesas, tornando-se surpreendentes as que foram executadas pelos nossos regimentos de infantaria n.°5, 8 e 19, que ali se cobriram de glória.

Têm, pois, razão os que atribuem à táctica de combate do exército. anglo-luso uma parte considerável para o seu triunfo.

Todas as tropas portuguesas que tomaram parte activa na batalha se comportaram com grande valentia. Wellington e Beresford assim o reconheceram e manifestaram nas suas ordens do dia. Foram especialmente elogiados os regimentos de infantaria n.º 9 e 21, que formavam a brigada do coronel Champalimaud; infantaria n.º 8, comandada pelo tenente-coronel Douglas; os regimentos de infantaria n.os 7 e 19 e o batalhão de caçadores n.º 2, formando a brigada do brigadeiro Colleman; os regimentos de infantaria n.os 1 e 16 e o batalhão de caçadores n.º 4, formando a brigada Pack; os batalhões de caçadores n.os 1 e 3, que faziam parte da divisão Craufurd; o batalhão de caçadores n.º 6, que entrara na composição da brigada Campbell; as brigadas de artilharia, sob o comando do major Arentichild, a brigada de artilharia, anexa à divisão Spencer e a brigada de artilharia de montanha.

Mereceram ser citados em especial os nomes dos coronéis Champalimaud, Xavier Palmeirim e Souto Maior; dos tenentes-coronéis Sulton, José Maria Bacelar, Douglas, Jorge de Avilez, Nixan, Luís do Rêgo Barreto, Sebastião Pinto de Araújo, Elder, etc.

Beresford, na sua ordem do dia de 28 de Setembro (-), e Wellington na ordem do dia de 3o (°), elogiam e mostram-se reconhecidos para com as tropas portuguesas que tomaram parte na batalha do Buçaco.
A sua manifestação era um justo preito à bravura dos nossos soldados."
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 ago 2007 21:46

Viva!

Torna-se interessante dar uma olhada ao mapa das tropas que compunham as duas hostes na Batalha do Buçaco (27 de Setembro de 1810). Impressiona sobretudo pelos números.

Mapa da Força do Exército Luso-Britânico na Batalha do Buçaco

Mapa da Força do Exército Francês na Batalha do Buçaco

Como podemos observar, o equilíbrio dos números diz-nos que o exercito francês esta muito longe da vantagem de 3 para 1, que ditam os dogmas da guerra, para se ter alguma certeza na vitória final. Se a esse factor importantíssimo juntarmos outros, nomeadamente a cansaço das marchas forçadas, o desconhecimento do terreno e um campo de batalha muito bem escolhidos pelo exército anglo-luso, a derrota dos franceses não impressiona.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 ago 2007 21:53

Viva!

As perdas

"...Os franceses perderam perto de 4500 homens, sendo 225 oficiais.

Ficaram prisioneiros 36 oficiais e 25o praças de pré.

Foi morto o general Graindorge; e ficaram feridos os generais Merle, Foy, Maucune e Simon, tendo este sido feito prisioneiro.

Caíram mortos os coronéis Meunier, do regimento n.º 31; Amy, do n.º 6 e Berlier, do n.º 36.

Foram feridos os coronéis Merle, do n.º 2 ; Desgraviers, do n.º 4; Lavigne, do n.º 70; e Bechaud, do n.º 66.

Foram igualmente feridos 13 comandantes de batalhão e numerosos capitães e subalternos.

Segundo um ofício enviado por Wellington ao nosso ministro da guerra, D. Miguel Pereira Forjaz, o exército inglês, perdeu 40 oficiais, mortos ou feridos, e 560 praças de pré. As tropas portuguesas tiveram 31 oficiais, mortos ou feridos, e 571 praças de pré.

Ficaram prisioneiros dos franceses 1 oficial inglês e 50 praças de pré, sendo 20 portuguesas..."

O diferencial no número de baixas demonstra bem a dimensão da derrota francesa e em contrapartida a vitoria do exército anglo-luso - Esmagadora!
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 02 set 2007 20:56

Viva!

