A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

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matahary
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Re: A PÁTRIA HONRAI

Mensagempor matahary » 14 mai 2008, 11:37

Manifestação a favor da língua galaico-portuguesa

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stori ... ies/320280
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Pedro Bala
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Re: A PÁTRIA HONRAI

Mensagempor Pedro Bala » 14 mai 2008, 12:02

É por estas e outras que eu sempre gostei da Galiza e dos galegos com os quais sempre identifiquei mais do que com muitos mouros. :LOL
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Gregório Correia
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Re: A PÁTRIA HONRAI

Mensagempor Gregório Correia » 18 mai 2008, 14:46

Dirigente fala em complexo histórico e paternalismo
Catalunha garante que "Espanha ainda não assumiu independência de Portugal”

O vice-presidente do Governo Autónomo da Catalunha, Josep-Lluís Carod Rovira, disse que a Espanha ainda não assumiu que Portugal é um Estado independente. Carod Rovira considera que Madrid pretende manter uma "tutela paternalista" e uma atitude de "imperialismo doméstico" sobre o Estado Português, onde, acrescentou, "historicamente, sempre houve um certo complexo por parte de alguns sectores dirigentes em relação a Espanha".

O número dois do executivo catalão e responsável pelas relações externas da região com 7,5 milhões de habitantes, afirma que pretende conseguir o apoio de Portugal para o projecto de independência que defende para a Região Autónoma, cujo referendo propõe que se realize em 2014. "O que menos interessa a Portugal é uma Espanha unitária", afirmou, sublinhando que "uma Catalunha independente na fachada mediterrânea poderia ser o contrapeso lógico ao centralismo espanhol". Segundo Carod Rovira, Portugal deve perceber que a independência da Catalunha nada tem que ver com a regionalização. "A Catalunha é como Portugal mas sem os Restauradores".

O vice-presidente do Governo da Catalunha recorre à História, designadamente aos acontecimentos de 1640, para afirmar que "se as coisas tivessem sido ao contrário, hoje Portugal seria uma região espanhola e a Catalunha um estado independente". No século XVII, durante o reinado de Filipe III, Madrid foi confrontada com revoltas em Portugal e na Catalunha mas o Império, apoiado pela França, reprimiu as sublevações catalãs e da Biscaia.

Josep-Lluis Carod Rovira, que fala e entende perfeitamente o português, garantiu ter "muitos aliados internacionais" para o que designa "projecto de independência para a Catalunha" mas recusou-se a aprofundar o assunto para não dar "pistas desnecessárias". Para Carod Rovira a situação da Catalunha é específica e não é comparável a nenhuma autonomia ou a qualquer processo de independência. "A Catalunha não é o Kosovo, nem é o País Basco, nem a Madeira", disse, considerando que "os processos de independência passam por três fases: ridicularização, hostilidade e aceitação. Neste momento, estamos entre a primeira e a segunda".

Relativamente à participação activa dos imigrantes na construção de uma futura "República da Catalunha", Carod Rovira afirma que "todos podem vir a colaborar numa nação que é permeável à contribuição exterior". Trata-se de um "projecto integrador", sublinha. "Quero ser independente e quero que Catalunha seja mais um Estado da União Europeia", salientou.

Referendo em 2014

O governante propõe um referendo para 2014 por três razões: a primeira porque em 2014 "assinalam-se os 300 anos sobre a data em que Catalunha perdeu a condição de Estado"; a segunda porque termina o investimento previsto pelo Estatuto de Autonomia da Catalunha, em matéria de infra-estruturas, por parte do executivo espanhol; e em terceiro lugar porque em 2014 acabam as ajudas do Fundo de Coesão Europeu. "O ano de 2014 não é a data para a soberania mas sim para a democracia", afirmou.

Instado sobre se o seu projecto político tem o apoio popular, Carod Rovira diz-se convencido que sim, porque "todos estamos conscientes que a Catalunha não pode esperar mais. O défice com Espanha é insustentável. No ano passado, arrecadámos 140 milhões de euros para instituições sociais e Madrid ficou com 127. Isto é incomportável". Inquirido se o seu projecto de independência pode vir a perder força, tendo em conta que vai deixar de ser presidente da Esquerda Republicana da Catalunha, Carod Rovira responde que há "milhares de pessoas que querem construir um Estado diferente de uma Espanha plural que não existe".

Sobre o futuro da União Europeia, Carod Rovira defende que "todos os europeus querem construir uma Europa mas todos eles a partir do seu Estado. Nunca a Europa esteve tão unida como actualmente, mas também é verdade que nunca houve na Europa tantos estados independentes". O dirigente assumiu que uma visita a Portugal é um "tema pendente porque, afirma, "Lisboa é uma das cidades que mais estimo".

No gabinete oficial, no Palau de la Generalitat, Carod Rovira tem uma fotografia com o ex-presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, mas esta não é a única referência a Portugal já que utiliza o menu do telemóvel em português e um cartão de visita bilingue: em catalão e em português. No seu último livro "2014 - Que fale o povo catalão", cita uma passagem de um poema de Manuel Alegre: "Só quem espera verá o inesperado".

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matahary
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor matahary » 23 mai 2008, 14:46

Esta 6ª feira, dia 23 de Maio, a jornalista Madalena Palma entrevista Manuel Luciano da Silva.

Médico português residente nos Estados Unidos há várias décadas, juntamente com sua mulher Sílvia Jorge da Silva, investiga o papel dos portugueses na expansão global.

É autor do livro “Cristóvão Colon era Português”, sobre cuja vida Manoel de Oliveira fez o seu último filme.

Em estúdio estará também Pedro Laranjeira, jornalista e director da revista Perspectiva, distribuída com o Jornal “Público”.

“O outro lado“, para ouvir em directo, dia 23 de Maio, a partir das 18 horas nos 101.4 fm ou em radiopax.com. Em reposição na 2ª feira, dia 26, às 22 horas.

Manuel Luciano da Silva é um conceituado médico português residente nos Estados Unidos, investigador, descobriu a “Pedra de Dighton” que prova a primeira chegada de europeus ao continente americano por portugueses da família Corte Real, que influenciaram as culturas dos povos autóctones e introduziram vocábulos portugueses nas línguas nativas. A Pedra de Dighton está hoje protegida num Museu com o mesmo nome (Dighton Rock Museum) no estado de Massachusetts.

Durante décadas, Manuel Luciano da Silva dedicou-se à pesquisa de documentos que provam a nacionalidade portuguesa do descobridor da América, o alentejano, filho de D. Fernando Duque de Beja, nascido em Cuba com o nome de Salvador Fernandes Zarco, mais conhecido como “Cristóvão Colombo”.


Via http://www.pracadarepublicaembeja.net
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 26 mai 2008, 00:20

AOS BONS AMIGOS
Nuno Rogeiro

«Madrid e Lisboa são, oficialmente, "bons amigos". Mas o que é que se esconde por trás da felicidade extrema?»

Várias personalidades do Estado, do regime e do Governo de Espanhadeclararam, recentemente, que as relações com Portugal "são melhores do que nunca".
É uma verdade. Mas com segundos sentidos.

Ninguém de bom senso pode negar que Portugal precisa de se organizar, com Espanha, em muitas alíneas da vida comum. Ocorrem logo as questões da segurança, das emergências, das ligações rodoviárias, dos canais diplomáticos, dos recursos naturais. E há, claramente, várias ocasiões em que a entrada de empresas espanholas no mercado português, e portuguesas no mercado espanhol, são naturais e benéficas.

Não há ainda, desde o fim da "GUERRA DAS LARANJAS", e sobretudo desde 1945, qualquer contencioso militar ou territorial, se exceptuarmos a questão de OLIVENÇA. Por um lado, esta NÃO É UMA BIZARRIA DE DOIDOS, MAS UM PROBLEMA DE DIREITO INTERNACIONAL. Por outro, não é uma grande questão, mas um detalhe simbólico: ninguém na Primeira República, ou no Estado Novo, propôs a resolução pelo sangue ou pela espada, o que é significativo.

Mas dito isto, não se pode ignorar que existe, em certa Espanha, um problema para Portugal.
É evidente que, nalguns meios culturais de Madrid, incluindo aqueles que promovem os currículos escolares, existe um "complexo português". Muitas gerações espanholas estudaram a história universal, induzidas no erro de que a independência portuguesa começou em 1640 e não a meio do século XII. E muitos aprenderam quer essa independência (não Restauração) só foi possível porque o império espanhol teve de optar, e precisou de esmagar, no ovo, a insurreição na Catalunha.

A história lusitana surge assim desfocada e diminuída: esfumam-se a revolução nacional que leva a Aljubarrota, a divisão geopolítica das Tordesilhas, a via diferente nos Descobrimemtos, o Renascimento português, a ausência de feudalismo, o destino próprio face ao Norte de África. Alguns "teóricos" chegam a sugerir que a Al-Qaeda ameaça igualmente Portugal e Espanha, por causa do "passado comum".

Essa desfocagem e diminuição possuem consequências: Portugal surge como uma Nação pouco sedimentada, algo artificial, baptizada pela desorganização, e por uma certa excentricidade. Para muitos espanhóis de boa-fé, Lisboa só tomou rumo com os fundos comunitários, e depende deles para se manter em ordem.

Quando o vice-presidente da Catalunha, Josep Luís Carod-Rovira, explica que uma certa Espanha neo imperial nunca se reconciliou com a ideia de um Portugal independente, limita-se a frisar uma evidência.

Quando 25 mil pessoas protestam, em Santiago de Compostela, contra a misteriosa "proibição" de emissão televisiva em português, ou quando clamam pelo reconhecimento do galego como "português internacional", causam ondas.
Claro que não se pode confundir o problema espanhol em lidar com a sua identidade em desagregação, com a necessidade de continuarmos bons amigos.
Mas nenhuma boa amizade resiste à estupidez de uma das partes. Não sejamos nós os idiotas da aldeia.

Revista "Sábado", 21-Maio-2008
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 11 jul 2008, 23:08

História do Grupo dos Amigos de Olivença (II), por António Manuel Bandeira de Oliveira (9 de Junho de 2001)


1) O TERRITÓRIO DE OLIVENÇA

Olivença é o centro urbano mais importante do território anexado pela Espanha em 1801, e que historicamente faz parte de Portugal desde a assinatura do Tratado de Alcañices entre D. Dinis e D. Fernando IV de Castela (1297). Ocupando uma área de cerca de 453,64 Km.2, situa-se na margem esquerda do Guadiana, a 20 Km. de Elvas, cuja ligação se efectua pela nova ponte de Olivença inaugurada em 11 de Novembro de 2000. Compreende ainda a Vila de Táliga (ou Talega) e as aldeias de São Jorge de Alor (ou Olor), Vila Real do Alentejo, São Domingos de Gusmão, São Bento da Contenda, Ramapalhas (actualmente intergrada em Olivença), São Francisco e São Rafael, as duas últimas já fundadas sob a administração espanhola. A sua economia assenta predominantemente, na agro-pecuária, se bem quer, nas últimas décadas, o sector terciário (turismo e serviços) tenha tido um grande desenvolvimento.

