E N S I N O

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Pedro Bala
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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 26 mar 2008, 01:59

Eduquem as crianças e não será preciso castigar os homens.
(Pitágoras)

E nós - infelizmente, também tenho que me incluir aqui - fizemos o contrário: demos à canalhada (na minha aldeia aos putos chamámos canalha, mas não com o sentido de ofender os jovens) o poder indiscriminado de mandar em tudo e todos e "educar-nos" à sua maneira. Com 20 e poucos anos temos juízes nos tribunais, comandantes de esquadra, que julgam e mandam em pais e avós...etc, etc. Mas, cúmulo dos cúmulos, como os pais não podem dar um chapadão na focinheira dos meninos, são eles que depois dão cabo das "bentas" dos pais conforme se pode verificar pelas estatísticas da violência sobre idosos no seio familiar... Fogo!

PS. http://dn.sapo.pt/2008/03/25/sociedade/
Apenas três alunos da turma se levantaram em defesa da docente, de 60 anos, que só dias depois apresentou o caso ao conselho executivo da escola. A cena foi gravada no telemóvel de um aluno da turma e o vídeo entrou, depois, no site YouTube.

Isto é deveras preocupante!
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Pedro Bala
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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 26 mar 2008, 17:04

(A Guerra dos Meninos - Roberto Carlos)
http://br.youtube.com/watch?v=uZMjTU9jBDE

Sei que deveria colocar isto noutro tópico, mas como a mensagem é muito importante e tem tudo a ver com as crianças, achei por bem deixar aqui esta música do Rei. Ao mesmo tempo aproveito para dedicá-la, em igualdade de circunstâncias, às nossas queridas amigas, matahary e Diana.
(matahary, não te admito a mais pequena crítica acerca desta canção do Rei :)) . Ficas mesmo proibida de pensar o contrário do que quer que seja, mesmo que depois eu tenha que pagar o teu silêncio com um almoço/jantar na Cabrinha. (conheces?) Meu Deus, meu Deus, há quanto tempo eu não vou lá! E como recordo com tantas e tantas saudades os meus 25 anos de idade ali comemorados com marisco e cerveja a rodos. :LOL )

(Diana, espero que gostes! Aquele abraço! :)) )
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Re: E N S I N O

Mensagempor punisher » 26 mar 2008, 17:18

Ministério Público quer apurar se houve ilícito penal
Aluna que agrediu professora vai ser alvo de processo no Tribunal de Menores
26.03.2008 - 09h21 PÚBLICO
http://ultimahora.publico.clix.pt/notic ... idCanal=58

"Entretanto, Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, em entrevista à Sic, criticou a atitude do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, por ter mandado investigar este caso e ter pedido mais autoridade para os professores, quando ninguém fez queixa.
Marinho Pinto considerou a intervenção do procurador-geral “excessiva”, já que o direito criminal não serve para combater estes crimes. “Acho que o Ministério Público devia investigar a verdadeira criminalidade e apresentar resultados”, acrescentou o bastonário."

26.03.2008 - 09h21 PÚBLICO
...

Bem sei que a aluna teve um comportamento inqualificável.....mas, para "alguém" mostrar serviço vão crucificar a miúda!!!
"Num habia nexexidade"!!!!!
"quem poupa o lobo...sacrifica o cordeiro..."

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Re: E N S I N O

Mensagempor Ivo » 26 mar 2008, 19:30

Professora inerte perante chacota na aula

Uma professora é motivo de troça por parte de um grupo de alunos que gritam e interrompem constantemente a aula. A docente não reage perante o cenário.

Este é mais um caso de grave indisciplina no seio de uma escola portuguesa e que terá decorrido durante uma aula de Economia. Num vídeo, colocado no YouTube a 27 de Junho de 2007 e divulgado ontem pela SIC, um dos alunos filma os colegas a baterem com as mãos nas carteiras, aos gritos e a cantar em plena sala de aula.

