E N S I N O

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matahary
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E N S I N O

Mensagempor matahary » 06 mar 2008, 11:10

O que nos distingue da Finlândia na Educação

E as desigualdades entre os dois países vão muito além do que um relatório baseado numa prova, feita por alguns milhares de alunos, pode ajudar a pôr a nú.
Já lá vai o tempo em que os jornalistas sabiam escrever...

http://dn.sapo.pt/2008/03/06/sociedade/ ... cacao.html
"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

Uma por dia, tira a azia.

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masahemba
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Re: E N S I N O

Mensagempor masahemba » 07 mar 2008, 17:28

E o que nos assemelha? Ambos estamos numa península. E claro, somos fervorosos utilizadores dos telemóveis Nókia. Então, são semelhanças!!

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Diana
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 20 mar 2008, 12:19


Título do Video:
9º C em grande !



Não sei se hei-de rir, se hei-de chorar.
Esta professora vai precisar de acompanhamento psicológico, de certeza.

Os comentários ao video podem ser lidos, aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=EhLTvLCP8xw

Apesar do video do YOUTUBE ter sido retirado, consegui obter esta cópia.
Portanto os comentários anexos ao anterior video, já não podem ser lidos.
Paciência !
Pelo rei às vezes, pela Pátria sempre
(pro rege saepe; pro patria semper)

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tiririca
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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 20 mar 2008, 21:49

O caso não é certamente para rir.

Vi o vídeo no youtube (antes de ser apagado) e na TV durante um dos telejornais (já não me lembro qual foi).

As imagens são desoladoras. Mostram antes de mais uma professora completamente indefesa no meio daqueles galfarros. É revoltante!

Aqueles fedelhos, iguais a milhares de outros fedelhos, que utilizam a escola apenas para ocupar o tempo e para brincar, mostraram-nos o que se passa um pouco em todas as escolas deste país.

Quem convive mais de perto com professores, não fica admirado com este tipo de imagens, porque já ouviu certamente alguns relatos de "cenas" do género.

Que modelo de escola é este!? É isto que nós queremos que seja o nosso modelo de ensino!? É assim que nós queremos que os professores sejam tratados dentro de uma sala de aulas!? Será possível formar pessoas nestas condições!?

Aquela professora foi brutalizada. Estava completamente isolada. Foi literalmente humilhada. Os comentários daqueles fedelhos são inqualificáveis. Demonstram ante tudo uma total ausência de respeito pela autoridade que o professor exerce dentro da sala de aula. Demonstram igualmente uma total desresponsabilização face ao sucedido e uma total ausência de identificação com o modelo escolar.

Outro telemóvel foi usado para gravar tudo (som e imagem).

Isto deve ser tão "normal", que a professora nem sequer deu conhecimento superiormente. Não fosse o vídeo vir parar ao youtube e ninguém sabia da existência deste incidente! Isto faz-nos pensar que como este, existirão muitos mais, que ficaram no anonimato, porque os professores já nem se dão ao trabalho de participar. Que humilhação!

Os diálogos, são inqualificáveis. O "operador de imagem" referiu-se à professora utilizando o termo "velha". Que humilhação!

Perante tais imagens, coloquem-se na posição da professora! Acham que depois disto tem condições para voltara dar aulas àquela turma!?

Outra coisa interessante, seria ouvir as opiniões dos papás daqueles fedelhos! Não por qualquer interesse mórbido, mas por puro interesse científico.
O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.
(Willian George Ward)

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Pedro Bala
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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 21 mar 2008, 09:46

Esta é mais uma geração rasca, filha de pais medíocres e protegida por um Estado que tem medo da palavra autoridade.
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Diana
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 21 mar 2008, 10:42

Sultão Escreveu:Esta é mais uma geração rasca, filha de pais medíocres e protegida por um Estado que tem medo da palavra autoridade.


http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

autoridade

do Lat. auctoritate

s. f.,
poder de mandar;
domínio;
poder;
pessoa que exerce o poder;
mando;
poder público;
pessoa ou texto que se invoca em favor de qualquer opinião.


poder

do b. Lat. potere < a. Lat. potes, potest < posse

v. tr.,
ter a faculdade, a possibilidade de ou a autorização para;
ter força para;
ter ocasião de;
estar arriscado ou exposto a;
dispor de força ou autoridade;
possuir força física ou moral para;
v. int.,
ter possibilidade, influência ou força;
haver possibilidade;
ser possível;
s. m.,
possibilidade;
vigor;
autoridade;
domínio;
influência;
governo de um Estado;
soberania;
eficácia;
recursos;
meios;
capacidade;
grande quantidade;
tropas;
forças militares;
(no pl. ) procuração;
(no pl. ) mandato.

- de compra: quantidade de bens que se obtêm com uma certa quantidade de dinheiro;
- espiritual: autoridade eclesiástica;
- executivo: órgão de soberania responsável pela execução das leis;
- judicial: órgão de soberania que aplica sanções a quem não cumpre a lei;
- legislativo: órgão de soberania encarregado de discutir e elaborar as leis.


Caro Sultão, é sempre bom sabermos do que estamos a falar, quando nos referimos ao conceito de "autoridade", dado que é um conceito que se presta a interpretações diversas.

Na minha humilde opinião, a "autoridade" no espaço da Escola conquista-se.

Mas não é, de todo, da forma como esta professora procedeu.

Ser professor é difícil ? É !

