Salazar caíu há 40 anos

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Diana
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Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor Diana » 02 ago 2008 10:26

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No Forte de Santo António, no Estoril, de casaco branco, sentado numa cadeira de lona, Salazar preparava-se para receber tratamento aos pés. O Expresso reconstituiu, com um actor, o momento em que teve início a queda do ditador e do regime.


Mário Soares

"Eu vi as botas de Salazar!"

Mário Soares viu apenas uma vez, "em carne e osso", Oliveira Salazar. Foi no âmbito da inauguração do Estádio Nacional, em 1940.

José Pedro Castanheira

9:30 | Sábado, 2 de Ago de 2008

Salazar mandou deportar Soares para São Tomé e Principe.

A caminho dos 16 anos, Mário Soares era aluno do Colégio Moderno, propriedade de seu pai. "Estava integrado num grupo de estudantes, dirigidos pelo capitão Marques Pereira, cuja tarefa era ajudar a desenhar, no relvado, a frase "Viva Portugal". Nós íamos vestidos de branco - e não com a farda da Mocidade Portuguesa! Durante o ensaio geral, apareceu um senhor que se sentou numa cadeira ao nível do relvado, rodeado de uns tipos, certamente da PIDE". O jovem Mário estava a "uns vinte ou trinta metros de distância", ainda assim o suficiente para reconhecer "sua excelência". "Tinha o sobretudo aos ombros e umas botas de atilhos. É verdade: eu vi as botas de Salazar!"

Mais de duas décadas depois, e no rescaldo da revelação no estrangeiro do chamado "escândalo ballet rose", Salazar viria a deportar Mário Soares, por tempo indeterminado, para a ilha de São Tomé. Era lá que vivia quando o ditador caiu da cadeira. Num extenso artigo que escreveu para o último número da revista "Visão História" o antigo Presidente da República e primeiro-ministro conta com detalhe o episódio. Estava numa barbearia nativa quando a Emissora Nacional - a única rádio autorizada - deu a notícia. "Dei um salto na cadeira e, sem conter a minha excitação, gritei: "um hematoma cerebral, num homem de 80 anos!? Salazar está morto em pouco tempo?" Interrompi o corte de cabelo, saí imediatamente da loja e vim para a rua".

"Terá de abandonar veleidades políticas"

Soares regressou a Lisboa em Novembro do mesmo ano. Salazar já tinha sido substituído no governo por Marcelo Caetano. "Ele fora meu professor de Direito em três cadeiras. Numa delas, História do Direito Português, pediu-me para apresentar um trabalho". Soares, que já se licenciara em Letras, era aluno voluntário e estava dispensado de ir às aulas "Aliás, as aulas tinham pouco interesse. Limitavam-se a seguir as sebentas. Dizia-se nessa época que uma sebenta bem sabida valia 18...".

Marcelo pediu-lhe um trabalho sobre "A teoria do poder popular e a restauração portuguesa". Entretanto, "o Abranches Ferrão, com quem tinha uma excelente relação, pediu-me para publicar o meu trabalho como separata da revista que ele dirigia, "Jornal do Foro"". Pouco depois, Marcelo chamou Soares ao seu gabinete na Faculdade de Direito. "Disse-me que queria publicar o meu trabalho na sua revista "O Direito". Respondi que já estava comprometido com o Abranches Ferrão "É pena", comentou. A seguir, disse-me que eu devia estudar um pouco mais, e que faria bem em tomar o curso mais a sério. Então, pôs-me a mão em cima do ombro e disse-me: "O senhor é um aluno que até pode ficar nesta casa como professor. Mas é claro que, para isso, terá de abandonar as suas veleidades políticas". E eu respondi: "Mas quem lhe diz a si que eu quero ficar cá nesta casa?". Percebi imediatamente que a minha resposta o tinha deixado muito confundido".

