O Islão

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Diana
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O Islão

Mensagempor Diana » 28 mar 2008 09:18



FITNA - O Filme de Geert Wilders

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Pedro Bala
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Re: O Islão

Mensagempor Pedro Bala » 29 mar 2008 21:47

FANÁTICOS E LOUCOS.
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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tiririca
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Re: O Islão

Mensagempor tiririca » 29 mar 2008 23:25

Sultão Escreveu:FANÁTICOS E LOUCOS.


http://br.youtube.com/watch?v=S75N4r5VmuU&feature=related

http://br.youtube.com/watch?v=IemPsXZx-xM&feature=related

Chamava-se David Koresh, era cristão e conseguiu convencer algumas dezenas de adultos e ateou fogo a umas quantas crianças (algumas delas) seus filhos!!!! Em nome de que "Deus" fez ele aquele gesto louco? Do dele (David Koresh) ou do teu?

Dizes «FANÁTICOS E LOUCOS» porque usam uma interpretação da sua religião de uma forma deturpada? Ou porque são islâmicos?

PS: As perguntas não são pessoais, são meramente retóricas.
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Pedro Bala
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Re: O Islão

Mensagempor Pedro Bala » 31 mar 2008 07:58

:(
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tiririca
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Re: O Islão

Mensagempor tiririca » 31 mar 2008 12:21

Sultão Escreveu: :(


Não fiques triste. Tu não és responsável pelo mal que outros fazem. Não é pelo facto de seres crente e assumires conscientemente a tua crença, que alguém te vai comparar a estes «FANÁTICOS E LOUCOS». O meu interesse pela questão é meramente filosófico.

A verdade é que em nome de uma "fé", têm-se cometido as maiores atrocidades.

Este vídeo não é estéril. Bem pelo contrário, é capaz de produzir ainda mais violência, uma vez que achincalha aquela "fé", que como sabemos, tem por parte de alguns uma forma suigeneris de interpretação. Mas também sabemos, que nem todos os crentes da fé islâmica a interpretam assim. Então, para quê a sua divulgação!? Haveria certamente outras formas de se passar a mesma mensagem!

Em tempos, também os cristãos tiveram uma forma suigeneris de interpretação - cruzadas! Nessa altura os "bombos da festa" eram os muçulmanos. Desde que tivesse um crescente vermelho na testa, quer fossem homens, mulheres ou crianças, eram para "exterminar"! E muitos foram-no, já que houve umas quantas cruzadas!

Coloquei "exterminar" entre aspas, porque nem sempre foi assim. Houve alturas em que se os infiéis sarracenos "aceitassem" a "verdadeira" fé (católica, obviamente), eram poupados. Coisa que hoje se repete com estes «FANÁTICOS E LOUCOS»! Se aceitares a "verdadeira" fé deles, deixam-te em paz!

Foi Sua Santidade o Papa Urbano II, o idealizador da Primeira Cruzada, durante o Concílio de Clermont-Ferrand em 1095. Foi um sínodo que incluiu entre as suas decisões a de conceder o perdão de todos os pecados - isto é, a indulgência plena - aos que fossem ao Oriente para defender os peregrinos, cujas viagens se tornavam cada vez mais perigosas, dando assim origem às chamadas cruzadas. Ao pregar e prometer a salvação a todos os que morressem em combate contra os pagãos (leia-se muçulmanos), o Papa criou um novo ciclo. Com a campanha "salvação a todos os mortos em combate contra os infiéis" * , o Papa não estava só a garantir a criação de um grande exército, mas também um novo foco bélico.

O Papa dirigiu-se aos fiéis nestes termos: "Deixai os que outrora estavam acostumados a baterem-se impiedosamente contra os fiéis, em guerras particulares, lutarem contra os infiéis. Deixai os que até aqui foram ladrões tornarem-se soldados. Deixai aqueles que outrora se bateram contra os seus irmãos e parentes lutarem agora contra os bárbaros como devem. Deixai os que outrora foram mercenários, a baixo soldo, receberem agora a recompensa eterna. Uma vez que a terra onde vós habitais, é demasiadamente pequena para a vossa grande população, tomai o caminho do Santo Sepulcro e arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos".