As sementes das Invasões Francesas

Legião Portuguesa na Europa Influência dos «afrancesados» Raízes modernas

O tempo de Napoleão e a influência que ele teve na História de Portugal não têm dado origem a uma grande bibliografia. Na generalidade, reduz-se tudo ao episódio das chamadas Invasões Francesas , vistas como um simples episódio militar, sem se deter nas consequências da presença desses mesmos soldados franceses e das ideias que representavam num país como o Portugal do início do século XIX.

Por isso mesmo é fundamental ler O Tempo de Napoleão em Portugal, uma colectânea de estudos históricos da autoria de António Pedro Vicente, publicada pela Comissão Portuguesa de História Militar. Aí se realça «o impacto que em Portugal teve, para edificação do seu sistema representativo e, de um modo geral, do ideário liberal, a experiência humana dos militares que participaram na "Grande Armée" de Napoleão e, portanto, combateram na Europa»; eles «experimentaram formas, práticas políticas e até administrativas de um Estado moderno, ou seja, de um Estado como o que o I Império fora criando numa Europa ainda coalhada com minúsculas unidades políticas de recorte "feudal", antiquado». Porque «o exército de Napoleão foi um enorme "parteiro" de modernidade política, organizacional, prática. Alguns dos nossos militares (desde o lendário Gomes Freire a outros soldados de carreira) colheram, precisamente nessa experiência ao serviço do Império francês, os primeiros vislumbres do que poderia ser a modernização futura de Portugal».

O autor alude à criação da Legião Portuguesa, na época da invasão de Junot, que viria a combater em várias campanhas, incluindo a da Rússia, e cuja actuação foi louvada por Napoleão. Se «não é, ainda, transparente o seu exacto contributo para a revolução liberal de 1820», podemos dizer que «os afrancesados portugueses almejavam um constitucionalismo moderado e alguns contaram com Napoleão para as necessárias reformas políticas e económicas».

«Por lá ficou a maioria dos nossos soldados, sucumbindo também à fadiga, ao frio ou à doença. Os poucos que regressaram traziam a experiência de novas terras e de novas formas de governo. Haviam contactado com uma nova administração, novos conceitos de organização cívica, novas constituições e teriam estabelecido, necessariamente, os normais contrastes». «A política de Napoleão subverterá mais a Península Ibérica do que os precedentes regimes revolucionários». Se «as invasões napoleónicas tinham semeado em Portugal ódios profundos, também semearam e deixaram ideias novas e "aspirações" insofridas, anseios de reivindicações sociais que viriam a desabrochar em não longínquo futuro».

Do mesmo modo, Nicole Gotteri, no seu livro Napoléon et le Portugal, editado este ano, analisa as consequências das invasões, sublinhando que elas desencadearam «uma verdadeira contra-revolução». E que, «se o país foi devastado pelas invasões, a desertificação absoluta exigida por Wellington e o ruinoso tratado comercial de 1810 concluíram a sua aniquilação económica».

Igualmente importante é a leitura de Napoleão e Wellington, de Andrew Roberts (Verbo), em que se mostra a importância de Portugal como primeiro território de afrontamento dos dois grandes líderes militares, antes do recontro final em Waterloo - um território onde Wellington praticou a política da «terra queimada», «pressagiando a Guerra Total do século seguinte». E refere 50 mil portugueses mortos à fome durante os cinco meses do cerco de Massena às Linhas de Torres Vedras ...
antónio carvalho
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 02 set 2007 21:04

Viva!

Decreto de Berlim assinado por Napoleão Bonaparte a 21 de Novembro de 1806

A assinatura por Napoleão, em Berlim, do decreto que declarava as ilhas britânicas em estado de bloqueio e proibia as trocas comerciais e de correspondência com aquele país.

"Este acto, que viria a afectar profundamente Portugal e a sua história, ao isolar o país do resto da Europa, está na origem da Guerra Peninsular, que causou as três invasões francesas em território português, em 1807, 1808 e 1810", disse Jorge Martins Ribeiro.

Aquele especialista considera que o estudo das circunstâncias que envolvem a Guerra Peninsular é de "primordial importância" pela série de consequências que desencadeou, conduzindo à derrota da França, ao aprofundamento da decadência de Portugal e à consolidação da hegemonia inglesa na Europa e no mundo.

