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Fulano_de_tal
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Mensagempor Fulano_de_tal » 03 ago 2008 15:54

Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.

Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido. A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida em Portugal sob licença da Intel, uma história bem distinta da habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.

Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão 80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishful thinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.

A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.

PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel.

Etiquetas: desinformação é poder, governo, tecnologia

http://zerodeconduta.blogs.sapo.pt/641878.html

A desinformação:

Matosinhos recebe nova fábrica da Intel e JP Sá Couto
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/not ... 5&main_id=

já encomendou quatro milhões de computadores pessoais de baixo custoA nova fábrica de computadores projectada pela multinacional Intel e pela portuguesa JP Sá Couto vai ser construída na zona do Freixieiro, em Matosinhos.
A futura unidade será responsável pela montagem de um novo computador, que receberá o nome «Magalhães», numa referência ao comandante português que fez a primeira circum-navegação do mundo, e que será destinado a crianças do primeiro ciclo de escolaridade, disse à «Lusa» fonte do processo.
O anúncio do investimento será feito quarta-feira em Lisboa, pelo presidente da multinacional norte-americana Intel, Craig Barrett, numa cerimónia que terá lugar no Pavilhão Atlântico e que contará com a presença do primeiro-ministro José Sócrates e dos ministros das Obras Públicas, da Economia e da Educação.
A fábrica ficará localizada na zona industrial que a Câmara de Matosinhos está a dinamizar no Freixieiro, Perafita, próximo do terminal TIR e das instalações da Jomar e da fábrica Ikea.
A portuguesa JP Sá Couto, que produz os computadores Tsunami, tem a sua sede também na freguesia de Perafita, junto à refinaria da Petrogal.
A nova fábrica já terá encomendas para quatro milhões de computadores pessoais de baixo custo, destinados ao programa e-escolas e também ao mercado mundial, segundo a imprensa do fim-de-semana.

http://www.pcworld.com/article/149141/2 ... k=rss_news
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