VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

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lecavo
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 set 2007 23:42

Viva!

Os etruscos

Introdução

Os Villanovas da região da Toscânia apresentam mudança brusca no seu ritual funerário e as suas vilas passam a ser fortificadas a partir dos anos 900 a.C. Eram os primeiros sinais de que algo mudou na região. O povo dessa área passou a ser conhecido como etruscos pelos povos vizinhos.

É difícil precisar a origem dos etruscos. O primeiro dos grandes historiadores antigos, Heródoto (século V a.C.), defendeu a teoria de que se tratava de povos orientais, lídios da Ásia Menor (Turquia), dizia o historiador, que teriam vindo para a Itália entre os séculos XIII e XII a.C. em razão de carestia e ali se mesclado com os indígenas umbros, mas introduzindo novidades importantes na cultura local e gerando a Cultura dos Tirrenos.

Sustenta essa hipótese a brusca mudança cultural villanoviana e o facto de que os Villanovas não detinham tecnologia apropriada para fortificar seus vilarejos. Ainda dentro dessa hipótese da origem oriental, outros vêem a fortificação das vilas como reacção ao aumento da violência associada à ocupação territorial por populações imigrantes.

Também a favor dessa linha estão os paralelos culturais como a semelhança entre a construção e decoração das tumbas etruscas e aquelas da Ásia Menor, como certas doutrinas e práticas religiosas: a realização de profecias pelos exames das entranhas de animais e pelo vôo das aves (como no Oriente) ou como gosto pelos prazeres da vida, boas moradias, a luxúria e o amor pelas festas e danças, que não encontram paralelo entre as demais culturas itálicas.

[ Para encerrar, um pilar funerário encontrado perto da cidade de Camínia, na ilha de Lemnos, tem inscrição em língua diversa da língua grega ali falada, mas apresentando semelhanças com o idioma dos etruscos.]

A segunda corrente, hoje mais aceita, vê os etruscos como tribos autóctones pré-indo-europeias, certamente lígures parcialmente aculturados pelos Villanovas vizinhos. O primeiro defensor dessa hipótese foi Dionísio de Helicarnasso.

Já se aceita uma explicação intermediária, na qual povos da Ásia Menor teriam vindo em número relativamente diminuto, talvez acompanhada de uma elite armada, e se amalgamado às populações autóctones. Todavia, por trazerem uma cultura mais complexa, tê-la-iam imposto aos nativos ao longo dos anos.

Os etruscos eram conhecidos como tirrenos pelos gregos e como tuscos ou etruscos (palavra derivada do umbro trusk). Os historiadores dizem que eles se referiam a si mesmos como rasna ou rasenna. Talvez tais denominações tenham a ver com as específicas tribos etruscas contactadas com as demais culturas indo-europeias (notadamente gregos e latinos).

A língua etrusca certamente não era de origem indo-europeia.
A expansão territorial

A partir do século VIII a.C., os etruscos passaram a estabelecer-se noutras partes da Itália, sem encontrar grande resistência. A expansão explica-se pelo crescimento económico e não por desejo de poder. A ocupação de vales férteis e zonas mineiras trouxe riqueza àquelas populações.
No litoral, estabeleceram portos através dos quais exportavam os seus produtos, competindo ferozmente com gregos e fenícios por mercados na bacia do mar Mediterrâneo. Constituíram um poderio naval muito respeitado, necessário para fazer frente aos gregos e cartagineses do sul da península. Os celtas que vinham pelo norte não representavam ameaça real, pois dividiam-se em tribos sem qualquer laços entre si.

Nesse processo expansionista, as cidades dos etruscos desenvolveram-se na mesma linha das antigas aldeias Villanovas. Elas perfaziam três territórios bem marcados, além da colónia de Capua. As suas cidades guardavam um espírito federativo muito ténue. Elas elegiam um rei, cujo encargo era organizar e presidir às festas religiosas comuns. Em tempos de guerra, eram nomeados líderes especificamente para cuidar dos exércitos.

As cidades viram obras de engenharia então desconhecidas na península. Elas seguiam a tradição Villanova de duas avenidas em diagonal, criando quatro bairros, servidos por ruas secundárias.

Eles projectaram e construíram estradas e pontes ligando as cidades, cloacas subterrâneas para conduzir esgotos e águas pluviais. Aquedutos levavam água a longas distâncias, servido comunidades que não dispunham dela para uso doméstico ou agrícola. Pântanos foram drenados e rios rectificados, incorporando novas terras à produção rural.

O território do norte tinha como principais das cidades:
• Volterra (Velathri em etrusco)
• Arezzo (Arratum em etrusco)
• Cortona (Curtun em etrusco)
• Peruggia (Perusia em etrusco)
• Chiusi (Clevsin em etrusco)
• Populonia (Pupluna em etrusco)
• Vetulonia (Vetluna em etrusco)
• Rosella (Velathri em etrusco)
• Felsina (hoje Bolonha)

O território do sul abrangia vilas como:
• Tarquínia (Tarcxuna em etrusco), cujas ruínas de vê na foto ao lado.
• Caere
• Capua
• Vulci (Velx em etrusco)
• Caere (Chisra em etrusco)
• Volsinii (Velzna em etrusco)
• Veios
• Pirgy

A região sul teve desenvolvimento mais rápido, mas a decadência também foi ligeira, quando a malária se propagou pelo rio Maremmas. As cidades do norte são de povoamento mais recente, quase na época romana.

No século VII a.C., a expansão etrusca chega ao Lácio. Ali fundaram um porto, que passou a ser chamado Rumon (Roma), curso de água no idioma etrusco. No início do século VI a.C. chegaram à Campânia. Não prosseguiram para o sul, barrados pelos gregos na batalha de 524 a.C. Ainda nesse século, a expansão rumo ao norte levou as fronteiras etruscas ao Adriático e à Venécia.
A sociedade

Nas cidades, o regime monárquico reforçou-se e da presidência das festas religiosas os reis passaram também a distribuir a justiça, administrar a cidade e comandar os exércitos. Em torno do rei formou-se uma oligarquia, distinta da plebe, certamente composta maioritariamente pelos ligures aborígenes.

Essa oligarquia participava nas festas que depois ficaram famosas em Roma sob o nome de orgias. Os gregos diziam que as mulheres etruscas gozavam dos mesmos direitos dos homens, inclusive sexuais. Assim, aos olhos dos gregos, os etruscos eram tidos como devassos. Nas festas casais faziam amor às escancaras.

A túnica etrusca passou aos romanos, assim como a cor púrpura tipicamente aristocrática.

...Continua
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 set 2007 23:44

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...Continuação...

A arte e cultura

O que se conhece da arte etrusca guarda enorme influência dos gregos. Tanto na pintura de cerâmicas, a frescos, esculturas e teatro. no seu período final, passou a utilizar frequentemente temas de origem religiosa.

Aceitaram também o alfabeto grego e, a despeito da disputa comercial com aqueles, os etruscos foram os mediadores entre a cultura grega e os povos itálicos vizinhos (latinos, sabinos, volscos e outros).

Esculpiam em pedras, peças de bronze, âmbar, marfim e madeira. Faziam estátuas em terracota (terra cozida), geralmente em tamanho natural e policromáticas.

A engenharia etrusca lembra a mesopotâmica. Eles introduziram na Itália o uso do arco, da abóbada e da cúpula. As casas eram providas de átrio.

Os trabalhos e cerâmica e em joalherias eram ricos em detalhes.

Amantes da sumptuosidade, os seus templos eram enormes. As festas, principalmente as religiosas ou para receber exércitos vitoriosos, eram cheias de pompa. O monarca usava a túnica vermelha, coroa e ceptro em ouro, os generais vinham com medalhões também de ouro pendendo no peito. Os aristocratas acorriam em liteiras.

A religião

Não se sabe muito dos deuses originais dos etruscos. Os indícios são de que a princípio a religião não era particularmente importante na cultura deles. As suas divindades vinham de uma concepção ainda não muito clara e delas não há indicação de denominação, sexo, número ou características.

Por razões ainda não conhecidas, na época romana os etruscos eram o povo mais apegado à religião existente na face da terra. Escritores antigos citam uma ninfa de nome Begoia ou Vegoia. Isso remete-nos novamente aos ligures e seu monte sagrado Bego, na Provença (França).

Na fase proto-histórica eles já estavam em contacto há muito tempo com as civilizações marítimas do Mediterrâneo. Por isso, os deuses etruscos conhecidos eram bastante semelhantes aos dos greco-romanos:

etruscos – Tinia; Uni; Menerva; Sethlans; Turms; Turan; Maris

gregos – Zeus; Hera; Athenas; Hephaistos; Hermes; Aphrodite; Ares

latinos – Jove; Juno; Minerva; Vulcano; Mercúrio; Vénus; Marte

Essa helenização religiosa foi parte de um processo de aculturação etrusca aos valores helénicos, que também se reflectiu nas artes.

Ofereciam preces e sacrifícios, inclusive humanos, aos deuses em cerimónias marcadas pela dança, pelos jogos e desportos e combates de gladiadores. Buscavam conhecer a vontade dos deuses pelo exame das vísceras de animais, dos relâmpagos e dos vôos dos pássaros.

Tinham a crença numa vida pós-morte e, por isso, reservavam um respeito solene aos mortos.

Os cemitérios eram cavernas subterrâneas cavadas na rocha (hipogeus), com salas e corredores. As paredes eram ricamente pintadas.

A qualidade e beleza dos sepulcros da elite local é impressionante ainda hoje.

O declínio

Os romanos progrediam com o comércio exterior e já não aceitavam o domínio etrusco. Com a ascensão de Roma, os etruscos perderam o contacto com a Campânia. Os etruscos aliaram-se a Cartago para controlar as colónias gregas do sul da Itália, mas depois que os gregos de Siracusa os derrotaram numa batalha em Cuma no ano de 474 a.C., os etruscos perderam o controle sobre o mar Tirreno e entraram em declínio acelerado.

Cerca de meio século depois, tribos guerreiras de origem celta invadiram a península pelo norte.

O território minguava até limitar-se a algumas cidades-estados, que recuavam até o território original na Itália central. Em pouco tempo foram absorvidos pela Roma expansionista e latinizada.

Marco Paulo Teixeira
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 set 2007 23:52

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OS ETRUSCOS II

No século VII, a. C., a civilização etrusca torna-se extremamente brilhante e começa a influenciar, de forma duradoira, os Latinos.

Originariamente, o etrusco aparece como um camponês muito cioso do direito de propriedade; a prosperidade bem provada da Etrúria é obra humana, o mesmo se verificando na exploração dos recursos naturais como a madeira e na mineração: o chumbo, o estanho e o cobre, seguído do ferro, determinariam a razão essencial da súbita prosperidade etrusca.

Os Etruscos aperfeiçoaram a agricultura, construíram canais de regadio. Implantaram o cultivo de cereais, árvores de fruto, oliveira e vinha. Utilizavam foices, arados, pás e enxadas.

Desenvolveram a indústria e o comércio. Usaram a moeda a partir do séc. V a. C. Exportaram tecidos, jóias, espelhos, vasos artísticos e minerais. Os Gregos e os Cartagineses eram os seus principais compradores de metais.

Mas mais do que hábeis agricultores ou mineiros, os Etruscos tinham fama de ser criadores de cidades; no plano do urbanismo, é hoje do consenso geral não os encarar somente como os introdutores de práticas gregas ( a planta em axadrezado), mas também de práticas que evoluíram antes de as ensinar aos Romanos. A cidade etrusca é um centro político e religioso diferenciado do campo. A muralha, muitas vezes tardia e com funções meramente defensivas, permite determinar a grandeza das zonas assim delimitadas.

Os Etruscos incrementaram também a cultura artística: vasos pintados, frescos primorosos, sarcófagos ornamentados com figuras de argila, etc. Deixaram-nos a arte da pantomina, a pintura e a escultura ( Loba do Capitólio, etc.). Construíram templos e túmulos e desenvolveram o arco e a abóbada.

O rei fruía de um direito de comando e de imposição (simbolizado pelo machado no centro de um feixe de varas que o lictor transportava à sua frente), além das suas funções religiosas.

Em Roma, não gozava contudo de poder absoluto. Era assistido por um conselho consultivo ( Senado) com 300 membros, todos patrícios, e tinha que se conformar com as decisões dos cidadãos, nos Comícios Curiais (leis e governo) e nos Comícios Centuriais (paz e guerra). As insígnias da soberania romana, inspiradas nos costumes etruscos eram as machadinhas envoltas em feixes de varas, transportadas pelos lictores, as cadeiras de marfim, a toga pretexta, a coroa e o ceptro.

Quanto à sociedade, esta tinha como base uma estrutura oligárquica, opondo uma classe de senhores (Rei e magistrados) à grande turba dos seus servos, (família urbana e família rústica), praticamente escravos, no campo, na cidade, nas oficinas e nas minas.

O Forum era o centro político e o coração da cidade.

Na religião, predominava a Tríade: Júpiter, Juno e Minerva, sustentada por um poderoso colégio de sacerdotes - Os Arúspices. Os fígados dos animais eram considerados uma representação do mundo em escala reduzida e as alterações detectadas em partes determinadas daqueles indicavam qual o Deus que se manifestava e que tipo de sinal (benéfico ou terrífico) pretendia enviar.

Adoravam ainda outros deuses, mais virados para a agricultura e davam uma grande importância aos PRODÍGIOS.

Acreditavam na vida para além da morte e procuravam criar no túmulo um ambiente doméstico, tentando assim agradar aos mortos e impedi-los de voltarem.

"Os Etruscos conquistaram um imenso território onde fundaram várias cidades importantes. Eram senhores de poderosas forças navais e detiveram por muito tempo o domínio dos mares"

Diodoro Sículo
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 11 out 2007 09:42

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Milho

Estamos no limiar de uma nova mudança com o surgimento da tecnologia dos organismos geneticamente modificados. De que forma pode o milho ajudar-nos a perceber a vasta teia de acontecimentos históricos, sociais, culturais, económicos, científicos e políticos associados ao impacto da ciência e das tecnologias na organização das nossas sociedades?

O milho foi domesticado há seis mil anos por nativos do actual México, tornando-se central na organização de civilizações no continente americano.

A principal fonte de nutrientes das civilizações Azeteca, Maia e Inca, era considerada uma dádiva dos deuses: o milho era parte integrante de várias cerimónias religiosas, incluindo, sacrifícios humanos.

Nas culturas actuais, que evoluíram a par com o conhecimento científico, o milho continua a ter um papel fundamental: é um dos três cereais mais consumidos no mundo, incluído nas dietas de milhões de pessoas.

À domesticação do milho estão associados tanto o processo de sedentarização de populações americanas pré-colombianas, como a emergência e consolidação das civilizações Azeteca, Maia e Inca.

Nestas civilizações, o milho é o ingrediente central da dieta e, talvez pelo papel fundamental que tem como meio de subsistência, adquire também uma dimensão mitológica: o milho está associado a práticas e crenças religiosas. No mito de criação Azeteca, os diferentes povos que habitam a terra derivam, cada um, de um grão de milho diferente.

A dependência destas civilizações da agricultura - 70% dos habitantes do império Maia eram agricultores - não foi isenta de problemas. À chegada dos espanhóis, os Maias enfrentavam problemas ambientais, associados à desflorestação e ao aumento de salinidade do solo - que se torna acídico e, por isso, infértil.

Estudos arqueológicos sugerem que o colapso de pelo menos cinco cidades Maia (incluindo, Chichén Itzá) deve ser atribuído ao decréscimo da produtividade agrícola.

Depois da industrialização da agricultura no Séc. XX assistimos hoje ao desenvolvimento de uma nova tecnologia agrícola: os organismos transgénicos.

Uma maçaroca de milho, cuja forma nos é tão familiar, não existiria sem a intervenção do homem: poucos conhecem a planta que deu origem ao milho.

A Teonsite é a planta que foi progressivamente seleccionada, primeiro por civilizações americanas pré-colombianas e, depois, por muitas outras civilizações à volta do mundo, até à variedade de formas, sabores e texturas que conhecemos nos milhos de hoje.

As variedades tradicionais de milho no México de hoje foram e continuam a ser seleccionadas (ou seja, geneticamente melhoradas) para fazer tortillas.