Não nos podemos esquecer também da "santa inquisição"!

Hoje mesmo, em certos "pormenores" podemos continuar a chamar «FANÁTICOS E LOUCOS» a alguns cristãos. Depende tão só do ponto de vista. Estou a lembrar-me da "proibição" do uso dos preservativos, quando todos sabemos as consequências nefastas que advêm do seu não uso... claro que haveria muito mais para discutir, mas como dizia o meu avô «quando se discute com alguém politica e religião, devemos ser sempre muito comedidos nos comentários e na expressão das opiniões...».

Despeço-me com uma saudação aldeã (que conhecerás certamente): - O Senhor esteja contigo!

* Naquela altura a promessa do Papa ficava-se apenas pela "certeza" de encontrar a porta aberta quando chegasse ao jardim do paraíso. Hoje, os islamitas prometem o mesmo, mas para dar um pouco mais de ânimo à rapaziada, acrescentaram um bónus, oferecem também 100 virgens a cada um dos que faça a "grande viagem" e conseguir levar consigo uns quantos infiéis!
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Re: O Islão

Mensagempor Diana » 01 abr 2008 07:57

Rainha lança canal contra os estereótipos


Rania da Jordânia promete trabalhar para acabar com preconceitos

A Rainha Rânia da Jordânia lançou um canal no YouTube exortando os jovens a tomarem parte num diálogo global para desmantelar estereótipos do mundo muçulmano e árabe, de acordo com um comunicado de imprensa do Palácio Real citado pela agência Lusa.

Rânia prometeu trabalhar para acabar com esses preconceitos e disse querer que pessoas conheçam o verdadeiro mundo árabe «sem emendas, sem rasuras e sem filtros».

O canal do YouTube convida os espectadores a darem as suas opiniões sobre o Médio Oriente e a falarem das imagens estereotipadas que possam ter dos árabes e dos muçulmanos.

No comunicado divulgado pelo Palácio, Rânia foi citada como tendo dito: «Quero que os jovens de todo o mundo vejam o lado pessoal da minha região, conheçam os lugares e deparem com os rituais e a cultura que forjaram a parte do mundo que eu chamo pátria».

Reino tradicionalmente conservador e de inspiração tribal, a Jordânia pretende imprimir um cunho de modernidade ao país que a destingue de outras nações árabes no Médio Oriente.

O YouTube é muito popular entre a juventude jordana, que constitui mais de metade do país com uma população de seis milhões de habitantes. Há um acesso fácil à Internet, ao contrário do que se passa noutros locais da região, designadamente na Arábia Saudita ou no Irão e na vizinha Síria.

«Num mundo onde é tão fácil ligarmo-nos uns aos outros, anda permanecemos muito desligados», disse Rânia na sua página da Internet. «Há todo um mundo maravilhoso lá fora que não podemos apreciar com estereótipos», acrescenta.

Rainha e advogada

Rânia, de origem palestiniana, casada com o rei jordano Abdullah em 1993, promove e defende a educação, o financiamento do micro-crédito no quadro da luta para fazer sair o país da pobreza. É também uma advogada da protecção das mães e das crianças contra os abusos familiares e a promoção dos direitos das mulheres.

Juntamente com o rei Abdallah, ela é a ponta de lança de uma campanha para introduzir leis duras que imponham punições mais severas aos homens que matam mulheres das suas famílias por estas desobedecerem à vontade dos homens mais velhos do clã familiar - os chamados crimes de honra.

