Democracia

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Fulano_de_tal
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Democracia

Mensagempor Fulano_de_tal » 05 nov 2009, 19:59

Democracia.


Em 2007 os EUA, a Comunidade Europeia, a Suíça e o Japão começaram a negociar o Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA)(1). O projecto foi iniciado pela Global Business Leaders' Alliance Against Counterfeiting, uma associação representando os interesses de várias empresas multinacionais (2), e todas as negociações têm decorrido em segredo. Os parceiros agora incluem a União Europeia e vários outros países, como a Austrália, o Canadá e a Coreia do Sul, onde decorre este mês a sexta ronda de negociações.

Só por fugas não autorizadas é que tem saído informação acerca do ACTA, pois os governos envolvidos recusam revelar o que estão a negociar em nosso nome. Segundo as últimas, a ronda de negociações que agora decorre inclui medidas como criminalizar a violação de copyright mesmo sem fins lucrativos, responsabilizar os provedores de acesso ou hospedagem de conteúdos pela violação de copyright por parte dos seus clientes, obrigar o corte de acesso à Internet no caso de queixas pelos detentores de copyright e proibições obrigatórias a qualquer forma de contornar sistemas de protecção de cópia (DRM).

Se isto for para a frente, usar uma câmara de vídeo para gravar um filme no cinema será um crime, com pena de prisão. Serviços como o YouTube ou o Blogger desaparecerão, pois nenhuma empresa poderá comportar os custos de se responsabilizar por todas as violações de copyright que ocorram nestes meios. Muitas pessoas ficarão com um acesso restrito à cultura, informação e sociedade – incluindo serviços públicos – só porque o filho ou neto descarregou um mp3. E a legislação dos direitos de cópia irá ser ainda menos um sistema de incentivo à criatividade e cada vez mais uma marreta para bater em tudo o que possa fazer concorrência às editoras. Precisamente como as empresas querem.

É provável que estejam a tentar levar isto longe demais e acabe por não ir a lado nenhum. Há limites para as alterações à lei que se pode obrigar com um acordo secreto entre interesses económicos e governos, sem um processo aberto de discussão e aprovação por representantes eleitos. Mas também é possível que consigam criar com isto um processo legislativo à margem da democracia, onde empresas multinacionais escolhem as leis que querem, meia dúzia de tipos de fatinho assinam à porta fechada e nós só sabemos o que se passou quando recebemos a notificação do tribunal.

O melhor é fazer já barulho, a ver se é possível travar o ACTA antes que nos trame a todos.

http://ktreta.blogspot.com/2009/11/democracia.html
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Pedro Bala
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Re: Democracia

Mensagempor Pedro Bala » 16 dez 2009, 17:23

O palhaço
2009-12-14

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx? ... o%20Crespo
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Fulano_de_tal
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Re: Democracia

Mensagempor Fulano_de_tal » 16 dez 2009, 18:47

Os EUA nada fazem de bom no Afeganistão

por Malalai Joya [*]
Como uma mulher afegã que foi eleita ao Parlamento, estou nos Estados Unidos para pedir ao presidente Barack Obama para acabar imediatamente a ocupação do meu país.

Oito anos atrás, os direitos das mulheres foram utilizados como uma das desculpas para começar esta guerra. Mas hoje, o Afeganistão ainda está a enfrentar uma catástrofe quanto aos direitos da mulher. A vida para a maior parte das mulheres afegãs assemelha-se a um tipo de inferno que nunca se reflecte nos principais media do Ocidente.

Em 2001, os EUA ajudaram a devolver o poder aos piores criminosos misóginos, tais como os senhores da guerra da Aliança do Norte e os barões da droga. Estes homens podem ser considerados uma fotocópia dos Taliban. A única diferença é que os senhores da guerra da Aliança do Norte usam fatos e gravatas e cobrem as suas caras com a máscara da democracia enquanto ocupam posições no governo. Mas eles são responsáveis por grande parte do desastre no Afeganistão de hoje, graças ao apoio estado-unidense de que desfrutam.

Os EUA e os seus aliados estão a preparar-se para oferecer o poder aos Taliban medievais através da criação de uma categoria imaginária chamada os "Taliban moderados" e convidando-os a aderirem ao governo. Um homem que estava quase no topo da lista dos terroristas mais procurados, Gulbuddin Hekmatyar, foi convidado a entrar para o governo.

Ao longo dos últimos oito anos os EUA ajudaram a transformar o meu país na capital mundial da droga por meio do seu apoio aos barões da droga. Hoje, 93 por cento de todo o ópio do mundo é produzido no Afeganistão. Muitos membros do Parlamento e altos responsáveis beneficiam-se abertamente do comércio de droga. O próprio irmão do presidente Karzai é um bem conhecido traficante de droga.

Enquanto isso, os afegãos comuns estão a viver na privação. O último Índice de Desenvolvimento das Nações Unidas classifica o Afeganistão em 181º lugar entre 182 países. Dezoito milhões de afegãos vivem com menos de US$2 por dia. Mães e muitas partes do Afeganistão estão prontas a vender os seus filhos porque não podem alimentá-los.

O Afeganistão recebeu US$36 mil milhões de ajuda nos últimos oito anos e só os EUA gastaram US$165 milhões por dia na sua guerra. Mas o meu país permanece nas garras de terroristas e criminosos. O meu povo não tem interesse no drama actual da eleição presidencial uma vez que ele nada mudará no Afeganistão. Tanto Karzai como o Dr. Abudullah são odiados pelos afegãos por serem fantoches dos Estados Unidos.

A pior baixa desta guerra é a verdade. Aqueles que se levantam e elevam as suas vozes contra a injustiça, insegurança e ocupação têm as suas vidas ameaçadas e são forçados a deixar o Afeganistão, ou simplesmente são mortos.

Estamos ensanduichados entre três poderosos inimigos: as forças de ocupação dos EUA e da NATO, o Taliban e o governo corrupto de Hamid Karzai.

O presidente Obama está agora a considerar um aumento de tropas no Afeganistão e simplesmente estendendo as antigas políticas erradas do presidente Bush. De facto, os piores massacres desde o 11/Setembro foram durante o mandato de Obama. A minha província nativa de Farah foi bombardeada pelos EUA em Maio último. Cento e cinquenta pessoas foram mortas, a maior parte delas mulheres e crianças. Em 9 de Setembro os EUA bombardearam a Província Kunduz matando 2000 civis.

O meu povo está cansado. Eis porque queremos um fim imediato da ocupação Estados Unidos.[*] Sobrevivente de quatro tentativas de assassinato, foi eleita ao parlamento do Afeganistão em 2005 e expulsa em 2007 pelos senhores da guerra. Lançou agora as suas memórias políticas
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