O regresso de Cristóvão Colombo à Europa marca a introdução do milho no resto do mundo. Os hábitos alimentares modificaram-se: os habitantes de cada região onde a planta foi introduzida desenvolveram as suas próprias variedades da planta, seleccionadas à medida de culturas e tradições culinárias diferentes.

Há pelo menos 50 variedades de milho que só são cultivadas em Portugal e que se destinam, especificamente, à confecção de broas de milho. No Punjab (Índia), o inverno traz o Makki Ki Roti, ou pão de milho. Cada região tem o seu roti fabricado com diferentes variedades de farinha. Os Guarani (Brasil) têm o milho na base da sua alimentação, incluindo bebidas alcoólicas.

Nem a evolução da planta às mãos do homem acaba com a sua introdução em diferentes regiões do globo, nem a importância que ela tem como inovação tecnológica no construir e reorganizar de sociedades humanas terminou com os Descobrimentos.

A grande revolução agrícola do século XX, conhecida como revolução verde, marca a industrialização da agricultura (a sua mecanização, a utilização de químicos, as grandes extensões de monocultura). Associada a esta revolução está o milho híbrido: uma variedade de milho altamente produtiva, mas estéril – a colheita deixa de ser a fonte de sementes para a época de plantio seguinte.

Com a revolução verde, a produção agrícola passa, potencialmente, a fazer parte do produto interno bruto dos países.

A lógica de produção altera-se: as sementes são compradas, em vez de serem armazenadas; as grandes extensões de uma cultura só são favorecidas em favor das culturas mistas, porque isto permite reduzir os custos de produção.

Surgem dois “tipos” de agricultores: com grandes extensões de terra, a produzir em regimes de monocultura para vender; com pequenas extensões de terra, a produzir em regimes de cultura mista, maioritariamente para consumo próprio.

Actualmente, nos EUA, apenas 2% da população se dedica à agricultura, produzindo o suficiente para alimentar o país e ainda exportar o excedente.

Ao mesmo tempo que, para outras civilizações contemporâneas, como as comunidades indígenas brasileiras (Guarani, Araweté, Paiter ou Karajá), o milho continua a ser a fonte alimentar essencial: a colheita e plantio são actividades comunitárias, à volta das quais se organiza o calendário anual.

No contexto de um mundo cada vez mais globalizado, a revolução verde resultou num desenvolvimento assimétrico entre países, regiões e quintas: sobreviveram principalmente propriedades com equipamento e áreas de cultivo suficientemente grandes para produzir a preços competitivos no mercado global.

A par das alterações sócio-económicas introduzidas com a revolução verde, surgiram novos problemas ambientais - erosão e perca de fertilidade dos solos, devido à sua sobre-utilização; contaminação de cursos de água por pesticidas, herbicidas e fertilizantes; e o aparecimento de resistência nos organismos alvo dos químicos utilizados.
A estes factores, os críticos acrescentam que o espectacular aumento de produtividade agrícola não serviu para resolver o problema da fome no mundo – o número de pessoas mal nutridas a nível mundial estima-se em 800 milhões.

É neste quadro histórico, político e económico que debatemos agora duas propostas de produção agrícola: uma nova revolução, associada ao desenvolvimento da tecnologia transgénica – de que o milho BT é um exemplo; ou “um regresso” à produção tradicional, essencialmente independente da indústria, de que se salientam as práticas agro-ecológicas - produção em menor escala, em regime de culturas mistas, com sementes de variedades tradicionais (férteis), recorrendo a estratégias de controlo biológico e/ou integrado de pragas – o milho biológico.

Ambas as propostas defendem que a sua adopção reduziria não só a utilização de químicos e, portanto, o problema de impacto ambiental, como permitiria resolver o problema da fome, de forma sustentável.

No mercado global de hoje, o debate é acirrado porque decisões relativas a uma ou outra opção têm repercussões sociais, económicas e ambientais sentidas a nível local.

Será a tecnologia de transgénicos verdadeiramente perigosa para a saúde e para o equilíbrio ecológico? Ou será esta apenas outra fase na evolução tecnológica, que permitirá reduzir o impacto ambiental, sem perda, ou mesmo aumentando, a produtividade agrícola talvez até, erradicando a fome? Que alterações societárias e civilizacionais poderá comportar mais uma transformação das tecnologias e relações de produção?

A escolha do que comer não é afinal apenas importante para o bem da nossa saúde, é também fundamental no rumo que as nossas sociedades tomarão num futuro bem próximo, à semelhança do que aconteceu nos últimos seis mil anos da história do milho.

JOSÉ BARAHONA
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 11 out 2007 10:05

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Evolução histórica da agricultura


A agricultura, como actividade económica que é, está invariavelmente ligada à Sociedade, reflectindo a sua estrutura e evolução. É necessário ter sempre em mente que os sistemas de agricultura são, em grande medida, uma herança do passado e que parte da compreensão da sua estrutura e funcionamento nos advém do conhecimento da sua história.

Apresenta-se, em traços muitos gerais, a evolução da agricultura. Para o capítulo referente à agricultura portuguesa baseamo-nos principalmente no livro do Prof. Eugénio Castro Caldas, A agricultura portuguesa através dos tempos, complementado com apontamentos retirados das outras obras referidas na bibliografia, para a qual remetemos os leitores interessados.

Evolução da agricultura na Europa

A agricultura teve o seu início há cerca de 10-12 mil anos na região situada entre os rios Nilo, Tigre e Eufrates, conhecida por Crescente Fértil. O cultivo intencional de cereais está associado à sedentarização das populações e à passagem de uma economia recolectora para uma economia produtiva, geradora de excedentes e baseada na exploração da terra.

A arte do cultivo das plantas e da domesticação dos animais foi-se transmitindo na Europa de oriente para ocidente e deve ter chegado à Península Ibérica há cerca de 4 mil anos.

Com excepção de algumas técnicas propostas pelos agrónomos romanos (Columela, Plinio, Varrão), a agricultura europeia manteve-se praticamente inalterada até ao séc. XVIII. A rotação bienal cereal - pousio herdada do Neolítico, uma alimentação baseada em hidratos de carbono e uma produção animal marginal no sistema, baseada nos ovinos e caprinos que apascentavam os restolhos e os revestimentos espontâneos das terras em pousio, eram os traços mais marcantes da agricultura europeia.

Num processo que se iniciou na Holanda em meados do séc. XVII e que decorreu em Inglaterra no séc. XVIII introduziram-se alterações profundas nas técnicas da produção agrícola. A abolição do pousio, possibilitada por lavouras mais profundas e frequentes e a prática de novas rotações (rotação de Norfolk) conduziram à chamada Revolução Agrícola que, conjuntamente com outros factores, permitiu a Revolução Industrial.

A rotação de Norfolk era constituída por uma cultura sachada (nabo) que abria a rotação, seguida de um cereal, uma leguminosa (trevo violeta) e novamente um cereal. A constituição de prados artificiais (trevo) e a cultura de raízes forrageiras (nabo) permitiu melhorar a alimentação animal o que conduziu à intensificação pecuária e ao melhoramento das raças. A estabulação do gado bovino permitiu dispor de estrume cuja incorporação nos solos levou a aumentos de produtividade.

A terra passou a ser encarada como meio de produção rentável, nascendo uma agricultura do tipo empresarial.

O aumento da produtividade da terra gerou maior disponibilidade de rendimento que foi encaminhado para a procura de têxteis, inicialmente de lã e logo depois de algodão. Esse aumento de produtividade era conseguído, em parte, devido a mobilizações do solo mais profundas e frequentes que exigiam aperfeiçoamentos nos aparelhos aratórios. As peças de madeira foram sendo substituídas por ferro e a utilização do cavalo como animal de tracção incrementou a procura de metal para as ferraduras estimulando, desta forma, a siderurgia e o consumo do carvão.

Se é certo que a Revolução Agrícola, conjuntamente com a explosão demográfica, a evolução dos conhecimentos técnicos e dos transportes ferroviários e marítimos influenciou a Revolução Industrial, não é menos verdade que a indústria estimulou a modernização da agricultura. As contribuições ao nível da maquinaria agrícola, das aplicações da química (adubos e pesticidas) e a melhoria dos transportes que conferiram à agricultura o estímulo do mercado, fizeram-se sentir desde cedo e, mais recentemente, as aplicações da informática foram decisivas na criação da agricultura moderna.

Evolução da agricultura em Portugal


Numa breve resenha da história da agricultura no território português iremos considerar seis períodos:

Período ante-nacionalidade

Depois da cultura megalítica, cerca do séc. XII a.C. instalaram-se no litoral do território os Fenícios que fomentaram o comércio e transmitiram conhecimentos acerca do cultivo de plantas tipicamente mediterrânicas como a vinha, a oliveira e a alfarrobeira. Aperfeiçoaram os moinhos de cereais, e introduziram os lagares de vinho e de extracção do azeite. A partir da séc. IX a. C. os Gregos estabeleceram colónias e introduziram a cultura da figueira, amendoeira, amoreira e do loureiro. Foram os Gregos que introduziram o conceito de propriedade privada e da escravatura nas populações nativas.

Posteriormente, sucessivas vagas de povos Celtas chegaram ao território trazendo a técnica do fabrico de armas e de ferramentas em ferro. Acentuou-se o desbaste da floresta e desenvolveu-se o pastoreio. Data da presença celta o primeiro esboço de regionalização do território. Ao norte instalou-se a cultura galaica, com povoamento localizado nos montes, em castros e citânias, com uma organização familiar do tipo clã. Ao sul do Tejo, a cultura transtagana resulta da forte integração dos celtas nas etnias locais. No séc. V a. C. os Cartagineses invadiram a Península e estabeleceram-se no sul, difundindo a palmeira, a tamareira, a romanzeira, o alho, a cebola e o aipo. A primeira instalação de regadios no Algarve deve-se a este povo. A influência dos cartagineses nunca se fez sentir no norte do território, onde continuava a perdurar o comunitarismo agro-pastoril dos celtas.

Os Romanos chegaram à Península Ibérica no final do séc III a. C e travaram contínuas batalhas com os Lusitanos e Calaicos, num processo que durou mais de 100 anos até ao assassinato de Viriato em 139 a. C. O norte do território permaneceu instável até à implementação da "Pax Romana" em 24 a. C, abrindo caminho a uma forte influência civilizadora que deixou traços marcantes na agricultura nacional. Os romanos efectuaram uma profunda reforma estrutural, consolidando a propriedade privada e a ideologia do lucro. As villae implantadas no espaço rural usufriam de plenos direitos sobre a terra, embora se tivesse mantido no norte o comunitarismo celta sob as formas de livre pastoreio e de baldios. Já no Alentejo, onde a ocupação romana foi mais demorada, ainda hoje se pode ver nos "montes" a expressão actual das villae rusticae. A constituição de cidades foi mais intensa no sul do território do que no norte, de ocupação mais tardia e costumes mais enraizados, onde escasseiam as grandes urbes romanas. Aí, o estabelecimento das villae obrigou ao derrube das florestas, que povoavam os vales inóspitos e à secagem de pântanos, criando-se condições para a expansão das áreas cultivadas. A cerealicultura, a produção de hortícolas e a cultura da vinha foram desenvolvidas para abastecer as cidades e com o objectivo de exportar para Roma. Foram introduzidas a ameixeira, o pessegueiro, a cerejeira, o damasqueiro, a gingeira, a nogueira e o castanheiro. Os soutos instalados forneciam a castanha que teve um importante papel na alimentação de muitas populações até à divulgação da cultura da batata. Foram os romanos que introduziram o arado dental ou de garganta, que no Sul substituiu o arado radial, mais primitivo. A rede de estradas e a organização territorial implementadas pelos romanos, favoreceram o comércio de produtos agrícolas.

...Continua
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 11 out 2007 10:07

Viva!

...Continuação...

No início do séc. V, com o Império Romano em decadência, chegaram à Península os Suevos, Alanos, Vândalos e, mais tarde os Visigodos. Das lutas destes povos bárbaros contra o Império e entre si próprios, resultou que os Alanos foram submetidos e os Vândalos, derrotados, estabeleceram-se no Norte de África, ficando o território hoje português sob influência Sueva e Visigótica. Suevos, com capital em Braga e os Visigodos, sediados em Toledo, travaram contínuas batalhas durante século e meio, até que, em 585 se dá a unificação política na sequência da vitória dos Visigodos. A instabilidade gerada pelas guerras e saques durante este período deve ter-se reflectido negativamente no trabalho dos campos. O reino visigótico perdurou cerca de um século durante o qual o motor da vida económica se deslocou da cidade (Romanos) para o campo, pelo que este período ficou conhecido por "ruralização visigótica". Devemos aos Suevos a introdução do arado quadrangular no Norte do país.

No princípio do séc VIII os Árabes invadiram a Península e deixaram uma influência duradoura e marcante no sul do território, especialmente na zona de Lisboa e no Algarve. A norte do rio Douro a presença árabe foi efémera. São de introdução árabe o arroz, o sorgo, a laranja azeda, a cultura intensiva de hortícolas e a eles se deve um grande desenvolvimento do regadio.

Período das monarquias absolutistas

Com a independência do território em 1143, a preocupação dos primeiros reis esteve orientada para a conquista e o povoamento. Só em 1250, no reinado de D. Afonso III, se completou a conquista do Algarve e é natural que a instabilidade provocada pelas guerras contra os mouros não tivesse favorecido o desenvolvimento da agricultura. Já o reinado de D. Dinis, que sucedeu a D Afonso III, parece ter sido mais propício ao desenvolvimento das actividades agrárias, valendo a este rei o cognome de O Lavrador.

As pestes, epidemias de ocorrência regular durante toda a Idade Média, as guerras e a fome provocada pelas más colheitas devidas à irregularidade dos anos agrícolas, diminuíam a esperança média de vida e dificultavam o progresso económico. Entre as inúmeras ocorrências de peste, a de 1348 ficou na História como a Peste Negra e teve profundas repercussões na sociedade portuguesa (como por toda a Europa) de então. Admite-se que terá perecido cerca de dois terços da população nacional, provocando um colapso demográfico que levou a uma alteração na forma de exploração da terra. Sem os escravos outrora aprisionados nas lutas contra os mouros e com os servos da gleba dizimados pela Peste Negra, a terra passou a ser cultivada por camponeses livres a quem os Senhores feudais cediam a terra, normalmente pelo prazo de "uma vida".

Com o país devastado pela Peste Negra, a que se somaram os efeitos negativos de uma guerra com Castela no reinado de D. Fernando, a agricultura estava votada ao abandono. Numa tentativa de restabelecer a função produtiva, aliás de poucos efeitos práticos, D. Fernando proclama a Lei das Sesmarias em 1375. Esta lei obrigava ao cultivo das terras, ordenando os proprietários a cederem as parcelas a quem as trabalhasse se eles próprios o não pudessem fazer. Obrigava ainda à mobilização de todos os recursos produtivos como o gado e determinava que os vagabundos fossem trabalhar a soldo nas terras.

Os Descobrimentos, iniciados com a conquista de Ceuta em 1415, revelaram novas plantas cultivadas, deixaram o país despovoado e dependente das riquezas ultramarinas. Interessa chamar a atenção para as alterações provocadas nos sistemas de agricultura do noroeste português a introdução do milho (Zea mays). Originário da América Central e trazido para a Península pelos espanhóis no final do século XV, terá sido cultivado pela primeira vez no nosso país por volta de 1500, nos campos de Coimbra. Rapidamente se difundiu pelo Minho e Beira, destronando os milhos miúdos, então cultivados. As elevadas produtividades deste cereal levou os camponeses a procurarem água a todo o custo, construindo as "minas", represas e poços, a estrumarem abundantemente os campos, a construírem valas de drenagem, a vedarem as parcelas à entrada do gado. Assim se alterou por completo o sistema de agricultura da região, eliminando-se a cerealicultura tradicional de sequeiro em todas as parcelas onde o regadio permitisse a cultura do milho. As alterações causadas na geografia e na sociedade rural foram tais que levaram Orlando Ribeiro a falar na Revolução do Milho, afirmando que "depois da conquista romana nenhuma alteração mais profunda se introduziu na monótona vida dos nossos campos: nem os árabes, com plantas novas e culturas de regadio, fizeram nada de comparável".