Ao eliminar a monarquia de Carlos IV de Bourbon na Europa, Napoleão abriu as portas que conduziram à independência da América espanhola (que teve importante apoio da Grã-Bretanha).

O mesmo ocorreu com a saída de D. João VI para o Brasil, que viria a criar condições para a independência daquele país, cujos portos, até então, apenas podiam receber navios nacionais e comerciar com a metrópole, como acontecia com as colónias de outros países.

O primeiro acto de D. João VI (então ainda Príncipe-Regente) ao chegar ao Brasil foi assinar o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, oferecendo aos britânicos, com tarifas alfandegárias privilegiadas, um mercado em três continentes, o que permitiu a hegemonia britânica nas relações comerciais entre ambos os países.

Por outro lado, a permanência da corte portuguesa no Brasil (1807-1821) agravou a crise institucional nacional e fortaleceu as ideias liberais, conduzindo à Revolução do Porto (1820) e forçando o regresso do rei a Portugal, em 1821.

A subsequente tentativa de recolonização do Brasil acabou por levar, em 1822, à independência deste país, onde entretanto tinha florescido uma burguesia alimentada pelo comércio internacional.

Enquanto as potências europeias continuaram a desenvolver o seu comércio e indústria, Portugal, recém-saído das provações das invasões francesas e debilitado pela perda do Brasil, viria pouco depois a mergulhar numa longa guerra civil (1828-1834), atrasando significativamente o seu desenvolvimento face às restantes nações europeias.

Na origem desta guerra está a crise de sucessão ao trono que se seguiu à morte de D. João VI, também ela uma sequela, embora indirecta, do Decreto de Berlim assinado por Napoleão Bonaparte a 21 de Novembro de 1806, que abriu caminho às Invasões Francesas.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 02 set 2007 21:12

Viva!

A regência inglesa até à Revolução de 1820

Portugal na segunda década do século XIX.

- Dependência inglesa que, além de económica, era agravada pelo domínio político, administrativo e militar, sequente às invasões francesas.

- Manutenção da Corte no Brasil, com a ausência simbólica dos órgãos do poder nacional. O Rio de Janeiro era, afinal, a capital portuguesa…

- Circulação e difusão das ideias liberais, resultantes da presença francesa em Portugal, da imprensa do exílio e das sociedades secretas promotoras do livre-pensamento (com destaque para a Maçonaria).

- A emergência de uma «consciência liberal».

- Neste contexto, a conspiração do Supremo Conselho Regenerador de Portugal (1817) e a execução dos «mártires da liberdade» (em que se destaca Gomes Freire de Andrade).

- Devastação agrícola provocada pelas guerras prolongadas.

- «Falência» do comércio atlântico, como resultado da abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional (1808) e da industrialização do Brasil que, cada vez menos, recebe produtos portugueses.

Em 1820, Portugal era uma «colónia brasileira» e um «protectorado inglês».
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 02 set 2007 21:21

Viva!

A História repete-se.

Economia e sociedade portuguesas nas duas últimas décadas do séc. XIX.

A crise agrícola dos anos 80.

- Concorrência do trigo americano.

- Diminuição da cultura cerealífera nacional, com alargamento da área de pastagens (o preço do gado manteve-se em alta).

- Ataque da cultura da vinha (particularmente no Douro), primeiro pelo oídio e depois, arrasadoramente, pela filoxera.

- Expansão da viticultura para outras regiões do país: Estremadura, Ribatejo, Bairrada, Dão, Minho e Alentejo.

- Reivindicação pelos agricultores de medidas proteccionistas relativamente aos produtos agrícolas.

Aceleração da emigração.

- Aumento da corrente migratória, que se tinha atenuado depois da independência do Brasil.

1868 - 4 500 emigrantes
1881 - 17 000 emigrantes
1895 - 47 500 emigrantes

- A quase exclusividade do destino brasileiro cede lugar aos Estados Unidos (particularmente a partir das ilhas atlânticas), Espanha (de trabalhadores rurais algarvios), França e África (sobretudo desde a década de 80).