Advogado de Cristina de Mello contra os dois irmãos

Já nos anos sessenta, mas ainda com Salazar no poder, Soares teve uma séria disputa profissional com Marcelo Caetano. O dirigente oposicionista tinha sido contratado como advogado pela irmã do Jorge e do José Manuel de Mello, no âmbito da herança do patriarca Manuel de Mello (filho de Alfredo da Silva, o fundador da CUF). A herança, que ainda não havia sido repartida, estava entregue a uma holding, a Sogefi, "criada precisamente pelo Marcelo. Tanto quanto sei, foi a primeira holding criada em Portugal".

Cristina de Mello apareceu no escritório de Soares e pediu-lhe para ser seu advogado. Soares nem queria acreditar. Cristina estava casada com António Champalimaud, de quem tivera sete filhos. Na altura, porém, "já vivia com um sobrinho do prof. Mário Azevedo Gomes e a lei não lhe permitia o divórcio. 'Porquê eu?', quis saber. "Porque o senhor tem coragem de enfrentar a PIDE, o que é muito pior que enfrentar os meus irmãos".

"Nem pela caneta nem a tiro"

Soares aceitou o patrocínio e começou a estudar o caso, no sentido de pôr uma acção "contra os dois Mellos". Como tinham como advogado o próprio Marcelo Caetano, "pedi-lhe uma entrevista. Foi no seu escritório, na Avenida António Augusto de Aguiar, quase em frente do actual El Corte Inglés. Recebeu-me com muita cordialidade. Expliquei que a D. Cristina de Mello queria a sua parte na herança do pai. "Não é possível", disse-me o Marcelo. "Trata-se de um grande grupo económico e é muito importante que haja em Portugal grupos com aquela dimensão, que não sejam separados.". Fiz-lhe ver que isso ia contra os interesses da senhora. Marcelo respondeu-me, muito firme: "Não conseguirá isso nem pela caneta, nem a tiro".

"Os maiores honorários da minha vida"

Caetano era uma sumidade em Direito Administrativo, pelo menos em Lisboa. A única forma de o enfrentar seria arranjar alguém equivalente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. "Fui até lá falar com o prof. Ferrer Correia", que muito mais tarde viria a ser presidente da Fundação Gulbenkian. O catedrático de Coimbra recebeu o advogado de Lisboa, que lhe expôs o caso em termos genéricos, não referindo nem o nome da família Mello, nem o do advogado litigante. "Claro que a senhora tem direito", opinou de pronto Ferrer Correia, a quem Soares pediu um parecer escrito.

Feito e devidamente pago o parecer, que "era completamente favorável" às pretensões da sua cliente, Soares pediu uma nova entrevista a Marcelo. "Confirmei-lhe que ia mover uma acção contra os dois irmãos Mello. E mostrei-lhe o parecer do Ferrer Correia. O Marcelo fechou a cara e limitou-se a comentar, desagradado: "faça como quiser..."".

Passados uns dias, recebeu um telefonema de um velho amigo e colega de curso, Serra Lopes. "Explicou-me que, como o prof. Marcelo Caetano não gostava de ir a tribunal, tinha subestabelecido nele. E convidou-me para almoçar". O almoço era, obviamente, de negócios. No final, estava encontrada a solução para o diferendo sobre a herança de Manuel de Mello, com dispensa do tribunal. E qual foi essa solução? "A senhora ficou com o dinheiro a que tinha direito" - explica Mário Soares. Era uma fortuna imensa. Soares foi bem recompensado: "Foram os maiores honorários que ganhei como advogado". Quanto, ainda hoje não diz. "Eu e a D. Cristina de Mello ficámos amigos até ela morrer", em 2006.

Expresso
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Pedro Bala
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor Pedro Bala » 02 ago 2008 14:42

Deus o tenha em bom descanso!

Na minha opinião, sincera q.b., entendo que já nos tem feito muita falta a sua presença física e governativa para impor ordem e respeito neste País pelo qual ele tanto trabalhou e lutou. :( Não estou a ver, no seu tempo, os ciganos a "pavonearem-se" pela rua, de caçadeiras na mão, aos tiros, com mais à-vontade que muitas vezes a própria Polícia, que representa a autoridade do Estado.
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor matahary » 02 ago 2008 15:33

Exacto! Eu não diria melhor! Isso e mulher a fazerem abortos! No tempo de Salazar?! Nunca, jamais!