Em 1703, Portugal e a Inglaterra celebram o Tratado de Methuen que permite aos ingleses venderem os seus lanifícios em Portugal e a exportação de vinhos nacionais para Inglaterra. Este tratado terá marcado definitivamente (a par das condições naturais) a vocação vitivinícola do nosso país, e comprometeu o desenvolvimento da indústria nacional.

Período das monarquias liberais

No período iniciado com a Revolução Liberal de 1820 destacamos as leis de Mouzinho da Silveira, que acabaram com o pagamento dos dízimos eclesiásticos, nacionalizaram os bens da Coroa. No entanto, a venda em hasta pública dos bens nacionalizados (muitos pertencentes às Ordens Religiosas, então extintas) impediu que a reforma agrária de Mouzinho fosse bem sucedida. Na realidade os bens da Coroa e da Igreja acabaram por ser vendidos a um reduzido número de capitalistas.

Na segunda metade do século XIX a viticultura nacional (privilegiada pelo tratado de Methuen) sofreu com a introdução do míldio e da filoxera. A filoxera, que surgiu pela primeira vez no Douro em 1863, arruinou por completo as vinhas da primeira Região Demarcada do mundo.

Nesta altura surgem diversas iniciativas tendentes a estimular e regulamentar o crédito agrícola, indispensável numa agricultura empresarial.

O período da Primeira República

A Primeira República vai da Revolução de 1910 até ao Movimento Militar de 1926, que suspendeu a Constituição e implementou um regime ditatorial. É um período em que o discurso político se centra no combate aos incultos, pousios e baldios, o que parece ser uma constante na história da agricultura nacional. As poucas medidas tomadas estão ligadas ao nome de Ezequiel de Campos.

O Estado Novo

Destacam-se neste período as obras de hidráulica agrícola destinadas a fornecer água de rega e dinamizar a agricultura de diversas regiões do país, a colonização interna e a florestação dos baldios ao abrigo do Plano de Povoamento Florestal de 1938. Este programa de florestação forçou as populações das zonas de montanha a alterar subitamente o seu sistema de pastoreio, proibindo as queimadas, e obrigando-os a aceitar o sistema de exploração florestal sem qualquer interferência na gestão. Além dos graves problemas sociais causados este programa de florestação, baseado no pinheiro bravo, constituiu uma floresta destinada a arder.

A Campanha do Trigo, iniciada em 1929, com os objectivos de garantir o auto-abastecimento e de "dignificar a indústria agrícola como a mais nobre e a mais importante de todas as indústrias e como primeiro factor de prosperidade económica da Nação". Esta campanha consistiu em demonstrações técnicas do uso de adubos, assistência aos agricultores, escolha das sementes e organização de parques de material agrícola. Foi criado um subsídio de arroteia destinado a por em cultivo com trigo terrenos incultos e vinhas, bem como a garantia de aquisição da produção a preço tabelado. Embora se tenha conseguído aumentos da produção e até excedentes no ano favorável de 1932, a Campanha de Trigo é responsável pela acentuada erosão de muitos solos de encosta do nosso país. Refira-se que os acréscimos de produção foram conseguídos principalmente à custa do aumento da área cultivada e não do rendimento.

A Segunda República

Com o 25 de Abril de 1974 os baldios são restituídos às populações e desenvolve-se o associativismo, já iniciado nos finais do século XIX e desenvolvido nas vertentes teórica e cooperativa por António Sérgio.

A integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia, por via da Política Agrícola Comum, provocou um afluxo de dinheiro à nossa agricultura destinado a subsidiar os preços de alguns produtos e a promover alterações estruturais no aparelho produtivo. Está ainda por avaliar rigorosamente o efeito das medidas da PAC na agricultura nacional.

Bibliografia

Caldas, Eugénio Castro. (1991). A agricultura portuguesa através dos tempos. Instituto Nacional de Investigação Científica, Lisboa.653 p.

Ribeiro, Orlando. (1987). Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa.

Torres, J. V. (1988). Introdução à história económica e social da Europa. Livraria Almedina. Coimbra. pp 163-169.


Domingos P. Ferreira de Almeida
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 17 out 2007 16:21

Viva!

TRATADO DAS ALCÁÇOVAS - 04.09.1479

Na sequência das lutas peninsulares (em particular desde 1475), com as pretensões de D. Afonso V ao trono de Castela (após a morte de Henrique IV de Castela, em 1474), viriam a ser firmados a 4 de Setembro de 1479, na localidade portuguesa de Alcáçovas (no Alentejo), o Tratado das Terçarias de Moura, relativo à sucessão dinástica (prevendo o casamento do príncipe D. Afonso, primogénito de D. João II, com a infanta castelhana D. Isabel, filha dos Reis Católicos – o qual se esperava viesse a unificar as duas coroas peninsulares), e o Tratado das Alcáçovas, estabelecendo a paz e definindo as áreas de influência de cada reino, procurando também limitar a rivalidade associada à conquista de novos territórios, em particular com as tentativas portuguesas de ocupar as Canárias.
O Tratado de Alcáçovas – o primeiro na história mundial a definir uma partilha do mundo entre duas potências –, cujo principal mentor foi o futuro Rei D. João II , viria a ser ratificado em 6 de Março de 1480, na localidade espanhola de Toledo.
Os monarcas castelhanos (“Reis Católicos”) reconheciam a Portugal a soberania sobre as ilhas da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde, assim como a pertença portuguesa da Guiné e das ilhas descobertas e a descobrir para além das Canárias, assim como a conquista do reino de Fez, renunciando a navegar a sul do Cabo Bojador (a 27º graus de Latitude Norte).
Em contrapartida, D. Afonso V (e sua sobrinha e prometida esposa, Joana, a “Beltraneja”) declarava renunciar às pretensões portuguesas sobre as ilhas Canárias, deixando também aos castelhanos a reconquista de Granada, ao mesmo tempo que reconhecia Isabel (irmã de Henrique IV, e que casara entretanto com o príncipe Fernando de Aragão) como rainha de Castela.

Baseado no trabalho de Leonel Vicente
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 17 out 2007 16:49

Viva!

Sentença do Prior de Trancoso

Sentença Proferida em 1487 no Processo Contra o Prior de Trancoso
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguído e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".

[agora vem o melhor:]

"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".

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Porra! o homem "atirava" :shock: em tudo o que "mexia"! :shock:
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 22 out 2007 23:01

Viva!

Cristãos Novos e Cristãos Velhos em Portugal

Ainda que nos Reinados dos Reis D. Dinis, D. Afonso IV, D. João I e D. Afonso V houvesse em Portugal Judeus não se lê nas histórias dele o nome de Cristão velho nem de Cristão novo; como naqueles tempos se consentiam Judeus públicos com liberdade da sua Religião, aquele que se convertia à Fé de Cristo ficava reputado por Cristão verdadeiro e legítimo súbdito do Estado: perdia o nome de sua Nação, adquirindo o de Português, como hoje se pratica em França e Itália...

Aqui
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Soldado Lima Romeo

Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor Soldado Lima Romeo » 22 out 2007 23:56

O Declínio dos Etruscos...

1000 anos a.C (521 a 509)






Ano 521 a.C. - Dário I, o Grande, é rei a partir deste ano inclusive

Dário I, filho de Histapes , este ano, elimina com seis outros conjurados, o astrólogo Gautama , usurpador do trono, e herda o imenso Império Persa, que Ciro e Cambises haviam construído. Os conjurados haviam decidido que a coroa se destinaria àquele cujo cavalo fosse o primeiro relinchar ao pôr do sol. Dário consegue-o, graças a um ardil do seu escudeiro, Zopyros . Começa por criar um elo administrativo entre todos os seus povos, diferentes entre si tanto pelos dialectos como pelos costumes.

Dário I Darayavaush ) auxiliado pelos seus nobres leais, livra-se de Gaumata e também de outros possíveis usurpadores e sobe ao trono a 29 de Setembro .




Ano 520 a.C. - Com o pleno apoio do filho de Ciro , Dário, verificou-se neste ano, sob um líder oficial Zorobabel , cuja autoridade como um descendente de David foi reforçada por sua designação como governador persa de Judá. Foi essa a entrada na cena de Jerusalém da nova ortodoxia judaica, girando em torno de um templo único e centralizado e de seu culto. A obra do Templo começa imediatamente. Foi construído em um estilo mais humilde que o de Salomão.

O esforço dos Judeus regressados, limitou-se muito tempo à construção do Templo de Jerusalém, que começou a sua construção em Outubro deste ano.

Polícrates governador de uma das cidades gregas, tirano aliado dos Pisístratos , morre este ano. vitima das suas ambições, e Samos cai nas mãos dos persas.




Ano 517 a.C. - No Egipto, onde está por concluir o canal que foi iniciado por Necho , Dário ordena a sua conclusão e o magnífico curso de água, com uma largura de 45m e 60km de comprimento (desde os lagos Amargos até Bubástis , foi inaugurado este ano com grande cerimonia na presença do próprio Dário .

O grande canal favorece o Egipto e os portos fenícios mas exclui os da Jônia . Dário propõe a estes um grande território interriorano no lado oposto, nas regiões em torno do mar negro, Cítia e a Europa.





Ano 516 a.C.- Em seu 4º ano de reinado, Dário I dirige-se ao Egipto onde assume o título de faraó e cogita todos os meios de recuperar os danos de Cambise . em parte tem êxito nesta iniciativa, para a qual se apoia principalmente no clero da Saís.




Ano 515 a.C. - Reconstrução do Templo de Jerusalém.Terminanda a sua construção a 12 de Maio, a coroa Persa consegue dele somas consideráveis de dinheiro mas também participa nos gastos do culto.




Ano 514 a.C. - A morte de Hiparco este ano numa querela, leva o irmão Hípias a endurecer a sua actuação e a tentar desarmar o povo. Para pagar a mercenários que o defendessem de qualquer revolta, Hípias necessita de dinheiro e introduz por isso um número considerável de impostos, como o lançado sobre o nascimento e a morte, que atinge praticamente todas as famílias.

Harmódio e Aristogíton assassinam Hiparco, um dos filhos de Pisístrato .





Ano 511 a.C. - É a pitagórica Crotona que, este ano, destrói a sua antiga aliada Síbaris : os habitantes são mortos, a cidade arrasada e o nome de Síbaris só vai sobreviver na lenda.



Ano 510 a.C. - Os Romanos derrubam o rei tirano, Tarquínio , o Soberbo, e fundam a sua famosa República. Tarquínio pede ajuda a Lars Porsena de Clúsio . Plínio, na sua História Natural, relata como Porsena dirigiu orações aos deuses que lançaram raios para destruírem Bolsena, a cidade mais rica da Toscânia; exactamente como o Senhor destruiu Sodoma e Gomorra.

Na Grécia o Governo inconstitucional imposto pela violência, a tirania de Pisístrato, que foi um homem hábil, deu à cidade uma época de paz, de prosperidade e de estabelidade - uma nova “idade de ouro”. Mas a queda da tirania dá-se este ano.

O inconformismo tanto do Demos como dos nobres, dá origem a 3 ou a 4 anos de lutas, de repressões e de intrigas atá que este ano uma conjura derruba a tirania e expulsa Hípias. Os Alcmeónidas, regressados do exílio tomam parte activa neste acontecimento.

Queda da tirania em Atenas, com a expulsão dos Pisístratos . Afastada a tirania, os aristocratas preparam-se para retomar, o jogo das facções no momento em que o haviam deixado no ano de 546. Sem demora formam-se dois grupos aristicráticos liderados por Clístenes e por Iságoras. O primeiro, um Alcmeónida filho de Mégacles e da filha do tirano de Sícion também chamado Clístenes. Iságoras, filho de Tisandro, pertence a uma antiga família eupátrida que permaneceu na Ática e colaborou com os Pisístratos, tem por si a vantagem da confiança e amizade do rei espartano Cleómenes que colaborou no afastamento da tirania e cujo exército ainda está acampado por perto.

Queda da tirania em Atenas.

Sob a pressão das armas espartanas, Hípias tem de fugir e, este ano, a tirania termina em Atenas. Esta operação político-militar foi organizada por uma das grandes famílias sacerdotais da Ática, os Alcme.





Ano 509 a.C. - Os Aristocratas tomam o Poder em Roma. Os patrícios constituem uma pequena minoria da população da cidade de Roma, há 136 famílias patrícias e só conseguem controlar o Estado devido ao apoio que recebem dos clientes. Os patrícios constituem eles próprios uma pequena minoria da população total da cidade.

Muitas das instituições cívicas estabelecidas sob o governo dos últimos reis devem ter caído em desuso quando os aristocratas tomam o Poder este ano em Roma.

Tarquínio, o Soberbo, último rei de Roma, é deposto por uma revolução que expulsa os etruscos, aboliu a Monarquia e implanta a República. Com a passagem da Monarquia para a República, ocorre a transferência do poder dos etruscos para os patrícios, que se transformam na classe dominante de Roma. Nesta época, a cidade já estendeu o seu domínio sobre a região do Lácio e a maioria da sua população é formada por agricultores, pastores e artesãos. No início da República Roma possui uma população de cerca de 100 mil habitantes.

O período monárquico de Roma, iniciou-se com a fundação de Roma e termina este ano, quando uma revolta da aristocracia depõe o último rei romano, Tarquínio, o Soberbo, de origem etrusca. E é proclamada a República.

O grande templo de Júpiter, Juno e Minerva foi construido pelos Tarquínios, e consagrado pelos primeiros cônsules, este ano. O edifício tem cerca de 64m de comprimento, 55m de largura e altura estimada em 40m, é um dos maiores templos arcaicos do mundo mediterrânico.

O rei romano Tarquínio II ou Tarquínio-o-Soberbo, filho ou neto de Tarquínio I; foi um rei brutal e despótico e é derrubado este ano por um grupo de aristocratas que establecem um governo republicano. Além disso é genro do seu antecessor, Sérvio, que foi assassinado por um golpe arquitectado por este.

Um grupo de aristocratas expulsa Tarquínio e põe fim à monarquia. Em seu lugar, estabelecem a curiosa instituição de uma magistratura colegial, em que dois homens partilham o Poder Supremo. Os cônsules, inicialmente onhecidos simplesmente por “pretores”. São eleitos pelos comitia centuriata e desempenham funções durante um ano. Os cônsules (pretores) têm imperium (sendo, no entanto, obrigados a submeter-se à formalidade do voto dos comitia centuriata) e herdaram dos reis todos os sinais exteriores da realeza, embora os fundadores da República, para não dar a impressão de terem substituido um rei por dois, determinassem que, os cônsules devem ser detentores dos fasces por turnos. Mas os poderes dos cônsules é limitado de outras formas mais importantes. Segundo a Tradição, logo no primeiro ano da República é aprovada uma lei que dá aos cidadãos o direito de apelar (provocatio) para o povo contra uma decisão de um magistrado.

Tarquínio, o Soberbo (rei etrusco de Roma) é deposto pelo Senado, a Assembleia dos Patrícios, sem dúvida por se ter mostrado favorável aos plebeus. A monarquia é então abolida e estabelece-se um novo regime, a República, que se manterá em Roma durante meio milénio.

L. Júnio Bruto, é cônsul este ano e um dos pais fundadores da República.

Data do Primeiro Tratado entre Cartago e Roma, é selada definitivamente a sorte da monarquia tartéssica, mas a sua civilização não morre, prossegue nas pequenas monarquias tíndetanas.

Este ano o povo entrega o governo a um dos membros dos Alcmeónidas, Clístenes. Será ele que, num conjunto de reformas, fará de Atenas uma democracia.

Este ano os reis são expulsos, nesta altura na pessoa de Tarquínio, o Soberbo, último representante da dinastia etrusca. Nesta altura o poderio Etrusco na Itália central e meridional entra em decínio. As populações itálicas, não menos que as colónias gregas, infligem ás coligações etruscas sucessivas derrotas. Roma é assim, “reconquistada”, ficando sob o domínio dos chefes de família, dos cidadãos mais ricos das tribos rústicas, e não do povo miúdo da cidade.

Os romanos, encontram-se no mesmo campo dos gregos, contribuindo para esmagar a coligação formada por Etruscos e Cartagineses, contra as cidades gregas do Ocidente.

http://anoaano.blogs.sapo.pt/tag/livros

Soldado Lima Romeo

Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor Soldado Lima Romeo » 24 out 2007 18:49

A Vida e Morte de Ghenghis Khan - Temudjin / Temushin


A sua juventude, e o motivo do seu forte carácter...

