Liga para a Defesa e Conservação da Pintelheira Nacional

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Fulano_de_tal
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Liga para a Defesa e Conservação da Pintelheira Nacional

Mensagempor Fulano_de_tal » 04 out 2010, 20:29

Liga para a Defesa e Conservação da Pintelheira Nacional




Colegas angustiados escreveram-me epístolas lancinantes. A enormíssima preocupação que os dilacera e mergulha num stress inaudito resume-se ao seguinte: estará este Forum asselvajado, ferrabrás e iconoclasta em risco de se transformar em mais uma sala (ou salão) de chat?
De maneira nenhuma, meus amigos! Essa dúvida até me ofende. Só por cima do meu cadáver, ou nem por cima dele, porque mesmo falecido este invólucro atlético onde pontificam músculos de aço inoxidável e miolos turbilhonantes, e vice-versa, perdurará, ainda e sempre, o meu fantasma; e esse, podeis confiar, não o permitiria nunca. Armaria poltergeists de todo o tamanho, assombrações e tumultos de tal ordem, que até o furacão –aliás, furacona – Wilma (não sei se Flinstone) havia de parecer um redemoinhozito soprador de palhas. É como vos digo, boa gente: as caixas de comentários deste tugúrio, que são lendárias pela sua brancura, higiene e privacidade, e fazem público alarde disso, voltam já de seguida a esse recato tumular, vasto e silencioso, verdadeira nave de catedral, a que os ilustres e raros peregrinos deste apocalipse se habituaram e onde se recolhem, não raras vezes, em profunda e devota meditação. Ora, para que não restem dúvidas quanto a isso, estamos de volta às grandes questões da humanidade, àquelas causas beneméritas, inebriantes, por que vale a pena lutar, dirimir e perder o sono.
Desta vez, é mesmo aquela que - pela sua acção devastadora e esfoliante no bem mais precioso da pátria-, me atormenta especialmente não só a mim, mas, sobretudo, ao meu amigo e confrade neste Forum, Sua Abécula Lampiónica, o Lopes. Refiro-me à Alopecia púbica feminina.
Vou apenas sorver um gole de trotil para aclarar os fagotes e prossigo já de seguida, com a pertinácia e clarividência que me caracterizam...
Leitores, muito se tem verberado a mutilação genital ou excisão, mas, lamentavelmente –direi mais: criminosamente! -, esquece-se a mutilação (ou extermínio) capilar, variante suavizada mas igualmente hórrida de vulvo-escalpe; ou, dito eruditamente, alopecia púbica. É deplorável. Sobretudo porque enquanto aquela, a excisão, decorre entre populações longínquas, alienígenas, regidas por costumes arcaicos, pré-cognitivos, cafrealinos, esta, a alopecia púbica, processa-se e alastra como verdadeira praga mesmo debaixo do nosso naríz, escalvando sem dó nem piedade –e a um ritmo alucinante, Príapo nos valha-, as donzelas casadoiras da nossa própria sociedade. Não restem dúvidas: De todas as americanices que molestam o mundo, esta é talvez a pior.
E se no meu entender a situação é da maior gravidade, no entender do Lopes ela é calamitosa, senão mesmo um presságio óbvio de que o fim do mundo está próximo. Em aceitando os seus pressupostos – a saber: mulher que barbeia a cona não é fiável; se um cabeça rapada é neonazi, uma cona rapada é neoquê? -, corremos o risco demergulhar em idêntico estado de aflição convulsa (isto se, avassalados de justa ira, assanhados e envespecidos, não corrermos de pronto às avenidas, em marchas de protesto e motins tonitruantes, cravejando de pedradas as montras e os colegas de serviço).
As desgraças, porém, possuem faculdades multiplicativas. Esta não foge à regra. Assim, como se já não bastasse a escanhoadela completa a que submetem o entrepernas, as fulanas, seduzidas e mentecaptizadas por propagandas cavilosas e modas malfazejas, ainda se dão aos trabalhos e requintes de enfeitá-lo com todo o sortido de ferragens, bijuterias, tatuagens e, quiçá, semáforos luminosos. Nunca os vi, mas já não me surpreende que existam. E se me vierem dizer que durante a época natalícia há flausinas que imitam as ruas da baixa, nem duvido. Pois é, antigamente - e chamavam-lhes desumanos, tenebrosos, medievais, ogres de barba azul por causa disso-, revestiam as donzelas com cintos de castidade fechados a cadeado; agora, se preciso for, são as próprias que desfilam com aloquetes dependurados do martirizado grelo e é o cúmulo da modernice. Bué da fixe. Se o progresso é isto, eu vou ali e já venho. O Lopes, esse, menos dado a estoicismos, solta impropérios e abalroa com a cabeça as inocentes paredes. Calma, Lopes, não sejas bota de elástico!...