Em 2007, ela conseguiu reunir uma mãe palestiniana de Gaza com o filho, após 25 anos de separação, depois de o filho ter contado o seu pesadelo na Tv Jordana. A Rainha, ela própria mãe de quatro filhos, surpreendeu mais tarde os produtores do show, a audiência do estúdio e o filho palestiniano quando trouxe esta mãe ao programa para se juntarem.

O lançamento de Rania no YouTube surge numa altura de grande agitação no mundo muçulmano devido à divulgação do filme Fitna na internet, do político holandês anti-imigraçáo Geert Wilders que é visto como sendo insultuoso para o Isláo do profeta Maomé

O filme, de 15 minutos, que mostra versos do Corão justapostos com cenas de violência e ataques terroristas por muçulmanos extremistas, atraiu a condenação das nações muçulmanas.

2008/04/01 | Portugal Diário



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Rainha Rânia da Jordânia
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Re: O Islão

Mensagempor Diana » 06 abr 2008 15:50

"Se pudesse, tirava-lhe isso... mas não posso"

... uma muçulmana de 'burka'.

Uma religião que, supostamente, abracei pela via da união com um paquistanês e cuja prática decidi levar ao extremo ao usar uma 'burka'. Algo nunca visto em Portugal.

Poucos ficaram indiferentes à minha passagem, embora muitos o tenham disfarçado. Tolerância, mas também comentários críticos, nomeadamente que o Governo não deveria permitir trajes tão marcadamente religiosos.

Esta é uma rubrica que se repete a partir de hoje, aos domingos.
Um jornalista do DN irá viver na pele a vida de outros.

"Anda assim vestida... porquê?"
É a minha religião, respondo. "
"E qual é?".
Muçulmana.
"A que é que isso a leva?"
A uma vida melhor.
"Porquê, se é portuguesa?"
Casei com um paquistanês.
"Esse sempre foi o mal das mulheres. Ir na conversa dos homens!", comenta a mulher para a amiga.

Há muito que ultrapassou os 50 anos e não consegue perceber porque é que alguém tem que andar coberto da cabeça aos pés. E, ainda menos, que o faça por causa de um homem, mesmo que o amor seja a justificação.

Imagem
A Jordanian girl in Amman

O episódio passa-se em Viana do Castelo, onde acabo de ser impedida de entrar no Museu do Ouro/Ourivesaria Freitas com a desculpa de que a porta não abre. A atitude é aprovada pelas duas mulheres. "Claro, eles não podem deixar entrar as pessoas com a cara tapada. O que é que ela quer?" Ela, sou eu. Uma mulher coberta com uma burka e que nem os olhos permite que os outros vejam. Em contrapartida, eu posso fitar o olhar de quem me observava através de uma venda em renda. Uma rede que alguém comenta para o Paulo Spranger, o fotógrafo que me acompanha ao longe: "Cuidado com as fotos, olhe que vê-se tudo. É pior do que a malha da sardinha!"

O comentário das duas mulheres permite-me meter conversa. É que as pessoas, mesmos aquelas que ficam mais incrédulas à minha passagem, não me abordam directamente, preferindo fazer comentários para os acompanhantes, às vezes até, para o ar. Apenas um homem, no Porto, me pergunta: "Estás com frio?"

São as mulheres que reagem de forma mais sentida, talvez mais cúmplice, mesmo quando expressam revolta. Parece-me. Como aquela com quem me cruzo numa carruagem do metro, em S. Sebastião da Pedreira, Lisboa, que lança: "Se pudesse tirava-lhe isso, mas não posso!" Ou outra, em Viana do Castelo, que comenta: "Aquela ainda está pior do que eu!" Ou uma outra que se prontifica a explicar como devo validar o bilhete de metro na estação de Campanhã, no Porto, sem eu nada pedir.

E a senhora que está sentada à minha frente no Alfa Pendular que me leva de Lisboa ao Porto, muito naturalmente, conta-me os desaires do dia e a sua história. Foi operada às cataratas em Lisboa. Correu mal e falaram-lhe num oftalmologista excepcional em Coimbra, que a tem seguido nos últimos tempos. Quando se prepara para comer um queque, pergunta: "É servida?", Respondo e sorrio. Esqueço-me completamente que não poderá perceber a minha expressão.