Tal como ser polícia, ser médico, ser motorista de autocarro, ou ser qualquer outra profissão que se relacione com pessoas.

Exige preparação, conhecimentos e claro está, bom senso.
Pelo rei às vezes, pela Pátria sempre
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Diana
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 21 mar 2008, 11:16

Caro tiririca,

Como sabe, a irreverência e a rebeldia são características desta faixa etária.
Desafiar o professor, ainda por cima com audiência e filmagem, haverá coisa que dê mais gozo a um certo tipo de alunos ? Não creio !!!!

E, pasme-se, ... glória das glórias, ATÉ com direito a 5 minutos de fama, no espaço mediático, a horário nobre. "Bué da fixe" .... :LOL :LOL

Só que, para além da parte cénica, vem o drama, sim, o drama que vive um professor de não ser capaz de controlar o ambiente de uma sala de aula.

Também se verificam casos, que qq que seja a receita aplicada, não resulta. A anomia é total. A violência grassa. E o professor ? Pianinho....não pode fazer muitas ondas, para não se aleijar.

É. É verdade.
É verdade assim na Escola.
É verdade assim nos hospitais, que têm de ter seguranças nas entradas.
É verdade assim nos serviços públicos, nos transportes públicos, etc.

As pessoas estão a perder o respeito umas pelas outras, independentemente da idade que têm.

Este video que, francamente, não sei se não terá uma pontinha de intencional, no momento que se atravessa de debate de avaliação de prof's, tem o mérito de colocar na agenda, o debate sobre a violência nas escolas, mas que como refiro atrás, a meu ver, não é só nas escolas, é uma violência que grassa por todo o lado, revestindo-se de diferentes formas.

Este video ajuda-nos a perceber o que somos e o que temos, em termos de população estudantil. É evidente que nem todos os alunos se comportam daquela maneira. Felizmente !!!!!

Mas por essa razão, é um bom ponto de partida, para MAIS um debate público sobre a matéria.

Tapar o sol com a peneira, é que não vale a pena.....

E apagar este video do YOUTUBE foi (tentar) tapar este "sol". :))
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 21 mar 2008, 12:45

Já agora.... :))
Apesar de discutível, uma opinião com "alguma" verdade.




E PARA QUANDO A AVALIAÇÃO DOS PAPÁS ?


Ferreira Fernandes

O Carolina Michaëlis, que já teve o belo nome de liceu, não serve os miúdos do bairro do Aleixo, no Porto.
Não, aquele vídeo não mostra gente com desculpas fáceis, vindas do piorio.

Pela localização daquela escola, quem para lá vai vive às voltas da Boavista e os pais têm jantes de liga leve sem precisar de as gamar. Os pais da miúda histérica que agride a professora de francês estarão nessa média. Os pais do miúdo besta que filma a cena, também.

Tudo isso nos remete para a questão tão badalada das avaliações. Claro que não me permito avaliar a citada professora.

A essa senhora só posso agradecer a coragem. E pedir-lhe perdão por a mandar para os cornos desses pequenos cobardolas sem lhe dar as condições de preencher a sua nobre profissão.

Já avaliar os referidos pais, posso: pelo visto, e apesar das jantes de liga leve, valem pouco.
O vídeo mostrou-o.

É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos.


Diário de Notícias
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Pedro Bala
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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 21 mar 2008, 12:58

É por estas e outras que as coisas estão como estão. A culpa é toda da professora que não devia estar na sala de aula... (coitadinha da aluna...! :( Os seus pais - já que ela é menor - deviam era queixar-se da professora por esta ter tido a ousadia/desplante de "desarmar" a sua pitareca, florzinha de estufa, etc, retirando-lhe o telemóvel na sala de aula). Que Deus me perdoe e dê paciência para ouvir tanta asneira...
Mas para que não restem dúvidas, deusa da caça, reafirmo a minha opinião: geração rasca, filha de pais medíocres e protegida por um Estado que tem medo da palavra autoridade.
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 21 mar 2008, 13:14

Sultão, eu já "num" tinha dúvidas disso .... :LOL :LOL


PS - às tantas, a Prof. ainda vai ter um "puxéxo" disciplinar. :))
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Re: E N S I N O

Mensagempor punisher » 21 mar 2008, 15:11

É apenas MAIS UM sintoma...de que algo vai mal nesta sociedade...
A frequência deste tipo de episódios tem vindo a aumentar segundo testemunho de professores e associações do sector.
A noção de Respeito tem-se vindo a diluir ao longo das gerações, aqueles que anos atrás eram crianças e adolescentes e ja evidenciavam este tipo de "carácter" são os jovens adultos e adultos que hoje não respeitam ninguém, não respeitam o peão na passadeira, não respeitam o sinal vermelho do semáforo, não respeitam o lugar de estacionamento reservado a defecientes, não respeitam o polícia quando são abordados, não respeitam os colegas de trabalho e por aí fora....(parece-me que o respeito cinge-se ao círculo de amigos e pouco mais).
Causas e soluções.... Estatuto dos professores?? Estatuto dos alunos?? Sistema de avaliação?? Ritmo de vida da sociedade moderna, carga laboral dos pais ??? Não sei...os entendidos na área saberão melhor do que eu.....o que eu sei é que o sistema começa na famíla, e a mim compete-me educar os meus filhos o melhor que souber, incutir-lhes a noção de respeito, a noção do que está bem ou está mal...
Obviamente que não tenho uma noção profunda das causas destes "sintomas", mas é esta a minha visão do problema.
"quem poupa o lobo...sacrifica o cordeiro..."