Hão-de, não obstante, Vosselências, convir que o caso não é para menos. Agrava o caso singular do meu amigo a tragédia de já por duas vezes se ter esfolado em não sei que símbolos góticos, além de ter desenvolvido uma afta renitente na língua à conta dum apetrecho geralmente à venda nas lojas de ferragens, mas que a galdéria ostentava perigosamente num socalco inoportuno, plantado algures entre os grandes e os pequenos lábios da sua armadíssima coisa. Daí que ele pergunte, e com toda a razão, que raio de mundo é este? Eu, que também já senti na pele sensível dos testículos as sevícias intempestivas desses adereços de masmorra ou ganadaria, junto-me, dolorido, à interrogação – que cabrão de mundo é este?! Se alguém souber a resposta, é favor escrever para o email em anexo e partilhar connosco a solução de tão descomunal enigma.
Com efeito, como se já não fosse suficientemente desolador o quadro duma vagina escalvada, - o que, assim de repente, pode degenerar em erros grosseiros de paralaxe e angústias subsequentes do estilo "mas estou a entrar pela porta da rua ou da garagem ?"-, a macabra paisagem é ainda piorada e complicada por um conjunto de ratoeiras arrepiantes claramente predispostas ao estropiamento e escoriação do piston em trânsito. É caso para perguntar: se as gajas teimam em armadilhar a cona, não recomenda a prudência que nós, machos viris, tratemos de couraçar o caralho?... Por outro lado, se a ideia era assustarem-nos, congratulem-se, ó megeras: estais a consegui-lo. A perspectiva de lacerar, agrafar ou lapidar o garboso membro (de encontro a sabe Deus que joalharias ou retrosarias de emboscada ao paraíso) não constitui especial idílio para qualquer garanhão em seu perfeito juízo, ainda que faminto de dois dias. Mal por mal, antes o querubim, ou serafim, ou joaquim armado com a espada ardente, de porteiro ao Eden e às cóleras de Jeová! Vê-se à distância e um gajo não perde tempo nem gasta devaneios.
Dantes, meus amigos, era a gonorreia, vulgo escantamento. Escorria-se pus e ia-se à zaragatoa. Depois apareceu a Sida, esse flagelo. Agora, para cúmulo, além dessasduas, é também o tétano. Progressos, se existem, só se for nos riscos que um cavaleiro corre: Outrora, os pregos ferrugentos armavam-nos ciladas aos pés e respectivas solas; doravante, ascenderam na vida, treparam pelas pernas acima e já nos ameaçam a cabeça da pichota. Se isto é que é progresso, mais valia voltarmos para as árvores!...
Por este andar, não me restam muitas dúvidas: em vez da camisa-de-vénus, temos que passar a usar uma armadura medieval no nosso próprio aríete. Quer dizer, em vez de camisa, o melhor mesmo é vestirmos samarra – samarra-de-marte, por assim dizer, já que a tarefa amorosa, em cada dia que passa, se aproxima mais do exercício mavórtico. Não tarda, um tipo para ir para a cama com uma gaja tem que equipar-se e aparelhar-se feito sapador da Grande Guerra, pronto a abrir caminho por entre o arame farpado. É justo: Quem com ferro fode, com ferro tem que ser fodido. Com portões, fossos e levadiças tais não se brinca.
Entretanto, eu –e o Lopes, a meu conselho-, já tomámos medidas preventivas: vamos passar a andar sempre munidos do detector de metais e de perucas-pintelheira. Como é que o esquema funciona? É simples: primeiro, com a maior descrição, sondamos a gaja com o detector. Se apitar, nada feito, está minada; se não apitar, avançamos para a segunda fase. Uma vez nesta, à medida que a boazona se despe, procedemos à sondagem manual do entrepernas, logo seguida de confirmação por reconhecimento visual. Caso se constate, sem sombra de pintelho, que padece de alopecia púbica, usamos da fórmula Lopesiana (nestas coisas sempre um ás) e ordenamos-lhe, em tom imperioso: "Ouve, querida, quando acabares de despir a roupa, fazes favor, pega lá o adereço e vai vestir a cona!" Sim, porque a gaja quer-se pelada, mas a cona da gaja não. E dispensem-se de me vir dizer que é uma violência fassista, porque com tanta mama, lábio e rabo postiço que por aí anda, um chinó púbico não escandaliza nem diminui ninguém.
Posto isto, partindo do princípio que não estou a falar para as paredes e vós não sois apenas uns cabrões duns tijolos ou calhaus incrustados em argamassa, penso que está dito o suficiente para vos despertar dessa alienação e lobotomia em que, geral e alegremente, flanais. Políticas, futebóis, paneleiragens, economices, religiões, enfim, todas essas telenovelas com que vos injectam, só servem para vos distrair do que realmente interessa, daquilo que faz mover e perpetuar o mundo. Largai a droga! A pandemia já está entre nós!

