A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

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Diana
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A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor Diana » 13 jul 2008 19:23





2 Milhões de Pobres ?
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Diana
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Re: A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor Diana » 13 jul 2008 19:26



O Balneário (Parte 1)


Grande Reportagem distinguida com o 1º Prémio no Festival Internacional de televisão de Montecarlo, 1º Prémio AMI - Jornalismo contra a indiferença e menção honrosa no prémio de jornalismo da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

O que dizem de uma cidade os seus balneários públicos?
Que histórias se cruzam sob os duches gratuitos da capital?

A primeira vez que tomou banho no balneário público de Alcântara, Guilhermina Rodrigues era menina. Oito anos. Menina de ser levada ao balneário pela mão dos pais, ainda que já trabalhasse "na venda", ofício que manteve até à idade da reforma.
Mais tarde Guilhermina levou os filhos, depois os netos. Guilhermina Rodrigues, lisboeta de Alcântara, nunca teve casa de banho. Como tantos dos que frequentam o balneário de Alcântara.

Desde que ficou viúva, Guilhermina não vai ao balneário público apenas pelo duche quente. A companhia de Rosa e dos outros ajuda a encher-lhe os dias, que terminam cedo, à janela, "a ver passar os eléctricos e os da ponte".

Como tantos dos que frequentam o balneário de Alcântara, Aníbal José da Costa Jorge vive na rua.
Andou embarcado 25 anos, há mais de dez que é um barco à deriva.

Como muitos dos que aquecem o corpo envelhecido e pouco mimado sob os chuveiros públicos da capital, Amélia Oliveira vive sozinha. Os olhos doces de Amélia passeiam pelo balneário todos as manhãs da semana. A câmara deu-lhe uma casa em 2005. Tinha então 85 anos e, pela primeira vez, uma casa de banho. Mas a banheira "é um luxo" de que Amélia já não consegue desfrutar sem ajuda. No balneário, onde vai todos os dias "para distrair" e à sexta-feira para tomar banho, tem as promessas de casamento de Vítor e a ajuda de Rosa. "Só para lavar as costas, ainda me lavo sozinha!".

Que velhice esperará Paulo Silva, que tem 33 anos e arruma carros em Lisboa?

Nos últimos anos, lamenta Vítor Cruz, "tem piorado. Isto nos último dois anos tem piorado e muito, e muito." Vítor é o vigilante. É ele quem vai ao posto marcar consultas, quem preenche o IRS e quem lê as cartas às viúvas, porque "99 por cento das velhotas que aqui vêm não sabem ler". É também ele quem lhes telefona aos filhos, emigrados em França, quando elas não ouvem. Não têm mais ninguém a quem se queixar da solidão. (Entre os que não têm casa de banho, os que vivem na rua, e os que envelheceram sozinhos, aqui se constrói uma certa rede familiar, com as respectivas avenças e desavenças.)

Só na freguesia de Alcântara há pelo menos 400 casas sem casa de banho. "Nunca esperei", diz José Godinho, presidente da Junta. José Godinho conheceu o balneário em tempos de miséria maior. "Vi coisas que nunca pensei que existissem em Portugal. Pessoas a viver em cavernas autênticas e muita gente sem casa de banho. Nunca esperei. Ainda há dias disse a um amigo que tínhamos feito uma casa de banho a uma senhora de 86 anos, que toda a vida se lavou num alguidar. E ninguém acredita".

O balneário de Alcântara é o único gratuito e o mais frequentado dos 22 balneários públicos de Lisboa. Recebe mais de 500 pessoas por semana.


Miriam Alves
Jornalista

Reportagem: Miriam Alves e Filipe Ferreira (Imagem)
Edição de Imagem: Ricardo Tenreiro
Pós-produção Áudio: Pedro Miguel Carvalho
Grafismo: Patrícia Reis
Produção: Isabel Mendonça e João Nuno Assunção
Coordenação: Daniel Cruzeiro
Direcção: Alcides Vieira
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Re: A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor Diana » 13 jul 2008 19:29



O Balneário (Parte 2)
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Re: A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor Diana » 13 jul 2008 19:31



O Balneário (Parte 3)
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Re: A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor Diana » 13 jul 2008 19:32



O Balneário (Parte 4)
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othelo
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Re: A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor othelo » 14 jul 2008 07:28

É mais comodo, dá mais votos, dá mais nas vistas, é um antecipar das propangandas eleitorais, realojar e cuidar de estrangeiros e minorias étnicas.
O cuidar da população envelhecida e indigente de nacionais ( e mesmo estrangeiros que já mto fizeram por este pais) não garante nada.

São o espelho da nossa triste politica de protecção aos carenciados, a politica dos que sabem mais de politica do que de acão social e de protecção ao cidadão envelhecido, ao cidadão que realmente precisa e merece ser ajudado.