- Importância significativa das remessas dos emigrantes.

A "descolagem" da indústria.

- Desenvolvimento industrial nas décadas de 80 e 90, com destaque para os têxteis (algodão e lã), tabaco, cortiça e metalurgia.

- Inquérito industrial de 1881 — 3 700 oficinas e fábricas; 91 000 operários; 328 motores a vapor; 7 000 cavalos-vapor de potência.

- Localização urbana e centralista: Lisboa e Porto concentravam metade das unidades, com 75% do valor de produção.

Crescimento do peso social (e político) da classe operária.


- Fortalecimento do associativismo operário.

- Primeiro 1.º de Maio em 1891.

- Aparecimento de lutas e movimentos reivindicativos.

- Entre 1870 e 1899, mais de 60 greves ("coligações"), embora legalmente proibidas.

- Reflexos sociais de uma industrialização tardia: exploração do trabalho feminino e infantil.

- A fraca expressão quantitativa do movimento operário, em contraste com a sua centralidade urbana.

O agravamento da situação financeira.

- Crescente aumento da dívida pública, resultante do recurso continuado à contracção de empréstimos externos e internos para as despesas do Estado.

- Entre 1851 e 1890 essas despesas aumentaram para cinco vezes mais.

- Desequilíbrio entre o desenvolvimento industrial (e comercial) e o facto desse desenvolvimento não ser o resultado de (nem se ter traduzido em) um crescimento económico global.

- Manutenção e agravamento do déficit da balança comercial com o estrangeiro.
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AlfaLima

Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor AlfaLima » 03 set 2007 00:38

lecavo Escreveu:Viva!

Já agora e na continuação do tema, vou fazer uma pergunta à "audiência":

- O que "motivou" o baptismo da campanha militar espanhola desenrolada entre 20 e 30 de Maio de 1801, que resultou na invasão de parte do nosso território a Sul e que ficou conhecida como a "GUERRA DAS LARANJAS", digam-me o porquê deste nome?

PS: Companheiro "Alfalima", a pergunta não é para ti! Sei que tens a resposta na ponta da língua.


Amigo Lecavo, parece-me que se não for eu a pergunta ficará sem resposta....

Segundo reza a história, o general que comandou as tropas espanholas, de nome Manuel Godoy, era um favorito da rainha Maria Luiza de Parma, esposa do rei espanhol Carlos IV. Constava-se que havia um romance entre os dois, ou seja, que seriam amantes. Verdade ou não, reza a história, que o general espanhol terá enviado à rainha dois ramos de laranjeira com fruto, colhidos em Elvas, num acto de galantaria. Terá sido então este episódio a ditar o baptismo da tal campanha militar que ocorreu em Maio de 1801, ficando por "isso". conhecida por "Guerra das laranjas".

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 03 set 2007 10:54

Viva!

Companheiro Alfalima, já tinha dado para perceber que se não fosses tu a responder teria de ser eu!

Mais uma vez, estiveste bem, a resposta não poderia estar mais completa.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 04 set 2007 13:49

Viva!

D. Pedro IV, o Rei que pôs termo ao antigo regime em Portugal.

O homem, para além de Rei de Portugal e Imperador do Brasil, ainda tinha tempo para fazer filhos e "torto e a direito"......morreu aos 36 anos, deixando uma prol invejável (pelo numero).



1798 – 12 de Outubro - Nasce em Portugal, no Real Palácio de Queluz, na sala Dom Quixote, o príncipe Pedro de Alcântara, Francisco, António, João, Carlos, Xavier de Paula, Miguel, Rafael, Joaquim, José, Gonzaga, Pascoal, Cipriano, Serafim, de Bragança e Bourbon, 4º filho de d. João VI e d. Carlota Joaquina, rei de Portugal.

1812 – 31 de Julho - Nasce em Milão d. Amélia, Augusta, Eugenia, Napoleão de Beauharnais, 2ª imperatriz do Brasil, filha do príncipe Eugénio de Beauharnais, duque de Leuchtenberg e príncipe de Eichstät e da princesa Augusta Amélia.