A população oliventina está estimada em cerca de 11 000 habitantes. De entre os seus principais monumentos destacam-se : a Igreja de Santa Maria do Castelo (século XVI), o Palácio dos Duques de Cadaval (século XVI, actual edifício da Câmara Municipal), a Igreja da Madalena (século XVI, antiga sede do Bispado de Ceuta), a Ponte da Ajuda (século XVI, actualmente em ruínas), o Palácio dos Marçais (Século XVIII), o Museu Etnográfico (inaugurado em 1985), a Igreja da Misericórdia (século XVI), o Convento de São João de Deus (século XVI), e a magnífica Torre de Menagem (século XV), edificada por D. João II, a mais elevada de Portugal.

Integrado na administração portuguesa, o Concelho de Olivença ficaria incorporado no Distrito de Portalegre, província do Alto Alentejo. [nota à margem do texto e do autor:
deveria ficar no Distrito de Évora, segundo outras opiniões.]
A famigerada "Questão de Olivença" tem, ao longo de dois séculos de existência, suscitado a reacção de um punhado de portugueses que, em cada geração, se vai manifestando, mais ou menos pacatamente mas sempre com grande paixão e fervor patrótico, na defesa intransigente dos legítimos e inquestionáveis direitos de Portugal sobre aquele território submetido a Espanha em 1801.

O Grupo dos Amigos de Olivença (G.A.O.), fundado em Lisboa em 15 de Agosto de 1938, ou em 21 de Novembro de 1945, como veremos, tem mantido uma firmeza inabalável na salvaguarda dessa magna causa, substituindo o Estado Português no seu dever e, não raramente, apresentando-se como um último reduto na defesa da integridade e independência de Portugal.

2) A CONJUNTURA POLÍTICA EUROPEIA ATÉ 1801

A Revolução Francesa de 1789 provocou uma forte convulsão em toda a Europa mercê das mudanças estruturais impostas a uma sociedade profundamente hierarquizada e cujo sistema político assentava no absolutismo do Poder Real e nos fundamentos do catolicismo cristão.
Foi, contudo, a morte no patíbulo de Luís XIV e de Maria Antonieta em 1794 que provocou a histeria colectiva das monarquias tradicionais e conservadoras da velha Europa.
Mais temerosa a Espanha, pela proximidade fronteiriça com a revolucionária e agitada República Francesa, não tardou que, apoiada pela Inglaterra e pelo poderoso Império Habsburgo (futura Áustria-Humgria), movesse guerra à França numa tentativa desesperada de impedir o alastramento do "liberalismo" e suas funestas consequências para o Regime de Madrid.
Em Portugal ocupava o trono D.Maria I que, igualmente alarmada e receosa dos ventos revolucionários que sopravam, fortes, de França, perturbadores do "status quo" político e social, secundou convictamente o pedido de aliança da Espanha para combater o novel regime francês, assinando a Convenção de Madrid de 1793.

Cumprindo o estabelecido, Portugal enviou para o porto de Rosas, situado à beira do Rossilhão, junto à fronteira franco-espanhola, um contingente militar composto por cerca de 11 000 homens provenientes das melhores unidades do País, entre as quais se contava o Regimento de Cavalaria (mais tarde n.º3) estacionado em Olivença, e por isso denominado "Dragões de Olivença". Os combates são ferozes e as baixas portuguesas tornam-se volumosas.

É neste interlúdio que o pérfido Manuel de Godoy, soldado da Guarda Real espanhola, amante, segundo opiniões quase unânimes, da Rainha Maria Luísa, esposa de Carlos IV, alçado agora a Primeiro-Ministro de Espanha, assina a "Paz de Basileia" com a França (1795) - sendo-lhe, por esse facto, concedido o pomposo título de Príncipe da Paz - sem o conhecimento de Portugal que, agora isolado, continua a combater os Franceses. Neste período conturbado em que os desígnios mesquinhos da política e os sombrios lances de bastidores ganham uma importância acrescida e se sobrepõem à lealdade entre os homens e as nações, Portugal é envolvido num vórtice político iníquo e traiçoeiro de que dificilmente se conseguirá libertar.

3)SURGIMENTO DA QUESTÃO DE OLIVENÇA

O conluio entre Espanhóis e Franceses culminaria com a assinatura do Acordo de Madrid de 1801, o qual determinava a invasão de Portugal se este não abdicasse da Aliança Luso-Britânica e insistisse na recusa de encerrar os seus portos à Inglaterra.
Assim, a 20 de Maio de 1801, aconteceu o previsto. O citado Manuel de Godoy, à frente das tropas espanholas, entra no Alentejo, conquistando sucessivamente Olivença (cujo governador, de origem francesa, Júlio César Augusto de Chermont, se rende de imediato), Juromenha, Ouguela, Castelo de Vide, Portalegre, Campo Maior (após dezassete dias de duros combates), Barbacena, Monforte, e Arronches, apenas resistindo Marvão e a inexpugnável Elvas, praça na qual os únicos troféus conquistados foram dois ramos de laranjeira arrancados por um soldado espanhol e entregues a Godoy que, de seguida, os enviou à sua amante Maria Luísa.

A "Guerra das Laranjas", como jocosamente ficaria a ser conhecida na História esta escaramuça fronteiriça, teve como desfecho fatal a assinatura, sob coacção, por parte de Portugal, do duplo Tratdo de Badajoz de 6 de Junho de 1801. O primeiro, entre Portugal e a França, estabelecia o pagamento, por parte daquele, de uma indemnização de 25 milhões de libras, a entrada livre em Portugal por parte dos têxteis franceses e ainda a cedência de territórios portugueses na América do Sul, junto à fronteira com a Guiana Francesa. O segundo, entree Portugal e a Espanha, estipulava a incorporação de Olivença, seu território e povos até ao Guadiana no Reino Espanhol, comprometendo-se esta a devolver todas as restantes terras conquistadas. Ambos os acordos estabeleciam que a partir dessa data passaria a vigorar entre os dois países citados e Portugal uma "paz perpétua" inviolável. A sua validade, porém, ficava condicionada à ratificação dos respectivos documentos por Napoleão Bonaparte, o qual nunca o fez.

Apesar da revolta da população oliventina em 1806, o território continuaria ocupado por Espanha. Em 1807, na sequência do Tratado de Fontainebleau, a França decide apoderar-se de Portugal com a já habitual conivência de Espanha, violando, inequivocamente, o Tratado de Badajoz, o qual ficaria, a partir desse momento, se já o não estava antes, "nulo e de nenhum vigor", conforme o texto do próprio tratado e a proclamação do Príncipe Regente D.João (depois VI), emitida do Brasil a 1 de Maio de 1808.

Em 1811, um novo episódio ocorre em Olivença. Os Franceses, agora já a combater, de novo, a Espanha, ocupam a Praça, extorquindo-a ao comando do General espanhol Manuel Herk. Pouco tempo depois, um exército luso sob o comando do General Britânico Carr Beresford ocupa Olivença. Inexplicavelmente, Beresford, cumprindo ordens do Duque de Wellington (Arthur Wellesley), Comandante-em-Chefe do Exército inglês, apesar dos protestos da tropa portuguesa, devolve a Praça às autoridades espanholas.

Findas as Campanhas Napoleónicas, reúnem-se as potências beligerantes em Paris e decidem a justiça da restituição de Olivença a Portugal.
Em 1815, a Convençaõ de Viena (de Áustria) coloca um ponto final na Guerra Europeia, tedo sido lavrada uma Acta que visava definir estabelecer as condições de paz na Europa.
No seu artigo 105.º, era deliberado o seguinte:«As Potências, econhecendo a justiça das reclamações formuladas por Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, sobre a vila de Olivença e os outros territórios cedidos à Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801, e considerando a restituição destes objectos como uma das medidas adequadas a assegurar entre os dois Reinos da Península aquela boa harmonia, completa e estável, cuja conservação em todas as partes da Europa tem sido o fim constante das suas negociações, formalmente se obrigam a empregar por meios conciliatórios os seus mais eficazes esforços a fim de que se efectue a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal. E as Potências reconhecem, tanto quanto depende de cada uma delas, que este ajuste deve ter lugar o mais brevemente possível».

Apesar de o representante espanhol em Viena não ter concordado com as condições desta cláusula, ela seria ratificada dois anos mais tarde (1817) pelo novo plenipotenciário de Espanha, Fernán Nuñez y de Barajas.

De salientar a acção corajosa e persistente do 1.º Duque de Palmela (então conde), D. Pedro de Sousa e Holstein, delegado à Convenção de Viena de Áustria, defendendo sempre com firmeza a posição do Estado Português relativamente aos direitos inalienáveis que lhe assistiam.

(continua)
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PEi
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 20 jul 2008, 18:31

.... continuação.

4) UM PROBLEMA QUE NÃO FOI RESOLVIDO

Enquanto viveu, o Duque de Palmela lutou por todos os meios para que Olivença fosse, de novo, incorporada em Portugal. É dele a seguinte afirmação: «Os Espanhóis assinaram um Tratdo pelo qual reconhecem os direitos que Portugal tem em Olivença,e não sei qual seja a razão por que eles se supõem isentos de prestar ouvidos a uma tal reivindicação. Não devemos desistir das reclamações que temos direito a fazer à Espanha; e ao nosso governo compete o aproveitar para isso as ocasiões que lhe parecerem mais oportunas».


À época do Tratado de Paris (1814) que antecedeu a Convenção de Viena (1815), o ilustre médico e economista Francisco-Solano Constâncio, radicado em Paris, chama a atenção da Europa do seu tempo para a injustiça do caso oliventino,lamentando no seu "O Observador Lusitano em Pariz" que, após tantos esforços e sacrifícios suportados pelo País durante a Guerra Peninsular «...não excedidos por nação alguma, não nos resta, nem sequer a satisfação de termos recuperado Olivença tão iniquamente arrebatada, e por nós restituída generosamente à Hespanha (1811); figurámos no Tratado de Pariz só para cedermos Cayenna...».


Em 1863 o ilustre arqueólogo Estácio da Veiga, no seu livro "Gibraltar e Olivença - Apontamentos para a História da Usurpação destas Duas Praças", agitou a polémica em torno da Questão de Olivença, demonstrando, na sua perspectiva, a similitude entre ambas as situações, as quais urgia solucionar. Já no século XX, algumas intervenções parlamentares, esporádicas e sem consequências, com as de Ramos da Costa, de Manuel de Arriaga, ou de Bernardino Machado (os dois últimos foram depois presidentes da República), não passaram de fogachos de pouca dura, sinónimo da ausência de interesse e de vontade política na resolução do caso.

5) A PRIMEIRA GRANDE GUERRA

Em 1918, o jornalista Guedes de Oliveira, na sua "Tribuna Livre" de «O Primeiro de Janeiro» (Porto), denuncia a situação de dupla ilegalidade jurídica e histórica da ocupação do território oliventino por parte de Espanha, e chamando a atenção para a flagrante e ímpar oportunidade de defender os legítimos interesses de Portugal na Conferência de Versalhes, que se avizinhava, agora que, como em Viena de Áustria, cem anos antes, as potências do Velho Continente se encontravam reunidas nos ajustes finais de mais uma Grande Guerra Europeia. Pouco depois, uma Comissão de Estudantes de vários estabelecimentos de ensino do Porto dirigem-se ao Governador Civil do Distrito «manifestando o entusiasmo que a Academia do Porto sentira ao ter conhecimento de ter sido ventilada na Conferência da Paz a restituição de Olivença a Portugal»("A Montanha", de 4 de Abril de 1919).