Mas nada mais resta escrever. pois para a maioria dos nosso politicos, que não passam de reles aprendizes e alguns de escumalha aproveitadora, as palavras, sejam elas escritas ou faladas, são levadas pelo vento forte e rápido, para longe bem longe.
---Mil hão-de cair à nossa esquerda, dez mil à nossa direita, mas nós não seremos atingidos---

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Re: A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor Diana » 14 jul 2008 15:56

:shock: :shock: :shock: :shock:



Família sem ajuda sobrevive abaixo do limiar da pobreza

Cuida dos dois filhos doentes aos 95 anos

Imagem

Palmira Rodrigues e os dois filhos vivem na mais completa miséria


Aldeia de Vilarelho, Freguesia de Tresminas, Concelho de Vila Pouca de Aguiar

Numa casa arruinada, sem água e sem luz, Palmira Rodrigues, de 95 anos, já mal ouve, mas ainda assume na íntegra o seu papel de dona de casa e toma conta dos dois filhos, Tomás Rodrigues, de 57, e Felisberto Sousa, de 58, ambos doentes.

Acontece na aldeia de Vilarelho, freguesia de Tresminas, concelho de Vila Pouca de Aguiar. Em condições degradantes, a família espera pelo auxílio da Câmara e da Segurança Social. Só querem ter uma casa, com as mínimas condições de habitabilidade.

"A única ajuda que recebemos foi há mais ou menos três anos. Puseram uns tijolos e uns tubos para a casa de banho da casa, o que também não representou grande ajuda. Afinal, para que é que aquilo serve se não temos água?", interroga-se Tomás Rodrigues, mineiro de profissão, hoje vencido por uma doença grave. "Desde a morte do meu pai, para aí há dez anos, que nos prometeram uma casa. Mas o tempo passa e não recebemos qualquer ajuda", lamenta.

Tomás Rodrigues explica ainda que o pouco que existe na sua habitação se degrada de dia para dia. "Chove cá dentro em todos os pontos da casa. E como não temos luz, temos de comprar por mês cerca de cinco litros de petróleo para o candeeiro."

Mesmo assim, a idade de Palmira Rodrigues não a impede de fazer as lides da casa. "Lavo alguma roupa e faço as refeições. Ainda uso o fogão", contou ao CM.

"Sou a mãe destes rapazes doentes. O Tomás sofreu muito na Mina de Jales e tem problemas graves de estômago. O outro sofre de paralisiade um dos braços e tem problemas na coluna", lamentou a idosa.

Contactada pelo CM, a Câmara de Vila Pouca de Aguiar disse desconhecer o caso e garantiu que serão enviados técnicos ao local.

PORMENORES

MISÉRIA TOTAL

A casa onde mora esta família não tem água nem luz. A miséria é total e o casebre ameaça ruir.

AJUDA URGENTE

A Câmara diz desconhecer o caso e promete enviar técnicos para avaliar a situação.

Correio da Manhã - 14 de Julho de 2008




Quanta Pobreza como esta, estará escondida, e portanto, por sinalizar, no Portugal Profundo, distante dos centros urbanos ..... ????? :( :( :( :(
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Re: A Pobreza em Portugal (Julho 2008)

Mensagempor Diana » 14 jul 2008 19:25

:shock: :shock: :shock:



Portugal:
Cerca de 35% dos pobres têm emprego


O presidente do Conselho Económico e Social, Alfredo Bruto da Costa, alertou hoje para a situação dos pobres que têm um emprego, estimando que representem 35% da totalidade o universo de portugueses que vivem na pobreza.

«Trinta e cinco por cento dos pobres são pessoas que trabalham», afirmou Bruto da Costa, em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Bruto da Costa, que se deslocou ao Palácio de Belém para entregar a Cavaco Silva o estudo por si coordenado sobre a pobreza em Portugal, divulgado no início do mês, alertou igualmente para aquilo que «não se faz» para resolver esse problema.

«O problema não é aquilo que se faz, tudo o que se faz é tudo bom. O grande problema é o que não se faz», salientou, considerando que as políticas desenvolvidas pelo Governo para combater a pobreza são eficazes.

Ainda sobre o estudo «Um Olhar Sobre a Pobreza - Vulnerabilidade e Exclusão Social no Portugal Contemporâneo», o presidente do Conselho Económico e Social destacou que se trata de um estudo sobre «os aspectos estruturais da pobreza, as suas causas e características profundas».

«O estudo, continuou, não apresenta receitas para a acabar com pobreza, mas fala sobre o que não resolve o problema para não desperdiçar recursos».

«Aponta pistas porque identifica os problemas estruturais», referiu, assinalando a diferença entre os aspectos estruturais e os aspectos conjunturais que estão na origem da pobreza.

Como aspectos conjunturais, Bruto da Costa apontou o aumento dos preços: «Mas, há causas mais profundas, que já existiam».

Questionado sobre se considera que o Estado é «conivente» com a pobreza, o presidente do Conselho Económico e Social considerou que «o grande conivente para com a pobreza é a sociedade».

Diário Digital / Lusa

14-07-2008 15:00:46





Como é possível SER POBRE, se se TRABALHA ... ????
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