Ourivesarias

O Museu do Ouro tem um papel na porta fechada por cima da campainha: "Os clientes ficaram muito traumatizados no último assalto [em Setembro]". Toco à campainha, mas não consigo entrar. Nem mesmo depois de observar que há clientes no interior da ourivesaria. "Entraram pelas traseiras, mas diga lá o que quer que eu posso explicar aqui fora", responde. E explica.

Não me ver a cara é o que mais incomoda as pessoas. É a justificação para não ser atendida nos ourives de Viana do Castelo. "Não atendo pessoas de cara tapada, o meu colega pode atender se quiser", dizem-me na Ourivesaria Venâncio. Sou atendida pelo colega, não sem que antes tenha o cuidado de fechar a porta do armazém.

A funcionária da Ourivesaria Pires mal ensaia uma explicação sobre as arrecadas (brincos) de Viana e logo intervém a patroa. "É melhor sair. Não atendemos pessoas com a cara tapada. Não sei se a senhora tem aí uma pistola. Tem de compreender, este é um negócio de muito dinheiro." De nada vale retorquir, inclusive dizer que me pode revistar. Os clientes intervêm para concordar, tal como nas outras ourivesarias. "É proibido andar com a cara tapada. Ainda se arrisca a que os polícias venham ter consigo. Ali em cima olharam muito para si. Não devia andar assim", aconselha uma velhinha.

Quis testar se a recusa se alarga a todo o comércio de Viana do Castelo. Na residencial Viana do Mar dizem-me que não têm quartos disponíveis, nem sabem quando vão ter. De z minutos depois, o Paulo Spranger faz a mesma pergunta e a disponibilidade é total. O resto corre de forma normal. Vendem-me comprimidos na farmácia, mostram-me os trajes e as socas nas loja de artesanato. Atendem-me na esplanada da Praça da República, se bem que depois de uma recusa. "Quem vai atender a mesa 15? Eu não !", diz uma empregada, algo arisca. Bebo uma água e tomo notas (facto que as pessoas não podem ver). Ouço comentários, incluindo os de uma mesa com rapazes, um dos quais tem vários piercings e tatuagens. É impossível não ouvir: "É homem ou mulher? É homem, não vês? Que língua é que fala?"

É em Viana do Castelo que um operário atira de um andaime: "Olha, o Saddam!" E um grupo de jovens trauteia: "Alá! Alá! Alá!"

Centro da Mouraria

As reacções à minha passagem são as mais diversas. Calculo que poucos terão ficado indiferentes. Alguns sítios, até me surpreendem. O que não é de admirar, quando se parte com alguma expectativa em relação aos efeitos da multiculturalidade em Portugal, sobretudo em Lisboa. É o caso do Centro Comercial da Mouraria, no Martim Moniz, um espaço de cruzamento de línguas, culturas e religiões e que se renova consoante os fluxos imigratórios do País. Agora, as lojas são exploradas por oriundos da Ásia, sobretudo chineses e indianos. Também haverá naturais do Bangladesh e do Paquistão. Já os clientes são de muitas outras origens.

Risos, gargalhadas e comentários em voz alta. Uma comerciante chinesa que foge de mim. Clientes de etnia cigana, uma das quais coberta de luto da cabeça aos pés, que dizem que os estou a perseguir. "Que horror! Olha para ela! Ela? Não sabes se é homem ou mulher! É mulher, não vês os pés!"

Áreas comerciais

Uma das situações mais hilariantes, confesso, passou-se num loja da Zara. Entro e logo os olhares se voltam na minha direcção, uma reacção a que começo estar habituada. Pego num vestido com motivos étnicos suficientemente comprido e decente. Como ninguém me pergunta o que pretendo, dirijo-me a um empregado que dobra as t-shirts de uma mesa feita expositor. À medida que me aproximo, afasta-se disfarçadamente. Sigo-o. Damos duas voltas. À terceira, o rapaz dirige-se a outra mesa e sussurra para a colega.