Temudjin nasceu na década de 1160, provavelmente em 1162, na Mongólia. Supõe-se que seja descendente de um líder mongol conhecido como Kabul Khan, do clã Bojigin, que por breves anos obteve controle sobre uma Mongólia unificada.

Entretanto, na época do nascimento de Temudjin, os mongóis estavam divididos em diversas tribos e clãs, cada uma governada por um Khan, ou "Senhor", que impunha-se mais pela força do que pela descendência nobre.

Com Temudjin não seria diferente.

Seu pai, Yesugei, foi envenenado por membros da tribo dos tártaros quando o jovem tinha 9 anos de idade.

O resto da família foi abandonada pelo seu próprio clã e forçada a sobreviver nas estepes sem gado ou cavalos.

Aparentemente, a família de Temudjin teria recuperado sua fortuna através de doações de clãs solidários.

A sua subida ao poder...


Temudjin provavelmente tinha sido treinado como arqueiro montado ainda muito jovem, como era comum entre as crianças mongóis.

Ao assegurar uma posição de liderança entre clãs amistosos, empreendeu uma campanha contra a tribo Merkit, que teria raptado sua noiva Boerte.

Temudjin teria atacado os guerreiros Merkit um a um e derrotado todo o clã. Tomou Boerte de volta, e ao seu lado viveria até o fim.

Neste momento, Temudjin já era famoso e respeitado, e, como de praxe entre os nómadas mongóis, foi nomeado líder de diversas tribos distintas por seu valor como guerreiro.

Com um exército respeitável à disposição, Temudjin consolidou seu domínio sobre tribos rivais conquistando-as e eliminando seus inimigos, muitas vezes com crueldade.

Em 1206, uma assembléia entre os chefes de todas as tribos das estepes proclamou Temudjin, com 45 anos, como Ghenghis Khan, o Khan dos Khans.

Ghenghis estabeleceu um sistema de governo e leis para impor ordem aos nómadas, até então independentes e belicosos entre si.

Na prática, a lealdade à figura de Ghenghis Khan era o ponto de equilíbrio de toda a nação. Criou-se uma hierarquia administrativa e militar, e um exército foi treinado e organizado.

As suas tácticas bélicas...


Ghenghis criou tácticas de guerra revolucionárias para as batalhas nas estepes. Seu exército era disciplinado, temido e impiedoso.

A arma tradicional dos mongóis era o arco e flecha, que tinha um alcance de 500 metros, com isso tornou obrigatório o treinamento dessa arma.

Os cavaleiros eram treinados para atirar a flecha com o cavalo em movimento. Um detalhe era que, para maior precisão, a flecha era disparada no momento em que o cavalo estivesse com todas as patas no ar.

As suas Conquistas.


Em 1207, os mongóis foram forçados a expandir seu território de pastagem devido a algum problema climático nas estepes, e conquistaram o reino tangute de Hsi Hsia.

Em seguida, atravessaram a Grande Muralha contornando-a e chegaram à China, cujo reino estava dividido entre as dinastias Jin, ao norte, e Song ao sul.

As vastas plantações de arroz e a riqueza da cidade atraíram mais a atenção de Ghenghis do que a possibilidade de se tornar senhor da China.

Na conquista do reino Jin, Ghenghis Khan recrutou um jovem chinês chamado Yeh-lu Ch'u-ts'-ai como seu conselheiro pessoal.

A sua influência tornou Genghis mais tolerante e menos agressivo em batalha, estimulando-o a evitar esforços exagerados na guerra e conservar as terras cultivadas ao invés de transformá-las em pastagens.

Ghenghis marchou até Pequim, ao mais avançado centro urbano daquela época, e quando viu que a cidade era cercada de muralhas de doze metros de altura, descobriu que suas tácticas de guerra em campo aberto, nas estepes, não o ajudariam naquele momento.

Desse modo não teve pressa e acampou seu exército, cercando a cidade e impediu que os suprimentos entrassem em Pequim.

Esses suprimentos foram usados pelo seu exército.

Com a ajuda de engenheiros chineses dissidentes, construiu catapultas e outros artefactos bélicos e finalmente invadiu e dominou Pequim.

Ghenghis, após o ataque inicial aos Jin, retirou-se para a Mongólia, enquanto seus generais se encarregavam de estabelecer seu domínio na China Jin.

Em 1218, um acidente diplomático provocou a ira de Ghenghis sobre o reino turco de Kharizm, no norte da Pérsia, um mensageiro trouxe-lhe a cabeça de um de seus generais enviado em missão diplomática à Pérsia.

O Khan cavalgou à frente de mais de 200 mil homens e cerca de 10 mil máquinas de assalto adquiridas dos chineses.

Houve poucas batalhas campais, e os mongóis empreenderam guerras de cerco às cidades fortificadas da Pérsia, que capitularam uma a uma.

Algumas, como Bucara e Samarcanda se tornariam, no futuro, espelhos longínquos da presença mongol no sudoeste da Ásia.

A velha cidade de Nichapur foi arrasada, e nem mesmo os animais ali sobreviveram ao ataque mongol. O exército de Ghenghis matou mais de um milhão de persas.

As perdas humanas em Khwarizm contavam-se aos milhares.

Ghenghis e seus generais impunham punições brutais aos inimigos.

A proximidade da Pérsia com a Europa gerou a fama de selvajaria dos mongóis, que assombraria o continente pelas décadas seguintes.

Em 1227, enquanto os generais de Ghenghis conquistavam territórios no sul da Rússia e na Ucrânia, o Grande Khan foi forçado a retornar para as estepes para conter uma revolta de Hsi Hsia, que havia recusado a convocação para a campanha contra Khwarizm.

Após vencer os tangutes, Gengis Khan morreu acometido por uma febre alta.

O seu legado


Antes de sua morte, Ghenghis estabeleceu seu filho, Ogedei, como seu sucessor.

Ogedei encarregou-se de expandir o território mongol ao máximo, da Síria à Indochina, da Pérsia à Sibéria, da Hungria à China.

Posteriormente, o grande império seria dividido em 4 partes, entre filhos e netos de Ghenghis, porém nenhum destes novos reinos, ou canatos, teria uma existência longa.

No início do Século XIV, Timur, o Coxo, alegando ser descendente de Ghenghis Khan, se tornaria o Khan de um breve império mongol que abarcaria toda a Mesopotâmia, a Pérsia, o Afeganistão, o Paquistão e o norte da Índia.

Ainda nesse século, os tártaros ressurgiriam, inspirados pelas conquistas de Ghenghis, para tomar o território do dissolvido Canato da Horda Dourada, na Rússia.

Vários outros levantes mongóis de menor importância tomariam lugar nos séculos seguintes, mas o meio de vida nómada e a incapacidade de estabelecer uma indústria armamentista logo tornaria os hábeis cavaleiros montados obsoletos frente às novas artilharias dos países vizinhos.

Na Mongólia atual, Ghengis Khan é considerado o herói máximo e o pai daquela nação, cujo culto à imagem jamais se deixou apagar, mesmo durante o regime comunista.

O aeroporto da capital do país foi renomeado para Aeroporto Internacional Ghenghis Khan, em homenagem ao imperador.

Contam as lendas que todos os envolvidos no enterro de hGengis Khan foram mortos para manter em segredo o local onde ele foi enterrado. E, realmente, esse local nunca foi encontrado.


Resumo por minha parte :


Ghenghis Khan foi considerado por muitos antigos e actuais estrategas bélicos, como o melhor estratega de todos os tempos da Humanidade.

Dominou meio mundo habitado... Era um megalómano que destruiu, dizimou, de forma catastrófica todos aqueles que se impuseram no seu caminho.

Morreu sem conseguir ver o seu sonho ser concretizado... O Domínio do Mundo

Espero que tenham gostado...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gengis-Khan

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 27 out 2007 00:17

Viva!

A INVASÃO MUÇULMANA DA PENÍNSULA IBÉRICA EM 711


É importante dizer que, na época da entrada dos Muçulmanos na Península Ibérica, o tempo necessário para um grupo de pessoas se deslocar era imenso. Por exemplo: entre Lisboa e Sintra (cerca de 30 Km) demorava-se dois dias de viagem, entre Almada e Alcácer do Sal eram necessários três dias e entre Almada e Faro (cerca de 320 Km) eram necessários nove dias de viagem. Sempre que era necessário pedir reforços para socorrer um castelo em risco, o tempo necessário era como que uma eternidade.

As conquistas que se faziam eram, muitas vezes, obtidas na altura em que havia problemas internos de sucessão, de novos invasores, revoltas, etc. o que mostra que, mesmo sem vias de comunicação suficientes, os observadores e os mensageiros existiam no campo inimigo.

As condições do tempo também tornavam as conquistas difíceis. Basta lembrar que as zonas alagadas eram intransponíveis e o calor do verão era uma ameaça à saúde das tropas devido à falta de água. Quase sempre as vias romanas era o melhor meio de ligação entre as localidades.

Quando o rei visigodo Vitiza morreu em 710, os notáveis do reino queriam que o seu sucessor fosse o seu filho Áquila e a nobreza queria que fosse Rodrigo o seu rei. Os dois grupos defrontaram-se e Rodrigo venceu.

Os partidários de Áquila derrotados pediram ajuda militar aos chefes muçulmanos do norte de África e prometeram em troca o tesouro do reino. Em 27 de Abril de 711 desembarcaram em Gibraltar 12.000 berberes comandados por Tarik.

Rodrigo defrontou o invasor com o seu exército nas margens do rio Guadalete de 19 a 26 de Julho de 711 e foi derrotado pelo exército muçulmano ajudados pelos partidários de Áquila. Estes pretendiam apenas tomar o poder na península e esperavam que os seus aliados muçulmanos regressassem ao norte de África.

Rodrigo, ferido na batalha, refugiou-se nas montanhas a norte do Tejo e os muçulmanos em vez de regressarem, avançaram para norte graças às facilidades do partidários de Áquila, conquistando Córdova e Toledo que eram duas das cidades melhor defendidas por muralhas e homens.

Musa, que era a autoridade islâmica em Tanger, ao receber de presente os tesouros obtidos nos saques que os berberes fizeram na península, decidiu então atravessar o estreito de Gibraltar com um poderoso exército e atacou Sevilha e Mérida (próximo de Badajoz). O seu filho Abdalaziz conquista definitivamente Sevilha, assim como Beja, Mértola, Ossónoba (Faro), e Niebla (Huelva) controlando assim todo o sul da península.

Musa e Tarik continuam a marchar para norte tendo conquistado a poderosa cidade de Saragoça assim como Lérida, Tarragona e toda a região a sul dos Pirinéus.

Estávamos no ano de 714. Já estavam na península cerca de 35.000 homens do exército muçulmano e as conquistas prosseguiam em todas as frentes com a queda, nas mãos dos invasores, de Santarém, Coimbra e Viseu. Logo que Viseu foi conquistada, renderam-se Portucale (Porto), Braga, Tui e Lugo. Quanto a Lisboa o trabalho foi facilitado pois as portas da cidade foram abertas ao exército invasor comandado por Abdalaziz.

Em 715 Abdalaziz é o governador da península tendo-se instalado em Córdova onde casou com a viuva de Rodrigo. Porém foi assassinado nesse mesmo ano. Sucedeu-lhe Al-Hurr que tentou invadir o sul de França mas foi aí derrotado e teve de voltar para a península a que chamaram Al-Andalus.

Cinco anos depois (em 716) da queda do último rei visigodo toda a península estava em poder dos muçulmanos. Venceram todas as batalhas e cercos principalmente porque os exércitos visigodos não tinham um comandante que lhes fizesse frente pois estavam desunidos, fracos e mal armados

Era permitido aos cristãos que habitavam Al-Andaluz manter os seus costumes, praticar a sua religião e conservar os seus templos. Esses cristãos passaram a chamar-se moçárabes e não se converteram ao islamismo. Aqueles cristãos que se converteram ao islamismo (chamados malados) tinham uma melhor situação económica e social e pagavam menos impostos.

O domínio muçulmano da península não foi pacífico. A primeira revolta contra a ocupação aconteceu por volta de 722 quando um grupo de refugiados cristãos, escondidos nas montanhas das Astúrias (norte da península), venceu a batalha de Covadonga comandados por Pelágio.

Eram várias as etnias muçulmanas a ocupar a península o que provocava desentendimentos entre elas. A revolta dos cristãos contra a ocupação tomou assim mais força agora comandados pelo sucessor de Pelágio, Afonso I que foi o seu genro. Foram por ele reconquistadas as cidades de Porto, Astorga, Leão e Salamanca entre 741 e 756, alargando as fronteiras da reconquista até ao rio Douro. Braga e Chaves ficaram também sob o seu domínio. Para os muçulmanos o norte da península era desprezada como um país inóspito e miserável.

Al-Andalus reorganiza-se pondo fim a pequenas revoltas internas contra os governantes. Uma das mais importantes foi efectuada por um malado poderoso em 868 quando dirigiu duas revoltas da cidade de Mérida contra o emir de Córdoba mas foi derrotado. Dirigiu ainda uma terceira revolta em 876 contra este emir mas, para isso, pediu a ajuda do exército do rei das Astúrias Afonso III tendo vencido desta vez.

No norte da península, nos territórios ocupados pelos cristãos, em 909 é atribuído pela primeira vez a Garcia o título de rei de Leão. Mais tarde surgem também os reinos de Castela (1033) e Aragão (1035).

OS CALIFAS - Al-Andalus é dividido em 23 reinos governados por califas. A eficácia do exército califal de Córdova foi melhorada, sob o comando de Al-Mansur, que dirigiu várias campanhas contra o território dos cristãos. Em 981 chega ao reino de Leão mas não consegue tomar a cidade. Volta lá novamente em 988 tendo passado por Coimbra em 987, que deixou praticamente arrasada, e Lamego. Em 997 saqueou a cidade de Santiago de Compostela. Porém numa outra campanha no reino de Castela perdeu a vida tendo, com isso, dado início ao fim dos califas.

AS TAIFAS - O período das califas durou, com muitas guerras internas pelo domínio do poder, até cerca do ano 1030 quando Al-Andalus passou a ser completamente dominado pelas taifas, reinos independentes ou partidários, o que já acontecia em muitas outras cidades. As mais importantes foram as de Córdova, Toledo e Saragoça. A taifa de Badajoz já englobava, em 1022, Mérida, Évora, Lisboa, Santarém e Coimbra. Os seus dirigentes eram elementos da nobreza muçulmana.

Havia boas relações entre as taifas tanto económicas como sociais, porém curtos períodos de guerra também ocorriam. A primeira a revoltar-se foi Huelva em 1012 ficando independente de Sevilha durante 50 anos. As taifas de Silves, Mértola e Faro também ficaram autónomas. Faro foi a primeira destas três tendo dirigido a cidade a família Harum de onde provém hoje o seu nome: Faro.

As lutas entre as duas maiores taifas do ocidente peninsular, Sevilha e Badajoz, tornou-as enfraquecidas o que foi aproveitado pelos cristãos para continuarem a reconquista. Assim D. Fernando I, rei de Castela e Leão conquistou facilmente ao muçulmanos as cidades de Lamego (1057), Viseu (1058) e Coimbra (1064).

A taifa de Sevilha englobou entre 1023 e 1091 todas as taifas vizinhas desde Toledo e Córdoba até ao Atlântico: Mértola em 1044, Faro e Huelva em 1052, Silves em 1063. Como se tornou bastante grande passou a ser mais difícil a sua defesa. Por isso a reconquista cristã avançava para sul.

Após a reconquista de Toledo em 1085 por D. Afonso VI de Castela, as taifas de Badajoz e Sevilha pediram ajuda aos Almorávidas que tinham acabado de chegar ao norte de África dominando a território de Marrocos.

OS ALMORÁVIDAS - Estes foram recebidos em Sevilha como salvadores pois eram a última esperança para os muçulmanos da península perante o avanço dos cristãos. Em Outubro de 1086 vencem os cristãos próximo de Badajoz mas não conseguem conquistar Toledo após um cerco.