A interpelação de Bernardino Machado, em plena Assembleia da República, por alturas da Conferência de Versalhes, é assaz notável. O ilustre deputado da Nação tomou a palavra na sessão do Senado de 29 de Novembro de 1919, afirmando: «Temos reivindicações a fazer, de que não podemos, de modo algum, abdicar, para assegurarmos a nossa completa soberania na Europa (...). Façamo-las. É o ensejo de liquidarmos com a Espanha a secular contestação de Olivença. No Congresso de Viena de Áustria, de 1815, reconheceu-se o nosso direito.
Espero que seja agora homologado». (da coluna "Em Linha Recta", de Hugo Rocha, em "O Comércio do Porto", republ. em 11 de Dezembro de 1977). Neste contexto, foi o jornalista e escritor Hugo Rocha, nas colunas de "O Comércio do Porto", como se viu pela citação anterior, que divulgou, nas suas múltiplas crónicas, a problemática oliventina, sugerindo ao EStado Português uma postura mais enérgica e eintervencionista face ao "conflito".


Era nessa época que, nesse ano de 1919, Afonso Costa, então representante de Portugal em Paris, pretendia apresentar na Conferência de Paz de Versalhes, no rescaldo da Grande Guerra, a reivindicação do Território de Olivença, solicitando, para o efeito, a colaboração do e«Embaixador Luiz Teixeira de Sampayo, que redige uma "Compilação de Elementos" onde são realçados os argumentos jurídicos de Portugal na querela oliventina.
Tentativa gorada, alegadamente porque a Espanha não havia sido Potência Beligerante e, como tal, tinha estado ausente das negociações, não sendo oportuna, portanto, qualquer discussão sobre a matéria.


Deve notar-se que, em 1918-1919, o Porto se destacou na defesa da resolução do problema de Olivença, através de homens de grande prestígio como Queiroz Magalhães, RaulTamagnini, Guedes de Oliveira, Eleutério Cerdeira, Paiva Manso, Corregedor da Fonseca, Jaime Cirre, a Veríssimo Alves Moreira. O já referido órgão republicano do Porto, "A Montanha", foi o jornal que dirigiu toda a campnha então surgida, e algumas das páginas assinadas por Humberto Beça constituem, ainda hoje, textos dos mais desassombrados que sobre este tema se têm publicado.


Quatro anos depois, a publicação do livro "Olivença", em 1923, de Gustavo de Matos Sequeira e Rocha Júnior, gera polémica, registando-se, um tanto incompreensivelmente, algumas cenas de pugilato em pleno Chiado lisboeta.
Também um outro diplomata português - José Gambôa de Abranches Jordão - elabora uma dissertação, afirmando a legitimidade histórica e jurídica de Portugal sobre Olivença. É uma obra de exaltado patriotismo ("Olivença", Lisboa, 1938), em que o autor repudia a acção pusilânime da diplomacia portuguesa que tem, deliberadamente, menosprezado a "Questão de Olivença". Porém, a tese apenas circulará nos corredores diplomáticos, existindo somente dois exemplares no Ministário dos Negócios Estrangeiros.

continua ...
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 27 jul 2008, 16:12

6) A FUNDAÇÃO DO "GRUPO DOS AMIGOS DE OLIVENÇA"

É, todavia, a partir desse ano de 1938, com a criação da Sociedade Pró-Olivença, embrião do futuro Grupo dos Amigos de Olivença, que a Questão de Olivença é, pela primeira vez, abordada de uma forma sistemática e organizada. Vai-se viver uma época de algum frenesim e de esperança na retrocessão do território. Vários personagens estudaram e escreveram apaixonadamente sobre a temática. Homens como Queiroz Veloso, António Manuel Pereira, Ricardo Rosa y Alberty, Flório de Oliveira, Amadeu Rodrigues Pires, Hermano Neves, ou o prolixo e verdadeiro fundador da Sociedade Ventura Ledesma Abrantes, um oliventino, que, juntamente com seu pai, havia fundado, anos antes, na Rua do Alecrim, em Lisboa, uma livraria e casa editorial: a "Casa Ventura Abrantes". Há que falar um pouco mais deste homem. Exilado em Lisboa devido à perseguição de que foi alvo na sua Olivença natal, desde o início do século XX que retomou com entusiasmo a questão oliventina, quase ignorada pelo poder político, galvanizando a opinião pública, atraindo à causa figuras de escol, nomeadamente, de sectores militares e universitários, mais tradicionalistas, mas também sectores "avançados" do Republicanismo. Ao seu dinamismo, e notável patriotismo, de que deu sobejas provas, juntava-se uma pena brilhante e uma oratória emotiva e arrebatadora, logrando, pelo prestígio entretanto alcançado, contagiar a comunicação social da época. E... talvez mais do que a Comunicação Social.


Registaram-se, então, duas tentativas frustradas de ocupação militar da Praça de Olivença, ambas no contexto da Guerra Civil espanhola. A primeira, da iniciativa do então Tenente Rodrigo Pereira Botelho, do Batalhão de Caçadores 8, de Elvas, que se dispôs a ocupar, voluntariamente, a cidade, renunciando somente perante as ordens expressas de Salazar. A outra, da iniciativa da Legião Portuguesa, a que não seria alheia a presença do General Humberto Delgado como adjunto-militar desta organização (recorde-se que Delgado só rompeu com o salazarismo em 1958), resultou em novo fracasso. O General, um dos fundadores do Grupo dos Amigos de Olivença, teria montado uma operação militar com vista à recuperação do território, que não terá sido concretizada devido à falta de apoio do Governador Civil de Portalegre.


A Sociedade Pró-Olivença extinguiu-se, mas a acção mobilizasdora de Ventura Ledesma Abrantes levou à criação, em 21 de Novembro de 1945, do Grupo dos Amigos de Olivença. O oliventino conseguiu que nele ingressassem nomes como Queiroz Veloso, Hernâni Cidade, Mário Neves, Sidónio Muralha, Luís de Almeida Braga, José Pontes, Luís Lupi, Humberto Delgado, Tomé Feteira, Cupertino de Miranda, Hipólito Raposo, Paulo Caratão Soromenho, Jaime Cortesão, Raul Machado, Ferreira Martins, Raul Lello Portela, Gustavo de Matos Sequeira, Domingos de Sousa e Holstein (Duque de Palmela), Sarmento Rodrigues, Mendes Cabeçadas, ou ainda, curiosa e exoticamente, o Batalhão de Metralhadoras n.º 3, do então Capitão Sousa e Castro (!!!).


Gente ilustre dos mais diversos quadrantes políticos, como se vê, convicta de que Olivença era, e é, para muitos, uma causa nacional ainda não sublimada. E é também, pode-se afirmá-lo, uma empresa de monta quer pela passividade e quase inércia do Estado Português, quer pela tradicional inflexibilidade espanhola, muito raramente posta de parte. Uma das mais originais iniciativas deste diferendo foi promovida pelo Núcleo do Porto do Grupo dos Amigos de Olivença, em 27 de Julho de 1954: o "Dia de OLivença", na Rua do mesmo nome no Porto, onde se concentraram as bandeiras das colectividades de Cultura, Recreio, e Desporto da Cidade do Porto e dos Concelhos vizinhos de Vila Nova de Gaia, Maia, Gondomar, etc., as quais alinharam por toda a artéria. Organizou-se um cortejo, e ouviram-se grandes aplausos dos moradores e do público. Não foram proferidos discursos, já que Salazar não era particular simpatizante desta Causa.


7) ASPECTOS INSTITUCIONAIS


A nível institucional, todavia, nem tudo foi ou é negativo. O contencioso fronteiriço tem sido ventilado através da Comissão de Limites Luso-Espanhola, entidade agregada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, a qual, metodicamente, se tem recusado a colocar os cem marcos fronteiriços em falta (numerados de 801 a 900)a delimitar a área em litígio, contra as pretensões da Espanha. Neste ponto, o embaixador Carlos Empis Wemans, presidente da dita Comissão na década de 1980, e mesmo posteriormente, foi peremptório: «Portugal nunca reconheceu oficialmente a situação. Olivença, do ponto de vista legal, continua a ser nossa [portuguesa}. Daí que, correspondendo a contactos pontuais da Espanha sobre problemas da região, respondemos sempre que "de Jure" é portuguesa».


Foi, aliás, esta a posição defendida pelo representante espanhol na Comissão de Limites, numa das poucas "brechas" na habitual inflexibilidade espanhola, quando, em 1974, instado a analisar juridicamente o assunto, reconheceu, por escrito, a razão e a legitimidade de Portugal! Em 1982, o Almirante Pinheiro de Azevedo pretendeu ocupar pacificamente Olivença, projectando uma Marcha Verde sobre a cidade, sem resultados práticos. O que, afinal, não passava de uma ideia exposta no seu livro "Olivença está cativa pela Espanha". Aliás, entre 1981 e 1983, este ex-Primeiro Ministro, na sua condição de Presidente do Movimento Patriótico Pró-Olivença (nome que procurou dar aos Grupo dos Amigos de Olivença) protagonizou, com o apoio de alguns jornais, uma página do irredentismo oliventino; depois disso, nunca mais, até recentemente, os órgãos de comunicação evidenciaram grande interesse ou particular curiosidade pelo tema.


Em 1990, o então Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva assinou um convénio com o Governo Espanhol no sentido de se concretizar a reconstrução da monumental Ponte da Ajuda (manuelina), a qual voltaria, finalmente, a ligar Elvas a Olivença. Contrariando as expectativas espanholas, mas com a sua aparente anuência, o Governo Português decidiu proceder à execução da obra na sua totalidade, excluindo a Espanha de qualquer participação no projecto. Novamente o Embaixador Carlos Empis Wemans veio explicar esta resolução defendendo-a nos seguintes termos: «O Estado Português não se pode envolver em nenhum projecto que contemple o reconhecimento do traçado da fronteira num local em que não há consenso em relação a ela». Deste modo ficaram, uma vez mais, salvaguardados os direitos de Portugal sobre o território de Olivença.


A nova Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença [nota:em 2001] tem-se empenhado em alertar as entidades competentes do País para a resolução definitiva deste contencioso fronteiriço que se arrasta, inglório, há perto de 200 anos. Nesse sentido, tem organizado debates, promovido exposições, distribuído comunicados e marcado presença em todas as manifestações de carácter patriótico sem cunho partidário. Contudo, as limitadas capacidades financeiras do G.A.O. e o boicote sistemático da Comunicação Social têm obstado a que a questão seja mais do domínio público.

(continua...)
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 29 jul 2008, 14:23

8) A CULTURA

Neste momento, e enquanto a situação vigente não for alterada, é urgente preservar o que resta da Cultura Portuguesa após duzentos anos de ocupação e aculturação espanholas. Não se trata apenas da manutenção da língua e dos costumes, que se vão perdendo irremediavelmente (?) com o tempo, mas, sobretudo, de proteger todo o vasto património histórico e arquitectónico(incluindo o popular) existente no território, hoje ameaçado pela inevitável castelhanização. De salientar que Olivença possui um conjunto invulgar de edifícios militares e religiosos, alguns deles no melhor estilo manuelino, constituindo um dos núcleos mais importantes do País no seu género. Quanto à Questão de Olivença, a solução diplomática é possível e desejável. Olivença não é nem será um "casus belli", mas é pertinente a resolução do diferendo, até para que se estabeleça, em definitivo, a concórdia e a harmonia entre os dois povos peninsulares que ao longo dos séculos têm sido prejudicadas pela desconfiança mútua.