1815 – 15 de Dezembro - O príncipe regente d. João, por carta da lei desta data, eleva o Brasil à categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarves.

1816 – 26 de Novembro - É assinado em Viena/Áustria o tratado matrimonial de d. Pedro com d. Leopoldina.

1817 – 09 de Janeiro - Alvará concedendo a d. Pedro o título de Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

1817 – 13 de Maio - Realiza-se em Viena, por procuração, o casamento do príncipe Pedro de Alcântara com a princesa Leopoldina.

1817 – 13 de Agosto - Embarca em Livorno, com destino ao Brasil, a princesa Leopoldina.

1817 - 05 de Novembro - Chega no Rio de Janeiro d. Leopoldina.

1817 – 06 de Novembro - Celebra-se na Capela Imperial a cerimónia religiosa do casamento de D. Pedro com d. Leopoldina.

1819 – 04 de Abril - Nasce, às 17 horas, no Paço de São Cristóvão/Rio de Janeiro, a princesa d. Maria da Glória, primogénita do príncipe D. Pedro e D. Leopoldina.

1819 – 03 de Maio - É baptizada na Capela Real a princesa d. Maria da Glória, sendo seus padrinhos D. João VI e D. Carlota Joaquina.

1820 – 26 de Abril - Nasce, no Paço de São Cristóvão/Rio de Janeiro, o príncipe d. Miguel, segundo filho de d. Pedro e de d. Leopoldina, o qual faleceu pouco depois.

1821 – 19 de Fevereiro - É lavrado em Portugal um decreto das Cortes determinando o retorno do príncipe d. Pedro, a fim de que assumisse a direcção dos negócios públicos,
enquanto d. João VI permanecesse no Brasil. Essa determinação não foi obedecida.

1821 – 06 de Março - Retorno de d. João VI a Portugal, ficando, no Rio de Janeiro, o príncipe herdeiro Pedro como regente do Brasil.

1821 – 06 de Março - Nasce, no Paço de São Cristóvão/Rio de Janeiro, o príncipe da Beira D. João Carlos, terceiro filho do príncipe d. Pedro e d. Leopoldina.

1821 – 22 de Abril - D. João VI, por decreto, nomeia d. Pedro regente e lugar-tenente do rei, a fim de governar o Brasil em sua ausência.

1821 – 26 de Abril - Parte para Portugal d. João VI. Primeiro decreto do príncipe D. Pedro, na qualidade de regente do Reino: Suspende o direito do sal na entrada e passagem pelos Registros ou "Alfândegas de portos secos”.

1821 – 31 de Julho - É incorporado ao Brasil, sob o nome de província Cisplatina, o Uruguai.

1822 – 09 de Janeiro - Promete ficar no Brasil, desobedecendo, assim, às Cortes de Lisboa, o príncipe regente d. Pedro. Dia do Fico.

1822 – 16 de Janeiro - É formado por d. Pedro o 1º Ministério do período da Independência.

1822 – 04 de Fevereiro - Falece, no Paço de São Cristóvão/Rio de Janeiro, d. João Carlos, príncipe da Beira, terceiro filho de d. Pedro e d. Leopoldina.

1822 – 11 de Março - Nasce, no Paço de São Cristóvão/Rio de Janeiro, a princesa d. Januária, quarta filha de d. Pedro e d. Leopoldina, cognominada “Princesa da Independência”.

1822 – 13 de Maio - O príncipe d. Pedro aceita o título de Protector e Defensor Perpétuo do Brasil oferecido pela Maçonaria.

1822 – 28 de Maio - D. Pedro é eleito Grão-Mestre da Maçonaria no Brasil.

1822 – 02 de Agosto - D. Pedro é iniciado na Maçonaria, O imperador recebeu o nome de Guatimozim.

1822 - 5 de Agosto - Elevação de d. Pedro I a Mestre na Maçonaria.

1822 – 07 de Setembro - Proclamação da Independência do Brasil por d. Pedro, às margens do piranga, nas proximidades de São Paulo.

1822 - 14 de Setembro - Dom Pedro I é investido no cargo de Grão-Mestre no Grande Oriente do Brasil (Maçonaria)

1822 – 18 de Setembro - Por decreto de d. Pedro I, foram estabelecidas as novas armas e bandeira o Brasil.