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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 21 mar 2008, 16:02

Cara Diana:

Este, como muitos outros, é um assunto em que a opinião individual não consegue estar dissociada da personalidade e até do modo de vida ou forma de estar na vida, que cada um tem ou leva. Tal como não consegue estar dissociada da educação que recebeu e da que procura dar aos seus vindouros. Trata-se portante de dar opiniões e não de fazer julgamentos.

Diana Escreveu:Na minha humilde opinião, a "autoridade" no espaço da Escola conquista-se.


Como!? Estou farto de ver e ouvir teorias! Conheço bem o espaço escolar. Conheço-o enquanto pai (muito pouco como polícia e nada como cidadão). Procuro dentro das minhas possibilidades participar o mais que posso na viva da escola onde a minha filha estuda. Faço parte da associação de pais. Vou a praticamente todas as reuniões. Conheço os problemas logísticos, financeiros, de falta de pessoal auxiliar da escola. Conheço em parte os problemas pontuais do aluno "A" ou "B", não tanto pelo que a escola transmite à associação de pais, mas mais pelo cruzamento de informação que vou obtendo com os colegas que prestam serviço no programa escola segura. Conheço também a "total" ausência do espaço escolar por parte dos encarregados de educação. Numa escola que tem cerca de 600 (seiscentos) alunos - tirando as desgraças, deveria dar 1200 pais! Nas reuniões feitas a cada início e final de período não comparecem mais de 15 a 20. São sempre os mesmos. Já foram testados vários horários, inclusive ao Sábado. Mas o resultado foi sempre o mesmo. Apareceram sempre os mesmos.

Na minha análise pessoal, convenço-me que os pais "despejam" os filhos de manhã e vão recolhe-los ao final da tarde. O que se passa dentro da escola pouco lhe parece importar.

Antes, se queria passar de ano, tinha de ser o aluno a provar que sabia. Hoje é o professor que tem de provar que o aluno até tirou mais de 50% num teste feito especialmente para o "menino" de modo a provar que ele sabe, para que não transite de ano. Já reparou que agora não se diz "passar de ano", diz-se "transitar de ano"! O aluno anda em transito, como mercadoria da CP (Caminhos de Ferro de Portugal) e tem de transitar do ponto "A" ao ponto "B" o mais rapidamente possível, se houver "atrasos" é um "bico de obra"!

Se o aluno finda a escolaridade obrigatória e na posse de um diploma ou um certificado que diz possuir o 9.º anos de escolaridade, sabe alguma coisa ou não, de nada ou muito pouco importa. O mais importante é que conste nas estatísticas como mais um que transitou pela escolaridade obrigatória.

Depois admiramo-nos que não saibam escrever, que não percebam como se preenche um simples impresso, que leiam um texto e no final não saibam o que lá estava escrito. Que não saibam fazer contas, etc.

Diana Escreveu:Mas não é, de todo, da forma como esta professora procedeu.


Vai-me desculpar a franqueza, mas não posso concordar consigo. Dentro da sala de aula, o professor é uma autoridade. Interprete o termo autoridade como muito bem entender. Na minha opinião, o aluno tem de se submeter às regras próprias de uma sala de aula. NUNCA pode ter um comportamento daqueles. NUNCA!

Diana Escreveu:Ser professor é difícil ? É !


Quando os pais começarem a incutir na mente dos filhos que os professores já fizeram o exame, que a escola é um espaço onde existem regras e que os "meninos" estão lá para aprender, possivelmente ser professor será mais fácil.

Diana Escreveu:Tal como ser polícia, ser médico, ser motorista de autocarro, ou ser qualquer outra profissão que se relacione com pessoas.


Cara Diana: Não é comparável. O professor "lida" diariamente com um grupo de crianças em formação. A tarefa do professor não é educar as crianças. Essa tarefa cabe aos pais. Ao professor cabe "fornecer" os conhecimentos com que amanhã poderão ser alguém na vida.

Experimente lidar diariamente com um grupo de adolescentes displicentes, que não possuem nem obedecem a qualquer regra. Tente levar o seu trabalho a sério, esforçando-se diariamente para lhes transmitir conhecimentos que ele não querem assimilar. Esforçando-se diariamente por manter um ambiente disciplinado e calmo, essencial para que se possa dar uma aula e ter um grupo de fedelhos a constante e sistematicamente boicotarem o seu esforço, utilizando todo o tipo de esquemas e estratagemas e verá se haverá nervos de aço que aguentem tudo isto!

Com alunos assim, concordo consigo, ser professor não é fácil. É muito mais fácil dar aulas a filhos de ministros em colégios particulares. Lá não existem estas regras, agora aplicadas nos estabelecimentos de ensino públicos. Lá o aluno se se portar mal é expulso. Mas numa escola pública não!

(continua...)
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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 21 mar 2008, 16:03

(...continuação)

Diana Escreveu:Caro tiririca,

Como sabe, a irreverência e a rebeldia são características desta faixa etária.
Desafiar o professor, ainda por cima com audiência e filmagem, haverá coisa que dê mais gozo a um certo tipo de alunos ? Não creio !!!!


Tenho quarenta anos. Também fui rebelde. Também fiz os meus disparates. Também vi alunos terem comportamentos incorrectos com professores e serem expulsos daquela escola, sem apela nem agravo.