9) DOIS GRANDES INTELECTUAIS PORTUGUESES E OLIVENÇA

a)O PROF. HERNÂNI CIDADE(1887-1975) E OLIVENÇA (grande intelectual português, um dos maiores do século XX; anti-salazarista, teve muitos problemas com a "censura"; com Ricardo Rosa e Alberty, professor primário perseguido por Salazar, dirigiu o Grupo dos Amigos de Olivença até à sua morte).
(O texto seguinte deve datar de meados da década de 1950)
Sem já falar de tratdos por cumprir que fundamentam a reivindicação portuguesa e não existem para a feita pela Espanha, é de evidência gritante que em Gibraltar, se o solo é espanhol, a cidade e o forte são ingleses, enquanto em Olivença é português o solo e portuguesa a cidade, no que ela tem de monumental e típico. Portuguesa ainda a língua, apesar dos esforços realizados pela escola e pela polícia no sentido de tudo castelhanizar. Jamais o nosso silêncio dará motivo a que se exerça contra a nossa reivindicação "o direito de prescrição". Jamais a nossa mudez justificará qualquer das interpretações que nos vexariam; ou a da aceitação definitiva do "facto consumado", ou da deserçaõ da causa pela inutilidade do esforço para a fazer triunfar. (...) Não desistiremos... Não queremos que o país vizinho nos vença em consciência patriótica, na defesa dos próprios direitos. (...)

b)JAIME CORTESÃO (1884-1960) E OLIVENÇA
(Jaime Cortesão foi uma das maiores figuras do século XX português, opositor declarado de Salazar, foi perseguido, expulso de universidades, etc. Escreveu páginas de Literatura e História. Nunca teria elogiado uma organização salazarista....)
(texto da década de 1940)
Uma sociedade benemérita, - o Grupo dos Amigos de Olivença, - esforça-se, há alguns anos, por manter viva no público a consciência de que aquela vila portuguesa e seu território, há cerca de 140 anos sob domínio espanhol, deven ser reintegrados no corpo mutilado da nação. Se o Tratdo de Badajoz a incorporou injutamente `Espanha; anulado que foi esse convénio pelo Tratdo de Paris de 1814; reconhecidos que foram os direitos de Portugal sobre essa vila e seu território pelo Congresso de Viena em 1815, e, pelo tratado de 1817, ficou a Espanha obrigada a restituir a quem de direito Olivença e seu termo. Não obstante, a mesma Espanha ainda não cumpriu aquela obrigação. (...) Olivença pertence, pois, em corpo e espírido,a Portugal. Procurando firmar bem esse facto, cumprimos um singelo dever de português.


10)BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


Abrantes, Ventura Ledesma, "Anais da Velha Vila Portuguesa de Olivença", n.º1, Lisboa, 1951;
Alberty, Ricardo Rosa y, "A Questão de Olivença", Macau, Centro de Informação e Turismo de Macau, s/data;
Arquivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Processo "Questão de Olivença", Lisboa;
Azevedo, José Pinheiro de, "Olivença está cativa pela Espanha - Por culpa de quem?", Lisboa, Básica Editora, 1982;
Ferreira, José Medeiros, "Um Século de Problemas - As Relações Luso-Espanholas, da União Ibérica à Comunidade Europeia", Lisboa, Livros Horizonte, 1989;
Garcia, Manuel, e Maurício, Lourdes, "O Caso DElgado - Autópsia da Operação Outono", Lisboa, Edições Jornal Expresso, 1977;
Gaxotte, Pierre, "A REvolução Francesa", Porto, Livraria Tavares Martins, 1945;
"Grupo dos Amigos de Olivença", in "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", vol. XIX, Lisboa, Editorial Enciclopédia;
Jordão, José Gambôa de Abranches, "Olivença", Lisboa, 1938; Neves, José Acúrsio das, "História Geral da Invasão dos Franceses em Poertugal e da Restauração deste Reino", Porto, Afrontamento, Vol. I, (1810);
Oliveira, António Bandeira de, "Breve História do Grupo dos Amigos de Olivençpa", in "Estatutos, Grupo dos Amigos de Olivença - Sociedade Patriótica", Lisboa, Grupo dos Amigos de Olivença, 1999 (brochura policopiada);
Olivença, Bolhetim do Grupo dos Amigos de Olivença, Lisboa, n.º 2, 1955; Olivença - Terra Portuguesa, Lisboa, Grupo dos Amigos de Olivença, s/data; "Olivença", in "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", vol. XIX, Lisboa, Editorial Enciclopédia;
Pereira, António Manuel, "Olivença é Terra Portuguesa"-"Como a obtivemos e a perdemos", edição do autor, 1964;
Rodrigues, Mário Rui Simões, "Olivença, Um Território Português Ilegalmente Ocupado Pela Espanha", Lisboa, s/data (folha policopiada); Veiga, S.P.M. Estácio da, "Gibraltar e Olivença - Apontamentos para a História da Usurpação destas Duas Praças", Lisboa, Typographia da Nação, 1863;
Veloso, José Maria de Queiroz, "Como perdemos Olivença", Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1939
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 11 set 2008, 21:20

711 Anos do Tratado de Alcanices

Em 12 de Setembro de 1297 foi assinado o Tratado de Alcanices, entre os soberanos de Portugal e Castela, que fixou a fronteira entre os dois Estados peninsulares com o reconhecimento da soberania portuguesa sobre os territórios e povoações de Riba-Côa, Ouguela, Campo Maior e Olivença. Os limites então estabelecidos mantiveram-se até hoje, assim se constituindo a mais antiga e estabilizada fronteira nacional da Europa.

Todavia, em 1801, o Estado vizinho ocupou a vila portuguesa de Olivença, situação que se mantém desde então e apesar das determinações e acordos internacionais (designadamente o Tratado de Viena de 1815) e dos próprios compromissos assumidos pelo Estado espanhol.

Na passagem de 711 anos sobre o Tratado de Alcanices, o Grupo dos Amigos de Olivença lembra a ilegalidade em que se encontra aquela parcela de Portugal.
Esta associação - continuando o testemunho de tantos vultos que pugnaram pela portugalidade de Olivença, como Ventura Ledesma Abrantes, cidadão oliventino, Fernando Pessoa, Hernâni Cidade, Jaime Cortesão, Queiroz Veloso, Torquato de Sousa Soares, Humberto Delgado, Miguel Torga, Ricardo Rosa e Alberty - reclama-se, muito simplesmente, da posição jurídico-política portuguesa, consagrada constitucionalmente: Portugal não reconhece legitimidade na ocupação de Olivença por Espanha, considerando que o território é português de jure.

Sabida a delicadeza da Questão de Olivença no relacionamento peninsular, como ponto de fricção e causa de desconfianças e equívocos, o GAO entende que só a assunção aberta do diferendo pela diplomacia dos dois Estados peninsulares permitirá resolvê-lo com Justiça.

Entretanto, as Autoridades nacionais deverão assumir e levar por diante uma política de defesa e salvaguarda da Língua e da Cultura portuguesas em Olivença, contra a qual, decerto, não serão levantadas obstruções pelo Estado espanhol.

O Grupo dos Amigos de Olivença, exorta os portugueses, detentores da Soberania Nacional, a exigirem e sustentarem o reencontro com Olivença, repudiando dois séculos de separação e alheamento e dando satisfação à História, à Cultura, ao Direito e à Moral.

Lisboa, 10-09-2008.

SI/GAO

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Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo) - 1150-268 Lisboa
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Fax. 21 259 05 77
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 25 nov 2008, 16:34

Grupo dos Amigos de Olivença
http://www.olivenca.org




Viva o 1.º de Dezembro!


No próximo 1.º de Dezembro comemoram-se 368 anos da Restauração da Independência.
Logo em 5 de Dezembro de 1640, Olivença, assim que lhe chegaram notícias da revolta, repudiou o domínio filipino e fez jus à divisa que lhe fora outorgada pelos Reis de Portugal: NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA!

Ocupada militarmente em 1801, desde então sob administração espanhola e forçadamente separada das demais terras portuguesas, Olivença constitui alerta eloquente para todos aqueles que querem um Portugal verdadeiramente livre e independente.

Lembrando a NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA, e apelando à participação cívica de todos na defesa da sua portugalidade, o Grupo dos Amigos de Olivença participará como habitualmente nas comemorações públicas do Dia da Restauração.

Convidam-se todos os associados e apoiantes a integrarem a Comitiva do Grupo dos Amigos de Olivença que se concentrará, no dia 1.º de Dezembro, às 15:30 horas, frente à Casa do Alentejo, dali saindo para comparecer nas cerimónias oficiais que terão lugar às 16:00 horas, na Praça dos Restauradores, em Lisboa.



Para Lembrar e Reencontrar Olivença!



Lx., 23-11-2008.
A Direcção


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http://www.olivenca.org - olivenca@olivenca.org
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 01 dez 2008, 21:31

Viva o 1º de Dezembro!

Comunicado da Associaçom Galega da Língua (AGAL) e o Grupo de Amigos de Olivença (GAO)


AGAL / GAO - Este 1º de Dezembro comemoram-se 368 anos da Restauração da Independência, é dizer, do Levantamento o 1 de Dezembro de 1640 do povo português, chefiado pelo Duque de Bragança, contra do domínio castelhano.

Se não se tivesse produzido, hoje a nossa língua não seria internacional e na península a situação que padece na Galiza, seria a de toda a faixa peninsular ocidental.

É bem certo que depois de 1640 a Galiza como elemento que formou parte sempre da portuguesidade, que não é outra cousa que um modo de ser galego, esvaeceu-se como em grande maneira se passou com o resto peninsular todo. Portugal garantiu a sua independência virando as costas ao resto peninsular e fazendo as suas próprias redes internacionais e o seu próprio mundo.

Na altura em que andamos as cousas já não ocorrem assim, a única maneira de garantirmos o futuro da Galiza é ligarmo-nos o mais possível com a Galiza que mora em Portugal e é o seu cerne, e com a lusofonia toda e a internacionalidade da nossa língua do G-8 linguístico, não por convite de amigos vamos estar aí e sim por condição nacional e genésica.

Logo em 5 de Dezembro de 1640, Olivença, assim que lhe chegaram notícias da revolta, repudiou o domínio filipino e fez jus à divisa que lhe fora outorgada pelos Reis de Portugal: NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA! Essa Olivença que conformou o território de Portugal sempre, já reconhecida no tratado de Alcanhizes de 1297.

Em 1801 foi ocupada militarmente na chamada guerra das Laranjas, desde então sob administração espanhola e forçadamente separada das demais terras portuguesas, Olivença constitui alerta eloquente para todos aqueles que querem Portugal.