Os Almorávidas começam então a tomar conta das taifas. Ficam em seu poder as de Córdova e Sevilha em 1091. A taifa de Badajoz para evitar a conquista pelos Almorávidas pediu o auxílio de Afonso VI de Leão e ao conde Raimundo oferecendo-lhes Lisboa, Santarém e Sintra em 1093. Porém os Almorávidas conquistaram logo Lisboa (1095) mas Santarém esteve em poder dos cristãos entre 1093 e 1111. O governador da taifa de Badajoz foi assassinado pelos invasores.

Mas a chegada dos Almorávidas, fanáticos religiosos, depressa mostraram a diferença que os separava de outros grupos muçulmanos que tinham ocupado a península: eram menos tolerantes, tinham um grande ódio aos inimigos, eram mais selvagens no campo de batalha, intransigentes para com as diferenças religiosas dos cristãos. Assim muitas igrejas foram demolidas ou encerradas, os moçárabes foram perseguidos, perderam os privilégios que tinham e muitos foram deportados para o norte de África. Foi uma época pintada de negro.

Devido a esta situação começa então a fuga de moçárabes para os reinos cristãos do norte onde eram bem aceites. Os que ficaram passaram a auxiliar os cristãos na reconquista das terras tentando expulsar os ocupantes cruéis.

Eduardo Santos Oliveira
«À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.»
M. de Montaigne

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Soldado Lima Romeo

Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor Soldado Lima Romeo » 27 out 2007 10:59

Ora no seguimento...

D.Henrique Conde de Borgonha, o Bom, fundador da monarquia portuguesa, por ter sido pai de D. Afonso Henriques, 1.º rei de Portugal.

Nascido em Dijon em 1057, data que se considera mais provável, e falecido em Astorga em 1114.

Era o 4.º filho do duque Henrique de Borgonha e de sua mulher, Sibila, neto de Roberto I, duque de Borgonha-Baixa, e bisneto de Roberto, rei de França.

Quando em 1086 as notícias da guerra contra os muçulmanos chamaram a alistar-se debaixo das bandeiras de D. Afonso VI, rei de Leão e de Castela, os príncipes dalém dos Pirinéus, o príncipe Henrique veio para Espanha na companhia de seu primo Raimundo de Borgonha, filho do conde Guilherme de Borgonha, irmão de sua mãe.

Os dois príncipes granjearam grande reputação pelo seu valor nas guerras em que entraram, e em prémio dos serviços prestados, D. Afonso VI casou sua filha D. Urraca com Raimundo, e D. Teresa ou Tareja, filha bastarda, com D. Henrique.

Em 1093 D. Afonso atravessou o rio Mondego, tomou Santarém, Lisboa e Sintra, dilatando assim o domínio cristão até ao rio Tejo.

Como o ocidente da península hispânica formava um domínio já bastante extenso para que os seus chefes pudessem lembrar-se em se tornarem independentes, pensou em delegar o seu poder para esses lados num homem de confiança.

Fez pois de Raimundo conde soberano de Galiza, e de Henrique governador do condado de Portucale, sob a suserania de Raimundo.

O território entre o Minho e o Tejo compreendia então três territórios o condado de Portucale, que ia do Minho ao Douro; o de Coimbra, do Douro ao Mondego; e o novamente conquistado aos sarracenos, do Mondego ao Tejo, de que D. Afonso fizera governador Soeiro Mendes, com a sede do governo em Santarém.

Este território foi retomado pelos moiros logo em 1095. e parece que este desastre contribuiu para que D. Afonso VI libertasse o conde D. Henrique da suserania de seu primo Raimundo, porque em 1097 já governava independentemente o seu condado, e em 1101 encontrava-se na corte do rei de Leão e de Castela.

Estavam, portanto, sossegadas as fronteiras de Portugal, e os muçulmanos, concentrando todos os seus esforços no oriente da península e nas fronteiras de Castela, contentavam-se no ocidente só com a posse de Lisboa e de Sintra, que por esse lado limitavam o seu império já tão disseminado.

Vendo a Espanha quase tranquila, procurou o conde D. Henrique outro campo em que pudesse empregar a sua irrequieta actividade.

Seduziu-o, como a tantos outros príncipes, o movimento das cruzadas. Entre os anos de 1102 e 1104 continuas expedições demandavam a Terra Santa, e D. Henrique, nos primeiros meses de 1103 partiu para o Oriente, donde voltou em 1105, sem que a historia faça menção dos feitos que praticou, o que se explica por ele ter partido mais como simples voluntário, do que como chefe dalgum poderoso contingente.

Desde essa época envolveu-se nas intrigas que tinham por fim ampliar o território que dominava. e conseguir tornar-se independente.

Continuando a guerrear os moiros, conquistou-lhe mais terras, vencendo o régulo Hecha e o poderoso rei de Marrocos Hali Aben Joseph.

Excelente guerreiro, sábio e prudente administrador, aumentou consideravelmente as terras do seu condado, merecendo o cognome de Bom, que a historia lhe deu.

D. Afonso VI não tinha filho varão legítimo, por conseguinte Raimundo, marido de D. Urraca, esperava receber a herança, mas o monarca mostrava-se tão afeiçoado a seu filho natural D. Sancho que se receava que lhe deixasse a coroa em testamento.

Prevendo este caso, e dispondo-se a anular o testamento pela força, pediu a aliança de seu primo, e fez com ele um pacto em 1107, pelo qual o conde D. Henrique se comprometia a auxiliá-lo nas suas pretensões à, coroa, recebendo em troca ou o distrito de Galiza ou o de Toledo, e a terça parte do tesouro.

Raimundo, porém. morreu em Outubro desse mesmo ano, D. Sancho pouco tempo depois, e D. Afonso em 1109, ficando D. Urraca legitima herdeira. Diz-se que D. Henrique, vendo o sogro já moribundo, procurou persuadi-lo a que lhe legasse o ceptro, porque não convinha que passasse para as mãos de D. Urraca, apesar da legitimidade da herança, ou para as de D. Afonso, filho do conde Raimundo, criança de três anos.

Nada conseguiu, mas os barões castelhanos obrigaram D. Urraca a um segundo casamento, com D. Afonso, rei de Aragão e Navarra, casamento que o papa anulou alegando serem os noivos parentes em grau proibitivo.

D. Afonso não se importou com a deliberação do papa, porém D. Urraca, que casara contra vontade, tomou o partido contrário ao do marido, que pretendia despojá-la dos seus estados.

Estabeleceu-se a guerra civil, e D. Henrique tomou a defesa da cunhada.

Indo depois a Astorga, ali adoeceu e morreu.

O seu corpo foi trasladado para Braga, e sepultado numa capela da sé.

Em 1512 o arcebispo. D. Diogo de Sousa o transportou para a capela-mor da mesma igreja, onde se tem conservado.

Por morte de seu marido, ficou D. Teresa governando o condado de Portucale na menoridade de seu filho D. Afonso Henriques, que apenas contava três anos de idade.


Transcrito por Manuel Amaral

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor NP » 28 out 2007 15:06

Entre os tópicos:

Humor
Sítios e o VAMOS FALAR DE HISTÓRIA, foi por este que optei.

http://www.megavideo.com/?v=QHOYAVC0

Tanta culturinha geral meu Deus e queixamo-nos de quê afinal? Só temos o que merecemos ... E ainda depois dizemos que os americas são bu... porque não sabem onde fica Portugal .. eu acho que até são com honrosas excepções mas é por outras razões ....
Parafraseando um velho companheiro de muitas noites de patrulha, que quando via o posto médico cheio de pessoal à espera de consulta porque estava "doente", costumava dizer: Haja saúde para aguentar tanta doença!

Lecavo - 27 Jul 2007, 21:27

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 28 out 2007 19:50

Viva!

Caro colega NP, fico agradecido por me ter proporcionado estes dois minutos de sã gargalhada.

Nota: Salazar não caiu da cadeira, «na manhã de 3 de Agosto de 1968, no terraço de Santo António do Estoril, junto à álea conhecida por Arca de Noé. Era a zona por si preferida do imponente forte, construído por Filipe I, perdida a independência, para a defesa da barra do Tejo. Nunca entrou porem em funções, acabando séculos depois por ser entregue ao instituto de Odivelas que o transformou em colónia de férias. O primeiro-ministro utilizava-o no Verão, nos meses em que estava vazio...».

Por ser distraído, ao sentar-se, não acertou com o rabo na tal cadeira e numa queda desamparada, estatelou-se no chão, batendo violentamente com a cabeça na laje de pedra.

A cadeira não está a leilão, a cadeira já não existe, porque a D. Maria atirou-a ao mar, por isso nunca apareceu. «A cadeira em causa (desdobrável, de lona e madeira) não teve, assim qualquer protagonismo na história - que mudou a História. Era mesmo uma cadeira velha que Salazar utilizava quando permanecia no terraço, ao pôr so Sol, a ver os barcos desaparecerem no horizonte. De binóculos assestados, gostava de observar o movimento da barra e os corpos dos banhistas em recantos sem pudores nas praias ao fundo. Dois dias depois, D. Maria pegou nela e, furiosa, partiu-a, atirando-a ao mar. Por isso nunca foi encontrada...»

«Pelo que observei na altura, não me pareceu lógica a história da cadeira - pormenorizará o Prof. Vasconcelos Marques, um dos médicos do estadista - não era, na verdade, por se estatelar dela abaixo, aí uns 40 cms, que iria sofrer um hematoma. Ora a pancada foi muito forte».
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Soldado Lima Romeo

Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor Soldado Lima Romeo » 28 out 2007 23:42

D. AFONSO I... - D. AFONSO HENRIQUES...

Afonso I, mais conhecido pelo seu nome de príncipe, Dom Afonso Henriques, (25 de Julho de 1109 — 6 de Dezembro de 1185) foi o primeiro rei de Portugal, conquistando a independência portuguesa em relação ao Reino de Leão.

Em virtude das suas múltiplas conquistas, que ao longo de mais de quarenta anos mais que duplicaram o território que o seu pai lhe havia legado, foi cognominado O Conquistador; também é conhecido como O Fundador e O Grande.

Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).

O SEU NASCIMENTO.

Afonso Henriques era filho de Henrique de Borgonha, Conde de Portugal e da infanta Teresa de Leão. Terá nascido em Agosto de 1109 em Viseu[1] [2].

Tradicionalmente, acredita-se que terá nascido e, possivelmente, sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128.

Em 1120, Afonso tomou uma posição política oposta à da mãe (que apoiava o partido dos Travas), sob a direcção do arcebispo de Braga.

Este, forçado a emigrar, levou consigo o infante que em 1122 se armou cavaleiro em Tui.

Restabelecida a paz, voltaram ao condado.

Entretanto, novos incidentes provocaram a invasão do Condado Portucalense por Afonso VII de Castela que, em 1127, cercou Guimarães, onde se encontrava Afonso Henriques.

Sendo-lhe prometida a lealdade deste pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade.

Mas alguns meses depois, em 1128, as tropas de Teresa de Leão e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede, tendo as tropas do infante saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado.

Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder, concentrou os seus esforços em negociações junto da Santa Sé com um duplo objectivo: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e obter o reconhecimento do Reino.

Em 1139, depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro, D. Afonso Henriques autoproclamou-se rei de Portugal, com o apoio das suas tropas.

Segundo a tradição, a independência foi confirmada mais tarde, nas míticas cortes de Lamego, quando recebeu a coroa de Portugal do arcebispo de Braga, D. João Peculiar, se bem que estudos recentes questionem a reunião destas cortes.

O SEU REINADO

[editar] Reconhecimento do reino
O reconhecimento de Castela chegou em 1143, com o tratado de Zamora, e deve-se ao desejo de Afonso VII de Leão e Castela em tomar o título de imperador de toda a Hispânia e, como tal, necessitar de reis como vassalos).

Desde então, Afonso I procurou consolidar a independência por si declarada. Fez importantes doações à Igreja e fundou diversos conventos.

Procurou também conquistar terreno a sul, povoado então por mouros: Leiria em 1135, Santarém em 1146, Lisboa, Almada e Palmela em 1147, Alcácer em 1160 e depois quase todo o Alentejo, que posteriormente seria recuperado pelos mouros.

Em 1179 o papa Alexandre III reconheceu Portugal como país independente e vassalo da Igreja, através da bula Manifestis Probatum.

AS SUAS CONQUISTAS

Cerco de Badajoz
De 1166 a 1168, D. Afonso Henriques apoderara-se de várias praças pertencentes à coroa leonesa.

Fernando II de Leão estava a repovoar Ciudad Rodrigo e o português, suspeitando que o seu genro estava a fortificar a cidade para o atacar, enviou um exército comandado pelo seu filho, o infante D. Sancho, contra aquela praça.

O rei leonês foi em auxílio da cidade ameaçada e derrotou as tropas portuguesas, fazendo um grande número de prisioneiros.

Em resposta, D. Afonso Henriques entrou pela Galiza, tomou Tui e vários outros castelos, e em 1169 atacou primeiro Cáceres.

Depois voltou-se contra Badajoz na posse dos sarracenos, mas que pertenceria a Leão, conforme o acordado no tratado de Sahagún assinado entre aquele reino e Castela.

Não obstante, sem respeitar estas convenções nem os laços de parentesco que o uniam a Fernando, o rei português cercou Badajoz para a conquistar para Portugal.

Quando os muçulmanos já estavam cercados na alcáçova, Fernando de Leão apresentou-se com as suas hostes e atacou D. Afonso nas ruas da cidade.

Percebendo a impossibilidade de manter a luta, Afonso terá tentado fugir a cavalo, mas ao passar pelas portas ter-se-á ferido na coxa contra um dos ferros que a guarneciam.

Fernando tratou o seu sogro prisioneiro com nobreza e generosidade, chamando os seus melhores médicos para o tratar.

Esta campanha teve como resultado um tratado de paz entre ambos os reinos, assinado em Pontevedra, em virtude do qual Afonso foi libertado, com a única condição de devolver a Fernando as cidades de Cáceres, Badajoz, Trujillo, Santa Cruz e Montánchez, que havia conquistado a Leão.

Estabeleciam-se assim as fronteiras de Portugal com Leão e a Galiza. E mais tarde, quando os muçulmanos sitiaram Santarém, o leonês auxiliou imediatamente o rei português.

A SUA MORTE E LEGADO.

Após o incidente de Badajoz, a carreira militar de D. Afonso Henriques praticamente terminou.

A partir daí, dedicou-se à administração dos territórios com a co-regência do seu filho D. Sancho.

Procurou fixar a população, promoveu o municipalismo e concedeu forais.

Contou com a ajuda da ordem religiosa dos cistercienses para o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária.

O legado do seu reinado foi, entre outros:

A fundação da nacionalidade, reconhecida pelo papado e pelos outros reinos da Europa;

A pacificação interna do reino e alargamento do território através de conquistas aos mouros empurrando as fronteiras do Condado Portucalense para sul.

A fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em 1131

O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do filho D. Sancho I.

O reinado de Afonso Henriques ficou marcado pela tolerância para com os judeus.

Estes estavam organizados num sistema próprio, representados politicamente pelo grão-rabino nomeado pelo rei.

O grão-rabino Yahia Ben Yahia foi mesmo escolhido para ministro das Finanças de Afonso Henriques, responsável pela coleta de impostos no reino.

Com esta escolha teve início uma tradição de escolher judeus para a área financeira e de manter um bom entendimento com as comunidades judaicas, que foi seguida por seus sucessores.

in http://pt.wikipedia.org/wiki/D._Afonso_Henriques

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 out 2007 22:20

Viva!

A INVASÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA EM 711 - II


AS RECONQUISTAS DE D. AFONSO HENRIQUES

No norte da península Afonso Henriques venceu as tropas de sua mãe, D. Teresa e dos condes de Trava, na batalha de S. Mamede perto de Guimarães em 24 de Junho de 1128. A partir daqui a sua valentia estava demonstrada e foi-lhe cedido o governo do Condado Portucalense.

Em 1134 iniciou a ofensiva contra os Muçulmanos tendo-se instalado em Coimbra. No ano seguinte manda construir um castelo em Leiria a fim de manter Coimbra bem defendida das investidas dos Almorávidas que ocupavam Santarém.

