Energia Nuclear ... ? - Relançado o Debate em Portugal

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Diana
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Energia Nuclear ... ? - Relançado o Debate em Portugal

Mensagempor Diana » 16 jul 2008 18:26

:shock:


Relançado debate sobre energia nuclear em Portugal

Vitor Constâncio relançou o debate sobre o nuclear. Os ambientalistas já vieram a terreiro mostrar a sua oposição a esta fonte energética. O Governo esclarece que a introdução do nuclear em Portugal não está "na ordem do dia".

No parlamento, o Governador do banco central defendeu a necessidade de se discutir a questão nuclear, face à dependência energética do país. O governador do Banco de Portugal disse que "a alteração estrutural dos preços da energia está para ficar e tudo tem de ser discutido, incluindo o nuclear".

Vítor Constâncio apresentava o relatório da Primavera do Banco de Portugal na comissão parlamentar de economia e finanças, em que reviu por baixo o crescimento da economia portuguesa para 1,2 % e por alto a inflação que estima agora em 3,0%.

O Governo já veio, entretanto, através do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, esclarecer que a introdução da energia nuclear em Portugal continua fora da agenda do Governo, que tem como prioridades as energias renováveis e a eficiência energética.

Posto perante o apoio dado pelo governador do Banco de Portugal, Victor Constâncio, à introdução da energia nuclear em Portugal, Pedro Silva Pereira demonstrou abertura do executivo para que essa questão seja debatida.

"Só numa sociedade dirigida, ou que vivesse em claustrofobia democrática, é que o Governo poderia decretar os debates que se devem ou não realizar", ironizou, citando algumas expressões utilizadas pelo novo líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel.

“Todas as pessoas são livres de emitir as suas posições", salientou o governante.

"Não tenho sequer a ideia que esse tema ainda não tenha sido debatido na sociedade portuguesa nos últimos tempos. Há um ano ou dois havia um empresário privado que manifestou a intenção de instalar em Portugal uma central nuclear", disse, referindo-se a Patrick Monteiro de Barros.

Concluiu que, "o nuclear não está na agenda do Governo", garantindo que "a prioridade do Governo continuam a ser as energias renováveis e a eficiência energética".

CIP defende a opção nuclear

Para o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, a opção pela energia nuclear "é apenas uma contribuição para a redução" da poluição atmosférica e não se destina a substituir a produção a partir de fontes renováveis.

Francisco Van Zeller defende que a construção de uma central nuclear em Portugal permitiria apenas a substituição de "uma terça parte dos cerca de 30 a 40 por cento que o carvão representa no consumo energético nacional, que é de cerca de 12 mil milhões de megawatts".

Conhecida que é a sua opção pelo nuclear, não se pode deixar de recordar que há dois anos relançou o debate sobre essa opção. Francisco Van Zeller sublinhou que não se trata de substituir a produção a partir de fontes renováveis, como a eólica ou a hídrica, cuja aposta, na sua opinião, “deve ser mantida".

"O nuclear pode é substituir parcialmente a produção de energia de base, que tem actualmente duas fontes quase exclusivas em Portugal, a importação e o carvão", sustentou o presidente da CIP.

LPN defende um debate alargado

A Liga para a Protecção da Natureza declarou-se favorável a um debate alargado sobre o nuclear, mas salientou a necessidade de todos os interessados apresentarem todos os custos deste tipo de produção de energia.

Eugénio Sequeira, presidente da LPN, chamou a atenção para o facto de, na sua opinião, o debate sobre a energia nuclear estar "inquinado", precisamente porque os interessados neste assunto têm "escondido as contas".

"O debate é sempre útil, até porque tem estado inquinado. A mentira permanente de não quererem fazer as contas leva à necessidade de um debate sério", afirmou o ambientalista.

"Quanto custa qualquer avaria numa central? Quanto custa o encerramento duma central?", questionou.

As contas do nuclear têm de ser apresentadas "do berço até à cova", sem camuflar ainda as soluções existentes para os produtos e resíduos radioactivos.

Do ponto de vista global, a LPN considera o "risco" do nuclear "demasiado elevado" e aponta a falta de sustentabilidade financeira desta opção: "o preço da energia produzida é muito maior".

Lá por fora

Quase um quarto da produção de energia eléctrica nos países OCDE vem de fonte nuclear.

Segundo os dados divulgados pela Agência da Energia Nuclear, as centrais nucleares forneceram 21,6 por cento da electricidade nos 30 países membros da OCDE no ano passado.

Ainda assim a produção diminuiu quase 4 por cento face ao ano anterior.

Um recuo que decorre de reduções do contributo da Alemanha, França e Japão, e do encerramento de instalações na Eslováquia e do Reino Unido.

No início deste ano, havia em funcionamento 346 reactores atómicos para a produção de electricidade em 17 países da OCDE.

Estão em construção mais 14: seis na Coreia do Sul, três no Japão, dois na Eslováquia, um na Finlândia, um na França e um nos Estados Unidos.