Exportou-os para as ex-colónias (outro nome bonito) e a outros enfiou-os, em Portugal, em instituições, a outros, por nada, colocpu-os em prisões, a outros, ainda, expulsou-os do país. Tal como os da ex-União Soviética fizeram com as escórias, a ralé (hoje são só palavras bonitas).
Abaixo os párias! Abaixo aqueles que nos envergonham. Que cheiram mal. Que são diferentes de nós. Nós é que somos os melhores! Somos perfeitos. Sem mácula! Não matamos, não roubamos, não mentimos, não enganamos, não desejamos mal aos outros, não cobiçamos, nem invejamos nada, nem ninguém. Enfim, uns santos.

Se o inferno existir, há-de estar a arder no inferno! Ele e os que com ele pactuaram. Mas, estou certa, ainda há lugar para aqueles que vagueiam por aqui, descansem…
"Satisfaça-se com o que lhe agrada, e deixe os outros falarem de si como lhes agrada." - Pitágoras

Uma por dia, tira a azia.

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alma
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor alma » 02 ago 2008 18:48

Volta Salazar, que precisamos de ti agora mais do que nunca.
Salazar foi sem dúvida um grande homem.
Viveu para servir a Nação!
Muita falta faz ele para por isto em ordem!
Salazar, nasceu pobre e morreu pobre! olhem agora esse bando corruptos que só vão para a política para se governarem e sacarem os fundos da união europeia. É isto que é a democracia…! O povo fica com as dividas e com o encargo de pagar os impostos e os senhores políticos da democracia ficam com as fortunas adquiridas por meios ilícitos. O Salazar não deixava haver partidos políticos mesmo por isto, já sabia que partidos e políticos são corruptos e ladroes do povo.....
volta salazar estas perdoado.

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The-Punisher
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor The-Punisher » 02 ago 2008 19:09

Salazar e sem duvida o politico mais honesto que governou portugal atrevome memso a dizer dos poucos honestos. Nao e como o Bochechas queé maior ladrao de sp de portugal.

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alma
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor alma » 02 ago 2008 19:30

com estes governantes só temos um fim.....nem com meia duzia de salazares tem hipoteses de recuperar.

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MASIII
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor MASIII » 02 ago 2008 22:19

Não há duvida que foi o politico mais sério que o País teve até aos dias de hoje, nunca ninguem o conseguiu acusar de ter roubado o erário publico ou enchido o saco como os de hoje o fazem!
Terá cometido erros politicos, mas os de hoje tambem os cometem e com a agravante de ser para proveito proprio.
Quem o acusa de ditador, não acompanha a realidade do Pais actual, onde o direitos dos cidadãos são todos os dias atropelados, à sombra dum chamado "estado de direito democrático" (que apenas existe para alguns)

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Diana
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor Diana » 03 ago 2008 09:04

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Salazar só chamou médico três dias depois de cair da cadeira

Em 1968, Salazar caiu de uma cadeira, bateu com a cabeça no chão empedrado e foi substituído por Marcelo Caetano. Tudo o que se passou foi mantido em segredo, mas será agora contado numa série da RTP: "O dia em que..." .

Em 3 de Agosto de 1968, Salazar estava prestes a arranjar as unhas e a ler um jornal diário. Deixa-se cair para trás numa cadeira de lona, no Forte de Santo António - em São João do Estoril - que não suporta o balanço e se parte. Bate com a cabeça nas lages e sofre um hematoma cerebral, seguido de um acidente vascular, mas vive mais dois anos convencido de que ainda governa Portugal.

Conta Franco Nogueira, no quarto volume da obra sobre a vida de Salazar que, naquele 3 de Agosto de 1968, lavava as mãos o calista Augusto Hilário, quando o acidente ocorreu. A governanta, Maria de Jesus e o calista logo acorreram para o ajudarem a soerguer-se. O ditador queixa-se de dores no corpo, mas pede que nada digam sobre a queda e que não chamem o médico.