Mas não me parece que esta situação tenha sido consciente. Resultou de um impulso, obviamente provocado pelo pela confiscação do telemóvel, coisa que pelos vistos desagradou muito à "pitinha".

Se o colega não tivesse igualmente desafiado as regras e utilizado o telemóvel para gravar a cena e se depois, na posso das imagens e para seu gáudio (e possivelmente de todo o seu grupo de amigos) não o tivesse colocado na internet, nunca teríamos tido conhecimento desta situação.

Diana Escreveu:E, pasme-se, ... glória das glórias, ATÉ com direito a 5 minutos de fama, no espaço mediático, a horário nobre. "Bué da fixe" .... :LOL :LOL


Já o disse antes. Gostaria de saber que opinião acerca do sucedido, têm os pais daqueles fedelhos. Repito, não é por qualquer interesse mórbido, mas por puro interesse científico. Possivelmente perceberíamos muito mais facilmente porque é que se comportam assim. Áh! E já agora, até seria interessante saber o modelo do telemóvel e quanto custa no mercado! Dada a localização da escola e do tipo de pessoas que a frequentam, éramos bem capazes de termos uma surpresa.

Diana Escreveu:Só que, para além da parte cénica, vem o drama, sim, o drama que vive um professor de não ser capaz de controlar o ambiente de uma sala de aula.

Também se verificam casos, que qq que seja a receita aplicada, não resulta. A anomia é total. A violência grassa. E o professor ? Pianinho....não pode fazer muitas ondas, para não se aleijar.


Que ferramentas tem hoje um professor para controlar uma turma como aquela? Nenhumas! Possivelmente faz o que muitos já começaram a fazer, desleixam o ensino! E sabe que mais, não lhes levo a mal!

A DREN já veio dizer que mandou instaurar um inquérito! :LOL :LOL É de rir! Sabe porquê!? Porque depois de dar uma enorme trabalheira, gastar umas quantas folhas de papel a elaborar relatórios, ouvir os papás e etc, não vai dar em nada! :shock:

Diana Escreveu:É. É verdade.
É verdade assim na Escola.
É verdade assim nos hospitais, que têm de ter seguranças nas entradas.
É verdade assim nos serviços públicos, nos transportes públicos, etc.


Continuo a achar que não se pode comparar. Uma escola é um espaço de formação. É lá que se "programam" os cérebros. Se o software não for bem instalado, amanhã quando estiver a operar, vai dar erros, vai bloquear e vai ter de ser reiniciado. Mas quando clicar sobre o reiniciar, vai voltar a dar o mesmo erro e não é possível formatar o disco e instalar tudo de novo.

Até podem inventar um esquema qualquer de certificação de competências para tentar colmatar a falha, mas sabe tão bem quanto eu que não é a mesma coisa. O hardware e o software nunca irão trabalhar correctamente. Quem cresce torno....

Diana Escreveu:As pessoas estão a perder o respeito umas pelas outras, independentemente da idade que têm.


Pois é!

Diana Escreveu:Este video que, francamente, não sei se não terá uma pontinha de intencional, no momento que se atravessa de debate de avaliação de prof's, tem o mérito de colocar na agenda, o debate sobre a violência nas escolas, mas que como refiro atrás, a meu ver, não é só nas escolas, é uma violência que grassa por todo o lado, revestindo-se de diferentes formas.


Essa teoria agradará certamente ao governo. Mas já se debruçou sobre a forma como os professores vão ser avaliados. Já estudou o esquema montado pelo ministério? Tem basicamente uma virtude. Vai impedir de 3/4 dos professores cheguem à reforma no topo da carreira. O estado irá poupar uns milhões com as reformas dos prof's. No resto é uma treta. Mal pensado e muito mal elaborado. O professor só pode ser avaliado no contexto da escola. Uma avaliação correcta só pode existir se a escola no seu todo, incluindo o professor, como é óbvio, forem avaliados. Avaliar o professor de forma isolada é uma treta. Olhe quer melhor exemplo que o desta professora. No final do ano, com uma turma daquelas, nunca conseguirá cumprir os objectivos. Vai ter uma má nota!


Diana Escreveu:Este video ajuda-nos a perceber o que somos e o que temos, em termos de população estudantil. É evidente que nem todos os alunos se comportam daquela maneira. Felizmente !!!!!


Eu diria antes que somos e o que temos como pais.

Diana Escreveu:Mas por essa razão, é um bom ponto de partida, para MAIS um debate público sobre a matéria.


Mas quem se interessa por este assunto!? Os pais!? Não! nada disso, quando muito, apenas uma minoria. Depois há uns tipos nos partidos políticos que botam faladura e vão utilizar esta cena como arma política, apenas e só, para tentarem ganhar uma qualquer pequena guerrinha. No fim, fica tudo na mesma.

Tapar o sol com a peneira, é que não vale a pena.....

E apagar este video do YOUTUBE foi (tentar) tapar este "sol". :))


Já vi, que já começou a perceber como este assunto vai ser resolvido! De forma inconsequente! Como aliás é tipico e normal entre nós!

O vídeo pode ser visto aqui
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 21 mar 2008, 16:17

ufffff, ... tiririca !!!! Que magnífica e completa resposta.