Nas poucas ocasiões em que a «Questão de Olivença» é assunto de conversa ou objecto de notícia nos média, verifica-se que o assunto, além de ser entendido como menos relevante, até risível, suscita os maiores equívocos e apresenta-se envolto em acentuado desconhecimento. Designadamente no que toca à legitimidade e pertinência da soberania portuguesa.

Ora, se o enquadramento jurídico-diplomático da Questão de Olivença continua a causar profundo incómodo nas relações luso-espanholas (muito mais do que a hipocrisia e cautelas das chancelarias permite revelar), é curial que sobre o tema se produza uma melhor aproximação e, logo, um melhor esclarecimento.

No que importa para a atitude que tem de ser a do Estado português, tudo resulta do facto – desconhecido habitualmente – de Olivença ser, para a nossa ordem jurídica, uma parte do território nacional.

Independentemente, pois, do resultante de quaisquer normas internacionais, aliás insofismavelmente legitimadoras da posição portuguesa. De facto, o Tratado de Badajoz de 1801, que concedia o território a Espanha, foi denunciado (declarado «nulo e de nenhum vigor») pelo Manifesto de 1 de Maio de 1808. Por este acto legislativo, jamais revogado e plenamente em vigor, a assunção da nossa soberania sobre o território passou a constituir Direito interno, necessariamente vinculativo.

O que, no devir histórico, encontrou sempre consagração nas constituições portuguesas, nomeadamente na actual que, absolutamente, atendeu a essa assunção, indicando que «Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu» (art.º 5.º-1, aspecto assinalado pelos nossos constitucionalistas, cf. Jorge Miranda, «Manual Dir. Constitucional», Gomes Canotilho e Vital Moreira, «Constituição da República Portuguesa Anotada»), proclamando que «o Estado não aliena qualquer parte do território português» (art.º 5.º-3) e estabelecendo que é «tarefa fundamental do Estado (...) garantir a independência nacional» (art.º 9.º), «assegurar a defesa nacional» e, com esta, «a integridade do território» (273.º).

Tendo a Constituição portuguesa o cuidado de estabelecer e proclamar, nestes termos, os nossos limites territoriais e as obrigações do Estado, salvaguardou os direitos de Portugal sobre o território oliventino e conduziu à obrigação legal de todos os órgãos de soberania e seus titulares, de todo o Estado e dos seus representantes, do mais alto magistrado ao mais modesto funcionário actuarem em conformidade. Mas, necessariamente, esse Direito também se impõe ao cidadão comum, enquanto tal, e vincula-o. O que vale por dizer que estão os órgãos de soberania obrigados à tomada das medidas apropriadas para a retrocessão de Olivença, é vedado às demais instituições públicas e à Administração em geral qualquer conduta que eventualmente possa fragilizar o desiderato constitucional e exige dos portugueses que, como cidadãos, suscitem e pugnem pela resolução do litígio.

É de deixar registado que o Estado, ao longo do tempo que Olivença leva sequestrada, tem cautelosamente publicitado a sua soberania formal: afirmação da Assembleia da República de que «de jure, Olivença é parte de Portugal»; declarações públicas e regulares do Governo sustentando que se mantém «a doutrina jurídico-política que tem sido seguida relativamente ao território de Olivença»; autonomização de Olivença, por parte do Governo, relativamente ao território do país vizinho, quando aquela se encontra abrangida em qualquer empreendimento luso-espanhol; recusa, na Comissão Internacional de Limites, em delimitar a fronteira entre o Rio Caia e a Ribeira de Cuncos; não indicação, na cartografia oficial, desse mesmo limite fronteiriço; parecer do Conselho Consultivo da PGR, homologado, que estabelece que os naturais de Olivença têm direito a Bilhete de Identidade português; decisões judiciais considerando que «o direito do estado português sobre o território oliventino é um dado adquirido face à ordem interna e internacional».

Na ordem internacional continua a vigorar o entendimento assumido e proclamado no Congresso de Viena de 1815 que, reunindo todas as potências beligerantes, entre elas os dois Estados peninsulares, pôs termo às Guerras Napoleónicas e estabeleceu uma nova ordem internacional, decidindo concretamente, a respeito de Olivença, que «Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt» (Art.º 105.º do Tratado de Viena, também subscrito por Espanha).

Os portugueses sentem todos orgulho desta data e ademais alguns como os Amigos de Olivença convidam todos os associados e apoiantes a integrarem a Comitiva do Grupo dos Amigos de Olivença que se concentrará, no dia 1.º de Dezembro, às 15:30 horas, frente à Casa do Alentejo, dali saindo para comparecer nas cerimónias oficiais que terão lugar às 16:00 horas, na Praça dos Restauradores, em Lisboa.

Para a Galiza espanhola o termos uma Galiza que se chama Portugal (Portucale - porto dos calecos -e porto é um outro nome para a palavra refúgio-) é algo que nos deve encher de satisfação e orgulho sentindo este dia como algo que não por ser português é também muito nosso.

Viva o 1º de Dezembro. Olivença a Portugal já.
Viva a nossa língua internacional, obrigados estamos aos galegos e galegas do sul do Minho

Associaçom Galega da Língua (AGAL) / Grupo de Amigos de Olivença (GAO)




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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 12 jan 2009, 16:43

Sobre Olivença - Esclarecimentos aos ignorantes

Por desconhecimento - seguramente - quando se fala de Olivença alguns entendem que é uma questão menor, que "se ouçam os oliventinos".
A ignorância não é boa companheira. Falar por falar é temerário.
Vou dar breves notas sobre a Questão Oliventina , para se compreender melhor porque falo e a razão jurídico-política de Olivença dever ser devolvida à soberania portuguesa.
Olivença está desde 1801 nas mãos de Espanha.

Todavia, Olivença e seu termo é território português desde o Tratado de Alcanices, que delimitou fronteiras entre Portugal e o Reino vizinho.
Veja-se aqui:http://semiramis.weblog.com.pt/arquivo/2005/09/tratado_de_alca.html
Quando Espanha se aliou a Napoleão Bonaparte - para destruir a Inglaterra, pelo chamado "Bloqueio Continental" - invadiu Portugal em 1801, na chamada "Guerra das Laranjeiras".
Para evitar mais estragos, foi celebrado o Tratado de Badajoz, em 1801, pelo qual Portugal cedeu Olivença e seu termo .
Tratou-se de imposição militar, pela força, sem legitimidade alguma.
Esta situação foi a "punição" que Espanha e a França deram a Portugal por não querer fechar os portos aos navios britânicos.
Depois de 1801 sucederam-se as invasões francesas a Portugal e a anexação do Reino de Espanha pela França, que impôs como Rei , em Espanha, o irmão de Napoleão Bonaparte, José.
Com a Casa Real Portuguesa fugida no Brasil, a Inglaterra apoiou Portugal contra os exércitos franceses, que foram sendo derrotados um após outro em 1808, 1809 e 1810 e 1811.
Os soldados portugueses - mais de 100.000 homens - enquadrados pelos ingleses, combateram contra os franceses em Portugal e em Espanha, para libertar os dois países do jugo de Napoleão, enquanto o Rei Espanhol que tinha mandado invadir Olivença, foi apanhado pelos franceses quando ia a tentar fugir para a Argentina!!!
De 1808 a 1814, milhares de soldados portugueses mataram e morreram em Espanha a lutar pela libertação dos espanhóis e de Espanha, contra os franceses e a França.

Quando a Península Ibérica foi libertada e Napoleão derrotado em Waterloo, em 1815, foi celebrado um tratado pelo qual Portugal devolveu a Espanha várias vilas que mantinha em seu Poder e devolveu à França a Guiana Francesa - que fora conquistada por D. João VI mal chegou ao Brasil - e Espanha ficou obrigada a devolver a Portugal a vila de Olivença e seu termo
Nunca o fez até hoje.

Os espanhóis seguiram a política de irem obrigando os oliventinos de nascença, portugueses, a sair de Olivença e a colonizar Olivença com espanhóis dos quatro cantos, para despersonalizar a terra, combater o portuguesismo.
Todavia Espanha quer a todo o custo reaver o rochedo de Gibraltar e luta por isso, apesar de ter sido conquistado pela Inglaterra em 1713! veja-se aqui:http://pt.wikipedia.org/wiki/Gibraltar

Portugal deve lutar pela observância dos tratados, pela devolução de Olivença.
Por exemplo, qual de nós não exigiria a devolução de um terreno se nos tivesse sido violentamente tirado? Quem aceitaria pedir a opinião ao abusador? Quem aceitaria não reaver o que é seu?

Pois! Olivença faz parte do Território Português, pelo que só a cobardia e a ausência de sentido de Estado impede que se exija de Espanha o que ela exige do Reino Unido.
Por fim, quem não sabe é melhor informar-se e perceber que há mais vida para além do prato de lentilhas que tem debaixo dos beiços!

Portugal lutou pela independência de Timor e conseguiu.
Ganhou em dignidade.
Porque não luta por Olivença.como os espanhóis lutam por Gibraltar?
Espanha cedeu Gibraltar por ter sido derrotada militarmente, mas fê-lo ao abrigo de um Tratado Internacional.

Agora quer Gibraltar!
Bom, porque não há-de querer Portugal Olivença se está nas mesmas condições de tempo , lugar e modo?

Por fim: Gosto de problematizar, de discutir as coisas, mas por favor quem não sabe deve estudar, que é o que eu faço quando não sei.
Portugal não está à venda, nem a omissão é menos criminosa.
Portugal não conquistou aos mouros o actual Sul de Espanha - os mouros só saíram de Granada em 1492! - porque o Papa nos impediu.
Mas Olivença é território português!
Espanha tem sido cobarde em relação a Portugal.

Isso eu não permito porque, como disse Camões, nos Lusíadas, Canto Primeiro, 3:
"Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das grandes vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta." .

Por Portugal.


José Maria Martins
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 18 jan 2009, 15:40

- Qual deve ser o futuro do de Olivença e Táliga?

- Deve caminhar para um estatuto de vinculação a Portugal e a Espanha.
Começando pela livre presença da nossa cultura, com uma delegação oficial portuguesa,
e a dupla nacionalidade dos que a quisessem.


General Loureiro dos Santos, Ex-CEMFA
(Extracto de uma entrevista ao CM - 18 Janeiro 2009)
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Xico Picão » 22 jan 2009, 21:12

Grupo dos Amigos de Olivença



Nota Informativa

Encontrando-se novamente o Presidente do Governo de Espanha e o Primeiro-ministro de Portugal, na XXIV Cimeira Luso-Espanhola, em Zamora, a Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença lembra e faz notar o seguinte:

A Questão de Olivença, inquestionavelmente presente na realidade política luso-espanhola, continua por resolver, não reconhecendo Portugal a soberania de Espanha sobre o território e considerando este, de jure, português.

Cada dia que passa torna mais premente que a Questão de Olivença, constituindo factor de desconfiança e reserva que continua a prejudicar o relacionamento entre os dois Estados, com reflexos em áreas relevantes da política bilateral, seja inscrita - com natural frontalidade e sem subterfúgios - na agenda diplomática luso-espanhola.

Nas circunstâncias actuais, em que Portugal e Espanha se inscrevem nos mesmos espaços e alianças, com salutar colaboração em vastas áreas, estão afastadas as razões que tradicionalmente impediram que o assunto fosse discutido de forma adequada e nos precisos termos da Legalidade e do Direito Internacional.

