Mensagempor tiririca » 04 jan 2010 23:40
Caríssimo Pedro Bala,
A mim, ensinaram-me que Deus era único, omnipresente, omnisciente, omnipotente, infinitamente bom e misericordioso!
Que Deus é este que vive nas nossas igrejas?!
Sobretudo, que Deus é este que "habita" em Fátima?! Não consigo perceber o que "isto" é! Não tem explicação nos evangelhos!
Que Deus é este que "permitiu" gastar 60 milhões de euros numa basílica?!
Que Deus é este que "obriga" as pessoas a sacrifícios humanos desmesurados?!
Que Deus é este que não é capaz de convencer as pessoas a fazerem o bem ao seu próximo em vez de um sacrifício físico inútil?! Ou um exercício de contemplação (meditação) igualmente inútil para o carente, o enfermo...?!
Pedro Bala, o Deus que me foi dado a conhecer e do qual hoje não sou crente, não necessitava de templos! Cada um de nós é um templo em sua honra! O Deus que me foi dado a conhecer, não dizia que eu não devia ir à missa, mas dizia que tinha mais valor fazer bem a quem precisa do que apenas ir à missa: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demónios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus! "... "dai de comer a quem tem fome", "dai de beber a quem tem sede", "vesti os nus"... "Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a Lei e os Profetas"!
O Homem não consegue viver sem religião! É um facto. Nas últimas décadas, os regimes comunistas tentaram "apagar" Deus. Curiosamente, esses povos começaram a venerar os líderes mortos (na União Soviética, com Lenin) e até os vivos, como na Coreia do Norte!
A fé é algo que não se explica. A sua falta também não tem explicação. Logo, há que ser tolerante. Mas esta tolerância tem que ser mútua, até porque, a fé (ou a ausência dela) é um acto de liberdade individual!
Dar o epíteto de estúpido a quem tem ou não fé, é em si mesmo uma estupidez e, não é aceitável.
Há quem diga que o ateísmo é em si mesmo uma religião, uma fé! Do ponto de vista filosófico, talvez seja! Não nego as minhas raízes judaico-cristãs. Cresci como homem, alicerçado nos seus ensinamentos, dogmas e filosofias. Contudo, num dado momento da minha vida, obliquei, mudei de rumo, porque deixei de me identificar com o status quo a que os príncipes da Igreja a conduziram. Por isso pergunto: Que Deus é este?!
PS: Mas nem em casa sou capaz de obter resposta! Tens aí o exemplo!
Abraço.
O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.
(Willian George Ward)