Durante a gravação, a câmara é dirigida várias vezes para a professora que continua a leccionar mostrando-se alheia ao barulho e comportamento dos alunos, que chalaceiam, riem e chegam mesmo a dizer asneiras.


ivo

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Re: E N S I N O

Mensagempor hondaxx » 26 mar 2008, 23:28

MUITOS DIREITOS e poucos deveres.
Portugal é hoje um paraíso criminal onde alguns inocentes imbecis se levantam
para ir trabalhar recebendo por isso dinheiro que depois lhes é roubado pelos
criminosos e ajuda a pagar ordenados aos iluminados que bolsam certas leis

B. Costa

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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 27 mar 2008, 09:50

Mário Crespo com Daniel Sampaio

Imagem

continua:
Imagem


Aluna que agrediu professora e jovem que filmou o incidente vão ser transferidos

Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.

Se isto é verdade, esta professora é uma anedota!
O que eu digo aos militares digo a esta também!

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 27 mar 2008, 10:26

Bem "trabalhadinho", o assunto, a Prof. ainda vai acabar com processo disciplinar.

Estou a ser irónica.
Pelo rei às vezes, pela Pátria sempre
(pro rege saepe; pro patria semper)

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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 27 mar 2008, 15:49

• PGR
Ministério está a investigar «dezenas» de casos de violência nas escolas
O Procurador-geral da República, Pinto Monteiro, revelou esta quinta-feira que o Ministério Público está a investigar «algumas dezenas» de casos de violência nas escolas, tanto de alunos que agridem professores como de docentes que agridem estudantes.
( 14:16 / 27 de Março 08 )



Segundo Pinto Monteiro, «os ilícitos dentro da escola são ilícitos criminais» e os conselhos directivos deveriam ser obrigados a participar desses casos de agressão.

«Muitos [conselhos executivos] não o fazem, mas deviam fazê-lo», considerou, defendendo que os pequenos ilícitos têm de ser combatidos porque geram grandes ilícitos.

Pinto Monteiro sublinhou que «há mais de um ano que o Ministério Público vem alertando para a prioridade da investigação da violência», especificamente nas escolas e nos hospitais e sobre mulheres e idosos.

Segundo o PGR, as mulheres já começam a ter coragem de denunciar casos em que são vítimas de violência, mas os idosos «não têm voz», esclarecendo que «tem sido feito um esforço pelas distritais» [do Ministério Público] para apurar os casos de agressão idosos que têm ocorrido.

Pinto Monteiro destacou ainda que as juntas de freguesia podem ter um papel importante nestes casos de violência contra idosos, comunicando-os ao Ministério Público.

O Ministério Público abriu, esta semana, uma investigação ao caso da aluna que agrediu uma professora na Secundária Carolina Michaelis do Porto.


(O meu comentário: -Como é que não hei-de gostar tanto do meu cão?)
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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 27 mar 2008, 17:31

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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 27 mar 2008, 20:48

Imagem


Em parte, compreendo esta Mãe.
No final de um dia de trabalho, sobram poucas forças e disposição para "trabalhos para casa" dos filhos.
Mas tb considero que é na base desta postura, de ausência de acompanhamento da vida escolar dos filhos, que estão muitos problemas das crianças e dos jovens.

Haja o que houver, tem que se dedicar algum tempo aos filhos.

Para além disto, penso que os horários escolares, bem como os horários de trabalho estão mal distribuídos.

O dia de trabalho e de escola deveria começar mais cedo, para tambem acabar mais cedo.
É assim noutros países da Europa.
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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 27 mar 2008, 22:26

Procurador distrital diz que é indisciplina e não crime

http://dn.sapo.pt/2008/03/27/sociedade/ ... scipl.html


Professora apresenta uma queixa contra aluna agressora e duas contra restantes colegas

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Socied ... t_id=86579
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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 27 mar 2008, 22:48

Se - se - é proibido usar telemóveis nas aulas, não vejo nenhuma ilicitude em ser aberto um processo disciplinar à professora, para apurar as razões de ter desobedecido ao regulamento escolar.