E que me coloca o desafio de responder, na exacta medida, ponto por ponto.
Vou fazê-lo. Mas não agora.
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 21 mar 2008, 17:14

"Acto condenável"

Linha SOS Professor diz que as agressões a professores por causa de telemóveis são recorrentes

O coordenador da linha SOS Professor garantiu hoje que são recorrentes situações semelhantes à agressão de uma aluna a uma professora por causa de um telemóvel divulgada na Internet, alertando para a necessidade de promover uma "convivência saudável" nas escolas.

"Este foi um acto condenável, mas recorrente. Grande parte dos conflitos nas salas de aula deve-se a este tipo de aparelhos", afirmou João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores, responsável pela Linha SOS Professor.

João Grancho falava à Lusa depois de uma professora da Secundária Carolina Michaelis, Porto, ter sido vítima de uma cena de violência física e verbal por parte de uma aluna, depois de lhe retirar um telemóvel.

A cena, filmada através do telemóvel de um outro aluno e divulgada no site YouTube, mostra uma aluna do nono ano da escola a gritar e a empurrar uma professora quando a docente lhe tenta tirar o telemóvel.

Para João Grancho, "perante uma situação com esta gravidade, os responsáveis pela tutela deviam ter alguma palavra e dar um sinal à sociedade e à família de que a educação não é isto".

"É acima de tudo promover e melhorar a própria convivência", sublinhou.

O coordenador da SOS Professor defendeu ainda que tem de "haver um reforço da consciencialização, também por parte dos pais".

Afirmando que as escolas têm de ter uma "atitude preventiva" relativamente a estes casos, João Grancho recusou-se a indicar quantos casos semelhantes foram registados pela linha SOS Professor, remetendo para um relatório que será apresentado em breve.

"Vamos apresentar o relatório no início de Abril, onde constam as comunicações e os pedidos de apoio desde o início de Setembro até ao final do segundo período deste ano lectivo", afirmou.

CDS-PP exige respostas

Também o CDS-PP, através do deputado Nuno Magalhães, apelou hoje ao Governo para que dê "algumas respostas" sobre o caso ocorrido na Carolina Michaelis.

"Queremos saber as respostas do Governo a este caso e segundo as respostas que tivermos é que vamos decidir que chamamos a ministra (ao Parlamento) ou não", disse Nuno Magalhães à Lusa.

Dizendo-se "chocado" com as imagens da agressão, o deputado criticou ainda o PS por ter rejeitado três propostas apresentadas pelo CDS-PP relacionadas com a segurança dentro e fora das escolas.

"Durante os últimos meses propusemos, para fazer face ao problema da violência dentro das escolas e das salas de aulas, a criação de um Observatório Escolar mais abrangente, onde estariam representantes do Ministério da Educação, dos pais, dos alunos, dos auxiliares de educação e do Ministério da Administração Interna, nomeadamente representantes do programa Escola Segura. Infelizmente o PS rejeitou este Observatório", disse o deputado.

Nuno Magalhães referiu ainda que o PS também rejeitou as propostas do CDS-PP de reforço do programa Escola Segura "para combater a violência fora do perímetro escolar" e de redefinição dos tipos de crimes ocorridos fora das escolas.

Em contrapartida, criticou o PS por ter aprovado o Estatuto do Aluno, que "desautoriza os professores" e "cria uma cultura propícia a este tipo de fenómenos".

SIC Online


É interessante acompanhar o posicionamento dos diferentes agentes educativos, sobre o incidente.
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 21 mar 2008, 19:38

Mais uns "detalhes" para análise e debate ... :))




Vídeo: Patrícia receia ser expulsa
2008/03/21 | 12:42

«Tenho a noção de que o que fiz está errado».

A aluna, de 15 anos, que protagonizou uma luta com a professora para recuperar o telemóvel, diz estar arrependida.

«Isto também é mau para os meus pais».

Mas a professora «implica comigo. Já fui para a rua várias vezes»

«Tenho a noção de que o que fiz está errado». Esta é a primeira reacção de Patrícia, a aluna da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que, em plena sala de aula, protagoniza uma luta com a professora de francês para recuperar um telemóvel que lhe tinha sido retirado pela docente.

Em declarações ao Correio da Manhã, a aluna disse ainda estar «arrependida», mas alega que a professora implica com ela.

«Já fui para a rua várias vezes».

«Isto também é mau para os meus pais», diz Patrícia, de 15 anos, que não esperava que o caso «ganhasse esta dimensão». E, talvez por isso mesmo, contou ao CM, na altura não disse aos pais todos os pormenores do que se passou.

A mãe terá sido chamada à escola, falou com a directora, e, explica a aluna, «disse-lhe que a professora me tinha sacado o telemóvel».

Agora, consciente da gravidade da situação, Patrícia teme a «suspensão ou a expulsão da escola».

O caso passou-se na última aula de Francês do 2º período e foi tudo gravado por um dos alunos que colocou depois o vídeo no You Tube. Ao Correio da Manhã, a jovem conta a sua versão dos acontecimentos:

«Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir uma música no telemóvel, mas o som estava baixinho».

Como era também dia de entrega de testes, conta Patrícia, ao passar pela sua secretária, a professora tirou-lhe o telemóvel.