A versão do barbeiro, Manuel Marques relatada ao jornalista e escritor, Fernando Dacosta, refere que Salazar caiu desamparado nas lages de pedra, porque a cadeira estava desviada. Terá sido lançada ao mar, dois dias depois, pela governanta D. Maria.

Três dias depois, a 6 de Agosto, é chamado Eduardo Coelho, médico pessoal do governante, de Santa Comba Dão. A 19 de Agosto, embora mal disposto, o presidente do Conselho assiste no Palácio de Belém à posse do último Governo a que presidiu. A queda da cadeira será o primeiro episódio da série documental : "No dia em que...", do realizador José Carlos de Oliveira sobre os últimos 40 anos da história contemporânea, que será, em breve, exibida pela RTP.

Só a 4 de Setembro, Salazar confessa: "Não sei o que tenho". Na noite de dia 6, um automóvel deixa a residência oficial em S. Bento, com o ditador, Eduardo Coelho, e ao lado do motorista, o director da PIDE, Silva Pais.

Nessa noite é internado. Teve um hematoma intracraniano ou uma trombose cerebral, sendo operado a 7 de Setembro.

O boletim clínico é evasivo: "O sr. Presidente de Conselho foi operado esta noite de um hematoma, sob anestesia local, encontrando-se bem".

Nove dias depois, Salazar desmaia no Centro de Saúde de Benfica, onde fica internado. É-lhe detectada uma hemorragia cerebral, mas o sigilo mantém-se.

A 25 de Setembro, o chefe de Estado Américo Tomaz fica a saber que "a vida política de Salazar está terminada". A substituição é anunciada no dia seguinte e dia 17, Marcelo Caetano é empossado.

Salazar governara 40 anos, quatro meses e 28 dias, mas durante mais dois anos, julgou que ainda mandava.

Relata o biógrafo e já falecido embaixador Franco Nogueira, que por S. Bento passaram "ministros, embaixadores, jornalistas estrangeiros". Salazar discutia política e concedia entrevistas.

A 15 de Julho de 1970, uma grave "doença infecciosa" debilita-o deixando-o onze dias num estado agonizante, traduzido por várias deficências cardiovasculares e renais e um edema pulmonar.

É Gomes Duarte, pároco da Estrela, dá-lhe a extrema-unção. Morre aos 81 anos, às 9h15m de 27 de Julho de 1970.

Jornal de Notícias




Imagem


Salazar passava férias no Forte de S. João, que pertencia à Associação das Meninas de Odivelas- ainda hoje pertence- e fazia questão de pagar do seu bolso o aluguer (pago em sintonia com o preço dos hóteis na zona). Levava consigo a Dona Maria e aproveitava para ler e descansar e também receber alguns dos amigos. Fazia-o todos os anos como uma rotina e repartia as férias entre o forte e Santa Comba, sua terra natal.

Fotografia de Rosa Casaco
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor othelo » 03 ago 2008 13:44

Conheço alguma da história de Salazar, e conheço tambem a opnião de muita gente daquela época.

Sem duvida que nunca foi um "menino de coro", defendia o regime com mão de ferro, unhas e dentes, mas tambem defendia a unidade do pais.
Dizem uns que a economia estagnou, dizem outros que pelo contrário foi com ele que ela começou a evoluir. Não sei.
Parece que o grande erro, quer politico, quer economico, terá sido recusar entrar na 2º Grande Guerra.

Cometeu alguns erros politicos graves, terá cometido alguns erros de economia, mas naquele tempo, quem não os cometia.
Mais graves são os agora cometidos nas pretensas Democracias Ocidentais, quando as populações são mais instruidas, quando os politicos são mais "democratas" e dizem eles, honestos.
De todos oiço dizer, que em era frontal, honesto, exigente consigo e com aqueles que o rodeavam, que mantinha um controle eximio nas finanças publicas.