Que havemos de fazer?
Os alunos desobedecem aos professores, os professores desobedecem às ordens e regulamentos escolares, os sindicatos estimulam as escolas a desobedecer ao Ministério...

Não devemos apenas ouvir as partes que mais nos agradam, devemos ouvir todo o discurso (do Daniel Sampaio) e ele é bem explícito no que se refer a esta divergência e desrespeito pelas regras impostas por parte dos professores (uns cumprem e outros não).

Daniel Sampaio em relação ao Estatuto de Aluno apenas se refere às faltas. Uma falta por doença é igual à falta do aluno por ter ido passear. O psiquiatra acha errado. Ele não exemplifica este "passear", mas, acho muito mais proveitoso um aluno faltar um dia para ir passear com os pais ou com os avós do que ir a um dia de aulas. O ganho é infinitivamente maior.

Uma coisa de que não se fala, tenho pena, e gostaria muito de saber, é o que foi feito pela escola quando esta aluna revelou negativas a todas as disciplinas (menos duas).

«««««««««««««««««««««««««

Estatuto do Aluno
http://www.min-edu.pt/np3content/?newsI ... 3_2008.pdf
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Re: E N S I N O

Mensagempor Ivo » 28 mar 2008, 00:11

ivo

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Re: E N S I N O

Mensagempor Pedro Bala » 28 mar 2008, 00:47

Digam-me quais são as profissões dos pais desta aluna e descrevam-me o ambiente familiar em que ele foi educada.
Não se acanhem.
(Quem é e que faz na vida o seu pai? Quem é e que faz na vida a sua mãe?)
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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 28 mar 2008, 00:56

Desculpa, Sultão, mas não estou a ver em que medida a profissão dos pais tem a ver... E até mesmo o ambiente familiar, não sei... Será que com esses dados chegas ao cerne da questão? Humm... acho que não, sem primeiro ouvir a pessoa em questão, não.


«Dá-me o telemóvel» já é música e t-shirt

http://diario.iol.pt/sociedade/video-ca ... -4071.html

O Ivo foi o primeiro a comprar!
Já estou a imaginá-lo de tichartezinha por baixo da camisa azul da farda (com as mangas da ticharte mais compridas que a camisa azul, que é como se quer), que com um pequeno esforço consegue-se ler: «Dá-me o telemóbel, Já!» :LOL


OPINIAO DE CINCO (5) PROFESSORES

http://diario.iol.pt/melhor-dos-leitore ... -4105.html


Indisciplina escolar em Portugal à solta no YouTube

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=storie ... ies/277965


Os telemóveis, os pais, o YouTube e a Daniela Cicarelli

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=storie ... ies/277949
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 28 mar 2008, 07:45

Tem razão, matahary, se o telemóvel vai contra o regulamento da escola, na verdade, deveria ser imputado um processo disciplinar à professora.

Mas diga-me, quantas coisas se passam nas escolas que vão contra os regulamentos das mesmas ? Devem ser muitas, a julgar pelos últimos videos passados nas televisões.

É aterrador o que vi ontem. Aquele pézão, ou patada que um aluno dá na cara da colega que está atenta, ao que a Professora está a dizer, pôe-me virada do avesso. E ainda pior é observar a relativa indiferença com que a aluna, aceita o pézão, daquele "animalzinho". No meu tempo de adolescente, se aquilo fosse comigo, a aula tinha acabado ali, porque eu pegava numa cadeira, e dava-lhe com ela, nos c......
(isto é só um desabafo, pq no meu tempo, se eu fizesse isso, era logo expulsa da escola.) Adiante ....

Há uns anos, fui professora, de alunos de uma escola pertencente a um Bairro Crítico. São três, os Bairros Críticos: Vale da Amoreira, Lagarteiro, Cova da Moura.
Foi num deles.