Passo a seguir dois empregados, até que a rapariga grita: "Sr. Fernando, está aqui uma senhora atrás de mim!" É o segurança do piso a quem explico: pretendo ver se têm umas calças de malha. Ele passa a palavra, sorrindo: "A senhora só quer ser atendida." A jovem pergunta-me o que quero, denunciando nervosismo, e sai por uma porta. Não é ela quem me traz a peça de roupa. Já na secção de lingerie do El Corte Inglês, a funcionária, muito naturalmente, mostra os artigos.

continua
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Re: O Islão

Mensagempor Diana » 06 abr 2008 15:51

(continuação do post anterior)

Bancos

Abrir uma conta é um processo aparentemente simples para o cliente-tipo dos bancos. As diferenças é que são mais difíceis de enquadrar no sistema. Por exemplo, alguém que não tem um contrato de trabalho e residência fixa em Portugal e, ainda, por cima se cobre com uma burka. Na Caixa Geral dos Depósitos, em Lisboa, a funcionária explica e dá-me um papel com a lista de documentos que preciso de apresentar. E sublinha: "Tem de trazer o BI e tem que destapar a cara. Sabe que as pessoas não podem entrar aqui com a cara tapada, nem sequer com um boné. Não o exigimos à senhora porque é a sua religião", justifica, garantindo-me que posso ser identificada numa sala e por uma mulher.

Com os funcionários da mesma instituição bancária, mas no Porto, a reacção é diferente. Mal se apercebem da minha presença, passam a palavra para estarem atentos à movimentação. Sobretudo o sr. Paulo que não tira os olhos de mim. O que ele não sabe é que estou a fazer o mesmo. Tenho a senha B, informações, que raramente sai, o que me obriga a permanecer mais tempo nas instalações do que queria. E que faz aumentar o nervosismo dos bancários.

Até que uma senhora com uma mala, e que eu pensei tratar-se de uma cliente, me explica que é funcionária e pergunta em inglês: "O que é que a senhora pretende? Ser atendida respondo. "E porque é que não foi?" Nunca mais chamam o meu número. "Não há problema, a minha colega atende-a já", continua em inglês, apesar de eu dizer que era portuguesa. A dita colega explica-me o que é preciso para abrir uma conta e frisa: "Temos que a identificar." E disponibiliza-se para ser a própria a fazê-lo, o que me leva a perguntar-lhe o nome. Responde e pergunta: " E a senhora como é que se chama?" Fátima (escolhi este nome por ser o da filha de Maomé). "E pode mostrar-me o seus papéis?" Recuso fazê-lo, justificando que não a vejo a exigir o mesmo aos outros clientes. É o único sítio onde me pedem os documentos.

Loja do Cidadão

Um Bilhete de Identidade não pode ter uma foto de alguém com a cara totalmente tapada. Parece óbvio, mas mesmo assim só à terceira pergunta e já no guichet do Registo Civil é que me dizem preto no branco que não é possível. Isto depois de uma utente me interpelar porque não estar na fila correcta e a quem justifico: só preciso de saber se posso tirar um BI com a burka. Ela diz logo: "É claro que não pode. A lei portuguesa não permite que as pessoas andem mascaradas, não sabe disso?" Argumento: mas não estou mascarada. "Está bem, é verdade, e ainda por cima não é portuguesa. Mas acho que mesmo assim não pode."

Espaços públicos

No Aeroporto da Portela, em Lisboa, as pessoas reagem o mais naturalmente possível à minha presença, embora assumindo as atitudes idênticas às dos utentes do metro, do comboio e até dos peões. As pessoas levam automaticamente a mão à bagagem e à mala, não se sentam no mesmo sítio que eu e, quando já lá estão, aproveitam a primeira oportunidade para se levantar e afastar-se. Na rua, às vezes, passam para o outro lado do passeio. E quando os sigo não param de olhar para trás.