RTP
2008-07-16 17:07:22
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Diana
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Re: Energia Nuclear ... ? - Relançado o Debate em Portugal

Mensagempor Diana » 16 jul 2008 18:42

(A notícia abaixo, que deu origem ao tema deste tópico.)



Economia pode enfrentar pior crise desde II Guerra Mundial, prevê Vítor Constâncio


O Governador do Banco de Portugal admitiu, no Parlamento, que o agravamento da situação financeira internacional poderá tornar-se na pior crise desde a II Guerra Mundial. Vítor Constâncio também apresentou uma revisão em forte baixa para o crescimento da economia nacional. É o pior cenário até agora traçado para a economia portuguesa.

"É um facto que até agora, na economia real, quer nos Estados Unidos quer na Europa, não há ainda uma situação de recessão declarada", começou por alertar Vítor Constâncio.

"O agravamento da situação, nomeadamente do sector financeiro americano pode vir a tornar esta situação internacional na pior situação desde a II Guerra Mundial", avisou o governador do Banco de Portugal.

Economia portuguesa revista em forte baixa

O Produto Interno Bruto (PIB) vai aumentar 1,2 por cento em 2008, em vez dos 2 por cento antecipados no início do ano. No próximo ano, o PIB deverá subir 1,3 por cento. Já a inflação deverá subir 3 por cento e não os 2,4 por cento previstos em Janeiro.

Os números avançados, que confirmam a antevisão do governador do Banco de Portugal, constam do boletim económico de Verão, apresentado na tarde de terça-feira aos deputados, na Comissão de Orçamento e Finanças.

Na altura da apresentação do relatório da Primavera, o governador do Banco de Portugal já havia anunciado que a previsão do crescimento da economia nacional deveria ser revista em baixo. Em Abril, o Banco de Portugal esperava que o PIB crescesse 2 por cento este ano e 2,3 por cento no próximo.

O governador aponta para uma desaceleração da economia portuguesa, em virtude da descida nas previsões para o investimento e para as exportações, assim como o aumento da taxa de juro, o aumento dos preços do petróleo e a subida da taxa de câmbio.

As previsões para a inflação apontam para uma revisão em alta. Os preços deverão crescer 3 por cento este ano. Em 2009, os preços deverão aumentar 2,5 por cento, face à anterior previsão de 2 por cento.

Vítor Constâncio reconhece que as previsões do Banco de Portugal são as mais baixas, se comparadas com as realizadas por organismos internacionais e também com o Executivo de José Sócrates. Contudo, o governador do Banco de Portugal considera que as restantes organizações podem rever em baixa as estimativas uma vez que “a situação internacional tem vindo a piorar”.

Taxa de inflação superior à da Zona Euro

O governador do Banco de Portugal disse aos deputados que o país conquistou competitividade externa nos últimos nove meses, porque tem uma taxa de inflação inferior à da Zona Euro.

“Temos tido uma inflação mais baixa do que a área euro, o que acontece pela primeira vez”, disse Constâncio. Uma inflação mais baixa que a da Europa a 15 traduz-se “por um ganho de competitividade externa”, explicou na comissão de Orçamento e Finanças.

Portugal mantém o ritmo de crescimento de preços inferior aos seus parceiros do euro desde Setembro de 2007, acrescentou Constâncio. O governador do Banco de Portugal deslocou-se ao Parlamento para apresentar o relatório anual sobre a economia portuguesa em 2007 e o boletim económico de Verão.

Crédito a particulares decresce em Portugal

“O crédito a particulares tem conhecido uma desaceleração significativa”, tanto no crédito ao consumo como no crédito para habitação, notou o governador do banco central.

O crescimento do crédito a particulares passou de 9,9 por cento em Dezembro de 2007 para 7,7 por cento em Maio deste ano.

“Na origem dessa desaceleração do crédito a particulares está o aperto das condições de crédito por parte dos bancos e nível de endividamento da população portuguesa”, explicou.

O crédito a empresas não evidencia qualquer tendência de desaceleração.

Governador aponta reforma energética e impossibilidade de descida de impostos

Vítor Constâncio não concebe uma descida de impostos antes de 2010, mas admite mudanças no apoio aos mais desfavorecidos. O governador do banco central defende que uma descida de impostos poderia pôr em causa o sistema financeiro português.

Qualquer ajustamento só poderia ser feito através da produtividade e da maior flexibilização da economia e nas relações laborais.

As reformas programadas pelo Executivo socialista devem manter-se, assim como a consolidação orçamental, sustentou o governador do Banco de Portugal.

Constâncio aconselha uma alteração da política energética, que poderá passar pelo nuclear, porque “tudo tem de ser feito para evitar a dependência energética”. Segundo o governador, “a alteração estrutural dos preços da energia está para ficar e tudo tem de ser discutido, incluindo o nuclear”.

RTP
2008-07-15 18:21:43
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