E, a partir daí, gerou-se uma luta pela posse do telemóvel, com a aluna aos berros e a empurrar a docente. Enquanto isso, os outros estudantes riem-se e fazem comentários jocosos.

portugal diário


Mas é claro que a aluna tem que ser suspensa.
Nem outra hipótese se deve colocar.
No meu tempo, era expulsão directa "sem paragem em apeadeiros".
Nunca mais entrava na escola.
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masahemba
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Re: E N S I N O

Mensagempor masahemba » 21 mar 2008, 23:38

irreverência e rebeldia? Seria natural naquelas idades. Mas esta cena não é fruto de irreverência e rebeldia. Isto é má educação levada ao extremo. Estas imagens são o reflexo da sociedade em que Portugal se está a tornar. Não há respeito, não há solidariedade. Portugal transformou-se num deserto onde impera a irresponsabilidade, em que os valores democráticos estrangulam qualquer manifestação da autoridade, porque é uma democracia enferma. Um deserto, este meu querido Portugal, com alguns oásis verdinhos, onde ainda, felizmente, vão resistindo uns teimosos e saudáveis polos de bons valores, que constroem produtoras, enriquecedoras e desenvolvidas sociedades, que é aquilo que a nossa não é. Por essa razão, aquela aluna teve tempo, espaço e liberdade para tomar as atitudes que tomou.
Caminhamos para deixarmos de ser o povo português, e passarmos a ser um bando de portugueses.
Medidas precisam...e bem rapidamente.
Briosas saudações. Masahemba

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Re: E N S I N O

Mensagempor alma » 22 mar 2008, 11:50

A professora também não esteve bem ao tirar o telemóvel bruscamente a aluna, para depois ser agredida. Se fosse uma professora decente marcava falta a vermelho e chamava o conselho executivo.
Ao entrar naquela querela rebaixou-se ao nível da aluna... mas isso também já será possível deficiência da formação da Professora (ou por culpa própria ou por culpa da falta de qualidade das acções de formação). Sem dúvida que precisamos de mais disciplina nas salas de aula e autoridade (não confundir com autoritarismo).
Estas situaçoes sao lamentaveis!!!

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Diana
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 22 mar 2008, 16:43

Caro tiririca, gostava que lêsse este texto.....

Professora brutalizada

I.

Não quis escrever ontem, a quente, sobre o caso acontecido na escola Carolina Michäelis e divulgado no youtube. Mas mesmo guardando para hoje este texto verifico que não sou capaz de o escrever tão a frio como desejaria.

De entre as muitas reacções que li na blogosfera gostaria de referir aqui duas, que têm em comum a ideia de que a professora não se revelou tão boa profissional como lhe seria exigível. F. J. Santos exige aos professores, no seu blogue (Re)flexões, que saibam gerir melhor a diversidade; e Daniel Oliveira exige-lhes, no Arrastão, que saibam gerir melhor o conflito.

Ambos têm razão até ao ponto em que a têm: os professores devem ter alguma capacidade, com efeito, de gerir a diversidade e o conflito. A questão que nenhum dos dois aborda é a de saber em que grau lhes são exigíveis estas capacidades.

Vivemos numa sociedade diversa. Nem todos os alunos das escolas provêm duma classe média que dá valor ao ensino e à ascensão social que este pode proporcionar. Nem todos aprenderam em casa a controlar a violência ou a respeitar os adultos. Esta circunstância tem que ser gerida? É claro que tem. Mas tem que ser gerida a todos os níveis.

O sistema educativo não pode alhear-se dum facto que é geral e social, e endossar a sua gestão às escolas para que a façam sozinhas. Nem as escolas podem, por sua vez, endossá-la ao professor para que se encarregue dela, isoladamente, na sala de aula. E no entanto é isto que acontece: o professor vê-se na situação de um ponta de lança a quem os médios não passam jogo mas a quem os adeptos exigem mesmo assim que marque golos.

Quanto à capacidade de gerir conflitos, há quem a tenha naturalmente, em maior ou menor grau. Mas num grau em que ela quase atinja a perfeição só a tem quem tiver, além da capacidade natural, um treino tão longo, tão difícil e tão oneroso que a sociedade não o dá sequer a todas as forças policiais, só às de elite. E mesmo estas sabem que podem contar, nas situações difíceis, com uma retaguarda que os apoia. Os professores contam com uma retaguarda que lhes atira pedras.

Mesmo que fosse exequível dar a 143.000 professores o mesmo treino em gestão de conflitos que se dá aos Grupos de Operações Especiais, duvido muito que isso fosse desejável. E creio que qualquer pessoa de bom senso duvidará comigo. A professora que aparece no vídeo não exibiu o auto-controlo sobre-humano que se espera, noutros grupos profissionais, apenas de uma elite. Ainda bem: no dia em que esse nível de auto-controlo for exigível aos professores o projecto educativo de toda a nossa sociedade terá falido.

II.

Não tenho a certeza, mas julgo que conheço a professora que aparece no vídeo. Se é quem eu penso, gostava de dizer aqui algumas coisas sobre o seu percurso profissional, que está ligado, como é quase inevitável com os professores, a um particular modo de ser. A pessoa em que estou a pensar é aquilo a que ainda hoje se chama uma senhora. Um modelo de cortesia, de saber estar e em termos de idiossincrasia pessoal - de doçura.

Nos últimos anos dedicou-se ao Parlamento Europeu dos Jovens, contribuindo com o seu trabalho e esforço para que centenas de jovens portugueses aprendessem como funciona a máquina da democracia e se treinassem, com colegas de todas as nacionalidades europeias, nas regras do debate racional sobre todos os temas imagináveis da cidadania.