Não foi fácil. Tinha alunos que enquanto eu dava a aula, passeavam-se pela sala, a falar uns com os outros. Era difícil ter controlo sobre tudo aquilo. Sabia a história de vida de cada um deles. Tentava perceber os seus comportamentos, à luz dessa história. Também não tinha grandes meios que me ajudassem a pôr termo à situação. Só se eu chamasse a Polícia. E isso era impensável, em termos pedagógicos.
Mas havia momentos que a mim, o que me apetecia era sair pela porta fora, e deixá-los lá sózinhos.

Mas (sinceramente) nunca assisti a este nível de violência, nem dentro da sala de aula, nem fora, nos corredores ou nos espaços de recreio, e que agora é reproduzida pelos meios de comunicação.

A coisa está mesmo preta. De facto !
A Escola está uma guerra. Aliás, a Escola acabou, neste contexto.
E o melhor é levar protecções no corpo, para a Escola, nos tempos que correm. Alunos, professores e funcionários.

Nunca se sabe, o que poderá acontecer, e não vá aparecer, algum "artista" (leia-se aluno) que veja muitos filmes americanos, e que se lembre de entrar de metralhadora em punho, na Escola, como acontece nos Estado Unidos. É só o que falta. Talvez seja bom, começar a revistar os alunos, qd entram na Escola.
A mim me parece.....

E acabo por ter que dar (alguma) razão ao Senhor Procurador Geral da República.

A falta de autoridade é generalizada.
A falta de respeito, idem.
A impunidade, total.
Há violência nas Escolas. É verdade.

Mas eu gostava de perguntar ao Senhor Procurador:

O que pode a Justiça fazer pela Escola, se muitas das vezes, as Entidades Policiais, dão tudo por tudo, para deter certos indivíduos, com comportamentos criminosos, e em seguida, esses indivíduos são postos em liberdade ?

A mesma impunidade que existe na Escola, existe na Sociedade.
A autoridade (o Poder) está na mão dos alunos, assim como, a autoridade em Sociedade, está na mão dos prevaricadores.

O Senhor Procurador ainda não conseguiu eliminar estes e outros problemas.

A realidade é :

Não se respeita um Professor, assim como não se respeita um colega, um pai, um vizinho, um médico, um polícia, ... whoever.
Não se respeita.
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 28 mar 2008, 07:49

Caro Ivo, está com piada. :LOL :LOL :LOL

Embora o caso não seja para graças.
O Humor Português no seu melhor....
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 28 mar 2008, 10:40

Indisciplina escolar em Portugal à solta no YouTube

Desde pegar fogo a cadeiras até gozar com a cara dos professores, passando por insultos em coro, há de tudo nas salas de aula portuguesas. Os telemóveis estão sempre lá, inclusive para filmar o corpo de professoras.

Clique aqui, para ver a colecção de vídeos


A violência é só a parte visível de um icebergue. De facto, dentro de muitas salas de aula portuguesas pode não haver violência, mas a indisciplina atinge níveis alarmantes.

NOTA

Os vídeos que o Expresso recolheu e que disponibiliza, foram alvo de um tratamento que torna a imagem difusa, para não se reconhecerem nem alunos, nem professores.

Expresso
Quinta-feira, 27 de Mar de 2008
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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 28 mar 2008, 12:33

Foste professora?
Desculpa lá, os teus argumentos, à partida, estão viciados, não tratas o assunto com equidistância necessária.
(Repara só como escreves professor e as restantes profissões, incluindo a palavra "pai".)

os Bairros Críticos

Que é isto? Não percebi.

A coisa está mesmo preta. De facto !

:shock:
Como podes usar expressões destas?
Deixas-me de rastos, apesar de todos os esforços que faço...

Depois de ler o teu texto, francamente, não tenho pachorra para pessoas tão derrotistas, tão dramáticas, derrotistas. Fatalistas.
Não é este o discurso que devemos ter, e muito menos o espero de pessoas que querem transmitir uma moral e comportamento imaculados. E mais: certas perguntas que fazes até as aceitaria, caso viessem de uma sopeira, por exemplo, mas de uma pessoa com a tua formação, elucidada, esclarecida, conhedora?! Não.