Quem está no interior das lojas vem ver o que se passa. Um corredor de mesas no El Corte Inglês fica vazio enquanto almoço. À frente, uma mulher, observa para um grupo de jovens: "Já viram quem está na mesa atrás? Pelas unhas pintadas, deve ser paquistanesa. Andam todas tapadas, mas estão pintadas e cobertas de jóias por baixo." E vai tecendo considerações sobre esta Europa, "muito liberal".

Nos táxis, confirmo uma suspeita: estão habituados a ver de tudo. Transportam-me com a maior das naturalidades. E até penso que motorista com quem viajo do aeroporto para o centro da cidade terá sido dos poucas pessoas a duvidar das minhas motivações religiosas. Outro taxista acha por bem explicar-me a mecânica do concurso da Rádio Renascença que está a ouvir. Isto enquanto eu me desembaraço das minhas vestes de muçulmana. À saída diz: "Se quiser concorrer, envia uma msn e depois diz a palavra chave!"

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Re: O Islão

Mensagempor othelo » 09 abr 2008 19:57

Srª Jornalista

Gostava de a ver tentar igual reportagem na Arábia Saudita, algumas regiões da Siria, Paquistão, Afegnistão, Iemen, etc. Devia de tentar andar po esses lados de rosto descoberto, de mão dada com o marido, a conduzir,etc.

Sempre o disse, a religião Muçulmana, assim como a Cristã, são religiões que de base são pacificas e apelam à tolerância e á ajuda,sendo o mal destas a deturpação que o homem fez das mesmas, os radicalismos que o homem inventou e pretenciosamente fundamentou.

Será que a maior parte do pessoal, já se apercebeu que o tronco de ambas as religiões é comum: Falam de Abraão, da sua descendência, de Deus, das peregrinações.

Agora uma coisa é certa, assim como nos paises àrabes a religião comanda a politica, a justiça e a vida dos cidadãos, sejam eles Muçulmanos ou não, tambem o Ocidente, tem uma prática religiosa com base no Cristianismo, com a diferença que nestes paises a religião tem cada vez menos peso na estrutura politica e economica dos mesmos, assumindo-se esses mesmos Estados como laicos, mas de raiz cristã e isso é visivel naquilo que deveria constar na futura Constituição Europeia.

Ora se em alguns paises europeus, os simbolos religiosos, foram banidos das salas de aulos e instituiçõe publicas e até de algumas privadas, porque razão devemos nós Europeus, admitir que os Muçulmanos queiram levar em frente a intenção de poderem utilizar a dita burca em todo e qualquer sitio? Porque devemos nós admitir que eles queiram impôr a restrição de ensinamentos escolares às raparigas?

Estão na Europa, só tem que respeitar e obedecer às Leis de cada pais, o que mais faltava era as mulheres serem só identificadas por mulheres, revistadas só por mulheres, nas escolas publicas ou privadas andarem de cara tapada, etc, etc, etc.....

A tolerãncia e a aceitação tem os seus limites e os limites dos Europeus, no ambito da reciprocidade, deviam ser tão restritos como são os limites para com as os/as cidadãos europeus nesses paises árabes, sem prejuizo de que os limites impostos aos nacionais praticantes da religião muçulmana, tem que ser aqueles que são impostos aos restantes cidadãos nacionais, sem prejuizo da sua liberdade de exercicio da religião, desde que este exercicio, não ponha em causa a Ordem e tranquilidade publica, as medidas de segurança ou outras situações que se encontrem defenidas na Lei ou a que o Bom senso a isso obrigue.
---Mil hão-de cair à nossa esquerda, dez mil à nossa direita, mas nós não seremos atingidos---


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