Antes disso ensinou, e bem, gerações de alunos. A doçura do seu carácter nunca a impediu de o fazer com competência, antes pelo contrário. Tratava-se maioritariamente, é certo, e como diria o F.J. Santos, de jovens da classe média; mas também havia entre eles muitos alunos provenientes de famílias com dificuldades económicas e isto nunca foi obstáculo a que entre professora e alunos se estabelecessem relações de afecto e respeito mútuo.

A infelicidade desta professora foi estar muitos anos afastada da escola, que entretanto mudou. Durante estes anos o poder político tirou o tapete de debaixo dos pés aos professores. Os que viveram este tempo na escola foram-se adaptando, mesmo em termos de idiossincrasia e carácter, às novas circunstâncias e aos novos alunos.

Esta professora não teve oportunidade de se adaptar e caiu de chofre numa escola que não era a que ela conhecia: uma escola em que se tinha invertido a relação de poder entre professores e alunos, uma escola frequentada por jovens provenientes do mundo real, muito diferentes daqueles para quem o actual sistema de ensino foi feito e que só existem na cabeça dos teóricos da educação.

Se é a professora que eu conheço, a estas horas deve estar desfeita, enquanto a aluna que a brutalizou se está provavelmente a rir. E isto, não tenho vergonha de o dizer, revolta-me até às entranhas.

Se esta professora falhou, falhou com mérito. Se na escola de hoje a doçura é vício e a dureza virtude, então o falhanço é honroso e o «sucesso» que nos exigem é vergonha.

retirado daqui:

http://legoergosum.blogspot.com/2008/03 ... izada.html

Ps - tiririca, a minha resposta, ao que escreveu, continua pendente.
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 22 mar 2008, 18:58

Hotéis expulsam alunos

Benidorm é destino de milhares de portugueses na Páscoa

Mais de 300 alunos de Braga e Guimarães que passaram uma semana em Benidorm, Espanha, viram a gerência do hotel onde ficaram hospedados reter 14 dos 20 euros de caução. Tudo terá decorrido de incidentes provocados que levaram a que a Polícia fosse chamada. Ainda esta semana um outro grupo de 27 estudantes portugueses, com idades entre os 17 e os 20 anos, foram expulsos de um hotel em Salou, Barcelona.

"No total, em cauções, o hotel [Benidorm] tinha retidos 8160 euros, resultante dos 20 euros que cada estudante foi obrigado a depositar, como caução. Quando deixamos o hotel, devolveram seis euros a cada estudante, após grandes negociações, porque queriam ficar com tudo", disse Luís Ferreira, presidente da Associação de Estudantes da escola Carlos Amarante, de Braga.

Quanto aos distúrbios provocados no hotel, Luís Ferreira esclareceu "havia dois grupos. Um maior, de Braga e outro mais pequeno, de Guimarães. Esse grupo mais pequeno provocou vários distúrbios e a Polícia foi chamada, tendo encontrado armas brancas e drogas. Todos pagassem pela medida grande".

Mais distúrbios

Já os jovens da Escola Professor Herculano de Carvalho, em Lisboa, que foram expulsos de um hotel em Salou, Barcelona, dizem que, repentinamente, foram transferidos para uma valência sem quaisquer condições.

"Esta é a nossa viagem de finalistas. Estivemos cinco dias num hotel de quatro estrelas, mas, ao quinto dia, entram nos nossos quartos e perguntam-nos se somos portugueses, dissemos que sim, e fomos expulsos", conta Joana Perez, uma das finalistas. A estudante garante que o seu grupo não entrou em desacatos, mas confessa que outros grupos de portugueses ali hospedados os provocaram.

Os problemas causados por jovens portugueses são, precisamente, a causa avançada pelo Hotel Salauris Palace, onde estavam hospedados. "Sim, confirmamos que os expulsamos na quinta-feira à noite, porque, durante dias, recebemos sucessivas queixas relativas aos grupos portugueses. A partir de agora, não queremos cá grupos de estudantes portugueses", confirmou fonte daquela unidade hoteleira.

Entretanto, o grupo foi transferido para um outro hotel que, segundo dizem, não tem condições. "Os lençóis estão sujos, as toalhas têm manchas de sangue. Não tem quaisquer condições", explica Joana Perez, acrescentando que "isto significa uma quebra de contrato porque o documento assegura que em caso de transferência aquela tem que ser feita para uma unidade de igual ou superior qualidade".

"Nós não queremos desacatos e não queremos que o hotel tenha má reputação", justificou a mesma fonte do hotel. Joana Perez repetiu, contudo, que não foi o seu grupo que provocou os problemas naquele hotel.

Jornal de Notícias
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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 22 mar 2008, 19:29

As notícias dão-nos que pensar:
(O vídeo que vimos da Escola Carolina Michaelis... A forma como os jovens falam e se comportam nos transportes públicos... As prioridades que a Procuradoria Geral da República atribuiu à violência sobre os idosos no seio familiar... Os assassínios notíciados na comunicação social...)

Dão-nos mesmo muito que pensar.
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 22 mar 2008, 19:45

Sultão Escreveu:As notícias dão-nos que pensar:
(O vídeo que vimos da Escola Carolina Michaelis... A forma como os jovens falam e se comportam nos transportes públicos... As prioridades que a Procuradoria Geral da República atribuiu à violência sobre os idosos no seio familiar... Os assassínios notíciados na comunicação social...)