Mãe da aluna chocada e revoltada

http://diario.iol.pt/sociedade/escola-a ... -4071.html
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Re: E N S I N O

Mensagempor Diana » 28 mar 2008, 14:25

matahary Escreveu:
os Bairros Críticos

Que é isto? Não percebi.



Pode esclarecer-se aqui, matahary:

http://www.portugal.gov.pt/Portal/Print.aspx?guid=%7BF9D6FFA0-2E93-4EB2-8DD0-83CA4A647AAC%7D

Quanto ao resto do comentário, é "peditório" para o qual não dou.

- Ó pra ela ! :LOL :LOL :LOL

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Re: E N S I N O

Mensagempor alma » 28 mar 2008, 18:16

professora da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que foi alegadamente vítima de agressão por uma aluna formalizou hoje uma queixa judicial contra a jovem. Além da estudante, a docente apresentou ainda uma queixa contra a turma onde ocorreu o incidente e um pedido de responsabilização para dois alunos maiores de 16 anos.

A advogada da docente, Ana Espírito Santo, confirmou à Lusa que a professora apresentou três queixas distintas. Uma primeira queixa foi apresentada contra a aluna no Ministério Público, junto do Tribunal de Família e Menores do Porto. A advogada explicou que apesar da aluna viver em Matosinhos, a queixa só podia ser formalizada naquele tribunal, por ser o da área onde ocorreram os factos.

No mesmo tribunal, foi apresentada uma queixa autónoma contra os restantes alunos menores da turma. Pouco depois, foi formalizada uma terceira queixa, no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto, contra dois alunos maiores de 16 anos, que já podem ser responsabilizados na justiça convencional.

A aluna arrisca-se a ser acusada de crimes de difamação ou ofensa ao seu bom-nome. Os outros alunos são responsabilizados na queixa por colaboração na "humilhação" da professora.

O caso ocorreu no último dia de aulas, antes das férias da Páscoa, e envolveu uma professora de Francês e uma aluna de 15 anos. A professora foi alegadamente vítima de violência física e verbal por parte da aluna, depois de lhe retirar um telemóvel, cujo uso é proibido durante as aulas. A cena foi filmada por um colega de turma e colocada no site YouTube, mostrando a aluna a gritar e a empurrar a professora quando a docente lhe procura tirar o telemóvel.

O Tribunal de Família e Menores do Porto remeteu ontem o caso para a comarca de Matosinhos. Em declarações à Lusa, o procurador Manuel Santa afirmou que o caso vai decorrer no Tribunal de Família de Matosinhos porque a aluna pertence àquela comarca. Segundo referiu, o inquérito servirá para apurar se eventualmente a aluna em causa praticou actos ilícitos que poderão ser punidos pelo crime de ofensa à integridade física da docente.

"No decurso do inquérito irá apurar-se se há ou não matéria para provar que a aluna praticou este crime. Se o Ministério Público entender que a aluna praticou esses crimes e precisa de ser educada para o direito procede-se à abertura da fase jurisdicional", acrescentou o responsável.

A aluna vai ser transferida da Escola Secundária Carolina Michaelis para outra instituição escolar, confirmou hoje a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). O estabelecimento de ensino para onde a aluna vai ser transferida não foi ainda especificado.

Relativamente ao aluno que filmou o incidente com um telemóvel, a DREN disse que "não há ainda uma decisão".

A docente alegadamente agredida regressa às aulas na próxima segunda-feira, no primeiro dia após as férias da Páscoa.

Público



Se este caso nao tivesse chegado ao youtube tiria ficado por ali e a professora nem sequer teria apresentado queixa.
agora passado 15 dias vem apresentar 3 queixas...viva o youtube para ser feita justiça :LOL

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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 29 mar 2008, 16:44

A DEVIDA COMÉDIA

Miguel Carvalho

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal.

A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo.

A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles.

Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.

E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

Artigo publicado na revista VISÃO online

-----

Já vi que na minha ausência o tópico esteve bem activo.

De papo para ar, fartei-me de ver TV. Foi uma semana em cheio. Não se falava de outra coisa. Da RTP à TVI, passando pela SIC e SIC Notícias, sem esquecer a RTPN, havia debates e informação para todos os gostos.