Quais dos nossos politicos actuais podemos ou temos a certeza que assim são?????????
O Primeiro Ministro tem um Diploma, que não sabemos bem como foi obtido e possiveis interesses no imobiliário; O Dr. Mário Soares, tem a sua politica colocada em causa por grande parte dos Portugueses e de Socialista, quanto a mim pouco tem, pois pretensamente nenhum socialista recebe os honorários e tem o património que este tem; Todos os outros politicos que conhecemos saem do governo, para cargos de gestão ou para empresas que em tempos tutelaram, fundam empresas com objectivo de negociarem com o estado, etc,etc, etc.
---Mil hão-de cair à nossa esquerda, dez mil à nossa direita, mas nós não seremos atingidos---

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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor tiririca » 03 ago 2008 22:29

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer, teve a lucidez de nos deixar a pensar

Precisa-se de matéria prima para construir um País Eduardo Prado Coelho - in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.

Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:

- Onde a falta de pontualidade é um hábito;

- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.

- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é ' muito chato ter que ler' ) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.

- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser ' compradas ' , sem se fazer qualquer exame.

- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.

- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como ' matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa ' CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA ' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa?.. MEDITE!

EDUARDO PRADO COELHO

----

Venerar um ditador, um déspota apenas porque não "roubou" é no mínimo redutor! Posso-vos apontar uns quantos: Mao Tse Tung, Enver Hoxha, Hitler, Lenin, Estalin... querem mais?!

25 de Abril de 1974 - Autor - Alfredo Almeida Coelho da Cunha - Esta imagem é o retrato mail fiel do sentimento de um povo, perante um regime que o oprimia. Saibam olhar para a imagem...

Salazar tinha um cérebro brilhante, sem dúvida. Os seus ministros sabiam que já não eram ministros, quando ao sair de manhã, não viam o polícia à porta! O seu cinismo era desta ordem!

Salazar era um bom cristão que ia às bruxas e nunca foi a Fátima! Mostrava-se casto e tinha um séquito de amantes...

Salazar foi o político que por amor ao poder e desamor a Portugal, recusou o Plano Marshall.

Salazar foi o político do "orgulhosamente sós", tão amigo do seu povo, que deu a ordem para que os soldados resistissem a todo o custo (para que houvesse o maior número possível de mortes) à invasão indiano a Goa, Damão e Dio!!!!!! Quando soube que o comandante decidiu poupar a vida aos seus homens, mostrou-se "enfado"!!!!! Ficou sem argumentos (os mortos, massacrados pelo Exercito Indiano) para esgrimir a sua posição na ONU!

Salazar foi o "político honesto" responsável por 13 anos de guerra colonial, que todos sabiam de antemão perdida. No entanto condenou milhões de jovens a um martírio, que vieram de lá em caixões, estropiados e psicologicamente destruídos. Salazar, foi o político que durante 7 anos (os que esteve no poder enquanto durou a guerra) nada fez para resolver o problema da guerra. Nunca tomou outra medida que não a de mandar contingentes atrás de contingentes, sem qualquer estratégia política que visasse resolver o conflito. Eleições... estavam fora de questão! Terias que as fazer em Portugal primeiro! Derrotar os movimentos guerrilheiros pelas armas?! Como, se nem os norte americanos com meios "infindáveis" o conseguíram no Vietname?!

Salazar criou à sua volta uma mentira, tinha todo um regime a propagandear a figura que arquitectou. Ironicamente, morreu envolto numa mentira, com contornos infantis. Guardava uma cápsula de cianeto que Hitler lhe ofereceu e, disse algumas vezes à D. Maria que nunca se deixaria "apanhar"... morreu sem ter que a usar. Seria certamente uma morte mais gloriosa que a que teve!

Sinto pena dos que o veneram. Aos que o "admiram", aconselho o estudo aprofundado da figura e o contexto histórico, político, social e económico em que viveu e em que fez mergulhar o país.