1822 – 12 de Outubro - or proposta de José Clemente Pereira, apresentada a 21 de Setembro, D. Pedro I, em sessão extraordinária, é aclamado Imperador Constitucional do Brasil.

1822 – 01 de Dezembro - Coroação e sagração de d. Pedro I, na Capela Imperial, como
Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. É criada por d. Pedro I a Ordem Imperial do Cruzeiro, para celebrar a sua aclamação e sagração como Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. É criada a Imperial Guarda de Honra D. Pedro I.

1823 – 17 de Fevereiro - Nasce, no Paço de São Cristóvão/Rio de Janeiro, a princesa d. Paula Mariana, quinta filha de d. Pedro I e d. Leopoldina.

1823 – 24 de Fevereiro - É baptizada, às 17 horas, na Capela Imperial a princesa d. Paula Mariana.

1823 – 04 de Novembro - Nasce Rodrigo Delfim Pereira, filho de d. Pedro I e de Maria Benedita de Castro Canto e Melo, baronesa de Sorocaba.

1823 – 11/12 Novembro - Fechamento da Assembleia Nacional Constituinte, conhecida como: A Noite da Agonia.

1824 – 25 de Março - É outorgada por d. Pedro I a 1ª Constituição Brasileira. É jurada por d. Pedro a Constituição do Império do Brasil.

(continua...)
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 04 set 2007 13:50

Viva!

(... continuação)

1824 - 30 de Abril - Revolta de d. Miguel, no Porto, Portugal, conhecida por Abrilada, por instigação de sua mãe, a rainha Carlota Joaquina.

1824 – 23 de Maio - Nasce, no Rio de Janeiro, Isabel Maria de Alcântara Brasileira, filha de D. Pedro I e de Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos.

1824 – 02 de Agosto - Nasce, às 21 horas no Palácio de São Cristóvão/Rio de Janeiro, a princesa D. Francisca, sexta filha de D. Pedro I e D. Leopoldina.

1825 – 02 de Dezembro - Nasce, no Palácio de São Cristóvão/Rio de Janeiro, d. Pedro II, sétimo filho de d. Pedro I e de d. Leopoldina.

1825 – 07 de Dezembro - Nasce Pedro de Alcântara Brasileiro, filho de d. Pedro I e de Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos.

1825 – 27 de Dezembro - Morre Pedro de Alcântara Brasileiro, filho de d. Pedro I e de Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos. Áustria reconhece a Independência do Brasil.

1826 – 10 de Março - Morre, no Real Palácio da Bemposta/Lisboa, aos 59 anos, d. João VI, pai de D. Pedro I.

1826 – 16 de Abril - É criada por d. Pedro I a Ordem Dom Pedro I, Fundador do Império do Brasil, a fim de comemorar o reconhecimento da Independência.

1826 – 02 de Maio - D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal abdica a coroa de Portugal em favor de sua filha Maria da Glória.

1826 – 04 de Julho - Isabel Maria de Alcântara Brasileira é legitimada como filha de d. Pedro I e de Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos. É concedido o título de duquesa de Goiás a Isabel Maria de Alcântara Brasileira.

1826 – 11 de Dezembro - Morre, no Rio de Janeiro, d. Leopoldina, 1ª imperatriz do Brasil.

1827 – 22 de Fevereiro - Após a morte de d. João VI, o infante d. Miguel entra em Lisboa e toma posse do governo como lugar-tenente de seu irmão d. Pedro IV.

1827 – 26 de Fevereiro - D. Miguel presta juramento prescrito, terminando nesse dia a regência da infanta d. Isabel Maria, instituída por d. João VI antes de morrer.

1827 - 03 de Julho - D. Pedro I nomeia d. Miguel seu lugar-tenente para governar o reino durante a menoridade de sua filha, em favor da qual havia abdicado a coroa.

1827 – 13 de Agosto - Nasce, no Rio de Janeiro, Maria Isabel Alcântara Brasileira, filha de D. Pedro I e de Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos, agraciada com o título de duquesa do Ceará.