Escutai, ó alienados:

Chega de discutir pintelhices. Defendamos a pintelheira nacional!


A Liga para a Defesa e Conservação da Pintelheira Nacional (LDCPN) está em marcha.
Donativos e mensagens de solidariedade ou adesão através do email em anexo
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Pedro Bala
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Re: A LDCPN

Mensagempor Pedro Bala » 05 out 2010, 16:28

Seis estrelas. :)) Está demais...! :fix
Deus te dê o dobro daquilo que me desejas.

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Fulano_de_tal
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Re: Liga para a Defesa e Conservação da Pintelheira Nacional

Mensagempor Fulano_de_tal » 23 mar 2015, 10:44

Decorre no Porto, segundo escutei nas tele-notícias (e podeis confirmar aqui), uma exposição comemorativa da boneca Barbie.
Num ápice, fulminado por um ímpeto clarividente, ocorreram-me uma catrefa de nano-micro-pintelho-causas sublimes, cada qual mais urgente que a anterior...
Em primeiro lugar, na minha qualidade de secretério-geral da LDCPN (Liga para a Defesa e Conservação da Pintelheira Nacional), vou escrever desde já, em chocada reclamação, aos autores/mentores/e fabricantes da boneca, ou seja, à Mattel, contra o facto da dita cuja vir desprovida de pelos púbicos, vulgo pintelhos, o que induz em erro e gera um péssimo paradigma na tenra mioleira das crianças. Com tais exemplos nefastos, não admira que mais tarde se escalvem e descabelem onde menos devem. Esta, como devem calcular, é uma questão transcendente, de importância capital. Daquelas que pode gerar uma indignação capaz de culminar em atentados bombistas. Fiquem atentos: Um abaixo signatado circulará em breve. Escusam de lê-lo (até porque o vosso entendimento da palavra escrita é muito precário); basta assinarem e vociferarem nas ruas, quando for superiormente determinado (entenda-se: quando eu disser).
Em segundo lugar, passo a expor a catrefa de nano-micro-pintelho causas propriamente ditas.
Todas elas, registem desde já, orbitam à volta dum conceito fulcral: a adequação da Barbie ao nosso eco-sistema, ou dito por outras palavras, uma Barbie para os portugueses. Uma Barbie que nos espelhe, e não uma que nos aculture e colonize. Vá comer Mcdonnald’s para a puta que a pariu!
Note-se que quando eu digo portugueses refiro-me, como devem calcular, àqueles múltiplos infelizes sem meios de fortuna ou prebendas de tribo ou seita, que lhes permitam ser outra coisa qualquer. Aqueles que, proscritos das gordurosas elites e respectiva macacada satélite, se encontram destituídos da possibilidades de adopção, por mimetismo, de outra nacionalidade ou cultura e flanar ao alto em conformidade, pilotando ora múltiplos tachos, ora fantásticos jobs, ora resmas de sabujos acólitos e plateias de acéfalos babosos. Para estes está muito bem a Barbie com Ferrari, a Barbie Bond-Girl e outras opulências que tais. Mas para aquel’outros que refiro, os tais portugueses sem escapatória, que estão mesmo condenados a ser portugueses, 24 horas por dia, trinta dias por mês e 12 meses por ano, repito, sem fantasias, sem carnavais, sem devaneios nem partido, não existe puta de Barbie nenhuma e isso, além de trágico, é inadmissível. Num tempo em que hordas de coca-bichinhos exaltados espiolham a eito à cata de discriminações hediondas, eis aqui uma colossal, daquelas dignas de registo e merecedoras, senão dum Laiv Aid 9, pelo menos duma marcha decidida a pôr cerco ao parlamento. Nem quero imaginar quando os U2 souberem disto.