O Grupo dos Amigos de Olivença, com a legitimidade que lhe conferem 71 anos na defesa da portugalidade da Terra das Oliveiras, a pugnar pelo seu reencontro com Portugal, desafia os Governantes dos dois Estados - e, especialmente, o Primeiro-ministro português - a darem início a conversações que, no respeito pela História, pela Cultura e pelo Direito, conduzam à solução justa do litígio.

O Grupo dos Amigos de Olivença, dando voz a tantos portugueses, a tantos oliventinos, apela ao Governo de Portugal para que tome a iniciativa de sustentar sem tibiezas os direitos de Portugal e espera que o Governo de Espanha se disponha a respeitar o Direito Internacional.

OLIVENÇA, TERRA PORTUGUESA!
VIVA OLIVENÇA PORTUGUESA!

http://www.olivenca.org

Serviço Informativo do GAO.
Lisboa, 20 de Janeiro de 2009.
Olivença é Terra Portuguesa!

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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 04 fev 2009, 20:06

OLIVENTINOS SÃO PORTUGUESES E TÊM DIREITO A BILHETE DE IDENTIDADE

»...É de deixar registado que o Estado, ao longo do tempo que Olivença leva sequestrada, tem cautelosamente publicitado a sua soberania formal: afirmação da Assembleia da República de que «de jure, Olivença é parte de Portugal»; declarações públicas e regulares do Governo sustentando que se mantém «a doutrina jurídico-política que tem sido seguida relativamente ao território de Olivença»; autonomização de Olivença, por parte do Governo, relativamente ao território do país vizinho, quando aquela se encontra abrangida em qualquer empreendimento luso-espanhol; recusa, na Comissão Internacional de Limites, em delimitar a fronteira entre o Rio Caia e a Ribeira de Cuncos; não indicação, na cartografia oficial, desse mesmo limite fronteiriço; parecer do Conselho Consultivo da PGR, homologado, que estabelece que os naturais de Olivença têm direito a Bilhete de Identidade português; decisões judiciais considerando que «o direito do estado português sobre o território oliventino é um dado adquirido face à ordem interna e internacional».

Na ordem internacional continua a vigorar o entendimento assumido e proclamado no Congresso de Viena de 1815 que, reunindo todas as potências beligerantes, entre elas os dois Estados peninsulares, pôs termo às Guerras Napoleónicas e estabeleceu uma nova ordem internacional, decidindo concretamente, a respeito de Olivença, que «Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt» (Art.º 105.º do Tratado de Viena, também subscrito por Espanha).

Associaçom Galega da Língua (AGAL)/Grupo de Amigos de Olivença (GAO)
in A VOZ PORTALEGRENSE
http://avozportalegrense.blogspot.com/
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 22 fev 2009, 16:14

Honra de ser português

O anúncio da canonização de D. Nuno Álvares Pereira mostra que nunca é tarde para se fazer as coisas certas. Neste homem, que a Igreja Católica de Roma vê motivos para elevar aos altares, os portugueses têm razões para sentir um imenso orgulho.

Ele contribuiu com o seu génio militar para manter a independência nacional numa crise marcada pelo peso da vontade popular. E personificou o que nos seres humanos mais se deve admirar: inteligência, coragem, honra e solidariedade para com os seus semelhantes.

De Nuno Álvares Pereira conta-se uma peripécia histórica que marca quem tem ideia do que é a honra de ser português. Afirmada a independência nos campos de batalha e lançado o projecto prodigioso de dar novos mundos ao mundo, apostando na ciência e na audácia, os vizinhos de Castela continuavam a cobiçar o território. Um embaixador veio avaliar a situação e encontrou-se com o Condestável. Ele recebera pelo seu talento muitos bens e honrarias, mas tudo deixou para trás no caminho de concretização da sua fé. O visitante encontrou no convento um monge débil, mas partiu sem ilusões porque por debaixo do burel o carmelita usava partes da armadura de guerreiro.

Portugal deve sentir honra em homens destes. E o principal não é serem santos. Grave é rarear a ideia de ser português com honra.


João Vaz, Redactor principal

http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx ... 0000000093
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 22 fev 2009, 16:17

Espanha atrasou canonização



Bento XVI anunciou ontem a canonização de D. Nuno Álvares Pereira. "Desde a restauração da independência de Portugal que os espanhóis o passaram a ver o condestável com maus olhos", diz D. Duarte de Bragança, seu descendente. Um factor que atrasou o processo, tal como a guerra colonial

D. Nuno passará a santo em cerimónias em Fátima ou Vila Viçosa

"A partir da restauração da independência de Portugal os espanhóis passaram a ver D. Nuno Álvares Pereira com maus olhos. E esta foi a grande razão pelas qual o processo de canonização nunca foi para a frente. " Quem o diz é D. Duarte de Bragança, descendente do Condestável e um dos grandes promotores da causa, que de acordo com as suas próprias palavras terá desenvolvido, a partir de 2000, contactos com as igrejas espanhola e portuguesa, para que esta fosse reconhecida e o processo avançasse. Contudo, reconhece, a guerra colonial, nos anos 60 também terá dado um contributo para os atrasos neste processo, que se arrastou durante décadas, porque D. Nuno Álvares Pereira era um militar.

Ontem a causa atingiu o seu fim. O Papa Bento XVI anunciou a canonização de dez beatos, entre os quais o português Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, de acordo com um comunicado do Vaticano. Nuno Álvares Pereira integra, ao lado de quatro italianos, o primeiro grupo, que será canonizado no dia 26 de Abril próximo.

O guerreiro e carmelita Nuno Álvares Pereira, que viveu entre 1360 e 1431, já fora beatificado em 1918 por Bento XV. Mas só nos últimos anos, a Ordem do Carmo (em que ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiu retomar a defesa da causa da sua canonização. E o processo foi reaberto a 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, em sessão solene presidida por D. José Policarpo. Uma cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano, relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo, por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe, foi o passo final.

Apesar dos atrasos, D. Duarte considera que a canonização de D. Nuno Álvares Pereira chegou no momento certo. "Porque os valores que ele defendia, como o amor pelos adversários, a tolerância religiosa e a defesa da pátria, estão nesta altura a precisar de ser realçados".

D. Duarte recorda ainda que o processo de canonização esteve para ser concluído por decreto durante a segunda Guerra Mundial, pelo Papa Pio XII, mas o Governo português da altura não aceitou por considerar que não teria o mesmo valor.

Agora, a Fundação D. Manuel I está a promover "uma peregrinação ao Vaticano" para assistir à cerimónia da sua canonização, diz o descendente da família rela portuguesa. Mas D. Duarte quer também que se realizem no mesmo dia cerimónias em Fátima e em Vila Viçosa. Esta, por ser um local a que o Santo Condestável estava muito ligado, tendo lá mandado construir uma igreja. E em Fátima, por ser um local de culto, mas também porque a vila pertence ao concelho de Ourém e D. Nuno Álvares Pereira era conde de Ourém, salienta D. Duarte.


ANA TOMÁS RIBEIRO - DN
http://dn.sapo.pt/2009/02/22/sociedade/ ... zacao.html
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 15 mar 2009, 18:18

Olivença na imprensa britânica

Daniel Hannan, político, escritor e jornalista inglês, com vasta obra publicada sobre política europeia, debruçou-se agora, com saber e perspicácia, sobre a Questão de Olivença em artigo no Telegraph, cuja tradução para português se transcreve (segue-se o original em inglês).

«SE A ESPANHA QUER GIBRALTAR, QUANDO TENCIONA DEVOLVER OLIVENÇA?
Daniel Hanan

E se tivesse sido ao contrário? E se a Espanha tivesse tomado um pedaço de território de alguém, forçado a nação derrotada a cedê-lo num tratado subsequente, e o mantivesse ligado a si? Comportar-se-ia Madrid como quer que a Grã-Bretanha se comporte em relação a Gibraltar? Ni pensarlo!

Como é que eu posso estar tão certo disso? Exactamente porque existe um caso assim. Em 1801, a França e a Espanha, então aliadas, exigiram que Portugal abandonasse a sua amizade tradicional com a Inglaterra e fechasse os seus portos aos navios britânicos. Os portugueses recusaram firmemente, na sequência do que Bonaparte e os seus confederados espanhóis marcharam sobre o pequeno reino. Portugal foi vencido, e, pelo Tratado de Badajoz, obrigado a abandonar a cidade de Olivença, na margem esquerda do Guadiana.

Quando Bonaparte foi finalmente vencido, as Potências europeias reuniram-se no Congresso de Viena de Áustria para estabelecer um mapa lógico das fronteiras europeias. O Tratado daí saído exigiu um regresso à fronteira hispano-portuguesa (ou, se se preferir, Luso-espanhola) anterior a 1801. A Espanha, após alguma hesitação, finalmente assinou o mesmo em 1817. Mas nada fez para devolver Olivença. Pelo contrário, trabalhou arduamente para extirpar a cultura portuguesa na região, primeiro proibindo o ensino do Português, depois banindo abertamente o uso da língua.

Portugal nunca deixou de reclamar Olivença, apesar de não se ter movimentado para forçar esse resultado (ameaçou hipoteticamente com a ideia de ocupar a cidade durante a Guerra Civil de Espanha, mas finalmente recuou). Embora os mapas portugueses continuem a mostrar uma fronteira por marcar em Olivença, a disputa não tem sido colocada na ordem do dia no contexto das excelentes relações entre Lisboa e Madrid.

Agora vamos analisar os paralelismos com Gibraltar. Gibraltar foi cedida à Grã-Bretanha pelo Tratado de Utrecht (1713), tal como Olivença foi cedida à Espanha pelo Tratado de Badajoz (1801). Em ambos os casos, o país derrotado pode reclamar com razões que assinou debaixo de coacção, mas é isto que acontece sempre em acordos de paz.

A Espanha protesta que algumas das disposições do Tratado de Utrecht foram violadas; que a Grã-Bretanha expandiu a fronteira para além do que fora estipulado primitivamente; que implementou uma legislação de auto-determinação local em Gibraltar que abertamente é incompatível com a jurisdição britânica especificada pelo Tratado; e (ainda que este aspecto seja raramente citado) que fracassou por não conseguir evitar a instalação de Judeus e Muçulmanos no Rochedo. Com quanta muito mais força pode Portugal argumentar que o Tratado de Badajoz foi derrogado. Foi anulado em 1807 quando, em violação do que nele se estipulava, as tropas francesas e espanholas marcharam por Portugal adentro na Guerra Peninsular. Alguns anos mais tarde, foi ultrapassado pelo Tratado de Viena.

Certamente, a Espanha pode razoavelmente objectar que, apesar dos pequenos detalhes legais, a população de Olivença é leal à Coroa Espanhola. Ainda que o problema nunca tenha passado pelo teste de um referendo, parece com certeza que a maioria dos residentes se sente feliz como está. A língua portuguesa quase morreu excepto entre os mais velhos. A cidade (Olivenza em espanhol) é a sede de um dos mais importantes festivais tauromáquicos da época, atrai castas e matadores muito para além dos sonhos de qualquer pueblo de tamanho similar. A lei portuguesa significaria o fim da tourada de estilo espanhol e um regresso à obscuridade provinciana.