Nada de anormal. É habitual que assim aconteça. Acontece um qualquer facto bizarro, a comunicação social dá-lhe o devido relevo e depois, durante cerca de uma semana, tudo gira à volta desse referido assunto.

Aparecem os mais variados "fazedores de opinião", técnicos, profissionais da área outros que ninguém conhece, mas que têm "solução simples para tudo", ex-políticos, políticos actuais, todos com uma coisa em comum: Botar faladura sobre o assunto.

Faz-se um inquérito em directo. Recolhem-se as provas, formula-se a acusação (de preferência a ambas as partes - é da praxe culpabilizar o professor!), faz-se o julgamento e dita-se o veredicto.

Neste entretanto e governo procura tapar os "rombos"!

Ninguém assume qualquer responsabilidade. Dois partidos governam à vez este pobre país. Todos estes males resultam das suas "políticas", mas ninguém assume nada!

Uma semana depois, esquece-se o assunto e não se volta a falar dele! Hoje já não se fala do caso!

Mas nós, todos os que somos pais e temos crianças na escola, temos consciência que este fenómeno existe e que a tendência é para aumentar. Isso deixa-me deveras preocupado. Porque espero que na falta de capacidade financeira para poder colocar a minha filha num colégio particular, gostaria que ela, utilizando uma escola pública, tivesse as mesmas oportunidades de adquirir conhecimentos que esses tais têm. Que o ambiente escolar fosse propicio à aprendizagem. Não gostaria nada que a minha filha estivesse integrada numa turma desta natureza (desta e de outras que nos foram mostradas), porque obviamente o insucesso é garantido.

Hoje, a única forma de se singrar na vida, de ter um futuro na vida é dotar-se de conhecimentos muito acima da média. Já não basta ter um "LIC" atrás do nome. Tem de ser muito bom, ser poliglota, multifacetado, etc.

Estes que as imagens nos mostram ou vão viver à custa dos papás durante toda a vida ou nunca conseguirão encontrar um trabalho (precário) que lhes proporcione mais que o ordenado mínimo.

Termino, referindo-me às criticas feitas à professora. Acusam-na de ter autorizado o uso do telemóvel. Não vejo nada de mais nisso. Uma coisa é dizer: "estejam à vontade". Outra distinta é "estarem à vontadinha"! O facto de alguém dizer "podem fazer tal coisa", não quer dizer de forma nenhuma que se abuse. Parece-me que ali houve abuso. Quanto à autoridade dentro daquela sala de aula, ela sempre existiu. Nota-se perfeitamente quem a detinha. Não era a professora, mas o "operador de imagem". Observem e vejam como cada ordem que ele dá é imediatamente obedecida!
O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.
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Re: E N S I N O

Mensagempor punisher » 29 mar 2008, 23:31

o Youtube teve o condão de colocar a indisciplina nas escolas na ordem do dia...
Já muito se disse e se escreveu sobre este tema...contudo gostava de partilhar um artigo de opinião (Luís Filipe-Visão), que achei particularmente "acertado".

Noutros tempos, os professores tinham autoridade, porque podiam chumbar. E quando se chumbava, sofria-se uma consequência, geralmente familiar (...)
Hoje, porém, quase não se chumba. Porque o facilitismo entrou, definitivamente, nos programas escolares e nos objectivos políticos dos sucessivos ministérios. Interessa garantir estatísticas de crescente sucesso escolar, para que os políticos fiquem bem vistos.(...)
Quando se chumba, ninguém vai trabalhar para as obras ou sachar os milheirais da família. Pelo contrário, os pais pedem explicações aos professores – e nunca aos filhos. Ameaçam-nos e espancam-nos, cobertos por um sistema que, já de si, dificulta ao máximo a possibilidade da reprovação pura e simples.


http://aeiou.visao.pt/Opiniao/filipelui ... movel.aspx
"quem poupa o lobo...sacrifica o cordeiro..."