Em 25 de Julho de 1139 Afonso Henriques venceu os Muçulmanos na famosa batalha de Ourique. Não se sabe o local exacto desta batalha havendo historiadores que afirmam que era perto de Leiria, outros que era no Baixo Alentejo.

Consta que Jesus Cristo apareceu na véspera da batalha perante este para o glorificar na luta contra os inimigos da fé: os Muçulmanos. A partir dessa altura Afonso Henriques passa a ser considerado Rei. Em carta datada de 13 de Dezembro de 1143 presta vassalagem como cavaleiro de São Paulo à Santa Sé o que o distancia de Afonso VII e significa a independência do reino de Portugal.


A ÚLTIMA INVASÃO

Em Maio de 1146 desembarcaram em Algeciras no sul da península os Almoadas outro grupo de muçulmanos religiosos idênticos aos Almorávidas que os vieram substituir nas terras que ocuparam. Em 1151 já se tinham apoderado de quase todos os reinos Muçulmanos criados anteriormente na península.

Aproveitando as perturbações e os problemas internos em Al-Andalus com uma nova chegada de invasores, Afonso Henriques conquistou aos Muçulmanos a cidade de Santarém, com facilidade, em 15 de Março de 1147. Dali partiu em direcção a Lisboa que cercou durante 17 semanas e, com a ajuda de Cruzados, armadas militares de nórdicos, entrou na cidade em 24 de Outubro.

Como era necessário defender Lisboa contra as investidas dos muçulmanos de Évora e Badajoz, foram conquistados pouco tempo depois os castelos de Sintra, Almada e Palmela. Ainda chegou a Alcácer do Sal mas como o castelo estava bem defendido foi ferido numa perna e teve de regressar.

Os primeiros problemas contra os novos invasores muçulmanos de Al-Andalus começam em Silves em 1150 quando os governantes locais expulsam os Almoadas e pedem o auxílio do rei português D. Afonso Henriques que apenas faz com eles uma aliança.

Nessa altura o rei de Castela e Leão, Afonso VII, ajudou nos ataques a Córdova e conquistou o porto de Almeria no Mediterrâneo aos Muçulmanos o que foi um feito notável, embora o tenha perdido em 1157. Quando morreu, em 1157 Afonso VII entregou o reino de Leão ao seu filho Fernando II e o de Castela ao seu filho Sancho III.

A RECONQUISTA DE ÉVORA E BADAJOZ

Évora e Badajoz eram duas cidades muito importantes para os Almoadas pois aí se cultivava trigo, se produzia azeite e havia boas pastagens para o gado. Porém um bravo cavaleiro cristão chamado Geraldo, "o Sem Pavor" comandando um grupo de cavaleiros e aventureiros, conquistou Beja em 1162, Évora, Moura e Serpa em 1166 entre outros castelos, que entregaram a D. Afonso Henriques e atacam Badajoz em 1169. Os Almoadas pediram o apoio de Fernando II rei de Leão para impedir que os portugueses conquistassem esta cidade.

O ataque dos portugueses a Badajoz era um perigo para os Almoadas pois era a fronteira norte de Al-Andalus assim como eram também Toledo ao centro e Saragoça a leste. Isso também era para o reino de Leão que impediria a reconquista do seu reino para sul. Assim Fernando II fez uma aliança com os Almoadas e juntos impediram o avanço dos guerreiros portugueses.

A RECONQUISTA MUÇULMANA

Em 1174 os muçulmanos avançaram para norte tendo conquistado Cáceres no reino de Leão. Assim Badajoz estava melhor defendida das investidas cristãs. Por isso Afonso Henriques reforçou as defesas de Évora e, para fazer frente à agressividade muçulmana, enviou em 1178 uma força militar para sul comandada por seu filho D. Sancho I, que chegou e destruiu os arredores de Sevilha.

Badajoz só caiu em poder dos cristãos de Castela em 1229.

A CONQUISTA DE SILVES E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS

De passagem pela costa portuguesa os cruzados, em 1189, ajudaram D. Sancho I numa viagem ao Algarve a cercar Silves depois de destruírem o castelo de Alvor. Entraram na cidade em 3 de Setembro.

Porém os seus defensores tiveram de a abandonar em Julho de 1191 devida a uma forte ofensiva Muçulmana que chegou às portas de Lisboa e Santarém e atacou Évora pondo em perigo os territórios cristãos a sul do Tejo. Era uma represália à provocação que tinha sido a conquista de Silves.

Outra expedição de tropas muçulmanas partiu de Córdova em 1190, atacou Torres Novas onde obrigou o alcaide a render-se, cercou Tomar durante 6 dias e Leiria e chegou perto de Coimbra. Foi um perigo enorme para as cidades do sul do território devido às pilhagens que eles faziam e à incerteza do que poderia vir a acontecer ao reino de Portugal.

Mas a fome e as doenças provocados pelo calor e pela falta de abastecimentos, fez com que as tropas muçulmanas regressassem a Sevilha deixando uma única cidade a sul do Tejo nas mãos dos portugueses: Évora.

A RECONQUISTA CRISTÃ PARA SUL ATÉ AO ALGARVE


O castelo de Alcácer do Sal era muito importante para os Almoadas pois servia para controlar as ofensivas Muçulmanas em direcção a Lisboa assim como impedia o avanço cristão em direcção ao sul.

Para Lisboa era um perigo ter os inimigos ali tão perto. Assim foi decidido no reinado de D. Afonso II reconquistar Alcácer e abrir caminho para o Algarve.

No fim de Julho de 1217 iniciou-se o cerco ao castelo pelas forças portuguesas e alguns cruzados. Os muçulmanos resistiram como valentes, pediram reforços que chegaram de Badajoz, Sevilha e Córdoba mas em 18 de Outubro tiveram que se render. Para atacar o Algarve só restavam os castelos de Beja e Mértola.

O rei de Leão Afonso IX em 1224 recomeçou a luta contra os Almoadas e atacou e conquistou a fortaleza de Cáceres em 1227 e Mérida pouco depois. Badajoz perdeu assim o apoio e em 3 de Junho de 1229 caiu em poder do reino de Leão. Após a morte de Afonso IX as coroas de Castela e Leão foram unidas e isso deu-lhes mais força na luta contra os invasores da península.

D. Sancho II em Portugal também deu forças às suas tropas pois era a altura de expulsar os muçulmanos e apoderou-se de Elvas em 1229. Entre outros caíram em poder dos portugueses os castelos de Moura, Serpa e Beja (1232), Aljustrel (1234), Mértola (1238), Ayamonte e Cacela (1239) Tavira e Paderne (1242). Uma boa parte destas vitórias são atribuídas aos militares da Ordem de Santiago chefiados pelo mestre D. Paio Peres Correia.

A rapidez destas conquistas deveu-se ao facto de as tropas do rei Fernando III de Castela e Leão também estarem a derrotar os muçulmanos tendo conquistado as cidades de Córdova (1236), Múrcia (1243) e Jaen (1245) entre outras. A partir de 1243 D. Paio Peres Correia também ajuda o rei de Castela, Fernando III, nas conquistas destas cidades assim como no cerco a Sevilha que tomam em 1248.

Não se sabe ao certo se D. Paio Peres Correia também conquistou Silves mas era pouco provável que tenha ido para Castela sem deixar esta cidade segura nas mãos dos cristãos.

Quando o novo rei português D. Afonso III entrou no Algarve, logo em 1249 no início do seu reinado, ainda se encontravam alguns lugares por conquistar. Como se renderam ao rei português, este deu a possibilidade aos povos que aí se encontravam de ficarem nas suas terras.

Assim, com a conquista total do Algarve aos muçulmanos, Portugal ficou aproximadamente com as fronteiras actuais.

A EXPULSÃO TOTAL DOS MUÇULMANOS DA PENÍNSULA

Após a conquista total do Algarve aos muçulmanos e da conquista de Sevilha pelo rei de Castela, estes refugiaram-se numa pequena região da Andaluzia com a capital em Granada. Aí formaram o Núcleo Muçulmano do Reino de Granada.

Fizeram alianças com o reino de Castela e construíram a Alhambra entre 1248 e 1354. É um conjunto de palácios de várias épocas defendido por torres e muralhas.

Só em 2 de Janeiro de 1492, mais de 250 anos depois da queda de Sevilha, é que se renderam aos reis católicos Fernando e Isabel e deixam a península para sempre.

Os Muçulmanos que preferiram ficar em Granada revoltaram-se, pela última vez, em 1568 naquela que ficou conhecida como a "Revolta dos mouriscos das Alpujarras" mas foram violentamente dominados.

CONCLUSÃO

Os vestígios deixados pelos Muçulmanos na península são imensos, desde o nome de muitas localidades como Algarve, Odeceixe, Alcácer, Faro, o nome de utensílios como alcatruz, alambique, de pessoas como alcaide, almirante, de rios como Odeleite, na arquitectura como as casas de adobe pintadas com cal, os azulejos, o arco em ferradura, etc.

Na agricultura ainda hoje se podem encontrar noras para regar as hortas que sendo de origem romana, os muçulmanos implantaram-nas para desenvolver o regadio, os pomares de laranjeiras, de limoeiros, o arroz, etc. O grão de bico, a fava, o feijão foram introduzidos na península pelos muçulmanos. A apicultura também foi bastante desenvolvida sendo muito famoso o mel produzido no Baixo Alentejo e Alcácer.

O fabrico de papel na península é digno de nota, tanto o papel grosso como o acetinado que era feito em Valência já no século X.

Graças à ocupação muçulmana de cerca de 500 anos, uma parte dos nossos usos e costumes actuais estão ainda ligados àquela época.

Eduardo Santos Oliveira
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 07 nov 2007 19:17

Viva!

O Império Português e a Concorrência Internacional I


OS IMPÉRIOS PORTUGUÊS E ESPANHOL


O Império Português em Crise


Os navios e os territórios que os portugueses dominaram eram sucessivamente atacados pelos muçulmanos, entre outros povos. Os naufrágios e os ataques dos corsários faziam com que houvesse enormes perdas de vida, navios e mercadorias. Os naufrágios eram provocados muitas vezes pelo excesso de carga.

Mas no séc. XVI a situação agravou-se:

· Concorrência comercial dos muçulmanos, franceses, holandeses e ingleses

· As rotas do levante ganharam força e levavam consigo toneladas de especiarias para a Europa. Fazendo concorrência à rota do Cabo

· Devido ao prejuízo da rota, os reis portugueses tiveram que se endividar perante os bancos estrangeiros

· O império português era muito vasto e disperso dificultando a sua defesa e controlo

O Apogeu do Império Espanhol

Na 2ª metade do séc. XVI Espanha tornou-se a maior potência europeia.

Ao mesmo tempo que o rei Filipe II subira ao trono, este controlou vários países, como Países Baixos, Milão, Nápoles, Sicília e Portugal, já em 1580.

Para além de ter um império colonial, Espanha detinha o monopólio dos mares e ainda enormes quantidades de ouro e de prata. Toda esta riqueza reflectiu-se nas artes, na corte e no poder militar. Este período, séc. XVI, foi designado por século de ouro, el siglo de oro, da Espanha.

Filipe II tentou impor a hegemonia[1] e supremacia do Catolicismo. Porém não conseguiu evitar a independência dos Países Baixos, nem dominar a Inglaterra.

A UNIÃO IBÉRICA


A Crise Política em Portugal


Como o comércio do Oriente estava em crise, Portugal começou a defender o império do Norte de África. Assim, em 1578, D. Sebastião à frente de um exército desembarcou em Marrocos, e foi na Batalha de Alcácer Quibir que Portugal teve uma grande derrota e na qual o rei português viria a desaparecer.

Com este desaparecimento veio instalar-se em Portugal uma grave crise política, pois D. Sebastião não tinha filhos nem o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que lhe sucedeu.

Aparecendo vários pretendentes ao trono português, que eram netos de D. Manuel I: Filipe II, rei de Espanha; D. Catarina, duquesa de Bragança e D. António, prior do Crato e filho ilegítimo de D. Luís.

A Luta pelo Poder


Os vários apoiantes de Filipe II foram: a nobreza, porque a união com Espanha garantia a segurança dos domínios orientais e recebiam recompensas em troca do serviço prestado; a burguesia pelo poder de comerciar com a América espanhola.

As classes populares apoiavam o prior do Crato.

Quando o Cardeal D. Henrique morreu, em 1580, Filipe II para impor os seus direitos ao trono enviou tropas para o Portugal, vencendo D. António na Batalha de Alcântara.

O Domínio Filipino


Em 1581, nas cortes de Tomar, Filipe II é aclamado rei de Portugal. Portugal e Espanha são considerados Estados independentes, unidos e sob a chefia do mesmo soberano. Nas cortes de Tomar Filipe I, de Portugal, jurou manter a autonomia de Portugal, respeitar os suas tradições: moeda, língua e costumes; manter e defender o império colonial português; prometeu que só os portugueses podiam navegar nos seus territórios e que nomeava apenas portugueses para os cargos governativos. Este período ficou designado por União Ibérica.

As primeiras décadas do domínio filipino Portugal beneficiou de uma admistração equilibrada, mas mais tarde veio a sofrer graves problemas devido à União Iberica.

O PODER POLÍTICO DA HOLANDA


Uma república de mercadores


No final do século XVI, os países do Norte do Europa nomeadamente as Províncias Unidas( a região dos países baixos), formaram uma república independente em 1581, entrando abertamente em luta contra a política Espanhola, que queria o controlo exclusivo dos mares e seu comércio.

Os habitantes das Províncias Unidas sendo a Holanda a províncias mais próspera, dedicavam-se na maioria ao comércio e à construção naval, desta forma tinha grandes navios que lhes proporcionaram ser os intermediários do comércio europeu.

Uma burguesia prospera e austera


Nas cidades holandesas, desenvolveu-se uma burguesia activa, desperta para os negócios. Esta burguesia na maioria era protestante e tinha hábitos simples e austeros. A sua tolerância política e religiosa atraiu à Holanda vários capitalistas estrangeiros, muitos judeus.

No início do século XVII, dispondo de vasto capital fundou-se, na Holanda, poderosas companhias de comércio.

A luta pela liberdade dos mares


Com as companhias de comércio holandesas o monopólio marítimo dos países ibéricos foi quebrado. Desta forma foi criado um novo conceito: mare liberum , que era defendido por um jurista holandês, que consista em que qualquer nação tinha direito a navegar livremente até ao continente Africano, Asiático e Americano.

Estas fundaram feitorias, fazendo com que os Portugueses desocupassem pontos estratégicos. Na Ásia fixaram-se no arquipélago indonésio, em Ceilão, em Malaca e no Japão, em África fixaram-se em S. Jorge da Mina e América ocupou o nordeste brasileiro. Desta forma controlou a rota do cabo e fornecedora dos seus produtos( sedas, chás e especiarias).

Assim os Holandeses, durante o século XVII, mantiveram a hegemonia nos mares.

...continua/
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 07 nov 2007 19:19

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O Império Português e a Concorrência Internacional II



O IMPÉRIO INGLÊS


As origens do Império Inglês


Os Ingleses também entraram na competição marítima e colonial. Assim ainda no reinado da rainha Isabel I os navios e os portos ibéricos passaram a ser atacados. A um destes ataques respondeu Filipe II com a Armada Invencível em 1588, em que foi derrotada.

Com o triunfo sob a Espanha, os ingleses fundaram companhias de comércio, como a companhia das Índias Orientais em que no século XVII passou a disputar com Portugal e com a Holanda as especiarias.

Além das Antilhas e do Golfo da Guiné, os Ingleses ocuparam a América do Norte. Foram emigrantes que fugiam às perseguições políticas e religiosas foram fixar-se o Novo mundo, onde formaram as treze colónias.

O duelo anglo-holandês


Entretanto, tornava-se importante enfrentar a hegemonia comercial holandesa. Por essa razão, em 1651 um governador Inglês( Cromwel) decretou o Acto de Navegação de 1651: em que nenhum navio estrangeiro podia transportar para a Inglaterra senão as mercadorias produzidas no seu país de origem. O Acto de Navegação obrigou os burgueses a investir na construção naval. A única maneira de os ingleses obterem os produtos coloniais(matérias primas para as suas indústrias) era transportá-los em navios ingleses. Assim os ingleses tiveram de desenvolver a marinha mercante que levou a Inglaterra a ser considerada a rainha dos mares nos seguintes séculos.