Tenho a certeza que os meus leitores entendem aonde tudo isto vai levar. Este "blog" sempre fez da causa da auto-determinação a sua própria causa. A reclamação do direito a Olivença (e a Ceuta e Melilla), por parte de Espanha, assenta no argumento rudimentar de que as populações lá residentes querem ser espanholas. Mas o mesmo princípio certamente se aplica a Gibraltar, cujos habitantes, em 2002, votaram (17 900 votos contra 187!!!) no sentido de permanecer debaixo de soberania britânica.

A Grã-Bretanha, a propósito, tem todo o direito de estabelecer conexões entre os dois litígios. A única razão por que os portugueses perderam Olivença foi porque honraram os termos da sua aliança connosco. Eles são os nossos mais antigos e confiáveis aliados, tendo lutado ao nosso lado durante 700 anos - mais recentemente, com custos terríveis, quando entraram na Primeira Guerra Mundial por causa da nossa segurança. O nosso Tratado de aliança e amizade de 1810 explicitamente compromete a Grã-Bretamha no sentido de trabalhar para a devolução de Olivença a Portugal.

A minha verdadeira intenção, todavia, é a de defender que estes problemas não devem prejudicar as boas relações entre os litigantes rivais.

Enquanto Portugal não mostra intenção de renunciar à sua reclamação formal em relação a Olivença, aceita que, enquanto as populações locais quiserem permanecer espanholas, não há forma de colocar o tema na ordem do dia. Não será muito de esperar que a Espanha tome um atitude semelhante vis-a-vis Gibraltar.

Uma vez que este texto certamente atrairá alguns comentários algo excêntricos de espanhóis, devo clarificar previamente, para que fique registado, que não é provável que estes encontrem facilmente um hispanófilo mais convicto de que eu. Eu gosto de tudo o que respeita ao vosso país: o seu povo, as suas festas, a sua cozinha, a sua música, a sua literatura, a sua fiesta nacional. Amanhã à noite, encontrar-me-ão no Sadler´s Wells, elevado até um lugar mais nobre e mais sublime pela voz de Estrlla Morente.

Acreditem em mim, señores, nada tenho de pessoal contra vós: o problema é que não podem pretender ter uma coisa e o seu contrário.


(trad. C. Luna)


IF SPAIN WANTS GIBRALTAR, WHEN IS IT PLANNING TO GIVE UP OLIVENÇA?
Daniel Hannan
13-Mar-2009

What if it had been the other way around? What if Spain had helped itself to a slice of someone else's territory, forced the defeated nation to cede it in a subsequent treaty, and hung on to it? Would Madrid behave as it wants Britain to behave over Gibraltar? ¡Ni pensarlo!

How can I be so sure? Because there is precisely such a case. In 1801, France and Spain, then allies, demanded that Portugal abandon her ancient friendship with England and close her ports to British ships. The Portuguese staunchly refused, whereupon Bonaparte and his Spanish confederates marched on the little kingdom. Portugal was overrun and, by the Treaty of Badajoz, forced to give up the town of Olivença, on the left bank of the Guadiana.

When Boney was eventually defeated, the European powers met at the Congress of Vienna to produce a comprehensive settlement of Europe's borders. The ensuing treaty urged a return to the pre-1801 Hispano-Portuguese (or, if you prefer, Luso-Spanish) frontier. Spain, after some hesitation, eventually signed up in 1817. But it made no move to return Olivença. On the contrary, it worked vigorously to extirpate Portuguese culture in the province, first prohibiting teaching in Portuguese, then banning the language outright.

Portugal has never dropped its claim to Olivença, though it has made no move to force the issue (it toyed with the idea of snatching the town during the Spanish Civil War, but eventually backed off). Although Portuguese maps continue to show an undemarcated frontier at Olivença, the dispute has not been allowed to stand in the way of excellent relations between Lisbon and Madrid.

Now let's consider the parallels with Gib. Gibraltar was ceded to Great Britain by the Treaty of Utrecht (1713), just as Olivença was ceded to Spain by the Treaty of Badajoz (1801). In both cases, the defeated power might reasonably claim that it signed under duress, but this is what happens in all peace settlements.

Spain complains that some of the provisions of the Treaty of Utrecht have been violated: that Britain has extended the frontier beyond that originally laid down; that it has bestowed a measure of self-government on Gibraltar incompatible with the outright British jurisdiction specified by the Treaty; and (although this point is rarely pressed) that it has failed to prevent Jewish and Muslim settlement on the Rock. With how much more force, though, might Portugal argue that the Treaty of Badajoz has been abrogated. It was annulled in 1807 when, in violation of its terms, French and Spanish troops marched on Portugal in the Peninsular War. A few years later, it was superseded by the Treaty of Vienna.

Of course, the Spanish might reasonably retort that, whatever the legal niceties, the population of Olivença is loyal to the Spanish Crown. While the issue has never been tested in a referendum, it certainly seems that most residents are happy as they are. The Portuguese language has all but died out except among the very elderly. The town (Olivenza in Spanish) hosts one of the most important bullfighting ferias of the season, attracting breeds and matadors beyond the dreams of any similarly sized pueblo. Portuguese rule would mean an end to Spanish-style bullfighting, and a return to provincial obscurity.

I'm sure you can see where this is going. This blog has always made the cause of national self-determination its own cause. Spain's claim to Olivença (and Ceuta and Melilla) rests on the knock-down argument that the people living there want to be Spanish. But the same principle surely applies to Gibraltar, whose inhabitants, in 2002, voted by 17,900 to 187 to remain under British sovereignty.

Britain, by the way, has every right to link the two issues. The only reason the Portuguese lost Olivença is that they were honouring the terms of their league with us. They are our oldest and most reliable allies, having fought alongside us for 700 years - most recently, and at terrible cost, when they joined the First World War for our sake. Our 1810 treaty of alliance and friendship explicitly commits Britain to work for the restoration of Olivença to Portugal.

My real point, though, is that these issues ought not to prejudice good relations between the rival claimants. While Portugal has no intention of renouncing its formal claim to Olivença, it accepts that, as long as the people there want to remain Spanish, there is no point in pushing the issue. It is surely not too much to expect Spain to take a similar line vis-à-vis Gibraltar.

Since this post is likely to attract some crotchety comments from Spaniards, I ought to place on the record that you're not likely to find a more convinced Hispanophile than me. I like everything about your country: its people, its festivals, its cuisine, its music, its literature, its fiesta nacional. Tomorrow night, you will find me in Sadler's Wells, transported to a nobler and more sublime place by the voice of Estrella Morente. Believe me, señores, it's nothing personal: it's just that you can't have it both ways.

.........................................


SI/GAO - 02-03-2009
http://www.olivenca.org - olivenca@olivenca.org
Tlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 22 mar 2009, 21:35

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Placa toponímica existente em Pardieiro, Arganil.
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor matahary » 05 ago 2009, 17:08

Centro de Interpretação da Batalha de Aljbarrota

Transforme a vinda ao CIBA numa experiência que vai querer repetir. O Serviço Educativo tem actividades para todas as idades: visitas ao campo de batalha, oficinas, actividades ao ar livre, e muito mais! Com tanto para ver e fazer, todos vão andar entretidos durante horas a divertir-se e a aprender sobre Aljubarrota.

O Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota localiza-se na povoação de São Jorge, junto ao IC2/EN1, entre Porto de Mós e Batalha.

www.fundacao-aljubarrota.pt
"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

Uma por dia, tira a azia.

Matisyahu - One Day ^.^ Aurea - Busy for Me

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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 06 ago 2009, 22:09

Saramago ataca de novo


Península Ibérica. O escritor volta a apelar à união entre Portugal e Espanha, mas... estariam os espanhóis interessados?

Evocando a célebre frase de Galileu (Eppur si muove), Saramago volta a pedir a dissolução de Portugal numa grande Espanha, através de uma tal União Ibérica, como desejavam alguns pensadores decadentistas do nosso séc. XIX. Mas... Os espanhóis aceitariam mudar o nome glorioso de Espanha? Os espanhóis lucrariam alguma coisa com a entrada de mais uma região autonómica, que mais tarde ou mais cedo iria criar problemas através de movimentos de libertação? Quando por todo o mundo o separatismo faz lei (a desagregação da URSS, da jugoslávia, a China e a rebeldia de Xinjiang, a Índia com Caxemira, etc., mas acima de tudo a própria Espanha, que já lhe chega a agitação dos bascos, catalães, galegos... ). Saramago, grande escritor que aprecio, militante que respeito, quererá reconstituir o império de Filipe II? Saramago, grande devoto do povo beirão, deveria escutar a voz desse povo:

"Senhora do Almurtão
Minha tão linda arraiana
Voltei costas a Castela
Não queiras ser castelhana!
" O que é preciso é lutar aqui, o
que é preciso é vencer aqui!!.

por Gualter Varela
DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 06-Agosto-2009
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 08 ago 2009, 12:58

UNIÃO IBÉRICA? NÃO, OBRIGADO...

Um inquérito de 27 de Julho de 2009 revela que 39,9% dos Portugueses é partidário de uma União Ibérica... Mas que inquérito é esse... num Universo de 876 portugueses?

Será que a opinião pública começa a enlouquecer?
Portugal tem quase 900 anos de História. Somos um povo livre. Se usamos mal a nossa liberdade, fazêmo-lo porque temos LIBERDADE para o fazer. Logo que as coisas começassem a correr mal em Espanha, haveria quem quisesse sair. E, aí, teria de contar com uma REPRESSão, possivelmente BRUTAL.

Vão a Olivença ver como se promove o esquecimento cultural, o apagamento da História, e o embrutecimento das consciências.

No fundo, o que muitos querem com a União Ibérica é simplesmente ganhar mais. Nesse caso, sejam imaginativos, proponham uniões com a Holanda, a Bélgica, ou a Dinamarca. Ganha-se MUITO mais do que em Espanha. E... quem vos disse que os políticos espanhóis são bons e que só os de Portugal são corruptos?

Leiam os jornais espanhóis, que, ainda que menos livres que os portugueses, estão cheios de escândalos e roubalheiras dos políticos lá do sítio!

O que muita gente não quer é pensar em resolver os problemas do País, é mais cómodo chamar gente de fora para o fazer.

Mas... os de fora sempre quererão algo em troca. Isso nunca resulta... principalmente após alguns anos de domínio estrangeiro, quando se observar que todos os cargos importantes vão para "os de fora". Por que pensam que 1580 acabou com uma revolta e uma Guerra em 1640?

Jornal "Terras Brancas", Borba, 06 de Agosto de 2009
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor MASIII » 08 ago 2009, 23:03

Quem gostar de ser espanhol que se mude de vez para aquelas bandas!Não ande por aqui a servir-se dos verdadeiros Portugueses!Estamos fartos de covardolas!Devem ser os mesmos que se passaram para o estrangeiro quando os outros tiveram de as amargar e agora são uns heróis, de m..., claro!!