Hitler continua a ter apoiantes, Fidel Castro idem. Para os note-coreanos Kim Jong Il é um deus.... cada cabeça sua sentença, mas a ignorância (falta de informação) e a falta de memória é a pior moléstia de um povo, os norte coreanos são bem o exemplo disso.

Cumprimentos democráticos para todos!
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor Pedro Bala » 04 ago 2008 16:00

Não me revolto.
Tenho pena! Muita pena! :(
E só não choro, por vergonha.
Comparar um homem - sério, trabalhador, honesto, inteligente - dos melhores que Portugal "pariu" - a umas quantas "bestas" humanas, não é "redutor" de nada: É (no mínimo dos mínimos) estúpido, para não dizer: idiota.
Será que naquele programa da RTP (Os Melhores Portugueses de Sempre) os votantes, que elegeram e atribuíram o PRIMEIRO LUGAR ao Dr. António de Oliveira Salazar, não sabiam o que faziam?
Será que só "meia dúzia" de comunas invejosos (frustrados) e outros pretensos "socialistas" da treta sabem onde votam quando põe a cruz (arre... canhoto... canhoto... Deus até se deve "benzer") no boletim de voto?

Comparem (felizmente, muita gente já se apercebeu) a fortuna do Mário Soares (Papa de alguns Socialistas pORTUGUESES - não sei como ainda não o elegeram dEUS - e "companhia") com os bens, que de herança o Dr. Oliveira Salazar deixou à sua família, e depois digam-me se, em política, aquilo que parece não é?

Jamais me esquecerei do que o meu falecido pai me contou (pouco antes de morrer) acerca do mAROCAS: - rapaz, parece que o Dr. Marcello Caetano, (sucessor de A. Salazar) após o exílio no Brasil, disse que não conseguia compreender como é que um reles advogado era Primeiro Ministro de um país como Portugal. (Para quem não sabe, o Ilustre Professor nem de morto quis regressar. Por vontade expressa "«adormeceu» no Brasil, onde repousa. Se calhar - aqui tenho dúvidas - a Pátria não o merecia.) E eu também não compreendo. Mas há quem compreenda....

Corja...! :(
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor Diana » 04 ago 2008 18:52



Roger Waters - Another Brick In The Wall


Vá-se lá saber porquê, mas depois de ler os vários comentários, e terminando com a leitura do post do tiririca, só me apetece responder desta maneira. Ou seja, colocando esta música.....




PS - às vezes, pára-me a "ginja", é o que é .... :shock:
Só pode ! :LOL :LOL :LOL
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor tiririca » 04 ago 2008 23:21

Eu sei de que barro são feitos os tijolos que constroem o Sultão!

Por via disso, não me ofendo com as suas afirmações!

Apenas estamos em campos "opostos"...

E nessa votação, votei em D. João II, todos os outros (refiro-me unicamente a políticos, não a homens de letras, ou estrategos militares), com excepção do D. Afonso Henriques, considerei lixo.

A história "roda" em ciclos, que Schumpeter erradamente (na minha opinião) baptizou de "onda de Kondratiev" ou "ciclos de Kondratiev"... Sultão, nunca deprecies, quem te aconselha a estudar... é do conhecimento que nasce a luz.

Abraço fraterno!
O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.
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Re: Salazar caíu há 40 anos

Mensagempor Pedro Bala » 05 ago 2008 09:23

Sabes... acho que sabes, pois disse-o publicamente: votei em D. Dinis. ("Lixo" para ti. Que exagero!) Mas também sei que D. João II foi do melhor que "parimos". Só que eu optei pelO Trovador... Pinhal de Leiria... Universidade... Língua Portuguesa... etc. falaram mais alto. Mas, O Príncipe Perfeito (-eu sou o senhor dos senhores, não o servo dos servos.) é - sem dúvida - para nós, portugueses, aquilo que o cognome diz.

tiririca:
Não te ofendas (nunca foi minha intenção ofender-te) porque mesmo em "campos opostos" as equipas que se defrontam jogam no mesmo terreno. :))
Abraço
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.


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