Porque, embora não pareça e a sua transparência proverbial dificulte as coisas, esta gente também é gente. Os portugueses, por incrível que pareça, existem carnalmente; não são apenas dígitos estatísticos. Cada vez menos, é certo, também têm filhos e estas crianças precisam de crescer com modelos que os preparem e instruam no seu futuro; carecem, como de pão para a boca, de moldes-guias para a sua imaginação, cenários que, ao mesmo tempo, as predisponham e conformem com os seus horizontes existenciais. Há cuidados paliativos mínimos a ter com certas doenças crónicas, dolorosas e incuráveis... São crianças que nascem já de pernas partidas, ou atrofiadas, e que, durante toda a sua vida vão ser atropeladas e violadas por profissão e princípio. Num mundo inóspito, cínico e grotesco, que se entretém a decorar com elas cadeiras de rodas mentais, um resquício de caridade, pelo menos durante os breves anos da infância, não fica mal a ninguém. Um pequeno simulacro que seja, que diabo!... A forma como estes tetraplégicos sociais reptam desde o berço até à sepultura, apanhando traulitada e escarro gorduroso pelo meio, devia merecer-nos alguma atenção, para além daquela que geralmente usamos e que consiste em, sempre que possível, acertarmo-lhes a cabeça.
Há crueldades e requintes de malvadez que são absolutamente desnecessários. Pior mesmo do que aquilo para que os reservamos na idade adulta e pela vida fora, é o deboche de infestá-los de ilusões e fantasias parvas nos verdes anos. A sucessão de choques e desilusões, de abismos e desesperos para que isso os prepara e adestra não tem classificação e só releva dum sadismo nojento, volutábrico, digno de hienas canibais.
Por isso, enquanto os portugueses não deixam de procriar de vez, poupando assim a sua descendência a agruras e tribulações horripilantes, o mínimo de atenção que o Mercado lhes deve, já que mais ninguém se preocupa, é disponibilizar-lhes brinquedos para os filhos que ajudem a conformá-los e não a deformá-los mais do que aquilo que já nascem. Que, em vez de os iludirem com asas que nunca terão e jamais lhes germinarão miraculosamente dos costados, os mentalizem para a paulada inexorável nos mesmos, bem como para as muletas e cadeiras de rodas que o futuro lhes reserva com generosidade imarcescível.
Em resumo: Queremos uma Barbie para as crianças portuguesas. Uma Barbie que respeite a sua cultura, as suas idiossincrasias e, sobretudo, que as conforme com o seu futuro, servindo como lenitivo antecipado à sua vida adulta (omito qui, por caridade, o adjectivo “desgraçada”). Lenitivo, aperitivo e incentivo, claro está.
Esta é a nano-micro-pintelho-causa para que vos convoco e cujo manifesto seguirá de imediato para a Mattel.
Resumir-se-á a exigir, sem mais delongas nem turpilóquios, o fabrico e distribuição no nosso país dos seguintes modelos da lendária boneca:
1. A Barbie Desempregada
2. A Barbie Operadora de telemarketing
3. A Barbie Acompanhante
4. A Barbie Massagista
5. A Barbie Sem-Abrigo
6. A Barbie toxicodependente
7. A Barbie Figurante

As Barbies e os respectivos Kens, bem entendido. Ah, e com pintelhos, nunca esquecendo. A Barbie! O Ken, esse, pode continuar a vir capado. É um pormenor de grande realismo e uma lição indispensável ao futuro dos nossos pequenotes.

Tenho dito.
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