A hegemonia marítima e colonial inglesa


No século XVIII, ocuparam na Índia, Bombaim, Madrasta e Calcutá. Na América do Norte, as colónias prosperaram e depois de vencer a França na Guerra dos Sete Anos, em 1763 obtendo territórios como o Canadá.

Com o dinamismo da burguesia e a nobreza fizeram que Londres fosse o maior entreposto do comércio mundial.
O CAPITALISMO COMERCIAL

Expansão comercial e capitalismo


Com o alargamento da expansão colonial o volume de mercadorias orientais que circulavam na rota do Cabo aumentou. Mercadorias como: as especiarias, as sedas, as porcelanas, bem como, o chá e tecidos de algodão indianos (mas só a partir do século XVIII).

Os comerciantes europeus desenvolveram no Atlântico, um tráfego triangular no qual, os comerciantes europeus a troco de produtos de pequeno valor, iam buscar a África, a mão – de – obra escrava. Essa mão – de – obra escrava era reencaminhada para as Américas. Tratava-se, portanto de um tráfego negreiro. Da América eram adquiridos metais preciosos, açúcar, tabaco e algodão. Com tantas trocas, os comerciantes podiam adquirir lucros, Lucros que, por sua vez, eram investidos em novos negócios que dão ainda mais lucros. Com tantos lucros, é possível uma acumulação de capital. É criada então, pela burguesia mercantil do Norte da Europa um novo conceito de mentalidade capitalista. É formado um novo sistema de económico – o capitalismo: sistema económico baseado na acumulação de capitais, que podem ser investidas para produzir rendimentos.

Companhias de comércio, bancos e bolsas de valores


Tal como os holandeses e os ingleses, a maior parte dos países da Europa fundaram companhias de comércio. As companhias de comércio eram sociedades formadas com as capitais de muitos accionistas. Accionistas esses que, eram privilégios do Estado.

Foram por isso, desenvolvidos instituições financeiras: os baços e as bolsas de valores.

Os bancos recebiam depósitos de negociantes de todo o mundo, que confiavam o dinheiro ao banco para este liquidar ou ajustar os seus pagamentos.

As bolsas de valores eram mercados onde se negociavam acções das companhias e outros valores. Foi então possível, a circulação de capitais., dinamizando a participação do público nas actividades financeiras.

Acções são documentos que representam uma fracção do capital de uma sociedade.

A ECONOMIA ATLÂNTICA


A viragem atlântica


Embora Portugal continua-se a ser, no século XVI, uma importante potência colonial o comércio do Oriente, agravava-se pois os portugueses dedicaram-se à exploração dos territórios de S. Tomé e do Brasil, ou seja, territórios atlânticos que pertenciam aos portugueses.

O crescimento do Brasil


No Brasil, devido aos inúmeros colonos, estabeleciam-se extensas plantações de cana – de – açúcar e engenhos. Os engenhos eram instalações com aparelhos apropriados para moer a cana e fabricar o açúcar.

As tentativas dos colonos de tentar escravizar os Índios, deram origem à oposição dos Jesuítas. Estes por sua vez protegiam os Índios em aldeamentos (agrupamento de aldeias, dirigido pelos Jesuítas, onde estes podiam impor-lhes hábitos de trabalho).

O interior brasileiro atraiu muitos europeus. Por esse motivo, criaram-se as bandeiras – expedições de colonos que partiam para o interior armados e levando geralmente uma bandeira. Essas expedições tinham como objectivo encontrar os Índios e descobrir ouro e pedras preciosas.

Os bandeirantes, ao percorrerem quase todo o território brasileiro, contribuíram para a delimitação das fronteiras dos países.

.../continua
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 07 nov 2007 19:20

Viva!

.../continuação

O Império Português e a Concorrência Internacional III



A PROSPERIDADE DOS TRÁFEGOS ATLÂNTICOS


De África para Portugal e para o Brasil eram exportados muitos escravos. Em troca, África recebia aguardente, panos ou utensílios de metal. Para a metrópole, vindo do Brasil, chegavam o açúcar e o tabaco. O factor que ligou Portugal, o Brasil e o litoral africano foi o comércio triangular que se baseava, principalmente no tráfico negreiro e nos produtos tropicais brasileiros.

Por este motivo é que, a burguesia mercantil era muito desenvolvida, tanto em Lisboa como noutros portos portugueses.

Lisboa, em 1620, era uma das maiores cidades da Europa pois, nela encontravam-se 165 mil habitantes.

A RESTAURAÇÃO



As Repercussões da Crise Espanhol


A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648)[2] e os combates maritimos e coloniais ram alguns problemas que Espanha enfrentava e que Portugal também sentia.

Os inimigos da Espanha eram também inimigos de Portugal. Os ingleses e holandeses começavam a controlar os territórios do Oriente e fixaram-se no Nordeste do Brasil:

1624 à Salvador da Baía

1630 à Recife e Olinda, regiões onde é abundante o açúcar


Um Descontentamento Generalizado


Em 1637 começavam a surgir motins por todo o país. Todas as classes estavam descontentes: a burguesia estava a perder o controlo do tráfego do açúca; os impostos aumentaram fazendo com que o povo entrasse em revolta e os nobres viam assim o fim do império filipino e o desinteresse de Filipe IV pelos assuntos portugueses. As revoltas ainda iam ser mais quando é afirmado que Portugal ia passar a ser uma província espanhola e que muitos nobres tinham de ir combater para a Catalunha.

A Revolução de 1640


Com a ajuda dos inimigos de Espanha – França e Inglaterra – devido à cedência portuguesa de Bombaim e Tânger, os nobres reorganizaram o exército e a defesa e venceram os espanhóis nas batalhas de Linhas de Elvas, Ameixial e Montes Claro. Espanha encontrava-se na Guerra dos Trinta Anos que também ajudou os portugueses a vencerem.

A revolução deu-se no dia 1 de Dezembro de 1640 e D.João IV, oitavo duque de Bragança, foi aclamado rei de Portugal.

Portugal também consigo restaurar o poder atlântico português na Angola e no Brasil, devido à intervenção dos colonos brasileiros.

CRONOLOGIA:

-1578: Batalha de Alcácer Quibir, desaparecimento de D. Sebastião, morto certamente em combate mas cujo corpo jamais será encontrado. D. Sebastião não deixa descendência e o Cardeal D. Henrique, seu tio-avô, sobe ao trono.

-1579: Morte de Luís de Camões.

-1580: Morre o Cardeal D. Henrique. Em Alcântara, D. António, Prior do Crato, pretendente ao trono, é derrotado pelas tropas de Filipe II de Castela e Portugal perde a independência.

-1581: Nas Cortes de Tomar, Filipe I jura manter a autonomia de Portugal dentro da União Ibérica.

-1598: Filipe II sobe ao trono; irá tomar medidas que porão em causa a autonomia de Portugal dentro da União Ibérica. Em consequência, o sebastianismo, messianismo ou ideologia saudosista, irá alastrar entre os portugueses.

-1614: Extinção do Conselho da Índia.

-1621: Filipe III sobe ao trono e entrega a governação da União Ibérica ao conde-duque de Olivares que passa a tratar Portugal como outra província espanhola e não mais como Reino integrado, porém autónomo.

-1630: No Brasil, os Holandeses conquistam Olinda e Recife.

-1633: Desaparece a Companhia de Comércio da Índia Oriental.

-1637: Aumento de impostos, alterações de Évora, revolta do Manuelinho que alastra por todo o Alentejo e Algarve.

-1638: O duque de Medina-Sidónia ocupa o Algarve, o duque de Bejar ocupa o Alentejo e assim é sufocada a revolta do Manuelinho.

-1640: A 1 de Dezembro é restaurada a independência de Portugal.

OS METAIS PRECIOSOS DA AMÉRICA ESPANHOLA


As descobertas americanas de 1492-1531 reforçaram Sevilha como eixo do afluxo na Europa dos metais preciosos. A descoberta das minas de Potosí em 1545 e a extracção do mineral por meio da amálgama de mercúrio. De 5 508 711 pesos num período de cinco anos entre 1546 e 1550 as importações subiram para 11 906 609 de 1571 e 1575, para depois entre 1591 a 1595 subir até 35 184 862 pesos. Senso assim o inicio do grande auge espanhol.

Em troca das barras de metais preciosos, de pele, açúcar e tinturas, os espanhóis davam azeite e vinho de Andaluzia, tecidos de lã e seda de Toledo, Cuenca, Múrcia e Granada, os utensílios de ferro do país e mercúrio de Almadén.

Todas as importações deveriam ser registadas na Casa de Contratación de Sevilha.

OLIVER CROMWELL


(Huntingdon, 1599 - Londres, 1658)

Político inglês. De formação puritana, inicia a sua carreira política em 1628 como membro do Parlamento. Durante a guerra civil dos anos 40 forma um exército revolucionário oposto ao absolutismo. Em 1648 depura o Parlamento e consegue a condenação à morte de Carlos I (1649) e a proclamação da República (Commonwealth). Usa de todos os meios do poder e é ditador virtual da Grã-Bretanha. Incorpora a Irlanda e a Escócia, dissolve o Parlamento (1653) e proclama-se Lorde Protector. O novo regime regressa aos princípios de governo moderados. A sua política assegura a prosperidade da burguesia mercantil de Londres. Mas o regime sustenta-se basicamente graças à sua figura, pelo que à sua morte se reinstala a monarquia na pessoa de Carlos II.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 09 nov 2007 13:56

Viva!

Há jóias, pérolas e penduricalhos, com diz o título deste tópico.

Mascara funerária do faraó Tutankamon!

Esta é uma das jóias mais bonitas que o humanidade alguma vez foi capaz de produzir, uma verdadeira PÉROLA.

Imagem

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Uma máscara própria de um Deus! O que na verdade, para o seu povo, efectivamente era!

Tutankamon (1336-1327 AC)

O ultimo rei da 18.ª dinastia, governou menos do que dez anos e morreu traumaticamente ainda adolescente, ainda assim ele permanece como um dos faraós mais famosos do Egipto.

Isso graças aos incríveis tesouros encontrados na sua tumba, incluindo o sarcófago, a máscara funerária dourada e mais 5.000 outros tipos de tesouros. Na verdade, Tutankamon fez muito durante o seu curto reinado para reparar os danos causados por seu pai Akhenaton, incluindo a restauração da antiga religião e levando a capital de volta para Memphis.

DADO CURIOSO
Um feijão encontrado na tumba do rei Tutankamon brotou depois de 3400 anos.

http://www.pegue.com/egito/tuntankamon.htm

http://www.cyberartes.com.br/indexAprenda.asp?edicao=293

http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI484240-EI294,00.html
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 14 nov 2007 23:04

Viva!

Uma visão, contada na primeira pessoa, da nossa história recente!

http://br.youtube.com/watch?v=NiIk6Z64oN0

Outras visões.... muitas vozes embargadas! «Eu estou bem!»

http://br.youtube.com/watch?v=vAELj4-1KOc
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 17 nov 2007 01:48

Viva!

Fotografias - Amílcar Cabral

Arquivos & biblioteca Mário Soares
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 23 nov 2007 17:19

Viva!

IMPÉRIO ROMANO


IMPERADOR AUGUSTO


Idealizador da Pax Romana e do imperio, Augusto foi um extraordinário politico e administrador. Sem revogar as leis e instituições republicanas, concentrou todo o poder em suas mãos, inaugurando uma época de esplendor e prosperidade no mundo antigo. Caio Otávio, que se tornou, por adopção, Caio Julio Otavio e posteriormente, Cesar Augusto, nasceu em Roma a 23 de Setembro de 63 a.C. Pertencia a uma das famílias mais abastadas da burguesia romana. O seu avô tinha sido banqueiro e o pai, Caio Otavio, foi edil e pretor em Roma e, mais tarde, proconsul na Macedonia. A mãe, Acia, era sobrinha de Júlio César, e este, interessando-se pela carreira do sobrinho-neto, deu-lhe educação aprimorada e adoptou-o como filho em testamento. Otávio reivindicou a sua herança, apesar do perigo que corria, e lutou por ela contra Marco António, que se apropriara do dinheiro e dos papeis de Júlio César. Pagou do próprio bolso os legados do testamento e presidiu aos jogos em memoria de Júlio César. Uniu-se a Bruto contra Marco António, derrotou-o em Modena e exigiu o consulado (a que não tinha direito, dada sua pouca idade). Diante da recusa do Senado, marchou sobre Roma e impôs a própria investidura (19 de Agosto de 43 a.C.). Marco António, entrementes, aliara-se a Lépido, governador da Gália. Otávio entendeu-se com eles e formaram o segundo triunvirato, que o Senado reconheceu (por cinco anos). Seguiu-se a repressão: trezentos senadores e dois mil cavaleiros foram proscritos e numerosas propriedades confiscadas.
Em 42 a.C., os triunviros derrotaram os republicanos Bruto e Cassio na Macedonia (Batalhas de Filipos). Para recompensar as legiões, Otávio confiscou as terras de 18 cidades italianas. O descontentamento resultante foi explorado pelos amigos de Marco António. Ajudado por Marco Agripa, grande chefe militar, Otávio tomou Perusa (40 a.C.) e silenciou os seus adversários. Firmou, então, com Marco António, os acordos de Brindisi e dividiu com ele o mundo romano. Marco António recebeu o Oriente, Otávio o Ocidente e Lepido ficou com a frica. Para selar o acordo, Marco António casou-se com a irmã de Otávio. Inaugurou-se, então, uma era de paz e em 37 a.C., o triunvirato foi renovado por mais cinco anos. Restava a ameaça de Sexto Pompeu. Com uma esquadra fornecida por Marco António, Otávio derrotou-o em Nauloque, na Siclia (36 a.C.). Pouco depois depunha Lepido, sem consultar Marco António, deixando-lhe apenas a dignidade pontifícia. Marco António permaneceu no Egipto, onde desposara Cleopatra e se instalara como potentado oriental. Otávio consolidou a sua situação, pacificou a Iliria e contribuiu para a prosperidade romana, com o desenvolvimento da agricultura. As campanhas orientais de Marco António serviram de pretexto para que Otávio proclamasse a traição do adversário e a sua intenção de formar um reino independente de Roma. Esta declarou guerra ao Egipto e Otávio foi nomeado consul para combater Marco António e Cleopatra, vencidos na Batalha de Accio (Actium). Depois da derrota, o território egípcio foi incorporado a Roma.
Apesar de assumir o poder, Otávio não aceitou a ditadura. Temendo ser vitima da mesma sorte de Júlio César, abdicou solenemente de todos os poderes extraordinários (excepto o consulado) e propôs um novo regime, de compromisso o principado que guardava as formas tradicionais, mas correspondia no fundo a uma monarquia de facto. Longe de destruir as antigas magistraturas, assumiu-as quase todas e fez-se reeleger consul, sem interrupção, ate o ano 23 a.C.. Na aparência, não passava, então, de um magistrado como os outros. Era apenas o primeiro, isto é, Princeps, em autoridade. Na verdade, concentrou todo o poder nas suas mãos, após receber do Senado, em 27 a.C., o cognome religioso de Augusto, que consagrava a sua missão como divina. A partir do ano 23 a.C. renunciou também ao consulado, guardando apenas a qualidade tribunicia, que lhe foi conferida em carácter vitalício. Morto Lepido, tornou-se pontífice a pedido do povo. O seu poder era, assim, fundado de certo modo no consentimento geral. Conservador e austero, Augusto fez um governo de ordem e hierarquia. Lutou contra a decadência dos costumes, reorganizou a administração e as forças armadas, tornando-as permanentes e fixando-as nas fronteiras. Saneou igualmente as finanças do estado. Em Roma e na Itália esforçou-se para fazer reviver as virtudes esquecidas das antigas tradições e religião. Deu privilégios aos pais de família e combateu o celibato. Construiu o forum que leva seu nome e, no campo de Marte, ergueu as primeiras termas, o Pantheon e outros templos. Vangloriou-se por ter transformado Roma na Cidade de Mármore. Ajudado por Mecenas, favoreceu os escritores: o historiador Tito Livio, os poetas Horácio, Ovídio e Virgílio são de sua época. Elevaram-se templos à deusa Roma e a Augusto em todo o império.
Em matéria de politica externa, foi menos feliz. Pacificou a Espanha e os Alpes, conseguiu a anexação da Galácia e da Judeia e conquistou, graças a Tibério, as terras austríacas do Danúbio, que formaram as províncias de Recia e Vindelicia, mas sua campanha na Germânia fracassou. Tibério debelou uma insurreição na Iliria e Varo foi aniquilado com três legiões na floresta de Teutoburgo. A sua tentativa de conseguir um grande sucessor também fracassou, pois o seu sobrinho Marcelo morreu jovem. Marco Agripa, cujo casamento com a sua filha Júlia tinha forçado, morreu em 12 a.C. Os filhos menores de Agripa morreram em 2 e 4 da era cristã. Restava Tibério, filho de Livia, sua terceira mulher. Adoptando-o, Augusto deu-lhe participação cada dia mais activa nos negócios do estado. A partir de 13 da era cristã, Tibério tinha poderes quase iguais aos do imperador. Quando Augusto morreu, já era o enteado quem de fato governava Roma. A obra de Augusto foi imensa, na paz como na guerra. Protector das artes e das letras, administrador de génio, adorado como Deus pelo seu povo e pelos povos submetidos, deu a Roma a sua idade de ouro. Marcou de tal maneira sua época que esta ficou conhecida como século de Augusto. Faleceu em Nola, na Compania, em 19 de Agosto do ano 14 d.C.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 29 nov 2007 23:59

Viva!