1828 – 19 de Fevereiro - Chega, triunfalmente, em Portugal d. Miguel, procedente da Inglaterra, a bordo da fragata portuguesa Pérola, sendo então aclamado rei absoluto.

1828 – 22 de Fevereiro - É aclamado rei absoluto do Reino de Portugal e Algarves d. Miguel, que dá por desfeito o casamento com sua sobrinha d. Maria da Glória e se apodera do governo. D. Maria da Glória, à vista da usurpação, teve de voltar para o Brasil.

1828 – 18 de Maio - Declara-se por d. Pedro IV, d. Maria II e pela Carta Constitucional o 6º Regimento de Infantaria no Porto.

1828 – 20 de Maio - Forma-se uma Junta Provisória nomeada por d. Pedro para reger o reino durante a usurpação de d. Miguel.

1828 – 25 de Outubro - Morre Maria Isabel de Alcântara Brasileira, filha de d. Pedro I e de Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos.

1829 – Nasce José, filho de d. Pedro I e de Joana Mosquera.

1829 – 30 de Maio - É assinado em Munique/Alemanha pelo marquês de Barbacena, o tratado matrimonial de d. Pedro I com d. Amélia.

1829 – 29 de Agosto - Realiza-se em Munique/Alemanha, por procuração, a cerimónia do casamento de d. Pedro I com d. Amélia.

1829 – 30 de Agosto - Embarca em Portsmouth, na fragata Imperatriz, com destino ao Brasil, D. Amélia, juntamente com D. Maria II e o príncipe Augusto de Leuchtenberg.

1829 – 31 de Agosto - Nasce Pedro de Alcântara Brasileiro, filho de d. Pedro I e da madame Saisset.

1829 – 16 de Outubro Chega ao Brasil D. Amélia.

1829 – 17 de Outubro - Realiza-se na Capela Imperial a cerimónia religiosa do casamento de D. Pedro I com D. Amélia.

1829 – 17 de Outubro - É criada, por d. Pedro I, a Ordem da Rosa para comemorar o seu casamento com D. Amélia.

1830 – 06 de Fevereiro - É adquirida por d. Pedro I a Fazenda do Córrego Seco, futura cidade de Petrópolis.

1830 - 07 de Janeiro - Morre, no Palácio de Queluz/Lisboa, D. Carlota Joaquina, mãe de D. Pedro I, imperador do Brasil.

1830 – 28 de Fevereiro - Nasce, em São Paulo, Maria Isabel de Alcântara Brasileira II, filha de D. Pedro I e de Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos.

1831 – 05 de Abril - D. Pedro I organiza o seu ministério chamado de “ministério dos
marqueses”; a nomeação desse ministério e a consequente demissão do anterior, deu causa a uma revolta, cujo epílogo foi a abdicação e sua retirada para a Europa.

1831 – 06 de Abril - D. Pedro I nomeia, por decreto, José Bonifácio tutor de seus filhos menores.

1831 – 07 de Abril - D. Pedro I abdica a coroa do Brasil em favor de seu filho d. Pedro II.

1831 – 08 Abril a 18 Junho - Forma-se a Regência Trina Provisória.

1831 – 18 Junho a 12 de Outubro de 1835 - Forma-se a Regência Trina Permanente.

1831 – 01 de Dezembro - Nasce em Paris D. Maria Amélia filha de D. Pedro, duque de Bragança e de D. Amélia.

1832 – 22 de Fevereiro - Desembarque de d. Pedro, duque de Bragança, procedente de Londres, na Ilha de São Miguel, a caminho de Portugal, a fim de repor no trono sua filha d. Maria II.

1832 – 03 de Março - D. Pedro, duque de Bragança, após haver chegado aos Açores, assume a regência durante a menoridade de sua filha d. Maria II, cujo trono havia sido usurpado por d. Miguel.

1832 – 01 de Novembro - Penetra vitoriosa na capital do Minho a expedição invasora de D. Pedro, duque de Bragança.

1833 – 16 de Janeiro - Falece no Paço de São Cristóvão/Rio de Janeiro, aos 9 anos de idade, a princesa d. Paula, filha de D. Pedro I e D. Leopoldina.