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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 04 abr 2008, 12:16

Pinto Monteiro reuniu-se com Presidente da República

PGR: órgãos directivos de escolas "têm dever cívico" de comunicar casos de violência
03.04.2008 - 13h59 Lusa

Os conselhos directivos das escolas "têm de ter coragem, obrigação e dever cívico para participarem" os casos de violência que ocorrerem nos respectivos estabelecimentos de ensino, defendeu hoje o procurador-geral da República, no final de uma audiência com o chefe de Estado, Cavaco Silva.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324681

-----------

Há alunos que levam armas para os estabelecimentos de ensino

Ministra da Educação já conhecia dados sobre armas nas escolas revelados pelo PGR
04.04.2008 - 09h07 Lusa

A ministra da Educação já conhecia os dados sobre violência nas escolas revelados pelo Procurador-Geral da República (PGR) após uma audiência com o Presidente da República, nomeadamente que há alunos que levam armas para os estabelecimentos de ensino.

Alunos com canivetes, alguns que utilizaram "armas a fingir" e outros que "levam espingardas do pai, que é caçador", foram situações avançadas por Maria de Lurdes Rodrigues, para quem este problema se trata de "um conjunto de casos muito variado". :shock: :shock: :shock:

Na opinião da ministra, "a maior parte dos casos são nas imediações da escola, não são no seu interior". :shock:

http://ultimahora.publico.pt/noticia.aspx?id=1324761&idCanal=58

O meu comentário às intervenções de S. Exa. a Sr.ª Ministra: "A Oeste, nada de novo!" :roll :?
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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 04 abr 2008, 21:43

"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

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Re: E N S I N O

Mensagempor matahary » 05 abr 2008, 15:22

"Basta de pensar que quem é pobre tem de ser violento"

http://dn.sapo.pt/2008/04/05/sociedade/ ... olent.html


Passar é que está a dar!
Escola da Apelação - Loures

Eu Sim, Eu Não (vídeo)

Quem o defende é o presidente do Conselho Executivo da pior escola do ranking nacional, Félix Bolaños


Armas de fogo apreendidas foram tantas como há 10 anos

http://ultimahora.publico.clix.pt/notic ... id=1324869


Conselho das Escolas diz que estabelecimentos de ensino são dos lugares mais seguros da sociedade

http://ultimahora.publico.clix.pt/notic ... id=1324780


25% do crime juvenil é cometido na escola

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=storie ... ies/285489
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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 10 abr 2008, 20:34

Geração do Ecrã

Por Alice Vieira, Escritora

Desculpem se trago hoje à baila a história da professora agredida pela aluna numa escola do Porto, um caso de que já toda a gente falou, mas estive longe da civilização por uns dias e, diante de tudo o que agora vi e ouvi (sim, também vi o vídeo), palavra que a única coisa que acho verdadeiramente espantosa é o espanto das pessoas.

Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os "Morangos com açúcar", só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.

Se isto fosse o caso isolado de uma aluna que tivesse ultrapassado todos os limites e agredido uma professora pelo mais fútil dos motivos - bem estaríamos nós! Haveria um culpado, haveria um castigo, e o caso arrumava-se

Mas casos destes existem pelas escolas do país inteiro. (Só mesmo a sr.ª ministra - que não entra numa escola sem avisar…- é que tem coragem de afirmar que não existe violência nas escolas…)

Este caso só é mais importante do que outros porque apareceu em vídeo, e foi levado à televisão, e agora sim, agora sabemos finalmente que a violência existe!

O pior é que isto não tem apenas a ver com uma aluna, ou com uma professora, ou com uma escola, ou com um estrato social.

Isto tem a ver com qualquer coisa de muito mais profundo e muito mais assustador.

Isto tem a ver com a espécie de geração que estamos a criar.

Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.

E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.

E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.

E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.

A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.

A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar

A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.

E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.

E nós deixamos.