A «Questão Ibérica» no Advento do Integralismo Lusitano [1]

Desde o início do Inverno de 1915 que a guerra europeia se fixara nas trincheiras da frente ocidental. Em Portugal, com o general Pimenta de Castro ao leme, tudo parecia garantir uma não-intervenção e mesmo algum apaziguar no turbilhão das discussões em torno das suas relações externas. Mas eis que, subitamente, quase toda a imprensa vai chamar a atenção para umas Conferências acerca da “Questão Ibérica”, a realizar no Salão Nobre da Liga Naval Portuguesa.

Eram conhecidas as “aspirações fusionistas” da Espanha e sabia-se como o tema do “perigo espanhol” era frequentes vezes invocado por vários sectores republicanos como constituindo uma séria ameaça à República portuguesa. Os conferentes anunciados, no entanto, eram os redactores da revista Nação Portuguesa, uma recente publicação de filosofia política – surgida em Abril de 1914 - na qual um grupo de jovens monárquicos se propunham estudar, difundir, e actualizar, o pensamento político da antiga monarquia portuguesa.

Ao que vinham então esses jovens monárquicos?

Em Espanha circulava um livro com grande sucesso. Intitulava-se La Unión Ibérica e tinha por autor um conhecido deputado e publicista espanhol, Juan del Nido y Segalerva [2]. O integralista João do Amaral começou por comentá-lo nas páginas do semanário Pátria Nova (Coimbra). Embora as suas anotações tenham feito o giro da imprensa de Lisboa, a verdade é que o assunto parecia destinado a morrer. De súbito, porém, eis que, de novo, começou a circular na imprensa republicana a ideia de que os monárquicos desejavam a intervenção de Espanha na guerra.

O problema adquiria actualidade e aspecto novo [3] Se a união de Portugal à Espanha não parava de ganhar expressão no país vizinho, os integralistas iam agora afirmar na Liga Naval que não eram apenas de todo estranhos ao projecto, como seus irredutíveis adversários. Era António Sardinha quem afirmava ao abrir as Conferências: “Nós os que chegámos depois da República, é que já não toleramos nem mais equívocos nem mais calúnias” [4] - “seja a federação amigável nos termos em que a preconiza o político romântico Don Juan del Nido y Segalerva ou a simples anexação para nos salvar da ruína, no pensamento cruelmente irónico do professor Vicente Gay, toda a Espanha se deslumbra com a visão do Rei Afonso XIII, erguendo em triunfo a águia bicéfala, cujas asas cubram a velha Ibéria”[5].

Segundo os integralistas, havia um efectivo «perigo (monárquico) espanhol», constituindo aqueles projectos uma séria ameaça à independência portuguesa. Alberto de Monsaraz o afirmara desde o primeiro número da Nação Portuguesa: era necessário observar com atenção a “questão ibérica” a partir dos sinais das crises espanhola e portuguesa:

“A situação da coroa em Espanha é das mais graves. Ameaça-a por uma banda o dragão carlista, pela outra o chacal republicano, por todos os lados as tendências separatistas das várias regiões, a que a lei das Mancomunidades nem de longe pode remediar. Pois estes problemas, tão complexos e diversos, Afonso XIII resolve-os in mente com uma única palavra, incisiva e simples - o Império. Não um império centralizador como o de Filipe II, mas uma confederação de reinos, à maneira germânica. Ante a possibilidade da unificação ibérica sob a coroa imperial de Castela, os republicanos, mais espanhóis que democratas, deporiam as armas certamente. A Catalunha passaria de província insubmissa a estado semi-autónomo, sujeito ao trono de Madrid. E, para reinar sobre catalães emancipados, escolher-se-ia D. Jaime de Bourbon, o chefe guerrilheiro do tradicionalismo dinástico”[6].

Na interpretação integralista, a tumultuária situação interna portuguesa, com o Partido Democrático momentaneamente arredado do poder, só viera agravar a situação. Ainda que a partir de distintas concepções políticas, num ponto se haviam entretanto posto de acordo os unionistas (federalistas) republicanos portugueses e os unionistas monárquicos espanhóis: a restauração da Dinastia de Bragança era um escolho a evitar.

António Sardinha identificava a Maçonaria como o esteio a partir do qual se urdia uma vez mais a conspiração iberista. E ali mesmo alinhava e dissecava as peças do processo histórico das aspirações de união ibérica: os maçons que, em 1807, “saíram a cumprimentar Junot em Sacavém, pedindo-o depois para rei”; a conspiração de Gomes Freire de Andrade, em 1817; o projecto de Sinibaldo de Mas por volta de 1851; Fernandez de los Rios com Mi mission en Portugal; o livro de Magalhães Lima, La fédération ibérique, a que havia de juntar “o programa do jantar de Badajoz” e, finalmente, La Unión Ibérica de Segalerva.

Ao abordar o cerne do problema, Sardinha recordava expressamente as palavras do grão-mestre Magalhães Lima, em La Fédération Ibérique: “La Fédération a eu jusqu’ici un grand ennemi: c’est l’intérêt dinastique”[7]. Ora, era agora Nido y Segalerva em La Union Ibérica quem como que lhe respondia, acrescentando: “Sobre esa Dinastia (a de Bragança) pesa la responsabilidade de haber deshecho en tiempo de Filipe IV la obra de Filipe II, y si fuera restaurada renacerian con ella todos los obstáculos que desde 1640 vinieron impidiendo la Union Ibérica”.A conclusão, quanto à questão do regime, era bem clara: “Nosotros no debemos ayudar ni la Monarquia ni la República; pero en todo caso, más debemos ayudar la República que la Restauración monarquica”[8].

Continua...
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 nov 2007 00:00

Viva!

...Continuação...

O alerta dos jovens integralistas apresentava-se, assim, quer contra “as aspirações fusionistas”, quer contra “os projectos republicanos iberistas”. Na sua leitura dos acontecimentos, não havia já lugar para quaisquer dúvidas: a restauração monárquica portuguesa, tornada um empecilho, quer para os unitaristas espanhóis, quer para os unitaristas portugueses, bem poderia vir a arcar com o ónus da perda da independência.

O relevo da intervenção de António Sardinha, bem como dos que se lhe seguiram, era também posto, na páginas de A Ideia Nacional, na afirmação da “individualidade portuguesa no seio da unidade hispânica”; na “diferenciação irredutível que separa as duas nações peninsulares que podem e devem viver na melhor aliança e amizade”[9]. Aquilo que António Sardinha pronunciava no salão nobre da Liga Naval, era que “a fórmula de amanhã em política exterior há-de ser, sem dúvida, não união-ibérica, mas aliança-peninsular. Nós não teremos deste modo a vergonha de Olivença! Não terá a Espanha a ignomínia de Gibraltar!”[10].

Além de António Sardinha com O Território e a Raça, apresentaram conferências, Hipólito Raposo com A Língua e a Arte, Luís de Freitas Branco, Música e instrumentos, José Pequito Rebelo os Aspectos Económicos, Rui Enes Ulrich as Colonizações Ibéricas, Adriano Xavier Cordeiro o Direito e Instituições, Vasco de Carvalho, os Aspectos Político-Militares. Luís de Almeida Braga não chegou a apresentar A Lição dos Factos[11], onde se corporizava, em extenso rol, a experiência histórica da afirmação da individualidade portuguesa em face da Espanha; as Conferências seriam interrompidas na sequência do golpe de estado de Afonso Costa, em 14 de Maio de 1915. Com o general Pimenta de Castro a ser deposto, as instalações da Liga Naval foram assaltadas no dia seguinte. Ficavam suspendidas as Conferências, terminando ali abruptamente o primeiro grande momento de projecção pública do Integralismo Lusitano.

Nos meses seguintes, os integralistas não baixaram os braços em torno da questão ibérica. Em Dezembro, era Luís de Almeida quem ainda reiterava: “Nesta hora meridiana da História, enquanto mesquinhas dissenções nos distraem e esgotam, ou levianamente se nos atira para lutas a que ninguem nos chamou, a Espanha, fechando-se numa avisada neutralidade, espia, interessada e interesseira, o dia de amanhã”[12]. A 1ª República, porém, agora cada vez mais liberta dos escolhos neutralistas na área da governação, ia entrar decisivamente no plano inclinado que levaria Portugal à participação na guerra.

Para os jovens integralistas lusitanos, a interrupção violenta daquela sua primeira intervenção pública viera entretanto colocá-los em situação de notoriedade paralela à dos seus antecessores da Geração de 70, atirando para segundo plano o seu projecto inicial de sereno estudo e sementeira de ideias. Quando a Alemanha declarou guerra a Portugal, os integralistas tinham passado já o rubicão no sentido de uma intervenção política activa: formaram de imediato a Junta Central e publicaram o seu primeiro manifesto político, onde, reiterando a sua obediência a D. Manuel II, afirmaram o respeito da tradicional aliança inglesa e proclamaram o interesse nacional numa postura aliada.

José Manuel Quintas, 5 de Outubro de 2002
(In História, Novembro de 2002)


[1]Versão abreviada e adaptada do sub-capítulo «A Questão Ibérica» In José Manuel A. Quintas, Filhos de Ramires – Das Ideias, das Almas e dos Factos no Advento do «Integralismo Lusitano» (1913-1916),Lisboa, UNL-FCSH, 1997, pp. 231-237; publicado na revista História, Novembro de 2002.

[2] Juan del Nido y Segalerva, La Unión Ibérica. Estudio crítico historico de esto problema formado com cuanto de él han escrito los historiadores, asi portugueses como españoles, y los defensores de ella, Madrid, 1914.

[3]A Ideia Nacional, 1915, p. 95.

[4] António Sardinha, "O Território e a Raça", In A Questão Ibérica, Lisboa, 1916, p. 28.

[5] A Questão Ibérica, Lisboa, 1916, no prefácio, sem indicação de página (p. 2).

[6] Alberto de Monsaraz, "Um Sonho Imperialista", Nação Portuguesa, 1 (1), 8 de Abril de 1914, p. 29.

[7] Sebastião de Magalhães Lima, La Fédération Ibérique, p. 17.

[8] Juan del Nido y Segalerva, Op. cit., p. 364.

[9] A Ideia Nacional, 1915, p. 95.

[10] António Sardinha, Op. cit., p. 27.

[11] O texto desta conferência foi publicado, com as restantes, em A Questão Ibérica, Lisboa, 1916, pp. 300-349.

[12] Luís de Almeida Braga, "Tradição e Nacionalidade", Nação Portuguesa, 1 (10), Dezembro de 1915, p. 318.
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 nov 2007 00:05

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 nov 2007 00:31

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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 nov 2007 00:35

Viva!

As Peculiaridades Teóricas Do Romantismo Em Portugal

A estética romântica nasce em Portugal em meio a uma luta fratricida, cujas principais aspirações remetiam à disputa do trono luso. Tal conflito teve como pontos nevrálgicos a divisão dos partidos Liberal, comandado por D. Pedro I, e Miguelista, liderado por D. Miguel. Devido ao quadro sócio-político que se pintara entre os anos de 1826 e 1834, seria impossível que o Romantismo surgisse trazendo em seu bojo características sentimentais e piegas, proclamadas, mais ardentemente, pela Alemanha e pela Inglaterra. Na verdade, em função de uma empatia direta com os ideais restauradores da Revolução Francesa, pode-se dizer que o Romantismo português encontra firme abrigo nos ideais pregados pela nação francesa, cujas palavras de ordem – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – tentaram escamotear, de forma efetiva, o sistema repressor do Antigo Regime. Portanto, embora seja também evidente a presença de um romance sofrido e melancólico entre dois personagens que vêem o seu amor impossibilitado, não é a partir deste que se tece a temática principal das obras românticas portuguesas. Podemos deduzir, assim, que a discussão mais importante é travada ao redor do nacionalismo, o qual, segundo Guinsburg, é tema freqüente de toda estética romântica: “Os deuses por direito próprio estavam substituídos por semideuses ou simples heróis, autóctones, talvez, mas sem dúvida cruzando o telúrico e o celestial” (GUINSBURG, 1993: 19). Não nos deixemos iludir, todavia, pela mesma vertente utópica seguida pelo Brasil, o qual buscava se afirmar como pátria, devido aos enlaces econômico, político e cultural firmados, anteriormente, com a metrópole. O seguimento nacionalista do Romantismo português está muito mais para a problematização da relação modificadora dos indivíduos e da sua pátria do que para uma exaltação, ingênua e ufanista, das qualidades da mesma. É centrando-se em tal discussão que Lourenço (2000) discute o teor mítico do destino do povo português, tendo como subsídio fundamental a questão recorrente do nacionalismo, do patriotismo, da alma nacional . Para tratar de tal assunto, o autor opta por descrever, criticamente, as características essenciais que motivaram cada geração de escritores a seguirem uma determinada linha de pensamento. Primeiramente, Lourenço afirma que somente a partir de Almeida Garrett Portugal terá uma literatura efetivamente nacional. Para ele, Camões não representou de forma devida as aspirações portuguesas pelo simples fato de não descrever na sua obra máxima o sentimento da consciência individual juntamente com a realidade da pátria; isto porque Camões escrevia para um público restrito, o qual representava o pequeno grupo intelectual da época. Ocorre, todavia, uma reviravolta significativa no que concerne à participação dos cidadãos na identidade cultural de um país. Tal mudança foi propiciada pelas revoluções em vigência, que fizeram com que o povo participasse mais ativamente na vida sócio-política e cultural da nação. Notamos, portanto, um desajustamento dos homens às realidades que o cercam. Obviamente, a literatura passou a concretizar tais desajustamentos. Não interessava mais glorificar o passado português- como tentou Camões- mas, sim, repensar esse mesmo passado por um viés crítico. Herculano e Garrett serão os arautos dessa nova vertente literária que se quer altamente questionadora: questiona-se a respeito do próprio passado, tentando encontrar a glória, por muito tempo cantada, que associavam a Portugal.

Mariana Alcoforado
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Re: VAMOS FALAR DE HISTÓRIA

Mensagempor lecavo » 30 nov 2007 00:44

Viva!

PORTUGAL – ESPANHA
(Laços de Parentesco)MARTINS DOS SANTOS

Portugal e a Espanha são países amigos. Dizemos frequentemente que são países irmãos. Têm história comum, língua aproximadamente igual, tradições idênticas. São frequentes os pontos de contacto da nossa cultura e civilização. A influência que mutuamente exercemos é enorme e não podemos negá-la nem destruí-la.

Conhecendo melhor a História da Espanha, compreenderemos melhor a História de Portugal. As duas confundem-se muitas vezes com a crónica das respectivas famílias reais. Entendemos, pois, haver conveniência em seguir um por um os laços de parentesco que as ligam entre si. A árvore genealógica das duas casas reinantes tem muitos ramos comuns.

http://www.portugalweb.net/historia/apontamentos/portuespa.asp
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