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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 18 ago 2009, 12:56

A VISITA DO REI DE ESPANHA À MADEIRA

Sua Muito Católica Majestade, o Rei D. Juan Carlos visitou o Arquipélago da Madeira, lacuna agora colmatada, dos seus tempos de juventude em Portugal e dos seus posteriores afazeres de Estado.
Juanito, para os amigos, mostra-se sempre simpático para com Portugal e os portugueses – e também não tem razão nenhuma para não o ser – fala português, uma coisa quase impensável para um espanhol e sobretudo num castelhano, e pensamos que tem ganho jus à consideração geral como homem e como estadista. Excedeu até as expectativas quando mandou calar aquele senhor que dá pelo nome de Chávez.

Por isso não há razão nenhuma de ordem pessoal para que o monarca de cerca de três quartos da antiga Hispânia não seja bem recebido no antigo reino de Portugal e dos Algarves. Quando, porém, as questões de Estado se intrometem nas visitas oficiais e nos passeios o caso muda de figura. E quando fôr caso disso os nossos representantes têm que pôr a coluna erecta, levantar o queixo, olhá-lo nos olhos e dizer-lhe o que for de justiça.

Durante a visita à Madeira decorreu o aniversário da banda de música Câmara de Lobos, onde actuou a banda local e …. a filarmónica de Olivenza (com “z”).

Este evento foi promovido pela Secretaria de Estado Regional dos Assuntos Culturais. Ora tal facto, à luz do diferendo que existe desde 1801/7 relativamente à ocupação ilegal daquela antiga e portuguesíssima vila – onde os espanhóis de resto, não têm razão alguma – só pode ser considerado uma provocação,ou uma distração de mau gosto.
Aliás, de Espanha poderia ter vindo uma banda de 30000 localidades diferentes, mas escolheu-se a de Olivença. Não foi certamente por acaso. Moncloa sabe do seu ofício e é pena é que do lado português andem todos aparentemente a dormir na forma e ninguém faça o trabalho de casa.

Vejamos: a questão de Olivença é sistematicamente ignorada em todas as cimeiras luso-espanholas (e não ibéricas, um erro elementar!) que se realizam todos os seis meses - a próxima vai ser em Elvas.

Mas curiosamente o primeiro ministro Zapatero escreveu uma carta à direcção dos Amigos de Olivença (GAO) – patriótica associação constituída em 1938, e que desde então luta denodadamente pelo retorno de Olivença à sua Pátria – exortava o GAO “a participar positivamente na resolução do assunto”.

Mais tarde constituiu-se em Olivença o fórum “Além Guadiana” de iniciativa local para promover actividades de cariz cultural. Mas como se mostraram, de um modo geral favoráveis a Portugal, tal não terá agradado às autoridades espanholas, que logo se moveram contra aquelas “irreverências”.

No passado dia 11 de Julho, deram-se até ao desplante de inaugurar um busto dessa figura sinistra que foi Manuel Godoy – principal carrasco da Olivença portuguesa – numa das salas da Torre de Menagem do Castelo daquela vila, mandado construir por … D. Dinis.
Do lado de cá da raia, vários autarcas de municípios vizinhos, continuam a fazer e a dizer uma série de disparates, pois não há maneira de entenderem que se têm que desenvolver juntando-se à costa portuguesa, e não ao lado de lá da fronteira. É que no fim de serem chupados, os caramelos espanhóis, deixam sempre uma grande amargo de boca...

Ora na Madeira a coisa fia ainda mais fino: os nossos “hermanos” – manda a boa higiene e os bons costumes que os irmãos quando crescidos, devem viver em casas separadas – ainda alimentam reivindicações espúrias sobre as ilhas Selvagens e não devem gostar nada de actos de soberania portuguesa, como foi a recente visita de Jaime Gama, em Maio deste ano, enquanto presidente da Assembleia da República, àquele pedaço de território de grande importância estratégica .

E em tudo o que os espanhóis façam ou intentem, nós devemos desconfiar e é lamentável que os portugueses passassem a esquecer rapidamente os seus “segredos de família” e a andar com as “guardas” em baixo.

A banda de Olivença permaneceu quatro dias no Arquipélago e deu dois concertos, juntamente com a “Banda Recreio Camponês” de Câmara de Lobos: só fazia sentido recebê-la não como espanhola mas como indo de território português… Mas tudo passou despercebido entre autoridades, população e meios de comunicação social.
Curiosamente, ou não, lá apareceu mais uma sondagem cretina, feita pela Universidade de Salamanca e publicitada pelo “El Pais” (tido como próximo do PSOE), em que se afirma que percentagens elevadas de portugueses e espanhóis pretendem a (maldita da) União Ibérica. E houve até um conhecido banqueiro português que veio afirmar a necessidade de “amalgamar” tudo o mais possível.

Já não chegavam os grotescos Saramago e Mário Lino, se auto proclamarem traidores – ao dizerem-se iberistas! O segundo sendo ministro, continuou no governo; ao primeiro ofereceu-se-lhe uma fundação, paga com dinheiros públicos e com sede na casa dos bicos, moradia do grande Afonso de Albuquerque, que deve andar a ranger os dentes no túmulo.

Noutro âmbito é ainda de reter que o Arquipélago da Madeira é aquele que pode, verdadeiramente, fazer concorrência em termos de turismo às ilhas Baleares e sobretudo às Canárias. E é curioso (e lamentável!) que a única ligação marítima entre o Continente e o arquipélago seja feita entre Portimão e o Funchal por um ferry boat … espanhol.

Afinal o “manicómio em autogestão” não acabou nos tempos do famigerado PREC.

Jornal "O DIABO", 18 de Agosto de 2009
João José Brandão Ferreira
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor othelo » 20 ago 2009, 07:41

Meus caros, o assunto de Olivença, à muito que deixou de me interessar, até pq está visto e claro que nunca, mas nunca a havemos de recuperar, quer pela força das armas, quer pela força da diplomacia e até pq e segundo quem lá vive, está muito melhor sob dominio Espanhol que Português.
Agora, deixem--me que vos pergunte uma coisa, será que toda esta polémica tem razão de existir qdo sabemos que já é falada à longos tempos, quer em Bruxelas, quer entre as diplomacias Ibéricas, uma união de estados Ibéricos, com politicas de defesa, economicas e até externas comuns, embora com governos autónomos, similarmente ao que existe agora nas retantes autonomias Ibéricas?
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 20 ago 2009, 13:19

Faz todo o sentido reclamar Olivença, porque é nossa!

Não faz é sentido falar em integração ibérica, eu não vejo a França a integrar-se na Inglaterra nem a Alemanha a integrar a Polónia.

Vamos falar de evolução das políticas europeias? Ok, mas com o devido respeito pelas fronteiras de cada um, pelo chão de cada qual, e o português é sagrado para muitos de nós, eu incluído, pelo qual estou disposto a morrer e a matar se necessário for e em memória dos que morreram para que eu fosse português.

Os países foram formados e existem para que cada um se não sinta um estranho na sua terra, eu sentir-me-ia estranho numa terra comum a portugueses e espanhóis, e por isso muitas vezes lutámos até à exaustão para mantermos as nossas fronteiras.

Não percebo também certos andróides que por aqui e noutros fóruns andam a defender a união com Espanha, o pais menos democrático da EU, que à excepção da Catalunha e Pais Basco todas as outras regiões ainda recebem da EU, e tem os problemas políticos, de coesão e sociais que conhecemos. Num acesso de inteligência mínima ao menos poderiam pedir a união com a Alemanha ou Dinamarca, esses sim, poderiam dar-lhe-iam o que querem (mas não davam), um bom aumento do nível de vida.
Se isso fosse uma boa ideia não teria havido 1640. Cambada de ignorantes traidores…

Olivença é nossa, só tem é que ser devolvida. Como poderemos nós a creditar da boa-fé do vizinho, como podemos nós negociar com ele, estabelecer acordos, se não cumpre com a lei, não cumpre com o direito internacional, não cumpre com a obrigação de nos devolver uma parte do território nacional que nos usurpou?

Eles nem cumprem com os caudais ecológicos mínimos do Tejo e que todos sabemos são “obrigados” a cumprir pela legislação internacional mais do que pelos acordos existentes entre os dois países nessa matéria… e estão-se marimbando para isso e para nós, tem dias que nem uma gota entra em Portugal. Devemos continuar a baixar a cabeça? Cobardolas!

São assim tão bons os espanhóis! Então porque não nos devolvem Olivença e pelo contrário continuam a vincar a sua espanholização? Os argumentos de que o Othelo se serve para justificar a nossa desistência deveriam ser os mesmos para os espanhóis justificarem a sua devolução, não será? Então porque não devolvem?
Puta que os pariu!!!

Pela minha parte se nos devolvessem Olivença consideraria deixar de ser um apoiante incondicional da ETA.
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor Gregório Correia » 23 ago 2009, 21:46

"Portugal é o país com as mais velhas fronteiras da Europa (basta dizer que nesse capítulo só nos falta Olivença, que a Espanha cruelmente nos roubou)."

Vasco Pulido Valente, in Publico de 22 de Agosto de 2009
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor othelo » 26 ago 2009, 12:48

Bom PEI e restantes
Espero que o meu post não levante duvidas quanto ao meu sentido de patriotismo e nacionalismo, espero bem que não.....

Apenas chamei a atenção para factos que se estão constantemente a passar nas nossas costas e sob os auspicios dos nossos "nobres" governantes e financeiros.....

É claro que sou contra a união Ibérica............ Já me basta os que aqui tenho que aturar e que tem a mania que tenho que saber falar espanholês.

Mas é claro que tb sou contra a que estes "politicos" façam a merda que estão a fazer e que nós nada possamos fazer......

De qquer maneira e ponto assente, é que não temos forma de reaver Olivença, e tb certo é que 90% daquela gente quer estar ligada a Espanha, assim como a Galiza não se importava de integrar uma união com Portugal, até pq segundo eles tem muito mais a ver com Portugal do qque com o resto de Espanha.
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Re: A PÁTRIA HONRAI - «CRER É QUERER PARA VENCER»

Mensagempor PEi » 22 set 2009, 12:18

O ESPIÃO DA MADEIRA

Os nossos políticos viraram as atenções para Espanha por causa do comboio rápido mas esqueceram-se da presença da Banda de Olivença, no arquipélago da Madeira, aquando da visita dos Reis de Espanha à pérola do Atlântico.

Espanha poderia ter enviado outra banda das milhares de que dispõe, mas teve o desplante de mandar a Banda de Olivença para que fique demonstrado que os portugueses, continentais e insulares, com responsabilidades na sua terra, são mansos. Já em Julho os extremenhos tiveram o cuidado de inaugurar em Olivença um busto de Miguel Godoy, o principal carrasco de Olivença, na torre de menagem do castelo daquela vila, mandado construir por...D. Dinis, sem que deste lado da fronteira alguém reagisse de qualquer forma.

Fazer a Banda de Olivença passar quatro dias na Madeira para dar dois concertos como banda espanhola durante a visita real não incomodou ninguém no Funchal nem em Lisboa. Extraordinário! Por estas e por outras até percebo que alguém mande um espião à Madeira para informar que raio andam a fazer os chefes dos portugueses. Porque os espanhóis fizeram, e bem, a sua obrigação. Os nossos representantes, se calhar, andavam, na poncha, nos bordados e no maracujá.

Jornal "24 HORAS", 22-Setembro-2009
POR JOAQUIM LETRIA
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