1833 – 30 de Setembro - D. Pedro, duque de Bragança, assume a regência do Reino de Portugal durante a menoridade de d. Maria II, sua filha.

1833 – Dezembro - José Bonifácio é destituído da tutoria de d. Pedro de Alcântara, sendo substituído pelo marquês de Itanhaém.

1834 – 26 de Maio - Capitulação de d. Miguel em Évora-Monte.

1834 – 17 de Setembro - D. Pedro, duque de Bragança, dita seu testamento ao ministro do Reino Bento Pereira do Carmo.

1834 – 24 de Setembro - Falece, no mesmo quarto em que nascera, a sala Dom Quixote, no Palácio e Queluz, aos 36 anos incompletos, D Pedro I ou D Pedro IV de Portugal, duque de Bragança.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 05 set 2007 01:36

Viva!

Do liberalismo à Republica.

As novas ideias políticas dos filósofos franceses do século XVIII começaram entrar em Portugal no tempo de Marquês de Pombal. A censura, a policia e a Inquisição não consegue travar o aumento do número de jacobinos e dos «afrancesados», entre os quais figuram nobres e, sobretudo, homens de letras. A luta da Inglaterra contra a França revolucionária envolve-nos na campanha do Rossilhão e obrigados a não acatar o bloqueio Continental, decretado por Napoleão, sendo o nosso país invadido pelos exércitos franceses ( 1808- 1810).Não consegue, porém, nem prender a família real, que embarcara para o Brasil, sem subjugar a Nação, que se levanta em Armas e ajudada pelo exercito inglês, vence os invasores em diversas batalhas.

Após a malograda conspiração de 1817, triunfa a Revolução de 1820, organizada no Porto, sob a direcção de Manuel Fernandes Tomás, sendo eleita uma Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, destinada a governar em nome do rei e a reunir Cortes Constitucionais. A Constituição de 1822 transforma a monarquia absoluta em monarquia liberal. A situação política portuguesa deu origem à formação de dois partidos rivais: absolutistas, que pretendiam a continuidade das instituições anteriores da ordem nova. À primeira revolta realista de Trás-os-Montes, seguiram-se a Vila-Francada e a Abrilada, pronunciamento militares comandados pelo infante D. Miguel. D. Pedro, considerado herdeiro do Torno, outorga ao País um Carta Constitucional ( 1826), destinada a substituir a Constituição de 1822, e abdica em sua filha. Durante menoridade desta, D. Miguel deveria governar de harmonia com a Carta. Os seus partidários, porém, aclamam-no «rei de Portugal», enquanto os liberais formam na ilha Terceira um governo oposicionista, apoiado por D. Pedro, que deixa o Brasil e organiza uma expedição com a qual desembarca no Mindelo. Desencadeada a Guerra, são vencidas as forças de D. Miguel e assinada a Convenção de Évora Monte (1834). Os liberais voltam definitivamente ao Poder e continuam a decretar as reformas inicializadas por Mouzinho da Silveira. D. Maria II, que subiu ao torno após a morte de seu pai, viu-se logo de início em sérias dificuldades para manter o equilíbrio entre os partidos. Havendo então uma série de lutas, que perturbam o seu reinado: Revolução de Setembro e Belenzada ( 1836), Revolta dos Marchais ( 1837), Revolta de Costa Cabral (1842), Revolução da Maria da Fonte (1846), Regeneração ( 1851). A acalmia foi-se estabelecendo, acampanhada de medidas de vasto alcance.

O fim da monarquia liberal é precipitado pela crise que sucedeu ao Ultimato de 1890. Renasce a agitação política, e o Partido Republicano, revigorado mercê dessa crise, organiza uma revolução que rebenta no porto, em 31 de Janeiro de 1891, sem conseguir triunfar. As lutas partidárias tornam-se mais violentas.

D. Carlos fecha o Parlamento e confia o Governo a João franco, mas é assassinado em 1908. D. Manuel II procura a pacificação da família nacional. Não evita a derrocada da Monarquia. A República é proclamada em 5 de Outubro de 1910.
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