Justiça Tributária - Cada juiz tem mil processos na mão

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Diana
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Justiça Tributária - Cada juiz tem mil processos na mão

Mensagempor Diana » 05 ago 2008 18:27

:shock:


Justiça - casos de contencioso tributário parados


Cada juiz tem mil processos na mão


O estudo sobre a economia informal no País, promovido pela COTEC, Associação Empresarial para a Inovação, conclui que o sistema judicial em Portugal é moroso e que não contribui para a redução das actividades não declaradas.

Segundo o documento, cada um dos 33 juízes da área tributária tem em mãos 1140 processos de contencioso fiscal, pelo que, "sem ter em consideração novos processos, o sistema precisa de mais quatro anos para analisar os processos existentes" – cenário que para os responsáveis pelo estudo "assume proporções chocantes". O Ministério da Justiça não dispõe, contudo, de dados relativos ao último ano.

Segundo o documento, cada um dos 33 juízes da área tributária tem em mãos 1140 processos de contencioso fiscal, pelo que, "sem ter em consideração novos processos, o sistema precisa de mais quatro anos para analisar os processos existentes" – cenário que para os responsáveis pelo estudo "assume proporções chocantes". O Ministério da Justiça não dispõe, contudo, de dados relativos ao último ano.

De acordo com o trabalho da Universidade Católica, já entregue ao Ministério das Finanças, em finais de 2006 havia 37 623 processos pendentes, tinham entrado mais 12 228 e sido concluídos 8859. Ontem, a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos implementou um sistema informático para recuperar receitas fiscais desviadas pelas empresas, como a falta de entrega das retenções dos trabalhadores e do IVA cobrado a clientes.

Artur Santos Silva, presidente da COTEC, diz que "no sistema judicial as pessoas não estão formadas" e defende a necessidade de criar equipas técnicas de apoio aos tribunais fiscais, independentes da administração fiscal, e uma maior formação dos juízes em matérias económico-financeiras – medidas propostas no estudo.

O ex-banqueiro assume que os crimes investigados na ‘Operação Furacão’ são situações "evidentes" de economia informal.

Reconhecendo que o País tem uma "máquina com limitações operacionais e técnicas", defende também que "nos casos particularmente complexos os prazos de prescrição dos crimes fiscais deve ser alargado" até dez anos, mas recusa o levantamento do sigilo bancário.

RESTAURAÇÃO ESTÁ MAIS VULNERÁVEL

A economia informal no País representa 22,3% do PIB, mais de trinta mil milhões de euros, a terceira com mais peso nos países da OCDE. A restauração e a construção civil são áreas vulneráveis

Para Vítor Rodrigues, coordenador do estudo, as duas áreas têm "nível de economia informal mais elevado porque vivem de uma relação estreita com o consumidor final, que é ele próprio pouco exigente no cumprimento das regras". De forma a minimizar os efeitos da economia paralela, a COTEC propõe assim uma uniformização do IVA, que podia levar a uma eventual descida da taxa, a simplificação da tributação do rendimento e a simplificação dos processos de licenciamento.

A criação de um balcão único municipal e o aconselhamento da actividade empresarial nos primeiros anos são soluções propostas.

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Re: Justiça Tributária - Cada juiz tem mil processos na mão

Mensagempor Diana » 05 ago 2008 18:30

:shock:


Fisco


Dívidas totais ascendem a 2,2 mil milhões de euros


Há 50 mil empresas em Portugal que se apropriam indevidamente dos descontos efectuados para IRS pelos seus trabalhadores ou para IRC, por outro prestadores de serviços, além do IVA cobrado aos clientes, não entregando essas prestações ao Estado. Segundo o Ministério das Finanças, as dívidas totais destas empresas ascendem a cerca de 2,2 mil milhões de euros, o que corresponde a 6% da receita fiscal total inscrita no Orçamento de Estado para 2008.

Em causa estão impostos já pagos pelos trabalhadores dependentes, prestadores de serviços e respectivos clientes das empresas que estas não entregam aos cofres do Estado, desviando esse dinheiro para outros fins.

Daquelas 50 mil empresas, há 24 mil que não entregam as suas prestações tributárias "de forma reiterada ao longo de vários meses". E será em relação a estas que a Direcção Geral dos Impostos (DGCI) vai actuar primeiro. Estas serão formalmente notificadas já na próxima semana para pagarem, não só as prestações tributárias em falta, mas também as coimas respectivas, que lhes são aplicáveis nos 30 dias seguintes. Além de serem também alvo de acções de inspecção e penhora de bens.

Isto no âmbito da operação "Resgate Fiscal" lançada pela Direcção Geral dos Impostos, com o objectivo de recuperar as receitas fiscais desviadas pelas empresas. Uma operação considerada prioritária, pelo que os serviços regionais e locais da DGCI receberam instruções específicas para envolverem todos os meios disponíveis na recuperação urgente destas receitas para os cofres do Estado, informou ontem o Ministério das Finanças em comunicado. A não entrega dos impostos em questão, quando é intencional, ou seja, dolosa, é considerada, de acordo com a Lei, crime de abuso de confiança fiscal, punível com pena de prisão de três anos.

Para facilitar a detecção destas situações e poder actuar mais eficazmente em relação a elas, a DGCI dispõe, desde ontem, de um sistema informático que lhe permite descobrir automaticamente as empresas faltosas (ver caixa). Além disso, coloca em rede vários sistemas, permitindo, assim, uma actuação mais eficaz nos casos mais graves, segundo a nota informativa do Ministério das Finanças.

Esta operação insere-se no âmbito de um programa de combate à fraude e evasão fiscal que tem vindo a ser levado a cabo pela Direcção Geral das Contribuições e Impostos nos últimos três anos. Em Dezembro, a administração fiscal já tinha notificado 60 mil contribuintes nesta situação, dos quais 10 mil regularizaram as suas prestações, pagando dívidas no valor de 48 milhões de euros.

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