In Jornal de Notícias, 30.3.2008

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Isabel Fevereiro - Prós e Contras
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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 10 abr 2008, 21:35

Ex-professor da ministra faz a crítica da personagem:

ramiromarques.blogspot
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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 12 abr 2008, 01:02

Decadência Da Educação, Ensino Público E Privado, Exames E Outras Curiosidades Da História De Há 128 Anos

Posted by Paulo Guinote under Educação, Eterno Retorno, História
http://educar.wordpress.com/


Muitas são as causas a que se tem attribuido a decadencia da instrucção media em Portugal, e o mediocre aproveitamento dos institutos respectivos; mas nem todas as que descobriu a inquirição do governo merecem igual credito ou manifestam o mesmo valor, revelando todavia a preoccupação dos que mais directamente lidam no ensino, e se interessam pelo seu desenvolvimento e progresso. Algumas demandavam a intervenção da lei, para outras bastariam as faculdades ordinarias do executivo.

Entre as principaes, já a vossa commissão apontou a lei de 2 de setembro de 1869, prohibido a nomeação de novos professores, e commettendo a direcção intellectual dos alumnos a quem não dera provas de legitima capacidade. Acrescia que, não podendo confiar na estabilidade da sua posição, e sujeitando- se a um estipendio menos que sufficiente, seria demasiado exigir de professores em similhantes condições, grande zêlo e solicitude n’um serviço tão penoso e molesto, quanto era mal retribuido.

A reforma acaba com esta deploravel interinidade, restabelecendo o concurso para o recrutamento do professorado, e estabelecendo novos vencimentos, mais em harmonia com as circumstancias economicas da actualidade, e com a independencia requerida nos que se dedicam a tão grave como austera magistratura.

N’estas condições poderia á lei prohibir aos professores dos lyceus o ensino particular, o maior e mais ruim cancro que infesta a instrucção secundaria. É este o aviso de muitos e dos mais abalisados espiritos consultados sobre a materia.

Os escandalos dos exames insufficientes são principalmente o processo era que se fundam.

Subiram a grau tão excessivo os abusos o desconcertos, foram tão frequentes e imperiosas as queixas e reclamações, que houve mister o governo de lhes dar satisfação.

D’ahi nasceu a idéa das commissões de exames, remedio que não podia deixar de ser provisorio e temporario, e que, se no principio revelou uma efficacia decisiva, veiu logo a descaír e degenerar da sua primitiva força e energia.

Depois na propria composição d’esses jurys extraordinarios estava muitas vezes o mal que se pretendia combater.

Não basta a imparcialidade, que é uma boa e sã virtude para examinadores; ainda a precede e excede a competencia, que nem sempre era possivel encontrar n’uma corporação adventicia, composta, e não raro, debaixo de influencias estranhas aos interesses da instrucção publica. A nova lei repõe a competencia onde as habilitações a consagraram, e quanto á imparcialidade, confia que o prestigio da instituição, a dignidade da magistratura professoral, e o augmento dos vencimentos serão sufficientes para a garantir e assegurar.

D’este modo eximiu-se a prohibir o ensino particular aos professores officiaes, não porque julgasse que similhante limitação não fosse permittido aos poderes publicos decretal-a, ou entendesse que podia ser estimada um attentado á liberdade, mas porque ajuizou mais acertado revestir desde logo da mais alta consideração os professores da reforma, afastando como improprio todo o pensamento de desconfiança, e deixando-lhes o livre arbitrio de assistirem aos exames dos seus alumnos, ou de serem nomeados para os actos dos lyceus a que não pertencessem. D’esta maneira, sem desconhecer as exigencias da opinião, acautela as suspeitas meticulosas d’aquelles que veriam na prohibição do ensino particular uma, offensa á liberdade.


(Parecer nº 70 sobre o projecto de lei nº 42, visando a reforma da instrução secundária lido na Câmara dos Dignos Pares do Reino em 5 de Maio de 1880, da autoria dos deputados Antonio José da Rocha, Thomás Frederico Pereira Bastos e Antonio José de Avila)
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Re: E N S I N O

Mensagempor tiririca » 12 abr 2008, 01:06

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