Dão-nos mesmo muito que pensar.



mas é bom que se pense, que se pondere, e que a seguir, se aja em conformidade, em resultado dessa reflexão.
E quanto mais perspectivas de análise, tanto melhor. Nessa convergência de pontos fracos e de pontos fortes, do sistema, é que poderá estar a solução para os problemas que se apresentam, à sociedade.

verdade ? :))
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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 23 mar 2008, 21:26

Diana Escreveu:Ps - tiririca, a minha resposta, ao que escreveu, continua pendente.


Cara Diana:

Não se apresse na resposta. Amanhã vou entrar em "doca seca" para "reparações" e o mais provável é que deva demorar uns 3 ou 4 dias a voltar aqui. Pode ser que até seja antes, mas não creio, o mais provável é até que sejam mais dias.

Portanto, não há necessidade de se apressar na resposta.

Fique bem.

PS: Já deu para ver que é uma pessoa atenta ao que se passa por aí... Parabéns pela forma calma e cordata como tem vindo a participar. Já cá fazia falta uma pessoa assim.

PS2: Sim, li o texto acima e digo-lhe que ser-se ultrapassado pela realidade actual, pela forma frenética como o mundo de hoje se altera tão rapidamente, é a coisa mais fácil do mundo. Mais ainda numa escola. Mesmo que aquela senhora não tivesse estado afastada da escola, apenas devido à sua idade, tendo em conta a realidade descrita pelo próprio texto por si transcrito e que nós mais ou menos imaginamos (caso não saibamos) seria muito fácil ter sido ultrapassada na mesma. O desgaste diário a que esta profissão obriga, leva inevitavelmente a que os novos "costumes" ultrapassem rapidamente os professores mais velhos. Não é por acaso que as estatísticas apontam os professores como os "melhores" clientes dos psiquiatras. Anda muita "gente" a Xanax!!!!

Sempre houve e sempre haverá bons e "maus" professores. Mas com alunos assim, nem os melhores resistem à erosão!
O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.
(Willian George Ward)

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 24 mar 2008, 18:32

tiririca Escreveu: Cara Diana:

Não se apresse na resposta. Amanhã vou entrar em "doca seca" para "reparações" e o mais provável é que deva demorar uns 3 ou 4 dias a voltar aqui. Pode ser que até seja antes, mas não creio, o mais provável é até que sejam mais dias.

Portanto, não há necessidade de se apressar na resposta.

Fique bem.

PS: Já deu para ver que é uma pessoa atenta ao que se passa por aí... Parabéns pela forma calma e cordata como tem vindo a participar. Já cá fazia falta uma pessoa assim.




Caro tiririca, muito sensibilizada com a sua mensagem que agradeço, mas nem tanto, Caro Amigo, há muitas, (mesmo muitas) pessoas interessantes, neste fórum, com quem vale a pena, trocar opiniões e ideias.

Neste Fórum, que é de uma imensa riqueza humana, pelo número de pessoas que pode abranger, e pela dimensão de âmbito nacional, que o define.

.... o caminho faz-se caminhando, pelo diálogo construtivo, das ideias e dos objectivos a alcançar.
Temos todo o tempo do mundo para o fazer.


A união faz a força, tiririca. :))

Bem Haja !
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Re: E N S I N O

Mensagempor Ivo » 25 mar 2008, 20:14




Aluno apanhado a falar ao telefone na aula...

Não é em Portugal




Comparar com este

.... em Portugal
ivo

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 25 mar 2008, 20:19

ImagemImagemImagemImagemImagem

Gostei, Ivo !!

Nem mais !!!!
:LOL :LOL :LOL
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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 25 mar 2008, 20:46

Francamente, Ivo, achas que o 1º vídeo é melhor do que o 2º?

A violência é sempre má, seja onde for, e venha ela de onde vier.

O video completo, com 52 segundos, mostra que isto é um spot feito para combater o uso crescente dos telemoveis dentro de salas de aulas!(...)
"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

Uma por dia, tira a azia.

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 25 mar 2008, 21:07

Não é a violência que restaura, mas a violência que arruína que é preciso condenar.

Niccolo Maquiavel
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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 25 mar 2008, 21:50

Está aqui alguém a dizer que o que é preciso é ensinar essa pessoa (Diana) o que é a violência.

Meu Deus! A violência restaura!
O que a gente aprende! Em pleo séc. XXI.

Com muitos anos, mesmo muitos anos, a lidar com crianças/adolescentes/jovens ricos, pobres, com variadíssimas dificuldades a todos os níveis a resolução para este caso seria o seguinte:

Se eu fosse aquele professor, pararia de dar a aula, todos fariam silêncio, todos escutaríamos o telefonema, todos esperaríamos pelo aluno acabar a conversa e quando ele por fim terminasse dir-lhe-ia que seria a última vez que atenderia um telefonema, sem a minha prévia autorização.

Comigo, e com muitos outros, resulta sempre. Nunca tive que recorrer à violência. Seja ela de "restauro" ou de "ruína".

E mais: jamais recomendaria este professor fosse para o que fosse, e muito menos para meu genro.


Também do Maquiavélico:
"Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte é como a mulher; e, para dominá-la, é necessário bater nela e contrariá-la."

Para bom entender, meia palavra bastará, creio eu.
"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

Uma por dia, tira a azia.

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 25 mar 2008, 22:29

Acho que nos vamos divertir imenso, uma com a outra.
Palpite meu, apenas.

Espero que goste de minhocas.
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